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domingo, 11 de agosto de 2013

Nossa Senhora da Boa Morte

“Quem teme o Senhor sentir-se-á bem no instante derradeiro, no dia de sua morte será abençoado”. Eclo 1,13

A devoção à Nossa Senhora da Boa Morte chegou aos cristãos do Ocidente, através da tradição cristã do Oriente, sob o título de “Dormição da Assunta”.

Talvez, esse seja o culto mariano mais antigo, iniciado logo nos primeiros séculos do cristianismo.

A última metade do século V foi marcada pela propagação de uma literatura apócrifa, isto é, escrita na época dos fatos, mas não incluída na Bíblia, sobre a morte e assunção da Virgem; e a construção de uma Basílica para venerar o túmulo da Mãe de Deus, por ordem da imperatriz Eudóxia.

Nossa Senhora da Boa Morte é um dos títulos dados a Nossa Senhora.


A tradição católica evita dizer que Nossa Senhora morreu, substitui morte por “dormitio” (dormição), pois a morte muitas vezes é comparada ao sono na Bíblia:

“Muitos daqueles que dormem no pó da terra, despertarão, uns para a vida eterna, outros para a ignomínia,a infâmia eterna” Dn 12,2


História


O culto a Nossa Senhora da Boa Morte é uma tradição da Igreja Católica.

No ano de 1661, em Lombo do Atouquia, freguesia de Calheta, Portugal, já existia uma capela de Nossa Senhora da Boa Morte, fundada por Francisco Homem de Couto.

O culto chegou ao Brasil por meio dos portugueses.

A imagem de Nossa Senhora da Boa Morte pode ser venerada em Salvador, Bahia, na igreja da Glória e Saúde.

Existe também na cidade de Santos em São Paulo, uma Confraria de Nossa Senhora da Boa morte, localizada no Convento de Nossa Senhora do Carmo dos carmelitas.

Entretanto, não se deve confundir o título de “Nossa Senhora da Boa Morte”,um dos atributos da Virgem, Mãe do Senhor com o culto sincrético da Boa Morte cuja imagem é um esqueleto e que tem suas raízes nas crenças indígenas dos povos nativos do México.

Esse culto da Boa Morte no México em nenhum momento foi ou é autorizado e aprovado pela Igreja. Trata-se de Sincretismo Típico do México assim como a Umbanda o é no Brasil.

Em relação a Virgem, o título Senhora da Boa Morte está ligado ao final da oração denominada “Ave maria”: “Santa Maria, Mãe de Deus,rogai por nós, pecadores agora e na hora de nossa morte”.

A DORMIÇÃO DE MARIA


Senhora da Boa Morte chegou aos cristãos do Ocidente, através da tradição cristã do Oriente, sob o título de “Dormição da Assunta”.

Isso acabou provocando a mudança do conteúdo temático do culto de 15 de agosto, para a “Dormição da Assunta”, já no início do século VI.

A tradição revelava que, a Virgem Maria teria entrado em “Dormição”, isto é, entrado no sono da morte rodeada pelos apóstolos.

O seu corpo imaculado foi levado por eles a um sepulcro novo no Getsêmani.

Três dias depois, eles voltaram ao local e o encontraram vazio e com odor de flores.

A Mãe fôra “Assunta”, isto é, subira ao céu em corpo e alma.

A Assunção de Maria , do ponto de vista bíblico , é totalmente possível, já que outros personagens também foram arrebatados por Deus ao céu como Moisés, depois de morto (Jd 1,9), Henoc que “pela fé, foi levado, a fim de escapar à morte e não foi mais encontrado, porque Deus o levara (…)” (Hebreus, 11,5), Elias que subiu num carro de fogo, e foi arrebatado por Deus, em corpo e alma. (II Reis, II, 1-11).

Se esses homens mereceram tal graça, porque a Mãe do senhor (Lc1,43) não, já que deu-lhe a carne e o sangue que nos remiu?

No século VII, o imperador Maurício prescreveu que essa festa mariana fosse celebrada em todos os seus domínios, como uma das mais importantes.

E finalmente, o Papa Sérgio I a introduziu na liturgia de Roma.

Desse modo, o culto “Dormição da Assunta” ou “Dormição da Mãe de Deus” alcançou toda a Igreja, do Oriente e do Ocidente.

A Igreja do Oriente, se dedicou ao culto da devoção da Mãe de Deus, até por ser a mais primitiva.

Muitas igrejas cobertas de ícones sagrados foram erguidas em todos as regiões, nesse período bizantino.

Os lugares sagrados, marcados pelos acontecimentos da Revelação do Mistério de Deus, foram guardados dentro de magníficos templos cobertos de ícones.

Os ícones não foram feitos para adornar o templo, são pinturas que representam os símbolos sagrados da Igreja e descrevem o Evangelho.

Assim, uma grande profusão de ícones invadiu a Igreja do Ocidente, especialmente os da Mãe de Deus.

A Virgem Santíssima, além de ser invocada e representada em “Dormição”, foi chamada de “Assunta”, como seu filho foi elevada ao céu, pelo mérito de Cristo, obtendo a Redenção corpórea.

Venerar a Boa Morte de Nossa Senhora sempre foi uma grande festa, para os cristãos.

Ela é a primissa da glorificação do corpo e da alma, assegurada por Cristo no final dos tempos, pois “Cristo ressucitou dentre os mortos como primícias dos que morreram” ( I Cor 15,20) e cada um ressurgirá “cada qual porém em sua ordem” (I Cor 15,23).

Assim, não há porque não crer na Assunção de Maria, visto que nem ” todos morreremos, mas todos seremos transformados” ( I Cor 15,51).

Antigamente o culto iniciava na véspera, com a deposição da imagem da Virgem “dormente”, num esquife e ficava exposta à visita dos fiéis até a manhã da festa, quando era retirada e colocada a imagem triunfal de Nossa Senhora da Assunção. Em algumas localidades essa tradição se manteve, inclusive nas Américas que herdou o culto dos missionários espanhóis e portugueses.

O dogma da Assunção de Maria só foi proclamado pelo Papa Pio XII em 1950, como conseqüência lógica de intensos estudos históricos e teológicos patrocinados pela Igreja ao longo desses séculos. Ele só fez coroar uma fé sempre professada universalmente por todo o Povo de Deus.


Fonte


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