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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Pe. Rioult: Carta Aberta ao Distrito da França

Lendo esta carta do Pe. Rioult ao Distrito da França e, mais claramente, a Pe. De Cacqueray, não posso não lembrar de certos nomes e certos rostos. As questões que ele coloca na carta são as mesmas que me coloco também. De praticamente todas, sei as respostas. Quem não sabe? E ele é bondoso ao chamar de “ingenuidade” o que, para mim, claramente não é mais. No começo talvez, e apenas para dar aos envolvidos o “benefício da dúvida”, embora não se justifique em quem, por ser um Padre, sabe muito bem de tudo o que vemos narrado aqui. Não falo dos fatos – que foram acontecendo e se revelando aos poucos – mas sobre a doutrina e a verdade. Todos os padres que eu conheci pessoalmente sabem. E eu sei que sabem porque eles próprios me falaram dessas coisas todas. Inclusive das dúvidas, do medo de um acordo e, principalmente, da “decepção” com o Superior Geral. No entanto, apenas um deles está na Resistência. E desde o começo. Confesso que esperei pelos outros. A cada novo fato me dizia que "desta vez" foi a gota d' água! Mas a tempestade veio e... nada. A admiração já cedeu lugar a uma decepção sem esperança. Não posso admirar quem parece ter perdido a noção de certo e errado, o "sim, sim, não, não". Não posso admirar quem desdiz, com as ações, tudo o que me disse em sermões, conversas e confidências.  

Adiante. Eu não vejo como voltar a um “redil” contaminado pelo erro. Principalmente os seminários. O que esperar deles? Que Padres irão formar? Com que doutrina? E como expurgar os “elementos perniciosos”? Como retirá-los dos lugares onde se encastelaram? Ele se miram no exemplo daquele que provocou tudo isso. Devem ter certeza absoluta que o prato de sopa quente está bem garantido! 

Sobre as reparações e anistias, por mais que queiramos, dificilmente o orgulho que visivelmente toma conta de Dom Fellay vai permitir um ato de justiça e de caridade desses. De qualquer forma, diante do problema da situação moral e doutrinaria dos seminários e dos Sacerdotes, de que adiantariam as reparações e a anistia?

Para mim, por uma questão de lógica e de bom senso, quem tem que voltar para algum lugar são os que deixaram o redil. E não foi a Resistência, a qual, como diz o nome, para “resistir” a algo não pode ter saído de lá. Francamente falando, a Resistência é a FSSPX de Mons. Lefebvre. A de dom Fellay é, de fato, a Neo-FSSPX, porque, como vimos do relato de Pe. Rioult – e todos nós sabemos à perfeição – houve uma mudança de rumo e houve a traição à decisão do Capítulo de 2006. Sim, eles são a Neo-FSSPX. Em meu modesto parecer, não precisava ter sido criada uma “FSSPX de Estrita Observância”. O grande problema aqui é que o que afeta o Superior afeta também alguns de seus mais fiéis súditos: se sobra orgulho na cúpula, não falta na base! E fazer a coisa certa, sobretudo no Brasil, é violentar todas as fibras do próprio ser para buscar abrigo no redil de um desafeto (mais por questões pessoais do que doutrinarias ou que tais). Será que há virtude suficiente para isso? Quanto vale a tua alma?

Outro pensamento que me passou pela cabeça ao ler esta carta (que me lembra outra, escrita pelos 37 anônimos padres franceses), que traz trechos que são visivelmente confidências feitas por Pe. de Cacqueray, é que o ambiente na Neo-FSSPX deve ser bem desagradável atualmente, porque, tendo-se instalado a desordem, já não há mais confiança. E não posso não pensar nos ambientes marxistas em que espionagem, delação e desconfiança convivem silenciosamente, e de ambos os lados! Certamente, há todas as melhores intenções nos padres que traficam as informações internas e as tornam públicas pelo bem comum, mas a pergunta que fica é: o que faz lá, reverendo? Se testemunha tanta coisa errada, que fere a alma e a decência, o que faz lá ainda?

Pior, como diz o Pe. Rioult, por quê um comportamento em público e outro em privado? Ninguém pode servir a dois Senhores... 

