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terça-feira, 11 de junho de 2019

Santa Alice de Schaerbeek


Santa Alice de Schaerbeek

(11 de Junho) 

"É o paradoxo vivo de um corpo cada vez mais feio que contém a joia de uma alma cada vez mais sublime"


Por Giulia d'Amore. 


A Santa que hoje comemoramos é talvez a mais comovente das três figuras femininas que trazem este nome[1]. A sua santidade foi, de fato, paga a preço de uma longa e terrível doença, uma das mais temidas e temíveis da Idade Média, que condenava todos os que eram atacados por ela a uma verdadeira morte civil, além da lenta morte física: a lepra

Alice de Schaerbeek ou de La Cambre, também chamada Adelaide, Aleide, Aleida ou Alida, foi uma religiosa e mística flamenga, monja cisterciense na Abadia de La Cambre (Bélgica). Nasceu em Schaerbeek, perto de Bruxelas, em 1225, e demonstrou desde pequena que era dotada de inteligência e espírito precoces. 

Aos sete anos de idade, Alice é acolhida na Abadia Cisterciense de Notre-Dame de la Cambre (Coenobium Beatae Mariae de Camera), perto de Ixelles, para que recebesse uma boa educação e onde encantou as religiosas por sua memória excepcional e por sua ardente piedade e amor por Deus. Com o passar dos anos, vestido o hábito monacal, cresceram suas virtudes, e Alice recebeu o dom de uma visão divina na qual, em sinal das acérrimas dores que viria a padecer, lhe foi dada por Deus uma cruz de ouro

Por volta dos vinte anos de idade, contraiu a fatídica lepra. Como era comum à época, e vivendo já enclausurada num mosteiro, Alice foi colocada em um rigoroso isolamento em uma pequena cela nos jardins do mosteiro. Esse afastamento humano a aproximou mais ainda de Deus.  


Enquanto esteve em quarentena, Alice foi um exemplo para as companheiras, pelo espírito de humildade com que suportava a sua enfermidade, pois sua carne ia se decompondo gradualmente. É o paradoxo vivo de um corpo cada vez mais feio que contém a joia de uma alma cada vez mais sublime

Em 1249, a doença destruiu por completo os seus olhos, e ela dedicou a Deus este novo sofrimento, pelas intenções de Frederico II, rei dos Romanos, e de Luís IX, rei da França, que partia para a VI Cruzada na Terra Santa. 

Com o avanço da doença, fica cega e paralítica, mas, ao mesmo tempo, começa a ter êxtases e visões. Recebeu também o dom da cura, que podia operar sobre os outros, mas não em si mesma

Esse foi o purgatório terreno da monja leprosa, cujas dores foram consoladas por companhias celestes e aliviadas por sua profunda devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que ela amou ternamente muito antes da devoção ser aprovada e adotada pela Igreja[2]. Sua única consolação era a recepção do sacramento da Eucaristia, tornando-se particularmente devota da Presença real de Cristo na Eucaristia. De uma única coisa se queixava: de não poder receber a Comunhão sob as duas espécies. De fato, por temor do contágio, era-lhe proibido encostar os lábios ao cálice[3] Todavia, também desta provação foi consolada pelo Senhor que lhe apareceu e lhe disse: “quicumque de corpore meo gustaverit, similiter et de sanguine gaudeat, se indubitabiliter recreari: quia ubi pars, ibi totum; nec pars potest dici, sed totum debet reputari”. Cristo lhe assegurara a sua completa comunhão na Eucaristia, pelo fato de Ele estar presente, inteiramente, tanto no pão como no vinho consagrados. 

No dia 11 de junho de 1249 uma visão lhe revelou que teria que permanecer mais um ano na Terra. Foi-lhe dada a Extrema Unção, por suas condições extremas, mesmo assim ela agonizou por um ano inteiro, completando seu purgatório na terra. Consumida pela lepra, Santa Alice morreu no alvorecer do dia 11 de junho de 1250, aos 25 anos, no mesmo convento onde viveu desde os sete anos de idade. Quem a assistia em seus últimos momentos testemunhou ter visto a sua alma subir voando ao Céu. É a padroeira dos cegos e dos paralíticos. 


O CULTO 

Alice encontra imediatamente um lugar na piedade popular. Aos 1º de julho de 1702, Papa Clemente XI concede aos “Feuillants[4] da Congregação de São Bernardo a faculdade de celebrar a sua memória. O culto foi estendido a toda a Ordem Cisterciense em 1870; e, em 1907, por obra do Papa São Pio X, às dioceses da Bélgica e à toda a Igreja. No Martirologio Romano, seu elógio pode ser lido na data do “dies natalis”, aos 11 de junho: “No mosteiro de La Cambre próximo a Bruxelas no Brabante, em 1250, Santa Adelaide, virgem monja. Tendo contraído a lepra aos vinte e dois anos, foi obrigada a uma vida de reclusão; nos últimos anos de sua vida, ficando cega, não lhe restando nenhum membro são, salvo a língua, para cantar os louvores de Deus”. O calendário particular da Arquidiocese de Malines-Bruxelles põe a memória de Santa Alice a 15 de junho, e o da Ordem cisterciense, a 12 de junho.


