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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Miserentissimus Redemptor: Sobre o Ato de Reparação ao SS. Coração de Jesus

Editado para anotar que o texto foi copiado de um blog que não teve muito cuidado com a tradução e, ao que parece, limitou-se a usar o tradutor online da Google. Em breve, se Deus permitir, iremos publicar o texto devidamente revisado. Agradecemos ao leitor que nos comunicou o erro através do comentário. Deus lhe pague




ENCÍCLICA DO SANTO PADRE PIO XI

MISERENTISSIMUS REDEMPTOR


SOBRE A EXPIAÇÃO QUE TODOS DEVEM AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS




Introdução

Aparição de Jesus a Santa Margarida Maria de Alacoque

1- Nosso Misericordioso Redentor depois de conquistar a salvação da raça humana no madeiro da Cruz e antes da sua ascensão ao Pai desde este mundo disse aos seus apóstolos e discípulos que estavam entristecidos com sua partida para consolar-lhes: “Vede que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (1). Voz dulcíssima cheia de segurança esperança: esta voz veneráveis irmãos, vem à memória facilmente quantas vezes contemplamos da altura a universal família dos homens, de tantos males e misérias trabalhadas e ainda a igreja de tantas impugnações sem trégua e de tantos golpes oprimidos. 

Esta divina promessa, assim como no princípio levantou os ânimos abatidos dos apóstolos e levantados os incentivou e os inflamou para esparramar a semente da doutrina evangélica em todo mundo, assim depois alegou a sua igreja a vitória sobre as portas do inferno. Certamente em todo o tempo esteve presente na igreja Nosso Senhor Jesus Cristo: porem Ele esteve com especial auxilio e proteção quantas vezes se viu cercado dos mais graves perigos e moléstia para a lhe subministrar os remédios convenientes a sua condição em seu tempo e em suas coisas, com aquela Divina Sabedoria que “toca de extremo a extremo com fortaleza e a tudo, dispondo com suavidade” (2). Porém, “não se intimidou a mão a mão do Senhor” (3) nos tempos mais próximos: especialmente quando se introduziu e se difundiu amplamente aquele erro do qual era de se temer que em certo modo secaram as fontes da vida cristã para os homens, alienando-os do amor e do trato para com Deus. 

Mas como alguns do povo talvez desconhecessem, todavia, e ouros desdenham, aquelas queixas do amantíssimo Jesus quando apareceu a Santa Margarida Maria de Alacoque, que manifestou esperar e querer aos homens, proveito deles apraz- nos, veneráveis irmãos, dizer-lhes algo acerca da honesta satisfação s que estamos obrigados em respeito ao Coração Santíssimo de Jesus; com o designo de que comuniquemos a cada um de vos e cada um o ensine ao seu rebanho e o exorte a pratica-lo.

2- Entre todos os testemunhos da infinita bondade de Nosso Redentor resplandece singularmente o fato que, quando a caridade dos fieis enfraquecia, a caridade de Deus se apresentava para ser honrada com culto especial, e os tesouros de sua bondade se descobriram por aquela forma de devoção com que damos culto ao Coração Sacratíssimo de Jesus “em quem está escondido todos os tesouros de sua sabedoria e ciência” (4).

Pois assim como Deus em outros tempos quis Deus que os olhos da humana descendência que saia da arca de Noé resplandecia tal qual um pacto de amizade de aliança “um arco que aparece nas nuvens” (5), assim nos turbulentíssimos da modernidade serpeando a heresia jansenista a mais astuta de todas inimigas do amor de Deus e da piedade que prega que não tanto de amar a Deus como Pai, mas quanto à de teme-lo como implacável juiz, o boníssimo Jesus mostrou seu Coração como bandeira de paz e caridade desprendida sobre as pessoas assegurando a vitória no combate, a esse propósito nosso predecessor Leão XIII de feliz memória em sua encíclica Annum Sacrum, admirando a oportunidade ao culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus não vacilou em escrever “quando a igreja nos tempos próximos a sua origem sofria opressão do julgo dos Césares, a Cruz, aparecida na altura a um jovem imperador, foi simultaneamente sinal e causa da amplíssima vitória lograda imediatamente, outro sinal se oferece hoje aos nossos olhos, faustíssimo e diviníssimo: o Sacratíssimo Coração de Jesus com a Cruz superposta resplandecendo entre chamas com esplendido candor. Nele se haverá de colocar todas as esperanças, nele haverá de se buscar e esperar a salvação dos homens”.

