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domingo, 22 de março de 2015

I DOMINGO DA PAIXÃO

Seguindo o CICLO DA PÁSCOA, hoje começa o TEMPO DA PAIXÃO, que vai até o Sábado Santo. A partir de hoje, a Igreja, em sinal de luto, encobre com um véu as estátuas e as imagens de Nosso Senhor e dos santos. Na sexta-feira dessa semana é a festa de Nossa Senhora das Dores. A liturgia foi tirada do Manual do Cristão de Goffiné, Sacristia do Colégio da Imaculada Conceição. Rio de Janeiro. 1944. pp. 424-428.   


DOMINGA DA PAIXÃO



 
Trata-se, nas quatro primeiras semanas da Quaresma, de mover o pecador à penitência dos seus pecados; empregam-se as duas últimas em honrar o mistério da Paixão do Senhor, partilhando de algum modo os seus sofrimentos. Na Igreja, tudo é pranto e luto público; suprime-se na Missa o canto Judica, como nas de Finados: não há mais Gloria Patri nos responsos, no invitatório do Ofício nem à Missa. Cobrem-se de roxo crepe a cruz, as imagens e quadros; os ministros do altar só usam ornamentos lúgubres.   

LITURGIA




INTROITO. - Ó meu Deus, fazei-me justiça e sustentai minha causa contra os ímpios; livrai-me do homem iníquo e fraudulento, porque sois meu Deus e minha fortaleza. Ps. 42. Enviai Vossa luz e Vossa verdade para me conduzirem e levarem à montanha santa e aos Vossos Tabernáculos.   

Repete-se Ó meu Deus... até Ps.  

COLETA. - Dignai-vos, Onipotente Deus, volver um olhar de propriciação para vossa família, de modo que Vossa graça nos sustente nos corpos e Vossa proteção nos preserve nas almas. Por N.S.J.C. 

Epístola (Heb. 9,11-15).

Irmãos: Vindo Cristo, o Sumo Sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito Tabernáculo, não feito de mãos, isto é, não desta feitura, nem por sangue de bode ou bezerros, mas por Seu próprio Sangue, uma vez entrou no Santuário, havendo efetuado uma eterna
redenção. Porque, se o sangue dos bodes e touros, e a cinza da bezerra aspergida sobre os imundos os santificava para limpeza da carne: quanto mais o Sangue de Cristo, que pelo Espírito Santo a si mesmo se ofereceu imaculado a Deus, purificará nossa consciência das obras mortas, para servir a Deus vivo. E por isso é Ele medianeiro do Novo Testamento, para que, intervindo sua morte em redenção das prevaricações que havia sob o primeiro Testamento, recebam os que foram chamados à promessa da herança eterna em Jesus Cristo Nosso Senhor. Deo gratias. 
Só o sacrifício de Jesus Cristo Senhor Nosso podia expiar o pecado; os antigos sacrifícios eram apenas figuras do da Cruz. O tabernáculo pelo qual, ou com o qual, no dizer do Apóstolo, entrou Jesus no celestial Santuário, é a natureza humana que vestiu, e com ela subiu ao Céu a tomar dele posse em nome de todos nós, diz S. Crisóstomo.  

Per amplius et perfectius tabernaculum diz o Apóstolo, por um tabernáculo muito mais excelente, mais perfeito e santo; é com efeito o Tabernáculo verdadeiro do Verbo, a carne, a humanidade do Salvador, este Homem em que reside toda a Divindade, o qual não nasceu nem foi concebido como os demais homens, formado que foi pelo Espírito Santo de modo sobrenatural no ventre da Virgem Santíssima. 

Só no dia da expiação penetrava o Sumo Sacerdote no Santo dos Santos, levando o sangue das vítimas, isto é, dos bodes e novilhos imolados pelos pecados do sacerdote e do povo. Não foi, porém, com o sangue de tais vítimas que deu Jesus entrada na mansão dos Bemaventurados, senão com o próprio Sangue Seu voluntariamente derramado, não por si, que é a mesma inocência e santidade, este Pontífice único e eterno, mas pela remissão dos pecados de todos os homens, e lá penetrou uma vez para sempre. 

Evangelho (João 8,46-59).

Naquele tempo: disse Jesus às turbas dos Judeus: Qual de vós me arguirá de pecado? Se vos digo a verdade, porque não me dais crédito? Aquele que é de Deus ouve as palavras de Deus, vós, porém, não as ouvis, porque não sois de Deus. Responderam os judeus e disseram-lhe: Não temos razão em dizer que és um Samaritano e um possesso do demônio? Respondeu Jesus: Não sou possesso do demônio, mas honro meu Pai e vós me desonrais. Mas eu não busco a minha glória; outro há de procurá-la e fazer justiça. Em verdade, em verdade vos digo: aquele que guarda minha palavra não verá a morte eternamente. Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora reconhecemos que és um possesso do demônio. Abraão morreu, os profetas morreram e tu dizes: aquele que guarda minha palavra não provará a morte eternamente. Acaso é tu maior que nosso pai Abraão que morreu? E do que os profetas que morreram? Que pretendes ser? Respondeu Jesus: Se eu me glorifico a mim mesmo, minha glória não é nada. É meu Pai que glorifica, aquele que vós dizeis que é vosso Deus. Entretanto não o conheceis, eu, porém, o conheço, e se disser que não o conheço serei como vós mentiroso. Mas eu o conheço e guardo Sua palavra. Abraão vosso pai desejou ardentemente ver o meu dia, ele o viu e se alegrou. Disseram-lhe, então, os judeus: Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão? Respondeu Jesus: Em verdade, digo-vos: Antes que Abraão fosse, eu sou. Então, pegaram pedras para lhe atirar; mas Jesus escondeu-se e saiu do templo. Laus tibi, Christe.  

