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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Pe. Pierre de Clorivière: Remédios para os males da Revolução

REMÉDIOS PARA OS MALES DA REVOLUÇÃO


O Reverendo Pe. Pierre-Joseph Picot de Clorivière foi um contemporâneo da Revolução “Francesa”... Ele conheceu seus cárceres, seus terrores e seus métodos. Sua análise é, todavia, atual. Nestes tempos em que a confusão atravessa a Igreja, inclusive às congregações que pensávamos estarem amarradas solidamente à Verdade... as palavras de ordem deste guerreiro da Fé ser-nos-ão muito úteis: 1º buscar sinceramente a Verdade; 2º não seguir aos que falam bem diante das autoridades, mas àqueles que nos dão mais razões. 3º Não temer a pobreza nem a desonra.


CAUSAS DA CRISE E CONDIÇÕES DA RESTAURAÇÃO

Do Padre Pierre Picot de Clorivière S.J.

Apresentamos aos nossos leitores algumas páginas extraordinárias de uma das testemunhas da Revolução Francesa e de sua impiedade. O jesuíta Pe. Joseph-Pierre Picot de Clorivière, francês, nascido em Saint-Malo, em 1736, havia profetizado desde 1779 a eclosão da Revolução, e quando a Assembleia constituinte, onze anos mais tarde, quis impor aos sacerdotes um juramento de fidelidade à nova Constituição anticristã, opôs sua recusa e preferiu o processo, a prisão e, depois, as agruras de uma vida clandestina. Enquanto ele, desafiando a polícia revolucionária, ministrava secretamente os sacramentos aos condenados à morte, pregava contra a “igreja constitucional” cismática e escrevia opúsculos contra a doutrina revolucionária, seu irmão e sua irmã caíam vítimas da perseguição. Sob Napoleão foi novamente preso e permaneceu na prisão por cinco anos. Durante a Restauração, por encargo do Papa Pio VII, reorganizou a Companhia de Jesus na França. Morreu no dia 9 de janeiro de 1820, deixando aos pósteros não apenas numerosos escritos contra a Revolução, mas também algumas obras de espiritualidade que o revelam um mestre da teologia ascética. Está em curso a sua causa de beatificação[1]. As páginas mostradas são retiradas de seu ensaio “Vues sur l’avenir”, escrito em 1794, em pleno Terror (Cf. P. Picot de Clorivière, “Etudes sur la Révolution”, Editions Fideliter, Escurolles 1988, pp. 42-49).

***

Para defender-se das trevas, é preciso recorrer à luz; para evitar as seduções da mentira, é preciso revestir-se com o escudo da Verdade. É preciso, então, voltar-se para a Religião, conhecer os seus Dogmas em sua divina harmonia, em seu maravilhosos sistema e em sua excelência; penetrar a pureza de sua moral, a magnificência de suas promessas e o terror de suas ameaças; a força invencível de suas provas, a multitude de seus milagres e a certeza de suas profecias... Não devemos temer a não ser a um espírito que, tendo sido investido desta luz resplandecente, rechace estes objetos e possa sofrer com indiferença que os queiram arrancar dele, que não veja, sem estremecer de indignação, em quais trevas nos querem afundar.


Prudente desconfiança para com as autoridades


É importante fazer uma reflexão à qual seria necessário prestar atenção: quando não é possível consultar a Igreja ou seu primeiro Pastor, ao qual é prometida a infalibilidade, não se pode seguir cegamente a nenhuma particular autoridade religiosa, porque não há nenhuma que não possa ser arrastada no erro e, portanto, nos arrastar com ela. É menos à autoridade pessoal do que à autoridade das razões aduzidas é que precisamos confiar. Não é esse o momento em que uma obediência cega possa ser louvável; é preciso usar a faculdade do discernimento, como diz o Apóstolo São Paulo: “rationabile sit obsequium vestrum[2]. É preciso, em suma, prestar atenção mais à força e à número das provas e das razões do que ao número das autoridades particulares, porque, em tempos de crise, quando a Verdade é perseguida, acontece ordinariamente que a maioria se incline para a parte que favorece a sua fraqueza, mesmo que seja a menos conforme com a Verdade. Então, é preciso consultar o Senhor com humildade, no desenho e na firme intenção de seguir os lumes da própria consciência, sem se importar com o que pode resultar de incômodo e com o julgamento desfavorável que os homens fariam de nossa conduta. O Senhor se compraz de iluminar uma alma que O procura com retidão, e as luzes de uma sã consciência concordam sempre com as diretrizes da verdadeira doutrina. Conformando-se a estes lumes, temos visto as almas mais simples demostrar, na defesa da Verdade, mais coragem e firmeza do que a maioria das outras.

