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| Virgem da Misericórdia de Piero della Francesca |
Ele era de uma inteligência tão clara, de uma memória tão precisa e tão viva que ele entendia imediatamente o que lhe diziam e não se esquecia mais.
Ora, verificou-se que, dotado de um órgão admirável, ele cantava tão perfeitamente e com tanta justeza, unção, piedade, que todos aqueles que escutavam seus hinos, cânticos e sequências pensavam estar ouvindo um querubim. Nunca uma voz infantil foi tão cativante como a sua. Ele a usava, aliás, com modéstia, sem ser solicitado, ele se aplicava a conduzi-la corretamente, se preocupando em agradar aqueles que, para ouvi-lo, levavam-no para suas casas, convidavam-no para sua mesa e lhe concediam, como recompensa, pães, pedaços de carne e dinheiro. Munido com essas doações, ele as levava para sua mãe, a quem, doce e sorridente, ele dizia:
- Tome, tome! A senhora vive de restos dos outros, mas se a senhora soubesse quanto eu fico com o coração apertado ao vê-la constrangida a mendigar assim! Pela alma de meu pai e conquanto Deus e a Virgem conservem meu corpo e minha voz sãos e salvos, de hoje em diante a senhora não terá mais que estender a mão, e viveremos sem precisar ir de porta em porta implorar a piedade das pessoas”.