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus.


3- E com razão veneráveis irmãos, pois neste faustíssimo sinal nesta forma de devoção oportuna, não é verdade que se contem ali o sumo de toda religião e a norma de vida mais perfeita?, com que mais eficazmente conduz os ânimos a conhecer intimamente a Cristo Senhor Nosso, e nos impulsiona a ama-lo mais veemente, e a imita-lo com mais eficácia?

Não estranhe, pois, que nossos predecessores incessantemente protegeram essa aprovadíssima devoção das descriminações e dos caluniadores que exaltavam com sumos elogios e solicitamente aformentavam conforme as circunstancias.

Assim com a graça de Deus a devoção dos fiéis ao sacratíssimo Coração de Jesus tem crescido dia a dia, daí aquelas piedosas associações que por toda parte se multiplica, para promover o culto ao Coração Divino; e daí o costume, hoje se estende por toda parte, de comungar na primeira sexta feira de cada mês, conforme o desejo de Jesus Cristo.

A consagração

4- Mas entre tudo quanto propriamente se refira ao Culto do Sacratíssimo Coração de Jesus, salienta-se a piedosa e memorável consagração com que nos oferecemos ao Coração Divino de Jesus, com todas nossas coisas, reconhecendo-as como recebida da eterna bondade de Deus. Depois que nosso Salvador movido mais que por seu próprio direito, por sua imensa caridade para conosco ensinou, a sua inocentíssima discípula de seu coração. Santa Margarida Maria, o quanto desejava que os homens lhe rendessem esse tributo de devoção, ela foi, com seu diretor espiritual o padre Cláudio da la Combiére, a primeira a render o culto ao Sagrado Coração de Jesus, seguiram andando no tempo, os indivíduos particulares, depois as famílias privadas e as associações, e finalmente os magistrados, as cidades e os reinos.

Mas como no século precedente ao nosso, pelas maquinações dos ímpios se chegou a desprezar o império de Cristo Nosso Senhor e a declarar publicamente a guerra à igreja, com leis e moções populares contrarias ao direito divino e a lei natural e até houve assembleias que gritavam “não queremos que reine sobre nós” (6) por essa consagração que dizíamos, a voz de todos os amantes do Coração de Jesus prorrompiam unânimes opondo acirradamente, para proteger a sua gloria e assegurar seus direitos “é necessário que Cristo reine (7) venha a nós o Vosso reino”. Do qual foi consequência feliz que todo gênero humano, que por nativo direito possuem Jesus Cristo, único por quem todas as coisas são restauradas (8), a começar esse século se consagra ao Coração Sacratíssimo de Jesus, por nosso predecessor Leão XIII, de feliz memória, aplaudida por todo orbe cristão. Começos tão faustos e agradáveis, nós como já, dissemos em nossa Encíclica ‘Quas Primas’ acendendo aos desejos e as preces reiteradas de numerosos bispos e fieis com o favor de Deus completamos e aperfeiçoamos tudo quanto ao termino do ano jubilar, instituímos a festa de Cristo Rei e sua solene celebração em todo orbe cristão.

Quando isso fizemos não só declaramos o sumo império de Jesus Cristo sobre todas as coisas, sobre a sociedade civil e doméstica, sobre cada um dos homens, mas também pressentimos o jubilo daquele faustíssimo dia em que o mundo inteiro espontaneamente e de bom grado aceitará a dominação suavíssima de Cristo Rei. Por isso ordenamos também que no dia desta festa se renovasse todo o ano aquela consagração para conseguir mais certa e abundantemente os frutos e para unir os povos todo com vinculo da caridade cristã e a conciliação da paz no coração de Cristo - Rei dos reis e Senhor dos que dominam.

