“Não há nada de escondido que não venha a ser revelado.”
SERVANS FIDEI - TRADIÇÃO CATÓLICA: SOMOS FILHOS DE MONS. MARCEL LEFEBVRE - SOMOS A CONTRARREFORMA! A IGREJA "QUE VEMOS" É APÓSTATA, E SUA MISSA É BASTARDA.
Pages
- Início
- QUEM SOMOS
- ABORTO NÃO!
- LEIA ANTES DE COMENTAR!
- O PAPADO
- SÃO PIO X
- MONS. MARCEL LEFEBVRE
- PE. ERNESTO J. CARDOZO
- CONCÍLIO VATICANO II
- CARTA ABERTA AOS CATÓLICOS PERPLEXOS
- MILAGRES EUCARÍSTICOS NA MISSA NOVA - MISSA DE SEMPRE X MISSA NOVA
- 1ª VEZ NA MISSA TRIDENTINA?
- POR QUE NÃO IR À MISSA NOVA
- QUESTÕES ACERCA DA MODÉSTIA
- CRISTIANOFOBIA
- MISSÕES CRISTO REI NO BRASIL
- MISSÃO CRISTO REI DE CAMPO GRANDE/MS
- EDITORA MISSÕES CRISTO REI
- BIBLIOTECA VIRTUAL
- JEJUM E ABSTINÊNCIA NO BRASIL
- QUARESMA
- DOAÇÕES
Pesquisar este blog
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
O SEGREDO DE LA SALETTE
19 DE SETEMBRO: 171º ANIVERSÁRIO DA APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA EM LA SALETTE
O SEGREDO DE LA SALETTE
Dificuldades na transcrição da visãoMaximin e Mélanie foram beneficiados por um privilegiado e manifesto auxílio sobrenatural para serem fiéis a tudo que tinham visto ou ouvido. Este fato não evitou que a complexidade da visão e as limitadas forças intelectuais dos videntes criassem dificuldades para verter a aparição no papel.
Maximin era pouco hábil em redação. Em 1851 foi necessário que reescrevesse tudo, devido às manchas de tinta do seu escrito. Sua escassez de recursos reflete-se na redação.
O modo como se deu a revelação também contribui para um certo vai e vem na ordem cronológica do relato dos videntes.
Houve sucessivas redações do segredo resultantes desse esforço de explicitação dos videntes, em especial de Mélanie.
O segredo na sua forma mais completa
Os videntes só aceitaram revelar o segredo antes de 1858 por obediência, e com a finalidade de ser levado ao conhecimento exclusivo do Papa. Este foi o motivo da primeira redação oficial do segredo, feita por Maximin em 3 de julho de 1851, e por Mélanie três dias depois.
Em 1853 o novo bispo de Grenoble, Mons. Ginoulhiac, ordenou que eles voltassem a verter o segredo no papel. Todas estas redações ficaram sob sigilo no Vaticano.
Em 1858, ano da aparição de Nossa Senhora em Lourdes, os videntes ficaram liberados da obrigação do silêncio e deram a público o segredo.
Mélanie enviou ao Papa, o Beato Pio IX, uma redação mais aprimorada. No resto da vida, tanto Mélanie quanto Maximin responderam a inúmeras consultas e pedidos de esclarecimento.
Transcreveremos a seguir na íntegra a versão do segredo que é tida pelo Pe. Corteville como a mais completa. É uma redação mais extensa, feita por Mélanie em 21 de novembro de 1878, considerada definitiva pela vidente.
Cegos, surdos, mudos e... arrogantes!
Quando um doutor erra
Muitas
vezes nós nos perguntamos por que alguns sacerdotes piedosos,
tradicionais, bem formados, com muito mais conhecimentos do que nós,
leigos, não conseguem enxergar coisas que são tão óbvias. É certo que
nós nos aplicamos nos estudos, lemos os documentos dos papas
pré-conciliares, estudamos os catecismos tradicionais, obras tomistas ou
mesmo tratados de teologia ou filosofia. Mas jamais poderíamos supor
que tenhamos uma formação que sequer se assemelhe a de uma padre
tradicional. Sem contar que eles, e não nós, possuem graça de estado
para defender de maneira especial a Fé. E, no entanto, é para nosso
espanto que vemos estes padres tão bem formados não conseguirem enxergar
os desvios que os seus superiores estão tomando, mesmo quando estes
desvios são claríssimos e enormes.
Para
que eu não busque uma explicação que seja minha, de um simples leigo,
evoco aqui as palavras de um gigante na defesa da Fé católica:
Contudo, eu ponho a seguinte questão: por que Deus não impede que se ensine o que ele proíbe que se escute? “Porque
o Senhor vosso Deus vos põe à prova, para se tornar manifesto se O
amais ou não de todo o vosso coração e de toda a vossa alma”.