Giulia d’Amore

* * *


CARTA ABERTA AO DISTRITO DA FRANÇA



Por Dom Olivier Rioult




Caros confrades,

Uma vez que o Boletim da Fraternidade São Pio X (n° 251), de julho de 2013, me mencionou explicitamente, peço-vos alguns minutos de atenção para ouvir meu “direito de resposta”.


Em primeiro lugar, peço-vos para não dar qualquer crédito a Dom Thouvenot, o qual pretende que nós tentamos “fazer explodir a Fraternidade”.

Eu devo tudo à Fraternidade, à qual sou ligado inclusive por um testamento. Nosso objetivo era o próprio objeto da ação de graça de Mons. Fellay, em Kansas City, em outubro de 2013: ser “preservados de qualquer tipo de acordo”, uma vez que isso teria sido uma grande “desgraça”.

OS DESEJOS...


Dom de Cacqueray afirma que “seria realmente paradoxal e obra diabólica querer deixar a Fraternidade no momento em que é apresentada uma declaração dessa natureza [27 de junho de 2013; do original italiano]. É sob a direção de nosso Superior Geral, e não de franco-atiradores, que devemos continuar a conduzir o combate pela Fé”.

Mas Dom de Cacqueray precisou escrever três páginas para tranquilizar-vos sobre essa Declaração, quando não foi necessário nenhum comentário acerca da Declaração de 21 de novembro de 1974.

Continuar a conduzir o combate pela Fé, sob a direção de nosso Superior Geral”. Que seja! Mas, desde 2002, onde estão os comunicados da Casa Generalícia que condenam oficialmente Roma? Pior, houve comunicados que até favoreceram as mentiras romanas. Mons. Tissier, no editorial de “Le Sel de la Terre” (N. 85, verão de 2013), fala de “mentiras e equívocos” acerca do motu proprio de Bento XVI sobre a Missa e sobre a remissão das excomunhões. E, assim, que fala disso Mons. Fellay? Por quê Dom Nely, em particular, desaconselha a leitura desse artigo de Mons. Tissier, descrevendo-o como ruim ou desinteressante?

Dom de Cacqueray nos diz de combater “com inteligência e prudência, com espírito sobrenatural e na obediência aos nossos superiores”. Que seja! Mas por que, voltando de Menzingen com o “Cor Unum” n. 104 [Online (em italiano). Em espanhol], Dom de Cacqueray afirmou que “um acordo era inevitável” e que ele não era “mais capaz de exigir obediência de seus subordinados em relação a Dom Fellay?”.

Dom de Cacqueray, em particular, tem criticado fortemente os desvios da Casa Generalícia. Ele o tem feito corretamente, com coragem e inteligência, mas o que acontece com isso publicamente?


DUAS DECLARAÇÕES QUE DISTORCEM A REALIDADE


a) L. A. B. n. 80 [1]: Dom de Cacqueray manifesta a Mons. Fellay sua “gratidão pela recusa corajosa que ele dirigiu ao Papa”.

b) Boletim n. 251: Dom de Cacqueray escreve: “o nosso Superior Geral nos comunica agora essa outra Declaração. Lhe agradecemos vivamente”. Mas, reservadamente, Dom de Cacqueray disse a um confrade, em 11 de junho de 2013, que a Declaração de 15 de abril de 2012, embora retirada, havia sido ampliada com a publicação do ‘Cor Unum’ 104 [Online (em italiano). Em espanhol] e com a letra a Bento XVI de 17 de Junho... Mas até julho de 2012, Dom de Cacqueray havia justamente colocado o verdadeiro problema: “A partir do momento que não foram capazes de respeitar as decisões do Capítulo de 2006, por quê seriam capazes de respeitar, amanhã, os compromissos assumidos hoje?”.

Os agradecimentos são, portanto, impróprios, até que as injustiça tenham sido reparadas e os erros claramente rejeitados.

É porque vos escandalizaríeis com essas exigências? No entanto, elas são um clássico na História eclesiástica. Nos Atos de Cartago, o diácono Paulino, acerca de um clérigo defensor de erros, declara: “Das duas uma, ou negas ter ensinado isso ou o condenas!”.

