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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Missa de sempre em prisão domiciliar!

O Rito latino usus antiquior está em "liberdade vigiada".


A Missa “antiga”, aquela que gostamos de chamar a “Missa de sempre”, foi, já faz quatro anos, liberalizada. Com um ato sem precedentes, o Santo Padre declarou que “nunca foi abolida”. Daquela declaração nasceu toda a nossa história. Resta um problema: esta liberdade é “vigiada”, e isto não faz sentido.

Sabemos bem que uma liberdade vigiada não reconhece o pleno valor daquilo que libera. Nas Dioceses, permanece uma mentalidade negativa ou desconfiada em relação ao rito tradicional. Pensa-se que este retorno ao rito antigo seja uma concessão, um indulto, um ato de bondade do Santo Padre em favor daqueles católicos, Sacerdotes e fieis, que ainda não se adaptaram à modernidade. Se o caso fosse esse, seria um falso indicar que a Missa tradicional nunca foi abolida!

Uma liberdade vigiada é vista sempre como um mal menor, como algo a ser suportado para evitar riscos maiores. Mas uma visão dessas não tem nada a ver com aquilo que o Papa reconheceu com o Motu Proprio Summorum Pontificum.

Todo sacerdote pode, sem pedir permissão a ninguém, celebrar segundo o Missal tradicional.

Esta afirmação parece ter ficado fechada entre as paredes das cúrias, por medo que “tal mal se difunda”. O rito tradicional deve, ao contrário, de modo salutar, influenciar positivamente toda a Igreja, que caiu em uma de suas crises mais assustadoras, talvez por causa de uma terrível crise litúrgica, como o próprio Cardeal Ratzinger afirmou anos atrás. Mas como pode influenciar positivamente a Igreja se continua em liberdade vigiada, restringida a uma “prisão domiciliar”? Do que se tem medo ainda?

Em quais seminários se ensina a Tradição litúrgica da Igreja aos clérigos?

Porque se continua a não ensinar a Missa tradicional aos seminaristas?

Porque, de fato, se proíbe a eles de assistir à Missa tradicional?

Há algo de tragicamente ridículo ao permitir que se assista aos ritos da Igreja oriental, ao convidar os padres ortodoxos e ao proibir a presença daqueles padres que abraçaram a Tradição. Se a Tradição litúrgica da Igreja latina é um valor, demo-la aos seminaristas para que um dia a dispensem aos fieis.

Igrejas são dadas às comunidades ortodoxas, separadas de Roma não apenas por insignificantes motivos disciplinares, mas por questões dogmáticas, mas não se concedem paróquias pessoais de rito tradicional, esperando que os fieis e os sacerdotes se cansem de pedi-las. Todo este jogo velado não é católico, não vem de um espírito de fé. Somos ecumênicos com todos, menos com o próprio passado que existe no presente.

Toda esta situação triste cria um doloroso bloqueio, que impede um verdadeiro trabalho apostólico.

Da Missa tradicional deve vir toda uma obra de edificação das almas, toda uma educação cristã, toda uma obra de santificação, da qual o mundo precisa urgentemente. A Missa tradicional existe pelo mesmo escopo pelo qual existe a Igreja: salvar as almas. Não faz sentido concedê-la para “entreter” os fieis, para dar-lhes uma emoção estética!

Não: a Missa tradicional existe para santificar os homens, para edificar a Igreja, para fazer renascer as paróquias, para reconstruir as escolas, para curar os doentes, para devolver a esperança aos aflitos... Em resumo, para fazer o Cristianismo. Não pode permanecer em “prisão domiciliar”.

Uma liberdade plena será também a melhor garantia para que, quem se aproxima da Tradição, não o faça por uma nostalgia vazia, mas pelo ímpeto de uma fé operosa.

Fonte: Chiesa e post concilio - 16/02/12 
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento.

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