Assim, pois, está mais claro que a luz do sol o motivo pelo qual de vez em quando a Providência de Deus permite mestres da Igreja que preguem novos dogmas: “Porque o Senhor vosso Deus vos põe à prova”. E
certamente que é uma grande prova ver um homem tido por profeta,
discípulo dos profetas, doutor e testemunho da verdade, um homem
sumamente amado e respeitado, que de repente se põe a introduzir a
escondidas erros perniciosos. Ainda mais quando não há possibilidade de se descobrir imediatamente esse erro, visto
que toma as pessoas de surpresa, já que se tem por tal homem um juízo
favorável por causa de seus ensinamentos anteriores, e se resiste a
condenar ao antigo mestre ao qual nos sentimos ligados pelo afeto. (Lérins, São Vicente de; Comonitório; Editora Permanência; 2009; página 34)
Dizíamos
que na Igreja de Deus o erro de um mestre é uma tentação para os fiéis;
e a tentação é tanto maior quanto mais douto é quem erra. (Ibidem,
página 49)
Deus
não extirpa imediatamente os autores de heresias para que os que são de
uma virtude provada se manifestem, isto é, para se mostrar até que
ponto se é tenaz, fiel e constante no amor à fé católica. (Ibidem, página 55)
Poderiam
ser mais atuais estas palavras? Deus permite a queda de doutores para
provação dos fiéis. E não qualquer tipo de queda, mas até mesmo a
heresia. Se amamos a Deus, continuamos crendo o que a Sua Santa Igreja
sempre ensinou, e não o que um homem inventou. Não importa o quanto um
varão seja ilustre, douto, eloquente, poderoso, influente. Se ele se
aparta da doutrina da Igreja, nós não o seguimos. Por mais que, no
passado, ele tenha ensinado corretamente, se se desvia da verdade, já
não merece mais ser crido. A regra é clara: aceita-se a doutrina que vem
de Deus, rejeita-se a que foi inventada pelo homem.
Sublinhei,
no texto de São Vicente, algumas palavras pelas profundas implicações
psicológicas que elas trazem. O que foi dito no meu parágrafo anterior é
sumamente racional. Mas nós sabemos que muitas vezes o ser humano não
se move pela razão. A nossa natureza debilitada pelo pecado original
acaba por inverter os valores e antepõe as potencias inferiores da alma
às superiores. Muitas vezes o ser humano não quer acreditar no que está
vendo. Quando se tinha um juízo favorável sobre alguém que se conhece há
muito tempo, não é fácil desfazer este juízo. Ainda mais quando se está
ligado pelo afeto. Imaginem um padre que conviveu longos anos com um
bispo, que talvez tenha sido ordenado por ele, de quem sempre recebeu
boa doutrina e bons exemplos. É difícil para este padre acreditar que o
bispo tenha se desviado do caminho. E, no entanto, este padre tem a
obrigação de aderir à verdade assim que ela seja conhecida. Para seu
próprio bem, para o bem dos fiéis que lhe foram confiados e até mesmo
para o do superior que se desviou, ao qual filialmente o padre deve se
opor, e não confirmá-lo no erro com uma obediência cega.
Se
algum padre ou leigo tiver tido a bravura de contrariar a ditadura
estalinista e estiver lendo este texto, por favor, reflita no que acabou
de ler. Não é a opinião de um simples leigo, e sim o que o grande São
Vicente de Lérins já havia observado: a queda de um doutor é motivo de
provação para os fiéis, mas a nossa fidelidade é à doutrina da Igreja, a
qual é imutável ao longo dos séculos, e não às palavras de uma homem,
que podem mudar em alguns poucos anos. Não sobreponham sentimentos à
objetividade da defesa da Fé. Não fechem os olhos: a análise objetiva
das palavras de Dom Fellay e de seus assistentes diretos demonstra clara
e inegavelmente que eles se apartaram daquilo que a FSSPX sempre
defendeu. Pois, agora, ou eles acusam os outros bispos de enxergarem
“super-heresias” no Vaticano II, ou dizem que “muitos dos erros que nós
atribuíamos ao concílio, na realidade não são do concílio, mas sim do
seu entendimento comum”, ou ainda que a “liberdade religiosa da Dignitatis Humanae
é muito, muito limitada”, ou até mesmo que “rechaçar a oferta [de
acordo prático] de Bento XVI é cair no sedevacantismo”. Ora, quem é
capaz de dizer que estas afirmações não são tipicamente
neo-conservadoras? E, no entanto, saíram da boca de Dom Fellay e do Pe.
Niklaus Pfluger, seu primeiro assistente. Diante de tão grandes
evidências, ninguém pode negar a mudança de rumo que eles querem
imprimir à FSSPX. Não temos o direito de nos fazermos de cegos, surdos e
mudos, não temos o direito de negar uma verdade que se nos apresenta [grifo do Pale Ideas]. O
que fez a FSSPX tão temível aos inimigos da Igreja é exatamente a sua
firmeza contra os erros do Concílio em uma época em que todos os outros
se curvaram ao falso conceito de obediência. E, para continuar sendo
útil à Igreja, ela precisa continuar sendo intransigente com o erro,
como aliás, é dever de todo católico.