Com extenso e admirável discurso, uns cinco ou seis meses antes de morrer, explicou o Salvador à multidão que o cercava no Templo, a Sua união com o Pai, o caráter e o poder com que vinha, a autoridade e autenticidade da Sua missão, a lastimável cegueira dos que o rejeitavam, e finalmente a excelência e verdade de Sua doutrina. 

Só dois pretextos podem alegar, dizia, os que me não querem acreditar; ou alguma falta em Meus atos, ou algum erro em Minha doutrina. 

Ora, depois de me espiarem com tanta malevolência e por tanto tempo, os ditos e feitos, que pecha e poderão achar? Se, pois, de nada me podem acusar, se nada há que dizer às minhas obras, nem aos meus preceitos, se só vos prego a pura verdade, se abono e autorizo o quanto digo com a pureza da vida, com estrondosos milagres, porque não prestais fé ao que vos digo? 

Ó paciência de Deus!, exclama, aqui, São Gregório, digna-se protestar que não é pecador aquele que aos pecadores justifica!

Não vos digo agora, continua o Salvador, o porque da vossa incredulidade. Sabeis, porém, que de boamente ouve a palavra de Deus quem é movido do espírito de Deus, e, se assim relutais à palavra de Deus, é sinal que não sois filhos dEle. 

Com essa admoestação tão justa e caridosa, ofenderam-se os Judeus e replicaram com injúrias e blasfêmias, tratando a Jesus de Samaritano e endemoninhado. Deste mesmo modo, até hoje, agradecem os libertinos; a quem lhes mostra seus desvarios, só respondem com descomposturas. Grande era o desprezo e ódio dos Judeus contra os Samaritanos, que tinham por inimigos da religião e lei de Moisés; e a Cristo chamavam de Samaritano, porque não afetava tanto desdém para aquele povo; demorara-se alguns dias em Sichem a pregar-lhes a divina palavra, não os excluía da Salvação, e tanto se lhe dava da conversão deles como dos demais. 

Foi esta a razão de não responder o divino Mestre à primeira imputação, dizendo-lhes apenas, com a costumada brandura, que não era endemoninhado, que por não lhes saber ao paladar a energia com que falava a verdade, não deviam levar a conta de furor o que não passava de zelo encendrado pela glória de Deus Seu Pai e pela salvação deles. Podiam carregá-lo de afrontas, que nem desejo teria de desforço; como homem, não procurava Sua própria glória, que por ela faria Aquele sobre quem resvalavam tantos ultrajes, que, sendo Juiz Supremo, havia de vingá-lo dos caluniadores. 

Quis, porém, o manso Cordeiro, suavizar a terrível ameaça com amorosa promessa: Na verdade, vos asseguro que nunca morrerá quem em mim acreditar. 

Tão insensíveis às promessas como às ameaças, responderam os Judeus indignados: Bem se vê, agora melhor que dantes, que te inspira o demônio, quando dizes: morreu Abrão e os profetas também morreram, e vens agora dizer-nos que não morre quem guarda teus preceitos! Será mais que Abrão, nosso pai! Será melhor que os profetas a quem não poupou a morte? Quem serás, pois? Sobre falsos princípios gira essa declamação toda, fantasiando que falava Cristo da vida temporal, quando da vida das almas tratava, e da eterna. 

Muito vos devaneceis com serdes filhos de Abraão; pois sabeis que conheceu este grande patriarca, com a luz divina, o dia feliz de minha chegada ao mundo, viu este dia tão ansiado, e estremeceu de júbilo. E os Judeus desentendidos do pensamento de Jesus retrucam-lhe com ironia. Muito lhe falta para cinquenta anos, e se nos quer inculcar como do tempo de Abraão?

Declarou-lhes, então, o Filho de Deus, em tom de mestre, sem mais figura e alegoria, que era de toda eternidade, enquanto Deus. Na verdade vo-lo digo, e é verdade, SOU antes que viesse Abraão ao mundo


Muito bem entenderam os Judeus que o Salvador se afirmava eterno como o Pai, gritaram à blasfêmia, e lançaram mão de pedras para apedrejá-lo como blasfemador; Jesus, porém, retirou-se do Templo, reservando o sacrifício da Sua vida para o tempo marcado pelo Pai.  

Súplica.  

Inspirai-me, ó mansíssimo Jesus, o amor da divina palavra, a vossa brandura, quando me seja preciso justificar-me, a vossa paciência em sofrer as calúnias e injúrias, para ser até o fim discípulo de quem sobre a Cruz morreu. 

 
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