E, então, a realidade, infelizmente, não é aquela descrita oficialmente por Dom de Cacqueray.

A realidade que é Mons. Fellay foi PARCIAL, negligenciando a avaliação de Mons. Lefebvre (1988-1991), DESOBEDIENTE ao Capítulo de 2006, IMPRUDENTE desprezando as advertências dos Bispos e INFIEL preparando uma declaração ímpia (15 de Abril de 2012).

E mais, o Superior Geral teve um comportamento DESONESTO, praticando a mentira, a manipulação dos textos... Não nos esquecendo dos pecados de omissão e das contradições evidentes ocultas sob o falso pretexto de “saber ler nas entrelinhas” ...

Em abril de 2012, Dom de Cacqueray afirmava que a declaração de Mons. Fellay era “escandalosa, que minava a honra da Fraternidade e que ele iria agir para obter a rejeição solene por ocasião do Capítulo”. Em 15 de junho de 2012, Mons. de Galarreta confidenciava a um confrade: “Mons. Fellay entenderá que não pode continuar, porque decepcionou aqueles que esperavam por um acordo, e os outros vão lhe dizer: tudo isso, por isso!”. Depois do Capítulo, Dom de Cacqueray constatava que: “a condição de 2006 foi completamente abandonada”. E, em maio de 2013, Mons. Tissier de Mallerais declarava que o conteúdo do ‘Cor Unum’ n. 104 [Online (em italiano). Em espanhol] era “muito deplorável para ser comentado, muito claramente insatisfatório para ser aprovado, demasiado chocante para não causar vergonha a quem de direito”.

Em conclusão, não houve “retratação solene” alguma, mas um abandono das nossas posições, com um Superior que “continuou a manterum comportamento oficial “deplorável”, “insatisfatório”, “chocante” e “vergonhoso”!


O NOSSO BEM COMUM


O que esperam esses confrades para perceber as consequências destes fatos? Souberam escrever os números, mas não se atrevem a fazer a soma[2].

É preciso esperar que Mons. Fellay concelebre a Missa de Paulo VI com uma guitarra para que decidam agir publicamente?

Em vez de manter uma posição eficaz, eles pensaram que o que seria salutar é impossível, esquecendo-se que os limites do possível se ampliariam se apenas tivessem a audácia de expressar em voz alta o que pensam. O diabo lhes fala de união para bloqueá-los, e eles esquecem, então, que não há união fecunda se não aquela que se baseia em certos princípios, e que, caso contrário, o termo ‘união’ serve apenas para encobrir um mal-entendido com o qual os mais honestos são enganados pelos mais astutos.

A Casa Generalícia disse e cometeu barbaridades que feriram seriamente a nossa Fraternidade. A advertência de Mons. Lefebvre vale também para nós: “Não são os inferiores que mudam os superiores, mas os superiores que mudam os inferiores” (Fideliter n. 70, julho-agosto de 1989 [Em Inglês]).

O que podemos esperar de Mons. Fellay, que disse: “A nova Missa esvazia o sacrifício da Cruz” (Junho de 2013), e também disse que a nova Missa foi “legalmente promulgada” (Abril de 2012); ou o Vaticano II “inaugurou um novo tipo de magistério embebido de princípios modernistas” (junho de 2013) e também: “o Concílio Vaticano II esclarece e explicita certos aspectos da vida e doutrina da Igreja” (Abril de 2012)?

Tal contradição doutrinária neste homem (o Superior Geral), nas atuais circunstâncias (os 50 anos do Vaticano II), deveria ser suficiente para provocar em nós uma indignação salutar.

E, ao perder sua credibilidade, Mons. Fellay a fez perder a toda a Fraternidade e a cada um de seus Sacerdotes. Como bem disse Dom Chazal: a Fraternidade perdeu sua virgindade doutrinal. Mons. Fellay feriu a coesão da Fraternidade, comprometendo seu bem comum. Ele rachou as robustas convicções doutrinais exigidas pelo nosso combate extenuante.