+
terça-feira, 18 de setembro de 2012
A Selva - Regras Espirituais para um padre que aspire à perfeição
(27/09/1696 - 02/08/1787)
Bispo de Santa Àgata
Confessor
Doutor Zelosíssimo da Igreja
Fundador dos Missionários Redentoristas
Bispo de Santa Àgata
Confessor
Doutor Zelosíssimo da Igreja
Fundador dos Missionários Redentoristas
A Selva
APÊNDICE
Regras Espirituais
Para um padre que aspire à perfeição
1. Evitar o pecado e a perturbação depois do pecado
Um pecado que aspira à perfeição e deseja santificar-se, deve primeiro que tudo tomar a peito evitar antes o pecado que a morte, até o mínimo pecado venial deliberado. Depois do pecado de Adão, no estado atual da fragilidade humana, ninguém pode e nunca pôde — à exceção de Jesus Cristo e de sua Mãe santíssima — ser isento de todas as faltas veniais indeliberadas; mas podemos muito bem, com o auxílio de Deus, evitar todas as faltas deliberadas, isto é, cometidas com plena advertência e consentimento; é o que têm feito os santos. Quem aspira à perfeição deve estar bem decidido a deixar-se antes martirizar, do que dizer com advertência plena uma mentira, ou cometer qualquer outro pecado venial, por pequeno que seja.
Tal deve ser a sua resolução; mas, se tiver a desgraça de cair em alguma falta, deliberada ou indeliberada, não se perturbe nem inquiete. Nunca a inquietação vem de Deus, é um fumo que não pode sair senão do próprio abismo da inquietação, que é o inferno. Vem-nos de lá, porque, como dizia com razão S. Luís de Gonzaga, o demônio pesca sempre nas águas turvas.Quando uma pessoa, por exemplo, cometeu uma falta, perturba-se, e depois perturba-se por se haver perturbado: neste estado de inquietação, não só será incapaz de praticar o bem, mas até facilmente cometerá muitas outras faltas, quer de impaciência, quer doutra espécie.
Por isso, desde que a falta está cometida, é necessário humilhar-se e recorrer logo a Deus: faça um ato de amor ou de contrição, com o bom propósito de emenda, e peça com muita confiança a graça de que necessita, dizendo: Senhor! eis o que eu sei fazer e, se me retirardes a vossa mão, ainda farei pior! Amo-vos, arrependo-me do passado e não quero recair no futuro; dignai-vos conceder-me o socorro que da vossa bondade espero.Feito isto, ficai em paz, como se nenhuma falta houvésseis cometido. Se até no mesmo dia recairdes, procedei do mesmo modo. se tivésseis a desgraça de recair cem vezes, sempre deveríeis concluir assim: humilhe-se quem se exaltou, mas nunca se fique desalentado.
Importa observar que o perturbar-se depois de uma falta cometida, não é efeito da humildade, mas do orgulho: dói-se o pecador do que lhe aconteceu, menos por ser ofensa feita a Deus, do que pela vergonha que sente de se apresentar diante dele com tal mancha. Nunca o padre pois deve perturbar-se com as suas faltas, mas humilhe-se como capaz de cometer essas e ainda outras; faça depois um ato de amor de Deus.
2. Desejo eficaz de adiantar no amor de Deus
Esteja o padre animado do desejo de crescer cada vez mais no amor de Deus. Não querer adiantar na perfeição — que assenta por completo no amor de Deus — é querer atrasar. Non progredi, jam reverti est diz Sto. Agostinho ( Epist. 17. E. B. app.). Quem sobe a corrente dum rio, e não luta de contínuo contra o movimento das águas, será por elas arrastado. É o que nos acontece, desde que não lutemos contra a concupiscência da carne.
Os santos desejos adoçam-nos as dificuldades e fazem-nos caminhar para a frente; mas é necessário que sejam firmes e eficazes, isto é, que sejam quanto possível postos em prática. Não tenhamos a linguagem dos que, por exemplo, se limitam a dizer: Ó! se eu tivesse irmãos nem sobrinhos, entraria numa ordem religiosa; se eu tivesse saúde, faria tais penitências...Esses jamais dão um passo à frente no caminho de Deus; ao contrário, sempre se arrastam nos mesmos pecados, sempre conservam os mesmos apegos e animosidades, caminham de mal a pior.
Haja pois desejo de adiantar no amor de Deus, mas com a resolução firme de fazer todo o possível para chegar ao fim, desconfiando das próprias forças e pondo toda a confiança só em Deus; porque aquele que confia em si, priva-se do auxílio da graça.
3. Devoção à Paixão do Salvador e ao Santíssimo
Para adiantar na perfeição, é também necessário ser muito devoto da paixão de N. S. Jesus Cristo e do Santíssimo Sacramento. Quando se consideram estes grandes mistérios de amor, em que um Deus, para se fazer amar, sacrifica a sua vida e se dá em alimento a um verme da terra, criatura sua, não se pode deixar de arder em amor por Jesus Cristo. Charitas enin Christi urget nos, diz S. Paulo (2Cor 5,14). Quem pensa no amor do nosso Salvador, vê-se como que forçado a amá-lo. Às suas chagas sagradas chama S. Boaventura feridas, que ferem os mais duros corações, e inflamam no amor de Deus as almas mais geladas 2.
