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domingo, 17 de novembro de 2013

Sobre a RCC - Protestantismo na Igreja Católica XI

A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA

Pe. Scott Gardner, FSSPX*

Fruto do Concílio Vaticano II, Semente de Destruição.


Tendências Gnósticas

Várias formas de gnosticismo tentaram fazer estrada dentro da Igreja através dos séculos; elas podiam até serem diferentes umas das outras nos detalhes, mas o fator central subjacente entre elas sempre foi a alegada existência de um “conhecimento secreto”, ou gnose, o qual faz de seu possuidor o crente verdadeiro, portanto, o único realmente preparado para o Céu. Com os Carismáticos, essa gnose se torna a experiência de Deus através das manifestações interiores e exteriores do “espírito”, o qual transforma aqueles que experimentam tais fenômenos em verdadeiros “crentes”.


Ecumenismo

A filosofia fenomenalista Carismática possui interessantes repercussões na área do Ecumenismo. Segundo a RCC, no Concílio Vaticano II, “a Igreja comprometeu-se irrevogavelmente em seguir o caminho da aventura ecumênica” (Ut Unum sint 3)...

O fato é que não católicos tem compartilhado das mesmas experiências dos Carismáticos independente da Igreja supostamente provar a validade de suas seitas heréticas. Essa atitude é fenomenalismo puro e simples: Deus Espírito Santo estaria produzindo o fenômeno “X” entre os Católicos Carismáticos; o fenômeno “X” está presente também na seita protestante “Y”; portanto, a seita protestante “Y” compartilha da mesma fé verdadeira com os Carismáticos Católicos. O fato de que o menos experiente aluno de escola primária poderia facilmente desbancar essa falsa suposição, parece não apresentar nenhum problema para os Carismáticos, uma vez que tal lógica cai naquela categoria que eles definem como “conhecimento racional” ao invés do verdadeiro conhecimento de “coração”, o qual eles se gabam de ter como experiência.

Como o seguinte trecho demonstra, os Carismáticos acham que a caridade mútua baseada na experiência é que é o princípio da Unidade Cristã:



“Enquanto a inteira Igreja, tanto o Clero como leigos, estão às voltas tentando responder a esse mandamento de buscar a Unidade, de um modo único isso já é real para os líderes da RCC, porque tanto as origens de nossa renovação pentecostal como as ações do próprio Deus na Renovação são ecumênicas. A renovação possui uma dimensão ecumênica, a qual de forma alguma é acidental, e sim que faz parte de sua natureza; portanto, a renovação Carismática como é frequentemente descrita, é uma graça ecumênica para a Igreja.

Três fatos da história moderna podem facilitar nossa compreensão. No final do último século, enquanto o Papa Leão XIII pedia aos Católicos de todos os lugares para que rezassem por uma renovação do Espírito Santo, muitos protestantes evangélicos também estavam avidamente buscando uma renovação no espírito. O segundo fato é que a confiança ecumênica do Vaticano II foi o principal componente do ‘novo Pentecostes’, pelo qual a inteira Igreja havia rezado antes e durante o Concílio. O terceiro fato é que quando a renovação pentecostal começou entre os Católicos lá pelo final da década de 60, a mesma renovação no Espírito, com carismas, serviço mútuo e amor... simultaneamente estava acontecendo também entre cristãos de outras denominações pelo mundo afora...

Aqui a chave para o sucesso é o genuíno respeito mútuo entre líderes protestantes e Carismáticos católicos. Quando ambos, Carismáticos católicos, evangélicos pentecostais, bem como outros líderes protestantes não denominacionais, aceitarem a validade da fé de seus concorrentes, aí sim, haverá uma boa fundação. Reconhecimento mútuo do fato de que a fé em Jesus Cristo e o batismo fazem-nos irmãos e irmãs em Cristo e membros de seu único Corpo é fundamental para construirmos relacionamentos de mútua confiança, respeito e amizade. Existe uma relação direta entre tal fundação de relacionamentos pessoais sólidos e o sucesso de qualquer empreendimento ecumênico”. (Kevin Ranaghan — Ecumenism and Catholic Charismatic Renewal Today.)