E no decorrer do Capítulo, os Superiores maiores da Fraternidade preferiram à unidade à verdade, a reputação de um homem ao amor à verdade. Tratou-se de um veneno mortal! Um falso princípio, que parece implicitamente aceito por todos, rege hoje a nossa Fraternidade: “A autoridade é intocável e/ou o Superior é infalível”. Dizer que um superior é indigno e deveria renunciar seria uma blasfêmia ou um pecado contra o Espírito Santo!

Isso é ridículo, mas é esse o espírito que reina entre nós.

Se não houver nenhuma reação, esse princípio nos matará em um prazo mais ou menos curto.

A maior desgraça para um século é o abandono ou o abrandamento da verdade. Podemos nos reerguer de tudo, mas não nos reergueremos nunca se houver o sacrifício dos princípios... Assim que o mais alto serviço que um homem pode prestar a seus semelhantes, em momentos de fracasso e obscurecimento, é afirmar a verdade sem medo, mesmo que não seja ouvido.” (Mons. Freppel, ‘Panegírico de Santo Hilário’, 19 de janeiro, 1873.)


UMA NOVA LINHA...


Enquanto Mons. Lefebvre afirma que, em caso de acordo, “não basta dizer: nada mudou na prática...” (Ecône, 8 de outubro de 1988), Mons. Fellay pretende, ao contrário: “seja qual for o acordo, sem compromisso! Nós continuamos como somos”. (The Angelus)

E essa utopia suicida foi reafirmada na Declaração para o XXV aniversário das consagrações, com a pretensão de seguir “o princípio que Mons. Lefebvre sempre observou”: “... seja que [Roma] reconheça ... o direito e o dever de nos opormos publicamente aos erros e àqueles que os promovem, seja quem forem...”.

E indicar essas contradições significa dividir o cabelo em quatro[3]? E se alguém as observa, deve se calar?

Como é possível que tantos confrades não viram o que um leigo havia previsto e escrito em 2009 a Dom Cacqueray. Esse fiel estava preocupado com “a euforia histérica” de Mons. Fellay, que denotava “uma grande ignorância acerca da hermenêutica da continuidade”; e também estava chocado com sua “mentira deslavada” que “dava a entender” aos fiéis que “seriam atendidos pela Santíssima Virgem Maria”. E depois concluía: “Os colóquios fracassarão com certeza. Para mim, caro Reverendo, é uma certeza. A tática imprudente da Fraternidade, os seus preâmbulos desastrosos, não podiam que levar a esse beco sem saída, do qual não vejo como ela poderá sair, a não ser com um grande dano. Deus vai pedir conta disso a nossos Bispos, por que o escopo deles é pregar a verdade, e não dialogar com os anticristos”.

Quando se pergunta a Mons. Fellay: “Que sinais devemos esperar que nos demonstrem que se fez um retorno à Tradição” (Entrevista ao The Angelus, 20 de abril de 2013 e DICI de 07/06/13), a resposta é: “É difícil dizer como isso começará. Com Papa Bento XVI, tivemos, no início, o grande sinal da liturgia...”.

À mesma pergunta, Mons. Lefebvre respondia assim: “quando me perguntam quando haverá um acordo com a Roma, a minha resposta é simples: quando Roma entronizará novamente Nosso Senhor Jesus Cristo. O dia em que eles reconhecerem novamente Nosso Senhor como Rei dos povos e das nações, não é conosco que eles terão se reunido, mas com a Igreja Católica, na qual continuamos a permanecer”. (Flavigny, dezembro de 1988, in Fideliter n° 68, de março de 1989).

Depois disso, se pode pretender que a Fraternidade não mudou de linha? Em 1988, era admitido por todos que “depois do Concílio Vaticano II se havia manifestado claramente uma Roma neomodernista...” e que “a cátedra de Pedro e os postos de responsabilidade em Roma” eram “ocupados pelos anticristos”. Vinte cinco anos depois, se passou do explicito ao ambíguo.

Onde estão os atos de guerra contra esta Roma modernista?

Contentar-se com a declaração de Junho de 2013 (melhor do que a de Abril de 2012), significaria contentar-se com uma diminuição da febre, sem querer extirpar o princípio mortal que continua a permanecer no corpo. “Quando será a recaída do doente?”.