De ordinário pois, não deixe o padre de fazer todos os dias meia hora de meditação sobre a Paixão de Jesus Cristo. Faça além disto durante o dia freqüentes atos de amor para com o divino Mestre, começando desde o despertar e procurando adormecer num ato de amor. Dizia Sta. Teresa que os atos de amor são como lenha que entretém no coração o doce fogo do amor divino. Em particular, um ato de amor muito agradável a Deus é o oferecimento de si mesmo, dispondo-se para fazer e sofrer tudo quanto for do beneplácito divino. Santa Teresa repetia este ato pelo menos cinqüenta vezes cada dia.
4. Intenção de fazer tudo por Deus
Em todas as suas ações, deve o padre ter a intenção de tudo fazer só para Deus. Os mestres da vida espiritual chamam à reta intenção uma alquimia celeste, que converte em ouro todas as nossas ações, mesmo as que respeitam às necessidades corpóreas, como o repouso, o alimento e o recreio.Mas, em especial, é necessário que os exercícios de piedade se façam unicamente para agradar a Deus, e não por motivo de interesse, vanglória, ou gosto próprio; de contrário, tudo se perderá e, em vez de recompensa, se receberá castigo. Para com segurança pois, se fazer por Deus tudo quanto se fizer, convém que se obre sempre sob a dependência dum diretor.
5. Amor da solidão e do silêncio
É preciso que o padre ame a solidão e o silêncio. Quem trata e fala demasiado com os homens, necessita de tomar cautela; se a não tiver, dificilmente evitará o pecado: In multiloquio non deerit peccatum (Prov. 10, 10). Por isso o Senhor disse: In silentio et in spe erit fortitudo vestra (Ps. 30, 15).Seremos fortes contra as tentações, na medida em que confiarmos em Deus, e nos afastarmos do comércio com as criaturas. De mais, quem fala muito com os homens, falará pouco com Deus. Na solidão fala e conversa familiarmente o Senhor com as almas, conforme esta exclamação de S.Jerônimo: O solitudo, in qua Deus cum suis familiariter loquilur ac conversatur!E o próprio Deus nos faz compreender que é na solidão que nos fala aos corações: Ducam eam in solitudinem, et loquar ad cor ejus (Os. 2, 14). As almas que ardem no amor de Deus sempre buscam a solidão: é o que se observa. Corriam os santos a esconder-se nas florestas e em espantosas cavernas, para não serem perturbados pelo ruído do mundo e poderem tratar a sós com Deus. O silêncio e a solidão forçam, por assim dizer, a alma a não pensar senão em Deus.
No entanto, não consiste a virtude em estar sempre calado, mas em falar quando convém. Um bom padre cala-se quando deve calar-se, e fala quando deve alar; mas fala somente de Deus, ou do que interessa à glória de Deus e ao bem das almas. Muitas vezes uma palavra de Deus, dita familiarmente em conversa ou a um amigo, produzirá mais fruto que muitos sermões.Deve-se pois ter cuidado em todos os entretenimentos, por indiferentes que sejam, de misturar alguma palavra edificante sobre as verdades eternas ou sobre o amor de Deus. Quando se ama uma pessoa, sempre se desejaria falar e ouvir falar dela; quando se ama a Deus, só se fala e quer ouvir falar de Deus.
6. Conformidade com a vontade de Deus
Consiste acima de tudo o amor de Deus na conformidade com a sua santa vontade, especialmente nas coisas que mais contrariam o amor próprio, como são as doenças, a pobreza, o desprezo, as perseguições e as securas espirituais. Devemos estar persuadidos de que tudo isso, que nos advém de Deus, nos é útil, por ser feito ou permitido para nosso bem; porque ninguém há que mais nos ame do que Deus. Se queremos santificar-nos, digamos em tudo quanto nos acontecer: Fiat voluntas tua. Sit nomen Domini benedictum. Domine, quid me vis facere? Sicut Domino placuit, ita factum est. Ita, Pater! quoniam sic fuit placitum ante te.
Em todas as eventualidades da vida, agradáveis ou desagradáveis, procuremos conservar essa paz contínua, essa tranqüilidade inalterável de que os santos nos dão exemplo, dizendo sempre: In pace in idipsum dormiam et requiescam. Uma alma que ama a Deus passa uma vida uniforme, sempre em união com o Senhor; era o que nos seus cânticos exprimia um grande servo de Deus, o cardeal Petrucci, sobre esta palavra do Espírito Santo: Non contristabit justum quidquid ei acciderit (Prov. 12, 21).Assim, um padre que ama a Deus jamais será abalado pela aflição. Só o pecado lhe deve causar dor; mas esta dor mesmo, como acima dissemos, deve ser uma dor calma, que não perturbe a paz da alma.
7. Desejo de morte
Deve o padre desejar muitas vezes o Paraíso, e por conseqüência a morte, para ir em breve para o Céu amar a Jesus Cristo, com todas as suas forças e por toda a eternidade, sem receito de jamais o perder. Entretanto, procederá sem reservas para com Deus, nada lhe recusando, do que souber que lhe é mais agradável, e estará sempre atento a afastar do seu coração tudo o que não é Deus nem para Deus.