Expiação ou Reparação

5- A estes deveres especialmente a consagração tão frutífera e confirmada na festa de Cristo Rei necessário é acrescentar outros deveres, o que em pouco mais extensa, queremos veneráveis irmãos falar a vós nessa presente carta nos referindo ao dever de tributar ao Sagrado Coração de Jesus aquela satisfação honesta que se chama reparação.

Se o primeiro e principal da consagração é que ao amor do criador responda o amor da criatura, segue-se espontaneamente outro dever: o de compensar as injurias de algum modo desferidas ao amor incriado, se esse amor foi desdenhado com esquecimento e com ultrajes através de ofensas. A esse dever chamamos vulgarmente de reparação.

E se as mesmas razões nos obrigam um ou outro, com mais preeminente título de justiça e de amor estamos obrigados ao dever de reparar e de expiar: de justiça enquanto a expiação das ofensas feitas a Deus por nossas culpas e enquanto a reintegração da ordem violada; de amor, enquanto a padecer com Cristo “paciente e saturado de opróbrio”, e, segundo nossa pobreza oferecer-lhe algum consolo.

Pecadores como somos todos, envolvidos de muitas culpas, não temos de limitarmos a honrar ao nosso Deus somente com aquele culto com que O ADORAMOS E Lhe damos graças que são devidas a Sua Majestade soberana, e nos reconhecemos suplicantes ao seu absoluto domínio, o louvamos com ações de graças na sua grandeza infinita senão que ademais disto é necessário satisfazer a Deus Juiz justíssimo “por nossos inúmeros pecados, ofensas e negligencias”. A consagração, pois, com que nos oferecemos a Deus com aquela santidade e firmeza que como disse o Angélico, são próprias da consagração (9), há de acrescentar a expiação com que totalmente se extinga o pecado, não seja que a santidade da divina justiça rechace nossa indignidade imprudente, e repulse nossa oferenda, sendo ingrato, em vez de aceita-la como agradável.

É dever de expiação a todo gênero humano, pois, como sabemos pela fé cristã depois da caída miserável de Adão e do gênero humano, infectado de culpa hereditária, sujeito as concupiscência e miseramente depravado, havia merecido ser arrochado as ruínas eternas.

Soberbos filósofos de nossos tempos seguindo o antigo erro de Pelagio, este negava ridicularizando certa virtude nata na natureza humana, que por suas próprias forças continuamente progride a perfeição cada vez mais alta; porem essas infecções do orgulho rechaça o Apostolo quando nos adverte que “éramos por natureza filhos da ira” (10).

E, com efeito, já desde o princípio os homens de certo modo reconhecem o dever de alguma expiação e começam a praticar guiados por seus maturais sentidos, oferecendo a Deus sacrifícios em público para aplacar a sua justiça.

A expiação de Cristo.

6- Porem nenhuma força criada era suficiente para expiar os crimes dos homens se o filho de Deus não houvesse tomado a humana natureza para repara-lo. Assim o anunciou o mesmo Salvador dos homens pelos lábios do sagrado salmista: “Hóstia e oblação não quisestes, mas me deste um corpo. Holocaustos pelo pecado não te agradaram; então disse: Eis-me aqui” (11). E “certamente Ele levou nossas enfermidades e sofreu as nossas dores; e ferido foi pelas nossas iniquidades” (12); e “levou nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro” (13); “apagando o documento escrito contra nós, quitando este documento e cravando-o na Cruz” (14), “para que mortos ao pecado, vivamos para a justiça” (15).

Expiação nossa, sacerdotes de Cristo.

7- Nas ainda que a copiosa redenção de Cristo sobre abundante tenha “perdoados nossos pecados” (16); porem, por aquela

Admirável disposição da divina Sabedoria, segundo a qual há de completar-se em nossa carne o que falta à Paixão de Cristo em seu corpo que é a igreja (17), ainda as orações e satisfações “que Cristo ofereceu a Deus em nome dos pecadores” podemos e devemos ainda acrescentar também as nossas.