E UM NOVO ESPÍRITO


Pode-se confiar naqueles que quiseram um acordo com o montanhês[4] Bento XVI, que era apenas a Revolução freada, sob o pretexto de que se recusa o mesmo acordo com o jacobino Francisco, que é a Revolução cumprida? Não! Jacobina ou montanhesa que seja, jamais se deve fazer acordo com a Revolução. Isso deveria ter sido evidente a cada “contrarrevolucionário”!

Nós escolhemos ser contrarrevolucionários com o Syllabus contra os erros modernos... Quanto mais se analisam os documentos do Vaticano II e a interpretação que a autoridade dá deles... mais se percebe uma perversão dos espíritos... Nós não temos nada a ver com essa gente, porque não temos nada em comum com eles... De tanto dizer que são pelos direitos do homem, pela liberdade religiosa, pela democracia e a igualdade dos homens, eles terão um lugar no Governo Mundial, mas será um lugar de servos... Ou estamos com a Igreja Católica ou estamos contra ela, nós não somos dessa Igreja conciliar que tem cada vez menos da Igreja Católica, praticamente nada.” (Conferência de Mons. Lefebvre na conclusão do retiro sacerdotal em Ecône, setembro de 1990 – Fideliter n. 87, maio-junho de 1992, p. 8).

Alguns membros da Fraternidade, por ingenuidade, acreditavam que um acordo com a Igreja conciliar seria uma vitória da Tradição. Eles se assemelhariam a ovelhas que acreditam poder ocupar o matadouro... Mas se tantos confrades se deixaram seduzir, não foi porque alguém se deu ao trabalho de tentá-los, mas sim porque eles morriam de vontade de ceder à tentação. Os modernos se adaptam muito rapidamente aos princípios da Revolução tão logo haja uma aparência de ordem. Eles esquecem logo, muito rapidamente, o perigo da desordem estabelecida e da subversão instalada nos princípios.

“Mons. Fellay”, me diriam, “disse que não queria mais um acordo”. Que seja! Por enquanto.

Mas, em qualquer caso, o problema não é mais este. O acordo é uma consequência do problema, não sua causa! O problema é um líder liberal que falhou no acordo, que vive na contradição dos princípios, que tem um espiritualidade sobrenaturalista, uma concepção sectária e/ou tirânica da autoridade e uma pregação amaciada e calculada de Cristo Rei, que procura não desagradar a certos inimigos de Cristo Rei...

Certas reflexões de Abel Bonnard, em ‘Os Moderados[5], que mesmo depois de um século ainda não perderam sua atualidade, merecem ser melhor conhecidas. Elas dizem respeito à psicologia dos liberais. Aqui estão algumas para ler como as reflexões de Aristóteles citadas por São Tomás:
Os moderados são liberais que não têm mais fé em si mesmos”, “São moderados, não por causa de princípios próprios deles, mas porque dão um passo a menos na mesma direção de seus adversários, por serem tímidos nas mesmas irrazoabilidades”; “Seu papel na História é imenso. São os introdutores das catástrofes: anunciando o progresso, abriram a porta ao desastre. Os liberais são os personagens mais vaidosos da História. Eles querem que a política seja um debate, não um combate[6]; “Em política, o primeiro realismo é conhecer os demônios que estão escondidos nas palavras”, “Aos espíritos pobres, a paixão pelo verdadeiro parece sempre um partido tomado, enquanto, pelo contrário, é por demais fácil passar por imparciais permanecendo superficiais e por objetivos respeitando igualmente todos os ídolos”.


AS EXIGÊNCIAS DA VERDADE


“Mas”, me diriam, “isso dá o direito de desobedecer?”.

Mas então, o que é esse pedir a Roma “o direito e o dever de nos opormos publicamente aos erros e àqueles que os promovem, seja quem forem”? Como poderia a Fraternidade exigir para si, de maneira decente, um direito que ela mesma não respeita?