Todo Católico sabe muito bem que a tão propalada “unidade cristã” significa apenas uma coisa, o retorno daqueles que se encontram no erro ao seio da única Igreja, fundada por Jesus Cristo e administrada por seu Vigário na Terra, ou seja, o Romano Pontífice. A Unidade da Igreja é baseada na Verdade objetiva, guardada e proclamada pelo Papado, o qual é o princípio de unidade da Igreja. Aqueles que não estão unidos na fé e na comunhão com a Igreja são, pelo menos objetivamente falando, heréticos por negarem a fé e cismáticos por não se submeterem ao Romano Pontífice. A ininterrupta Tradição da Igreja, objetivamente dizendo, exclui-os da Salvação enquanto persistir sua desunião:

“Portanto, nós declaramos, nós definimos que é absolutamente necessário para a Salvação, que toda a criatura humana esteja sujeita ao Romano Pontífice” (Papa Bonifácio VIII — Unam Sanctam).

Ao contrário do que dizem os Carismáticos, o Papa Pio XII declara em sua magnífica Encíclica Mystici Corporis:

“... ‘Cristo’, diz o Apóstolo, ‘é a Cabeça do Corpo da Igreja’. Se a Igreja é o corpo, esse deve ser de uma inquebrantável unidade, de acordo com as palavras de Paulo: ‘Apesar de sermos muitos, somos um só corpo em Cristo’. Mas não é apenas necessário que o Corpo da Igreja seja uma unidade inquebrável, mas também que deve ser algo definido e perceptível como bem define nosso predecessor de feliz memória, Leão XIII em sua Encíclica Sagitis Cognitum: ‘A Igreja é visível porque ela é um corpo; portanto, erra em matéria de verdade divina, aqueles que imaginam a Igreja como invisível, intangível, algo meramente pneumológico (espiritual)’, como eles costumam dizer, ‘presente através de muitas comunidades cristãs, que embora se diferenciando umas das outras por sua profissão de fé, estão unidas por um elo invisível’.”

No que diz respeito à pertença à única Igreja de Cristo, o mesmo Santo Pontífice ainda declara:

“Verdadeiramente, apenas são contados como membros da Igreja, aqueles que tendo sido batizados, professam a verdadeira Fé e que não tiveram o infortúnio de se separarem da unidade do Corpo, ou que foram legitimamente excluídos pela autoridade devido a graves faltas cometidas. Pois em um só Espírito, diz o Apóstolo, ‘foram todos batizados em um só corpo, sejam judeus ou gentios, escravos ou livres. Assim, portanto, na verdadeira comunidade Cristã existe apenas um Corpo, um só Espírito, um só Batismo, e uma única fé. E assim, se uma pessoa se recusa a ouvir a Igreja, que ele seja considerado — como bem diz o Senhor — como um inimigo ou publicano. Segue-se então que aqueles que se separaram por fé ou governo, não podem estar vivendo na unidade de tal Corpo ou vivendo a vida de seu Divino Espírito’...”.

Portanto, partindo de um ponto de vista genuinamente Católico, devemos admitir que a existência de verdadeiros carismas entre os Protestantes é algo mais do que contraditório. Se esses fenômenos estivessem ocorrendo de fato, eles se dariam de forma claramente excepcional e não em caráter normativo. Por outro lado, eles teriam uma única finalidade, ou seja, a conversão dos Protestantes para o Catolicismo. Por outro lado, mesmo se verdadeiros carismas estivessem ocorrendo entre Católicos e Protestantes, a ideia de que um fenômeno tão suspeito como o de agora, possa servir de base para uma falsa e “irenística” união entre duas crenças completamente opostas, é algo claramente não católico e demonstra uma certa perda da Fé por parte daqueles que pensam dessa maneira.


* Autor: Scott Gardner, do Seminário São Tomás de Aquino, Winona, Minnesota — EUA — Publicado pela THE ANGELUS PRESS — Março de 1998.

 

São José, patrono da Igreja
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