8- Necessário é não esquecermos nunca que toda força da expiação vem unicamente do cruento sacrifício de Cristo, que por lado incruento se renova sem interrupção em nossos altares; pois, certamente, “uma e mesma hóstia e mesmo é o que a Ela se oferece mediante o ministério dos sacerdotes que Ele antes se ofereceu na Cruz; somente é diferente o modo de oferecer-se” (18); pelo qual deve unir-se com este augustíssimo sacrifício Eucarístico a imolação dos ministros e dos fieis para que também se ofereçam com “Hóstias vivas, santas e agradáveis a Deus” (19).

Assim não duvida afirmar São Cipriano “que o sacrifício do Senhor não se celebra com a satisfação devida se não corresponder à Paixão a nossa oblação e nosso sacrifício” (20).

Por ele nos admoesta o apostolo “levando em nosso corpo a mortificação de Jesus” (21), e com Cristo sepultado e plantado, não somente à semelhança de sua morte crucifiquemos nossa carne com seus vícios e concupiscências (22), “fugindo do que no mundo é corrupção e concupiscência” (23), senão que “em nossos corpos se manifeste à vida de Jesus” (24), e feitos partícipes de seu sacerdócio “ofereçamos dons e sacrifício pelos pecados” (25).

Não somente gozam da participação deste sacerdócio e deste dever de satisfazer e sacrificar aqueles de quem Nosso Senhor se serve para oferecer a Deus a oblação imaculada desde o oriente até o ocaso em todo lugar (26), senão toda a grei cristã chamada com razão pelo Príncipe dos apóstolos “de raça escolhida, real sacerdócio” (27), deve oferecer por si e por todo o gênero humano sacrifício pelos pecados, quase da própria maneira que todo sacerdote e pontífice “tomado entre os homens e a favor dos homens é constituído no que diz respeito a Deus” (28).

E quanto mais perfeitamente respondam ao sacrifício do Senhor nesta oblação e sacrifício, que é imolar nosso amor próprio e nossas concupiscências e crucificar nossa carne com aquela crucificação mística de que fala o apostolo, tantos e mais abundantes frutos de propiciação e de expiação para nós e para os demais perceberíamos. Há uma semelhança maravilhosa dos fieis com Cristo, semelhante como a que há entre a cabeças e os demais membros do corpo, e assim mesmo uma misteriosa comunhão dos santos, que pela fé católica professamos, por onde os indivíduos e os povos não só se unem entre si, mas com Jesus Cristo que é a cabeça; “do qual todo corpo é composto e bem ligado por todas as suas junturas, segundo a operação proporcionada de cada membro, recebe alimento próprio, edificando-se no amor” (29). O qual é o mesmo mediador de Deus e os homens, Nosso Senhor Jesus Cristo próximo à morte pediu Pai: “Eu neles e Tu em mim, para que seja consumado na unidade” (30).

Assim, pois, como a consagração professa e afirma a união com Cristo, assim a expiação dá princípio a esta união apagando as culpas, aperfeiçoa participando seus padecimentos e a consuma oferecendo sacrifícios pelos irmãos. Tal foi, certamente os desígnios do Misericordioso Jesus quando quis revelar seu Coração com os emblemas da sua paixão e espargindo de si chamas de caridade: e olhando de um lado a malicia infinita do pecado e de outro a infinita caridade do Redentor, mais veementemente detestássemos o pecado e mais ardentemente correspondêssemos a sua caridade.

Comunhão Reparadora e Hora Santa


9- E certamente o culto ao Coração de Jesus tem a primazia e a parte principal o espírito de expiação e reparação; não há nada mais conforme a origem, índole, virtude próprias dessa devoção como a história e a tradição da sagrada liturgia que as atas dos santos Pontífices confirmam. Quando Jesus Cristo apareceu a Santa Margarida Maria, pegando-lhe a infinitude da sua caridade, juntamente, como sofrido, se queixa de tantas injurias que recebe dos homens com essas palavras que haveriam de se gravar nas almas mais piedosas de maneira que jamais se esquecessem: “Eis aqui o Coração que tanto tem amado os homens”, e que tantos benefícios os tem cumulado, e que em troca ao seu infinito amor não recebe nenhuma gratidão, senão ultrajes, e às vezes ainda daqueles que estão obrigados a ama-lo com especial amor para reparar estas e outras culpas recomendo entre outras coisas que os homens comunguem com ânimo de expiar, que é o que chamamos de Comunhão Reparadora, e as suplicas e preces durante uma hora, que propriamente se chama Hora Santa; exercícios de piedade que a igreja não só aprovou senão enriqueceu com copiosos favores espirituais.