8. Devoção à santíssima Virgem
Esforce-se por conceber uma grande confiança e terna devoção para com a santíssima Virgem. Sempre todos os santos têm alimentado em seus corações uma piedade filial para com a Mãe divina. Cuide de fazer todos os dias uma leitura nalgum livro, que trate das suas glórias e da confiança que devemos ter na sua poderosa proteção. Não deixe de jejuar aos sábados em sua honra, o melhor que possa, e em todas as suas novenas, pratique ao menos alguma abstinência e mortificação. Não deixe de visitar todos os dias alguma imagem sua. Quanto puder, falará da confiança que se deve ter na proteção de Maria, e procurará aos sábados fazer aos fiéis uma pequena instrução na igreja, para os afervorar na devoção a esta compassiva Soberana.Pelo menos, fale dela em cada um dos seus sermões, e recomende a mesma devoção a todos os seus penitentes, assim como a todas as demais pessoas que possa. Quanto mais se amar a Maria, tanto mais se amará a Deus; porque Maria atrai a Deus os que a amam. Quia tota ardens fuit, diz S.Boaventura, omnes se amantes, eamque languentes, incendit (De B. M. V. s.1).
9. Ser humilde do coração
Esforce-se por ser humilde do coração. Muitos há que são humildes de palavras, mas não do coração; dizem que são os maiores pecadores do mundo, que merecem mil infernos; apesar disso, querem ser preferidos, estimados e louvados. Quando ninguém os aplaude, a si próprios se louvam; ambicionam os empregos mais altos, e não podem sofrer uma palavra de desprezo.Não procedem assim os humildes de coração: nunca falam dos seus talentos, da sua nobreza, das suas riquezas, nem de coisa alguma que os distinga.
Amará pois os empregos e serviços mais humildes e obscuros. Receberá as afrontas sem se perturbar, e até interiormente se comprazerá nelas, por se tornar assim semelhante a Jesus Cristo, que foi saturado de opróbrios.Nas contradições que ferirem e irritarem o seu orgulho, faça-se violência para nada dizer nem fazer naquela ocasião, ainda mesmo que seja superior e como tal obrigado a reprimir a insolência de quem o ultraja. Enquanto sentir os nervos exaltados, deve calar-se até que eles acalmem. De contrário, o fumo da perturbação lhe ofuscará a vista; olhará como justo o que diz e faz, ao passo que tudo será falta e desordem. Além disto, quando a correção se faz no momento da exasperação, o inferior não a recebe como reprimenda merecida, mas como efeito da impaciência da parte do superior, o que a torna inútil ou pouco menos. Pela mesma razão, quando o superior conhece que o seu inferior está perturbado, deve diferir a admoestação, esperando que ele acalme; doutro modo, o inferior cego pela sua paixão, longe de receber a repreensão, romperá em maiores excessos.
10. Tornar bem por má
Será prestável a todos, e cuidará em especial de fazer bem a quem lhe tiver feito mal, pelo menos recomendando-o a Deus; é a vingança dos santos.
11. Mortificação interior e exterior
Esteja atento em praticar a mortificação interior e exterior. Jesus Cristo a recomendou, quando disse: Abneget semetipsum (Matth. 16, 24); o que é absolutamente necessário para chegar à santidade.Exige a mortificação interior que cada um se vença a si próprio, recusando ao amor próprio tudo quanto o possa contentar. Abstenha-se pois de toda a ação que não tenha outro objeto senão satisfazer a curiosidade, a ambição, ou a vontade própria.
Ame também a mortificação exterior: os jejuns, as abstinências, as disciplinas, e outras coisas semelhantes. Os santos maceraram a sua carne quanto puderam, isto é, quanto lhes permitia a obediência, que é a regra dos santos.Quanto àquele que, em razão da sua pouca saúde, não puder impor mortificasses exteriores, esse deve abraçar as dores e incômodos que tiver a sofrer, tomando a peito levar tudo com resignação e tranqüilidade. Deve abster-se até de dar a conhecer sem necessidade o que sofre, e de se queixar do pouco cuidado dos médicos ou das pessoas da casa.
12. Orar sempre
É necessário orar sempre e recomendar-se a Deus. Todas as nossas boas resoluções e propósitos se desvanecem como o fumo, se nos descuidarmos de orar; porque, sem a oração, ficamos privados das graças necessárias para os cumprir3. Devemos ter os lábios sempre abertos para orar, dizendo: Senhor, ajudai-me; Senhor, misericórdia; Senhor, tende compaixão de mim. — Assim o têm feito todos os santos, e assim se têm santificado.Acima de tudo, não cessemos de pedir a Jesus Cristo o dom do seu santo amor. Dizia S. Francisco de Sales que este dom encerra todos os outros; porque desde que se ama a Deus empregam-se todos os esforços para evitar quanto lhe possa desagradar, e fazer todo o possível para lhe agradar.Peçamos também sempre a graça de ter muita confiança na paixão de Jesus Cristo e na intercessão de Maria. Não cessemos de recomendar a Deus as santas almas do Purgatório e os pobres pecadores; porque estas orações são muito agradáveis a Deus.