Uma vez constatado” – escreve o Pe. Montrouzier, da Companhia de Jesus – “o erro deve ser perseguido junto a todos os seus partidários, seja qual for seu status, a sua posição e até mesmo a eminência de seu saber e dos serviços prestados... A caridade não é a fraqueza: qualquer perigo de sedução deve ser comunicado, mesmo correndo o risco de comprometer os personagens até então considerados como totalmente irrepreensíveis[7].
E, então, como enfatiza Abel Bonnard: “O termo ‘servir’ tem um bonito significado, mas é muito próximo do termo ‘servil’...”. “O próprio Nosso Senhor foi acusado de ser sedicioso e perturbador da ordem, por ter dado testemunho da verdade”. “A ordem a observar na caridade requer, antes de tudo, amar a verdade. Mas muitos são pela verdade, desde que não tenham que sofrer por ela”. “Na verdade, um homem honrado, sejam quais forem os deveres que reconhece a si mesmo em relação à sua sociedade, sempre os conserva para consigo mesmo. Ele não pode aceitar obrigações para as quais a sua alma se achate, e, por mais que dessa forma pareça que se preocupe consigo mesmo, ele, ao contrário, cumpre o dever primordial em relação à sociedade de que faz parte” (Abel Bonnard).

Credes mesmo que o fato de gritar ao escândalo diante dos fatos que vivenciamos e que são fruto da política sediciosa da Casa Generalícia, justifique as exclusões da Fraternidade?

Podeis aceitar que mintam para vocês?

Que se manipulem oficialmente os textos?

Que se destruam, contra o próprio direito de nossa Fraternidade, as decisões fundamentais do Capítulo de 2006?

E, questão anexa, podeis aceitar que um Superior de Distrito usurpe a vossa identidade e faça dela um uso fraudulento?
Dom de Cacqueray nos diz: “Quaisquer que sejam as dificuldades dos últimos dois anos, neste texto contatamos que as posições da Fraternidade são claramente expressas... a partir do momento em que o estandarte da Fé é orgulhosamente desfraldado contra as heresias, que se saiba passar por cima de tudo o que permanece acessório e acidental... Se nós acreditarmos ter sido talvez vítimas de injustiças ou de incompreensões, ou se realmente o fomos, peçamos a graça de saber nos alegrar e ofereçamo-las em sacrifício por esta grande batalha pela Fé”.

Eis um modo não apenas um tanto ligeiro, mas também falso, de considerar o problema.
Esses falsos espirituais, que traíram as obrigações da vida ativa, e particularmente as obrigações da honra e da justiça, mataram em seus corações a possibilidade da verdadeira contemplação; eles se imergiram em uma oração de mentira [...], a caridade pelo próximo não pode negligenciar o sentido da honra. Assim, não defender os inferiores que lhe foram confiados, abandoná-los, deixar-se caluniar, esmagar, exilar, enquanto é seu chefe legítimo, deixá-los pra lá e fazê-lo com palavras piedosas (‘meu caro amigo, isso vai em benefício de vosso crescimento espiritual’), em uma palavra, comportar-se como um covarde, significa, obviamente, faltar com a honra e a justiça, mas, ao mesmo tempo, significa faltar gravemente contra a caridade. O líder que tem o hábito de agir assim, talvez evite a si mesmo dificuldades e complicações, mas comete iniquidade. Depois disso, podeis me dizer que ele é um homem de oração, e eu vos respondo que é sobretudo um piedoso hipócrita. Ele ignora uma das primeiras obrigações da vida ativa, que é o de amar muito para praticar a justiça, mesmo às próprias custas. Diversamente, como poderia ser autentica a contemplação em sua alma?” (Padre Calmel, Itinéraires n. 76, ‘A contemplação dos santos’).

E “O estandarte da Fé” é realmente “orgulhosamente desfraldado contra as heresias” do mundo moderno quando vemos Dom Rostand se unir à oração ecumênica de Francisco em Praça São Pedro? E isso sem sanções por parte do Superior Geral? A carta dos três Bispos se enganava quando constatava: “Já não se notam no seio da Fraternidade sintomas desse amolecimento na confissão da Fé?”.


PATERNIDADE OU TIRANIA?


Dom de Cacqueray espera “de todo coração que esta Declaração doutrinária permitirá àqueles que já não estão conosco, Bispo, membros da Fraternidade ou comunidades amigas, de retornar ao redil. Citamos, em particular, Dom Olivier Rioult. [...] Convidamos, assim, cada um a permanecer firme na Fé e a não pensar que haja quase um ‘estado de necessidade no estado de necessidade’ que permitiria tomar sabe-se lá que tipo de iniciativa”.