Consolar a Cristo

10- Mas como poderão estes atos de reparação consolar a Cristo que ditosamente reina nos céus? Respondemos com as palavras de Santo Agostinho, “Dá-me um coração que ame e sentiras o que digo” (31).

Uma alma verdadeiramente amante de Deus se volta ao passado, vê a Jesus Cristo trabalhando, doente, sofrendo duríssimas penas “por nós homens e por nossa salvação, tristezas, angustias, opróbrios, esmagado por nossas culpas” (32) e curando-nos com suas chagas. Quanto mais profundamente penetram as almas piedosos nesses mistérios mais claro veem que os pecados dos homens em qualquer tempo cometidos foram à causa pela qual o Filho de Deus se entregou à morte: e ainda agora esta mesma morte, com suas mesmas dores e tristezas, de novo lhe ferem, já que cada pecado renova a seu modo a paixão do Senhor, conforme diz o apostolo: “Novamente crucificam o Filho de Deus e o expõe a vilipêndios” (33). Por causa também dos nossos pecados futuros, põe previstos, a alma de Cristo esteve triste até a morte, sem dúvida alguma receberia de nos a reparação também futura, porem prevista quando “o anjo do céu lhe apareceu (34) para consolar seu Coração oprimido de tristeza e angustias”. Assim podemos e devemos consolar aquele Coração Sacratíssimo, incessantemente ofendido pelos nossos pecados e ingratidões dos homens, por este modo admirado e verdadeiro; pois, como se diz na Sagrada Liturgia, o mesmo Cristo se queixa a seus amigos de desamparo, dizendo pelos lábios do Salmista: “Impropério e miséria esperou meu coração: e busquei quem compartilhasse da minha tristeza e não houve ninguém; busquei quem me consolasse e não encontrei” (35).

A paixão de Cristo no Seu Corpo, a Igreja.

11. Acrescenta-se que a Paixão expiadora de Cristo é renovada e de certo modo continua e se completa no Corpo místico que é a Igreja. Porque nos servindo com outras palavras de Santo Agostinho(36): o Cristo sofreu tanto quanto deveria sofrer nada falta à medida de Sua Paixão. Completa esta a paixão, mas na cabeça; ainda faltava a paixões de Cristo no corpo. Nosso Senhor se dignou declarar isto mesmo quando, se aparecendo a Saulo que respirou ameaças e morte contra o discípulos (37), ele lhe disse: “Eu sou o Jesus, que você persegue” (38); significando claramente que nas perseguições contra a Igreja é à Cabeça divina da Igreja para quem está aborrecido e refuta. Com razão, porque, Jesus Cristo que ainda no seu Corpo místico sofre, ele quer nos ter para sócios na compensação, e isto pede com nossa própria necessidade; porque sendo como nós somos corpo de Cristo, e cada um por outro lado membro (39), necessário é que o que sofre a cabeça sofre isto com ela os membros (40). 

Necessidade atual de reparação por tantos pecados 

12. Quanto é, especialmente em nossos tempos, a necessidade desta compensação e reparação, não se ocultará a quem vê e contempla este mundo, como nós dissemos, no poder do mal (41). De todas as partes Nos sobe brado de cidades que gemem cujos príncipes ou governantes se congregaram e confabulam unidos contra o Senhor da igreja (42). Para essas regiões nós vemos atropelados todos os direitos divinos e humanos; demolido e destruiu os templos, os religioso e as freiras expulsos de suas casas, magoado com insultos, torturas, prisões e fome; as multidões de crianças arrancadas do peito da Mãe Igreja, e induzidos a renunciar e blasfemar Jesus Cristo e para os crimes mais horrendos de luxúria; e todo povo cristão ameaçado e oprimido, colocado no transe de apostasia da fé ou de crudelíssima morte de sofrimento. O mais triste de tudo isto destes acontecimentos é que parecem mostrar os princípios dessas dores que tiveram que preceder o homem de pecado que se levanta contra tudo que se chama Deus ou que se adora (43). 