Um pecado que aspira à perfeição e deseja santificar-se, deve primeiro que tudo tomar a peito evitar antes o pecado que a morte, até o mínimo pecado venial deliberado. Depois do pecado de Adão, no estado atual da fragilidade humana, ninguém pode e nunca pôde — à exceção de Jesus Cristo e de sua Mãe santíssima — ser isento de todas as faltas veniais indeliberadas; mas podemos muito bem, com o auxílio de Deus, evitar todas as faltas deliberadas, isto é, cometidas com plena advertência e consentimento; é o que têm feito os santos. Quem aspira à perfeição deve estar bem decidido a deixar-se antes martirizar, do que dizer com advertência plena uma mentira, ou cometer qualquer outro pecado venial, por pequeno que seja.
Tal deve ser a sua resolução; mas, se tiver a desgraça de cair em alguma falta, deliberada ou indeliberada, não se perturbe nem inquiete. Nunca a inquietação vem de Deus, é um fumo que não pode sair senão do próprio abismo da inquietação, que é o inferno. Vem-nos de lá, porque, como dizia com razão S. Luís de Gonzaga, o demônio pesca sempre nas águas turvas.Quando uma pessoa, por exemplo, cometeu uma falta, perturba-se, e depois perturba-se por se haver perturbado: neste estado de inquietação, não só será incapaz de praticar o bem, mas até facilmente cometerá muitas outras faltas, quer de impaciência, quer doutra espécie.
Por isso, desde que a falta está cometida, é necessário humilhar-se e recorrer logo a Deus: faça um ato de amor ou de contrição, com o bom propósito de emenda, e peça com muita confiança a graça de que necessita, dizendo: Senhor! eis o que eu sei fazer e, se me retirardes a vossa mão, ainda farei pior! Amo-vos, arrependo-me do passado e não quero recair no futuro; dignai-vos conceder-me o socorro que da vossa bondade espero.Feito isto, ficai em paz, como se nenhuma falta houvésseis cometido. Se até no mesmo dia recairdes, procedei do mesmo modo. se tivésseis a desgraça de recair cem vezes, sempre deveríeis concluir assim: humilhe-se quem se exaltou, mas nunca se fique desalentado.
Importa observar que o perturbar-se depois de uma falta cometida, não é efeito da humildade, mas do orgulho: dói-se o pecador do que lhe aconteceu, menos por ser ofensa feita a Deus, do que pela vergonha que sente de se apresentar diante dele com tal mancha. Nunca o padre pois deve perturbar-se com as suas faltas, mas humilhe-se como capaz de cometer essas e ainda outras; faça depois um ato de amor de Deus.
2. Desejo eficaz de adiantar no amor de Deus
Esteja o padre animado do desejo de crescer cada vez mais no amor de Deus. Não querer adiantar na perfeição — que assenta por completo no amor de Deus — é querer atrasar. Non progredi, jam reverti est diz Sto. Agostinho ( Epist. 17. E. B. app.). Quem sobe a corrente dum rio, e não luta de contínuo contra o movimento das águas, será por elas arrastado. É o que nos acontece, desde que não lutemos contra a concupiscência da carne.
Os santos desejos adoçam-nos as dificuldades e fazem-nos caminhar para a frente; mas é necessário que sejam firmes e eficazes, isto é, que sejam quanto possível postos em prática. Não tenhamos a linguagem dos que, por exemplo, se limitam a dizer: Ó! se eu tivesse irmãos nem sobrinhos, entraria numa ordem religiosa; se eu tivesse saúde, faria tais penitências...Esses jamais dão um passo à frente no caminho de Deus; ao contrário, sempre se arrastam nos mesmos pecados, sempre conservam os mesmos apegos e animosidades, caminham de mal a pior.
Haja pois desejo de adiantar no amor de Deus, mas com a resolução firme de fazer todo o possível para chegar ao fim, desconfiando das próprias forças e pondo toda a confiança só em Deus; porque aquele que confia em si, priva-se do auxílio da graça.
3. Devoção à Paixão do Salvador e ao Santíssimo
Para adiantar na perfeição, é também necessário ser muito devoto da paixão de N. S. Jesus Cristo e do Santíssimo Sacramento. Quando se consideram estes grandes mistérios de amor, em que um Deus, para se fazer amar, sacrifica a sua vida e se dá em alimento a um verme da terra, criatura sua, não se pode deixar de arder em amor por Jesus Cristo. Charitas enin Christi urget nos, diz S. Paulo (2Cor 5,14). Quem pensa no amor do nosso Salvador, vê-se como que forçado a amá-lo. Às suas chagas sagradas chama S. Boaventura feridas, que ferem os mais duros corações, e inflamam no amor de Deus as almas mais geladas 2.