Mas quando não querem seguir as decisões da consciência que são mais custosas, se consultam sem cessar novos doutores. Deus, como punição, permite que se encontrem os que dão respostas que estejam em conformidade com os desejos da natureza, estas servem para abafar os gritos de consciência, mas Deus não estará satisfeito. Este tem sido a conduta de muitos.

Não é suficiente esclarecer o espírito, é necessário também depurar o coração, de modo que o espírito possa receber e conservar a luz. Em geral, todas as inclinações perversas que alteram a pureza de coração alteram a penetração do espírito e o ofuscam; é o privilégio de um coração puro ver em todo seu esplendor a luz de Deus. Dois vícios, mais do que todos os outros, tem mergulhado nosso século nas trevas, estes são o orgulho e a impureza.


O dever nos dias de perseguição.

Suponhamos que nos haja nenhuma interrupção aos males da presente revolução (e esta suposição se baseia no estudo das Sagradas Escrituras). Mas porque o mal está arraigado a tal ponto que, sem uma intervenção maravilhosa de Deus, uma que não teve igual, nosso País não poderá levantar-se; porque esta intervenção não parece próxima e porque parece que será concedida em vista da conversão de judeus e os dos povos infiéis, não falaremos como se fosse uma coisa certa. Antes de propor qualquer opinião a este respeito, exporemos o que conviria no caso de não chegar uma ordem de coisas favoráveis à religião.


A importância de bons sacerdotes.

Em tempos de perseguição menos violentos, embora a religião e os que a professam permaneçam em um estado de opressão e sofrimento, algumas coisas são mais necessárias entre todas.

Para manter no povo cristão a ordem e a  pureza da Fé, a uniformidade na conduta e para procurar aos fiéis socorro e consolação, a manutenção da ordem hierarquia é coisa capital. É por isso que a religião se sustém e se propaga em um país e nada poderá contribuir mais a restaurar entre nós o Reino de Deus e a salvar a Fé de um grande número de pessoas. O zelo dos nossos Bispos os fará, se necessário, desprezar o perigo e os desconfortos de uma vida pobre, como a dos primeiros discípulos de Jesus Cristo. E, de sua parte, os fiéis se sentirão obrigados, por amor à religião, a proporcionar às suas expensas, e até com risco de suas vidas, tudo o que é necessário para que possa exercer o ministério pastoral.

Não menos importante será garantir a este País um número suficiente de sacerdotes, e não há obra mais essencial do que dar aos aspirantes ao Sacerdócio os meios para se prepararem perfeitamente. Também se deve fazer tudo o que for possível para manter e incrementar tanto no clero como entre os fiéis, o zelo pela salvação. Um Cristão, e principalmente um sacerdote, deve estar pronto a se sacrificar pelo bem espiritual de seus irmãos, sobretudo quando as necessidades são urgentes. Se não têm a coragem de fazê-lo, serão responsáveis diante de Deus por uma série de males que, com um pouco de zelo, poderiam deter. Que se apressem aqueles que se sentem mais fortemente atraídos por Deus, porque os primeiros a dar o exemplo merecem uma coroa mais gloriosa. Mas que não tenham outro fim que a glória de Deus e esperam o sofrimento. É necessário que sua coragem seja tal que aumente à medida que se multiplicam os obstáculos e que se fortaleça no abandono total. Aqueles que se propõem perspectivas humanas e procuram o descanso não serão adequados para a obra de Deus. Necessitam-se obreiros que contem unicamente com Deus, sem preocupações nas coisas visíveis, tendo os olhos voltados para o eterno.

A tarefa é grande e, qualquer que seja o êxito, não pode ser mais do que felicíssimo para aqueles que se dedicam a ela. Não é suficiente trabalhar para a geração presente, é preciso pensar nas gerações futuras, para preparar-lhes os meios de salvação. (...)