Que Deus vos recompense Dom de Cacqueray por vossas intenções. Mas isso pode fazê-lo apenas aquele que destruiu a unidade da Fraternidade, reparando e anistiando.

Onde estão os apelos do pastor que convida as suas ovelhas a “voltar ao redil”? Ovelhas que nada mais fizeram que lutar com todas as suas forças contra o erro acordista e pela honra da Fraternidade.

Dom de Cacqueray reconhece corajosamente, e isso não agradou a Dom Simoulin, nem à Casa Generalícia, que por dois anos na Fraternidade houve “um estado de necessidade no estado de necessidade. Essa frase manifesta a legitimidade das tomadas de posição de Mons. Williamson e dos sacerdotes que sacrificaram sua paz de espírito para cumprir o seu dever contra os defensores dos erros, “sejam que forem”.


“Voltar ao redil!” Claro! Mas qual? Um redil onde se reputa normal que Mons. Fellay faça “tacitamente” crer em “um passo em falso”, para depois, em seguida, pretender que a sua Declaração fosse um “texto suficientemente claro” e escrever no Boletim Oficial que foi enganado por Roma e não foi compreendido pelos “eminentes confrades que viram uma ambiguidade ou um acordo”? Um redil no qual se aceita a recusa do Superior Geral de reconhecer intelectualmente a sua Declaração de abril de 2012 por aquilo que era: a hermenêutica da continuidade? Um redil no qual se suporta que a cúpula da nossa Congregação invalide o princípio de não-contradição e engane os membros do Capítulo? Que fazem os generais do nosso exército? Mons. Lefebvre queria um pouco mais de energia: “Eles ficam. Não decidem ir embora ou fundar outro mosteiro ou pedir a Dom Gerard de renunciar e de ser substituído... Não, nada... Se obedece. [...] É deplorável ver com que facilidade um mosteiro que está na Tradição se coloca sob a autoridade conciliar e modernista. E todos ficam.” (Ecône, 8 de outubro de 1988).

Se os generais não fazem nada, que esperamos para imitar os Vandeanos que foram procurar seus líderes em seus castelos, e um deles até mesmo debaixo de sua cama? Esses nobres Senhores, uma vez colocados diante de seus deveres, se tornaram heróis e mártires. Eles tinham, é verdade, o sentido da autoridade que não é nada sem a verdade: Se avanço, segui-me; se recuo, matai-me...

Meu Deus, dai-nos chefes, santos chefes, muitos santos chefes!

Dominus vobiscum.

Dom Olivier Rioult
21 de novembro de 2013

Tradução do texto em italiano, notas e links: Giulia d’Amore.




1 - Lettres aux amis et bienfaiteurs (Cartas aos amigos e benfeitores). Confira aqui: http://www.laportelatine.org/district/france/bo/lab80_130103/lab80_130103.php
2 -  2+2=4.
3 - Examinar algo com excessivo pedantismo, procurando os mínimos defeitos. Uma das acusações de dom Fellay a seus “críticos”.
4 - Montagnards (montanheses) eram os integrantes do grupo – La Montagne – mais radical e revolucionário que se formou durante a Revolução Francesa. Eram chamados assim porque ocupavam os lugares mais altos na Convenção Nacional. Estava em clara contraposição aos Girondinos (republicanos federalistas). Faziam parte do grupo os sequazes de Robespierre, Marat e Danton. Dominando a Convenção e o Comitê de Salvação Pública, instauraram o Terror.
5 - Les Modérés: Le drame du présent. Abel Bonnard foi um literato e político francês – 1883-1968. Uma sinopse aqui: http://ofogodavontade.wordpress.com/2009/08/16/os-moderados-sao-o-drama-do-presente.
6 - Nota original: “Nós vivemos em tempos excepcionais e, pensamos, apocalípticos” (Mons. Lefebvre, Retiro de Ecône, setembro de 1986).
7 - Com o erro não se contemporiza. Parece que se perdeu a noção do certo e do errado! Parece que o tema da saúde das almas é algo que se pode deixar para amanhã. E se não houver amanhã?

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