De ordinário pois, não deixe o padre de fazer todos os dias meia hora de meditação sobre a Paixão de Jesus Cristo. Faça além disto durante o dia freqüentes atos de amor para com o divino Mestre, começando desde o despertar e procurando adormecer num ato de amor. Dizia Sta. Teresa que os atos de amor são como lenha que entretém no coração o doce fogo do amor divino. Em particular, um ato de amor muito agradável a Deus é o oferecimento de si mesmo, dispondo-se para fazer e sofrer tudo quanto for do beneplácito divino. Santa Teresa repetia este ato pelo menos cinqüenta vezes cada dia.
4. Intenção de fazer tudo por Deus
Em todas as suas ações, deve o padre ter a intenção de tudo fazer só para Deus. Os mestres da vida espiritual chamam à reta intenção uma alquimia celeste, que converte em ouro todas as nossas ações, mesmo as que respeitam às necessidades corpóreas, como o repouso, o alimento e o recreio.Mas, em especial, é necessário que os exercícios de piedade se façam unicamente para agradar a Deus, e não por motivo de interesse, vanglória, ou gosto próprio; de contrário, tudo se perderá e, em vez de recompensa, se receberá castigo. Para com segurança pois, se fazer por Deus tudo quanto se fizer, convém que se obre sempre sob a dependência dum diretor.
5. Amor da solidão e do silêncio
É preciso que o padre ame a solidão e o silêncio. Quem trata e fala demasiado com os homens, necessita de tomar cautela; se a não tiver, dificilmente evitará o pecado: In multiloquio non deerit peccatum (Prov. 10, 10). Por isso o Senhor disse: In silentio et in spe erit fortitudo vestra (Ps. 30, 15).Seremos fortes contra as tentações, na medida em que confiarmos em Deus, e nos afastarmos do comércio com as criaturas. De mais, quem fala muito com os homens, falará pouco com Deus. Na solidão fala e conversa familiarmente o Senhor com as almas, conforme esta exclamação de S.Jerônimo: O solitudo, in qua Deus cum suis familiariter loquilur ac conversatur!E o próprio Deus nos faz compreender que é na solidão que nos fala aos corações: Ducam eam in solitudinem, et loquar ad cor ejus (Os. 2, 14). As almas que ardem no amor de Deus sempre buscam a solidão: é o que se observa. Corriam os santos a esconder-se nas florestas e em espantosas cavernas, para não serem perturbados pelo ruído do mundo e poderem tratar a sós com Deus. O silêncio e a solidão forçam, por assim dizer, a alma a não pensar senão em Deus.
No entanto, não consiste a virtude em estar sempre calado, mas em falar quando convém. Um bom padre cala-se quando deve calar-se, e fala quando deve alar; mas fala somente de Deus, ou do que interessa à glória de Deus e ao bem das almas. Muitas vezes uma palavra de Deus, dita familiarmente em conversa ou a um amigo, produzirá mais fruto que muitos sermões.Deve-se pois ter cuidado em todos os entretenimentos, por indiferentes que sejam, de misturar alguma palavra edificante sobre as verdades eternas ou sobre o amor de Deus. Quando se ama uma pessoa, sempre se desejaria falar e ouvir falar dela; quando se ama a Deus, só se fala e quer ouvir falar de Deus.
6. Conformidade com a vontade de Deus
Consiste acima de tudo o amor de Deus na conformidade com a sua santa vontade, especialmente nas coisas que mais contrariam o amor próprio, como são as doenças, a pobreza, o desprezo, as perseguições e as securas espirituais. Devemos estar persuadidos de que tudo isso, que nos advém de Deus, nos é útil, por ser feito ou permitido para nosso bem; porque ninguém há que mais nos ame do que Deus. Se queremos santificar-nos, digamos em tudo quanto nos acontecer: Fiat voluntas tua. Sit nomen Domini benedictum. Domine, quid me vis facere? Sicut Domino placuit, ita factum est. Ita, Pater! quoniam sic fuit placitum ante te.
Em todas as eventualidades da vida, agradáveis ou desagradáveis, procuremos conservar essa paz contínua, essa tranqüilidade inalterável de que os santos nos dão exemplo, dizendo sempre: In pace in idipsum dormiam et requiescam. Uma alma que ama a Deus passa uma vida uniforme, sempre em união com o Senhor; era o que nos seus cânticos exprimia um grande servo de Deus, o cardeal Petrucci, sobre esta palavra do Espírito Santo: Non contristabit justum quidquid ei acciderit (Prov. 12, 21).Assim, um padre que ama a Deus jamais será abalado pela aflição. Só o pecado lhe deve causar dor; mas esta dor mesmo, como acima dissemos, deve ser uma dor calma, que não perturbe a paz da alma.
7. Desejo de morte
Deve o padre desejar muitas vezes o Paraíso, e por conseqüência a morte, para ir em breve para o Céu amar a Jesus Cristo, com todas as suas forças e por toda a eternidade, sem receito de jamais o perder. Entretanto, procederá sem reservas para com Deus, nada lhe recusando, do que souber que lhe é mais agradável, e estará sempre atento a afastar do seu coração tudo o que não é Deus nem para Deus.