Ainda é mais tristes, veneráveis irmãos que entre os mesmos fieis lavados no batismo com o sangue do Cordeiro Imaculado e enriquecido com a graça, tenha tantos homens, de toda a ordem ou classe com ignorância incrível das coisas divinas, infetado de falsas doutrinas, eles vivem a vida cheio com hábitos ruins, longe da casa do Pai,; vida não iluminada pela luz da fé, nem encorajada da esperança no futuro, nem aquecida de felicidade e fomentada pelo calor da caridade, de forma que eles verdadeiramente se sentam na escuridão e na sombra da morte. Também vai um modo longo entre o fiel a negligência da disciplina eclesiástica e dessas velhas instituições das quais toda vida cristã é fundada e com que a sociedade doméstica é governada e se defende a santidade do matrimônio; totalmente diminuído ou vicioso com lisonjas de mimos a educação das crianças, até mesmo negada para a Igreja a habilidade para educar a mocidade Cristã,; o esquecimento deplorável da castidade Cristã na vida e principalmente no vestir da mulher; o cobiça selvagem das coisas perecíveis, o desejo desproporcional da aura popular,; a calúnia da autoridade legítima, e, finalmente, o desprezo da palavra de Deus, com que a fé é destruída ou se aproxima da ruína. 

Eles formam o montão destas injustiças a preguiça e a tolice desses que, dormindo ou escapando como os discípulos, hesitante na fé miseravelmente abandonam o Cristo, oprimido de angústias ou rodeado dos satélites de Satanás; não menos que a deslealdade desses que, para imitação do Judas traiçoeiro, ou temerário ou sacrilicamente ou passam para os acampamentos inimigos. E deste modo se oferece a ideia de que se acercam os tempos vaticinados por Nosso Senhor: “e porque abundou a iniquidade superabundou a graça” (44). 

O desejo ardente de reparar 

13. Quanto mais fiel eles meditam tudo isso piamente, eles não serão capazes para menos que sentindo, incendiados e apaixonados por Cristo afligido, o desejo ardente de expiar as suas culpas e dos outros; de reparar a honra de Cristo, de socorrer a saúde eterna das almas. As palavras do Apóstolo: “Onde o pecado abundou superabundante a graça” (45), de alguma maneira eles também se acomodam para descrever nossos tempos; porque embora a perversidade sobremaneira de homens cresce, maravilhosamente também cresce, enquanto inspirando o Espírito Sagrado, o número de fiéis de um e outro sexo que tentam satisfazer ao Coração divino por todas as ofensas que são feitas, com espírito resolvido e contudo eles não duvidam em se oferecer a Cristo como vítimas. 

Quem medita com carinho tudo quanto dissemos nós e no fundo do coração registra isto, não serão capazes para menos que odiando e se privando de toda ocasião de pecado como do sumo mal se renderão a vontade Divino e labutarão para reparar a honra ofendida da Divina Majestade, seja rezando assiduamente, sofrendo as mortificações voluntárias, e as aflições pacientemente aquelas que sobrevierem, já, em resumo, seja ordenando à reparação toda sua vida. 

Aqui têm a origem das famílias religiosas de muitos homens e mulheres que, com zelo fervente e como ambicioso de serviço, eles pretendem fazer dia e noite as vezes do Anjo que consolou Jesus no horto; daqui as associações compassivas também aprovadas pela Sede Apostólica e enriquecidas com indulgências que também fazem desta ocupação de reparação com exercícios convenientes de piedade e de virtudes; finalmente daqui os atos de desagravo frequentes e solenes encaminhados a reparar a honra Divina, não só para os fiéis particulares, mas também para as paróquias, as dioceses e cidades. 

A DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS 
Causa de muitos bens 

14. Pois bem: irmãos veneráveis, como também a devoção da consagração, em seus começos humildes, estendeu depois, começa a ter seu esplendor querido com nossa confirmação, deste modo a devoção da compensação ou reparação, de um princípio santamente introduzido e santamente propagado. Nós desejamos muito que, mais firmemente sancionada por nossa autoridade apostólica, mais solenemente seja praticado no universo católico inteiro. A este fim dispomos e mandamos que todos os anos na festa do Sagrado Coração Jesus-festa que com esta ocasião ordenamos seja elevada ao grau litúrgico de primeira classe com oitava em todos os templos do mundo se reze solenemente o ato de reparação ao Sacratíssimo Coração de Jesus cuja oração põe ao pé desta carta de forma que nossas culpas sejam reparadas e se ressarciam os direitos violados de Cristo, Sumo Rei e amantíssimo Senhor. 

Não é de duvidar, irmãos veneráveis, mas que esta devoção santamente estabelecida enviou para a Igreja inteira, muitos bens brilhantes; não só acontecerão aos indivíduos, mas para a sociedade sagrada, para o civil e a criada, desde que nosso mesmo Redentor prometeu a Santa Margarida Maria que todos esses que honrassem o seu Coração com esta devoção, seria enchido com celestial graças. 

Os pecadores, certamente, que vendo aquele que traspassaram (46), e comovido pelos gemidos e gritos da Igreja inteira, enquanto sendo desferidos insultos menosprezando o Rei Supremo, eles voltarão ao seu coração (47); não seja que obcecados e impenitentes por suas culpas, quando virem Aquele a quem feriram “vindo nas nuvens do céu” (48) em vão eles chorem sobre Ele (49). 

Os justos serão justificados cada vez mais e eles serão santificados, e com fervores novos eles se renderão ao serviço do seu Rei, a quem contemplam tão menosprezado e combatido e de tantas maneiras ultrajado; porém especialmente se sentirão inflamados a trabalhar para a salvação das almas, penetrado da reclamação da Vítima divina: “Qual a utilidade do meu sangue”? (50); e daquela alegria que recebera o Sagrado Coração de Jesus por um único pecador que se penitencia (51). 

Especialmente nós ansiamos e nós esperamos que aquelas justiças de Deus que para dez justos moveu a clemência perdoando os de Sodoma, muito mais perdoarão a todos os homens, que suplicantemente invocaram e felizmente satisfizeram pela comunidade inteira dos fieis unidos com Cristo, o Mediador e Cabeça. 

A Virgem Reparadora 

15. Cheguem, finalmente, para a benigna Virgem Mãe de Deus nossos desejos e esforços; que quando nos deu o Redentor, quando o alimentou, quando ao pé da Cruz atravessado ofereceu como hóstia, por sua união misteriosa com Cristo e privilégio singular de sua graça foi, como se diz piamente, reparadora. Nós, confiamos na sua intercessão junto de Cristo que sendo o “único Mediador entre Deus e os homens” (52), quis associar a sua Mãe como advogado dos pecadores, dispensadora da graça e mediadora, que amantissimamente vos damos como prenda dos dons celestiais de vossa benevolência paterna, a vós irmãos veneráveis, e para o rebanho confiado inteiro a seu cuidado, a bênção apostólica. 

Dado em Roma, junto a São Pedro, maio de dia de 1928, sétimo de nosso pontificado.  



* * * * * * *   


ORAÇÃO REPARADORA 
Para o SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS  



Jesus dulcíssimo, cujo imenso amor pelos homens é com tanta ingratidão retribuído com esquecimentos, negligências e desprezo, eis que nós, prostrados diante de vossos altares, desejamos reparar com particulares atos de honra uma tão indigna frieza e as injúrias com as quais de toda parte é ferido pelos homens o vosso amantíssimo Coração. 