CURIOSIDADES 

No livro “Quinque prudentes Virgines” (Anversa, 1630), C. Henriquez narra a vida de cinco místicas cistercienses, entre as quais Santa Alice de Schaerbeek. As outras são: Beatriz de Nazareth, Ida de Nivelles, Ida de Louvain e Ida de Léau. Na Ordem cisterciense existiram verdadeiros centros de mística. Em sua "Angiografia cisterciense na Diocese de Liege", Simone Roisin escreveu: “Se as monjas superam aqui também os monges, é mais pela frequência que pela sublimidade dos êxtases. Elas vivem em êxtase quase sem interrupção, êxtase dos quais tiram conhecimentos sempre mais profundos sobre os mistérios divinos, especialmente sobre a Santíssima Trindade” (Fonte).  

De uma “vita” de Santa Alice: “Em sua interioridade, se uniu a Deus nas tribulações; no exterior, submeteu o seu corpo com diversos exercícios. No interior, se viu inundada continuamente por um mar de lágrimas que provinham da memória vigilante de sua própria fraqueza e do ardente desejo de ver a glória divina (…). No exterior, havia as necessidades de todos os seus semelhantes; no interior, havia a sua timidez. Ela queria confortar a todos, ser uma fonte de vida renovada para cada pessoa. Sinceramente compassiva com todos os infelizes, suportou com paciência a fraqueza dos outros, e não deixou que as injúrias que havia recebido a bloqueassem. No interior, procurou conformar-se à imagem divina que guardava no coração. No exterior, aspirou a viver continuamente sob o olhar divino. No exterior, demostrou-se sempre benevolente, amigável, gentil, doce, disponível a todos; no interior, submeteu-se inteiramente à majestade e à vontade divina. No interior, era iluminada e abrasava-se no fogo da caridade; no exterior, era luz e alegria com as suas boas obras. Porque sabia que o ócio é inimigo da alma, empreendia toda boa obra com presteza e rapidez. Não havia hora ou intervalo em que perdesse o tempo. Ou estava ocupada interiormente com a meditação, ou exteriormente se prestava a conversações edificantes (...). Havia lido no Evangelho que o Senhor havia subido a montanha com três discípulos, e desejava alcançar o cimo da montanha de Deus. Para este fim, alternava o trabalho e a meditação com a oração. Descobria muitas coisas enquanto trabalhava, e experimentava mais coisas ainda seguindo os discursos da razão; mas, mais que tudo, as encontrava quando se dedicava inteiramente à oração pura. Cf. Alice di Schaerbeek, “Vita”, 4, 2-7, 10-11 (Fonte).  


ETIMOLOGIA 

O nome Alice, segundo alguns linguistas, é de origem grega e significa “marinha”, “do mar”; assim também são chamados certos peixinhos (aliche). Outros, o fazem derivar do antigo nome francês Aliz ou Aalis, por sua vez proveniente do germânico Adalhaid ou Adalheideis (de onde deriva também Adelaide), que significa “nobreza” ou “de origem nobre”, ou também de adal: “nobre”. 


NOTAS DO BLOG: 
1. Santa Alice (ou Adelaide) de Vilich, abadessa (960-1015). Memória: 5 de fevereiro; Beata Alice Kotowska, Virgem e Mártir (1899-1939). Memória: 11 de novembro; e Beata Alice Le Clerc (1576-1622). Memória: 9 de janeiro. 
2. Em 8 de maio de 1873, a devoção ao Sagrado Coração foi aprovada formalmente pelo Papa Pio IX, e, 26 anos depois, em 21 de julho de 1899, o Papa Leão XIII, agraciando-a com indulgências, recomendou urgentemente que todos os bispos do mundo observassem a festa em suas dioceses.
3. No século XII, a Comunhão ainda era feita nas duas espécies: pão e vinho. O Concílio de Trento, por causa da heresia do “utraquismo” – que dizia ser necessário comungar “sub utraque specie” (sob as duas espécies), porque senão seria incompleta – declarou: “Portanto, reconhecendo a Santa Mãe Igreja esta autoridade que tem na administração dos Sacramentos, mesmo tendo sido frequente o uso de comungar sob as duas espécies, desde o princípio da Religião Cristã, porém verificando, em muitos lugares, com o passar do tempo, a mudança nesse costume, aprovou, movida por muitas graves e justas causas, a comunhão sob uma só espécie, decretando que isso fosse observado como lei, a qual não é permitido mudar ou reprovar arbitrariamente sem a autorização expressa da Igreja” (Cap. II). E também: “Declara o santo Concilio, depois disto, que, ainda que nosso Redentor, como já disse antes, instituiu na última ceia este Sacramento nas duas espécies, e o deu a seus Apóstolos, se deve confessar, porém, que também se recebe em cada uma única espécie a Cristo todo e inteiro e verdadeiro Sacramento. E que, por conseguinte, as pessoas que recebem uma única espécie, não ficam prejudicadas a respeito do fruto de nenhuma graça necessária para conseguir a salvação” (Cap. III). Fixando o Cânone III: “Se alguém negar que Cristo, Fonte e Autor de todas as graças, é recebido todo e inteiro sob a única espécie do pão, dando por razão, como falsamente o afirmam alguns, que não se recebe segundo o estabeleceu o mesmo Jesus Cristo, nas duas espécies, seja excomungado”. Concílio Ecumênico de Trento, Sessão XXI, celebrada no tempo do Sumo Pontífice Pio IV, em 16 de julho de 1562. 

4. Os “Feuillants”, ou “Folietani”, são os membros de uma ordem monástica beneditina da regra de Císter, oriunda da Ordem Cisterciense.   








       

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