8. Devoção à santíssima Virgem
Esforce-se por conceber uma grande confiança e terna devoção para com a santíssima Virgem. Sempre todos os santos têm alimentado em seus corações uma piedade filial para com a Mãe divina. Cuide de fazer todos os dias uma leitura nalgum livro, que trate das suas glórias e da confiança que devemos ter na sua poderosa proteção. Não deixe de jejuar aos sábados em sua honra, o melhor que possa, e em todas as suas novenas, pratique ao menos alguma abstinência e mortificação. Não deixe de visitar todos os dias alguma imagem sua. Quanto puder, falará da confiança que se deve ter na proteção de Maria, e procurará aos sábados fazer aos fiéis uma pequena instrução na igreja, para os afervorar na devoção a esta compassiva Soberana.Pelo menos, fale dela em cada um dos seus sermões, e recomende a mesma devoção a todos os seus penitentes, assim como a todas as demais pessoas que possa. Quanto mais se amar a Maria, tanto mais se amará a Deus; porque Maria atrai a Deus os que a amam. Quia tota ardens fuit, diz S.Boaventura, omnes se amantes, eamque languentes, incendit (De B. M. V. s.1).
9. Ser humilde do coração
Esforce-se por ser humilde do coração. Muitos há que são humildes de palavras, mas não do coração; dizem que são os maiores pecadores do mundo, que merecem mil infernos; apesar disso, querem ser preferidos, estimados e louvados. Quando ninguém os aplaude, a si próprios se louvam; ambicionam os empregos mais altos, e não podem sofrer uma palavra de desprezo.Não procedem assim os humildes de coração: nunca falam dos seus talentos, da sua nobreza, das suas riquezas, nem de coisa alguma que os distinga.
Amará pois os empregos e serviços mais humildes e obscuros. Receberá as afrontas sem se perturbar, e até interiormente se comprazerá nelas, por se tornar assim semelhante a Jesus Cristo, que foi saturado de opróbrios.Nas contradições que ferirem e irritarem o seu orgulho, faça-se violência para nada dizer nem fazer naquela ocasião, ainda mesmo que seja superior e como tal obrigado a reprimir a insolência de quem o ultraja. Enquanto sentir os nervos exaltados, deve calar-se até que eles acalmem. De contrário, o fumo da perturbação lhe ofuscará a vista; olhará como justo o que diz e faz, ao passo que tudo será falta e desordem. Além disto, quando a correção se faz no momento da exasperação, o inferior não a recebe como reprimenda merecida, mas como efeito da impaciência da parte do superior, o que a torna inútil ou pouco menos. Pela mesma razão, quando o superior conhece que o seu inferior está perturbado, deve diferir a admoestação, esperando que ele acalme; doutro modo, o inferior cego pela sua paixão, longe de receber a repreensão, romperá em maiores excessos.
10. Tornar bem por má
Será prestável a todos, e cuidará em especial de fazer bem a quem lhe tiver feito mal, pelo menos recomendando-o a Deus; é a vingança dos santos.
11. Mortificação interior e exterior
Esteja atento em praticar a mortificação interior e exterior. Jesus Cristo a recomendou, quando disse: Abneget semetipsum (Matth. 16, 24); o que é absolutamente necessário para chegar à santidade.Exige a mortificação interior que cada um se vença a si próprio, recusando ao amor próprio tudo quanto o possa contentar. Abstenha-se pois de toda a ação que não tenha outro objeto senão satisfazer a curiosidade, a ambição, ou a vontade própria.
Ame também a mortificação exterior: os jejuns, as abstinências, as disciplinas, e outras coisas semelhantes. Os santos maceraram a sua carne quanto puderam, isto é, quanto lhes permitia a obediência, que é a regra dos santos.Quanto àquele que, em razão da sua pouca saúde, não puder impor mortificasses exteriores, esse deve abraçar as dores e incômodos que tiver a sofrer, tomando a peito levar tudo com resignação e tranqüilidade. Deve abster-se até de dar a conhecer sem necessidade o que sofre, e de se queixar do pouco cuidado dos médicos ou das pessoas da casa.
12. Orar sempre
É necessário orar sempre e recomendar-se a Deus. Todas as nossas boas resoluções e propósitos se desvanecem como o fumo, se nos descuidarmos de orar; porque, sem a oração, ficamos privados das graças necessárias para os cumprir3. Devemos ter os lábios sempre abertos para orar, dizendo: Senhor, ajudai-me; Senhor, misericórdia; Senhor, tende compaixão de mim. — Assim o têm feito todos os santos, e assim se têm santificado.Acima de tudo, não cessemos de pedir a Jesus Cristo o dom do seu santo amor. Dizia S. Francisco de Sales que este dom encerra todos os outros; porque desde que se ama a Deus empregam-se todos os esforços para evitar quanto lhe possa desagradar, e fazer todo o possível para lhe agradar.Peçamos também sempre a graça de ter muita confiança na paixão de Jesus Cristo e na intercessão de Maria. Não cessemos de recomendar a Deus as santas almas do Purgatório e os pobres pecadores; porque estas orações são muito agradáveis a Deus.
Assinar:
Postagens (Atom)