Lembrando, porém, que nós também, em outras ocasiões, nos manchamos de tanta indignidade, e, cheios de vivíssima dor, imploramos antes de tudo para nós a vossa misericórdia, prontos a reparar com voluntária expiação, não apenas os pecados por nós cometidos, mas também os pecados daqueles que, vagando longe da via da salvação, ou recusam seguir-Vos como Pastor e Guia obstinados na infidelidade deles, ou, pisoteando as promessas do Batismo, sacodem o suavíssimo jugo de vossa lei.

E, enquanto desejamos expiar todo o acúmulo de tão deploráveis delitos, nos propomos de repará-los cada um em particular: a imodéstia e as feiuras da vida e do vestuário; as inúmeras insídias da corrupção armadas contra as almas inocentes; a profanação dos dias festivos; as injúrias execrandas lançadas contra Vós e os vossos Santos; os insultos lançados contra o vosso Vicário e a Ordem Sacerdotal; as negligências e os horríveis sacrilégios nos quais é profanado o próprio Sacramento do Amor divino; e, por fim, as culpas públicas das Nações que se opõem aos direitos e ao Magistério da Igreja por Vós fundada. 

Ó!... pudéssemos lavar com nosso próprio sangue estas afrontas! No entanto, como reparação da honra divina pisoteada, nós Vos apresentamos — acompanhando-a com as expiações da Virgem Vossa Mãe, de todos os Santos e das almas piedosas — aquela satisfação que Vós mesmo um dia ofereceste sobre a Cruz ao Pai e que todos os dias renovais sobre os altares: prometendo com todo o coração de querer, na medida em que pudermos e com a ajuda da Vossa graça, reparar os pecados cometidos por nós e pelos outros e a indiferença para com tão grande Amor, através da firmeza da fé, a inocência da vida, a perfeita observância da lei evangélica, especialmente a da caridade; prometemos também de impedir, com todas as nossas forças, as injúrias contra Vós, e de atrair quantos mais pudermos ao vosso séquito. Acolhei, Vos rogamos, ó benigníssimo Jesus, pela intercessão da Beata Virgem Maria Reparadora, este voluntário obséquio de reparação, e conservai-nos fidelíssimos na vossa obediência e no vosso serviço, até à morte, com o grande dom da perseverança, graças ao qual possamos todos nós um dia alcançar aquela pátria onde Vós, com o Pai e com o Espírito Santo, viveis e reinais, Deus, por todos os séculos dos séculos. Assim seja.   

Fonte: https://w2.vatican.va/content/pius-xi/it/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19280508_miserentissimus-redemptor.html
Tradução (parcial, só da oração): Giulia d'Amore
Tradução (restante): http://tudoporjesusemaria.webnode.com.br/products/miserentissimus-redemptor/

  
Notas  
1. Mt 28,20.  
2. Sab 8,1.   
3. é 59,1.  
4. repolho 2,3.  
5. Gén 2,14.  
6. Lc 19,14.  
7. 1 Cor 15,25.  
8. Ef 1,10.  
9. S. TH. II-II Q.81, A.8C.  
10. Ef 2,3.  
11. Heb 10,5.7.  
12. É 53,4-5.  
13. 1 Pe 2,24.  
14. Repolho 2,14.  
15. 1 Pe 2,24.  
16. Repolho 2,13.  
17. Repolho 1,24.  
18. Conc. Trid., sess.22 c.2.  
19. Rom 12,1.  
20. Epist. 63 n.381.  
21. 2 Cor 4,10.  
22. Cf. Gál 5,24.  
23. 2 Pe 1,4.  
24. 2 Cor 4,10.  
25. Heb 5,1.  
26. Ruim 1-2.  
27. 1 Pe 2,9.  
28. Heb 5,1.  
29. Ef 4,15-16.  
30. Jn 17,23.  
31. Em Ioan. tr.XXVI 4.  
32. É 53,5.  
33. É 5.  
34. Lc 22,43.  
35. Salgue 68,21.  
36. Em Ps. 86.  
37. Hech 91,1.  
38. Hech 5.  
39. 1 Cor 12,27.   
40. Ibíd.  
41. 1 Jn 5,19.  
42. 2                       


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