Necessidade de uma virtude heroica

Em uma época em que a Igreja não está menos exposta à fúria de seus inimigos do que nos primeiros séculos, é necessária em seus filhos uma virtude não menor. Uma virtude medíocre não seria suficiente para que permaneçam discípulos de Jesus Cristo; precisam de graças maiores, de lumes mais vivos, à medida que se multiplicam os inimigos visíveis e invisíveis dos quais devem se defender. Visto que o escopo que estes inimigos se propõem é claramente perverso, seriam demasiado débeis se não se armassem com a mentira. Filhos da antiga serpente, imitam sua tortuosidade, se circundam de palavras que à primeira vista não apresentam nada de perverso e se servem de equívocos, de redes fisgar os imprudentes. É preciso de um grande discernimento para reconhecer, entre aqueles que desfrutam de uma reputação de conhecimento e de piedade, quem deve ser consultado, que grau de confiança mereça e até que ponto deve chegar a deferência a seus conselhos. Aqueles que seguem cegamente aos guias cegos caem junto com eles. Até mesmo nas coisas que levam abertamente a marca do mal ou da mentira, a autoridade de alguns que as abraçam ou as defendem, o exemplo da maioria, o temor de restar isolados, tudo leva a se enganar. Começa-se por duvidar; o que parecia verdade certa parece agora apenas opinável, e se acaba por aceitar o que antes assombrava.

Só a luz divina, a grande luz que é um socorro muito poderoso pode nos proteger de tais perigos. O que fazer para obter essa luz viva, essas graças fortes e abundantes? Em tempos onde a Justiça de Deus é provocada pela superabundância dos crimes, de acordo com as regras da equidade devemos, de nossa parte, fazer o que depende de nós para satisfazer essa divina Justiça; não podemos esperar que Deus nos distinga por efeito particular de Sua misericórdia, se nós mesmos nos distinguimos em Seus serviço por uma fidelidade mais generosa. A glória de Deus, a caridade pelo próximo nos alenta. Se com uma virtude comum é possível se salvar, não salvaremos os outros. É necessário que, através de uma vida mais santa, adquiramos um maior crédito diante de Deus, que o fervor e a confiança deem peso às nossas orações e que, por um generoso desprezo da vida e de tudo o que o mundo estima, atraiamos a misericórdia do Senhor. Aaron, com o incenso na mão, deteve a vingança divina; cinco justos teriam poupado Sodoma.

Certas virtudes são particularmente necessárias em tempos de perseguição para superá-la sem enfraquecer-se. Por princípio, a pobreza de espírito é muito recomendada no Santo Evangelho. Conquanto a renúncia de coração às coisas da Terra se exija a todos os cristãos, há circunstâncias em que a renúncia se faz necessária. Isso era muito frequente nos primeiros anos da Igreja, quando os fiéis se viam ameaçados de perder seus bens e de ver-se reduzidos à indigência se não adorassem os ídolos. Agora estamos em uma época em que o espírito de pobreza será mais necessário do que nunca. A razão é óbvia, já temos diante de nossos olhos as premissas dos sacrifícios necessários. Por outro lado, muitos dos que se dizem cristãos se juntaram às fileiras da impiedade por temor de perdas temporais; o amor a seus bens dominou seus corações. Por isso, é extremamente necessário ter por eles um sincero desprezo; tais bens não fazem o homem maior do que é; devemos possuí-los sem apego, o que significa que devemos saber exercitar a privação, usar os bens com sobriedade e sem fazer-se escravo das comodidades; de saber, quando seja necessário, separar-se deles sem se amargurar. Estes bens são como a lã das ovelhas, às quais é bom tosá-las quando têm em demasia. Para o cristão que compreende e abraça o tesouro da Pobreza evangélica, o mundo não tem os mesmos perigos e terá gloriosas vitórias sobre a tentação.

Também é preciso ter desprezo pelo mundo e suas honras, se quiser permanecer livre e forte contra a sedução ou a prova. Contudo, é Verdade que as dignidades e as honrarias estão na ordem Divina para alguns. É uma coisa necessária para manter tanto a sociedade civil como a espiritual, e por esta razão não podemos duvidar de que a Divina Providência tenha destinado certas pessoas para colocá-las nesta dignidade. Se pode, então, aceitar honrarias e dignidades quando é a Providência que as apresenta como meio de procurar Sua glória e para servir aos homens. Porém, para não cair em um orgulho secreto e para não cobiçar as honrarias que seriam a causa de nossa perdição, não devemos buscá-las nem desejá-las, é preciso desprezá-las. (...)


A defesa da Verdade.

Os fiéis devem sempre se lembrar do ódio que Deus tem para com o erro, e resguardar-se contra as intenções dos incrédulos, sabendo bem que são guiados pelo espírito das trevas. Quando os sistemas ímpios dominam, quantas vezes não nos sentimos forçados, por uma frouxa e branda condescendência, a trair os interesses da Fé? O remédio para este mal é uma Fé sincera, uma verdadeira humildade e o desprezo do mundo.

Outro perigo é o de abandonar uma Verdade depois de havê-la reconhecido, por temor do mal a que estaríamos expostos se a defendermos. É preciso bem refletir que defender uma verdade, sobretudo quando esta diz respeito à Fé, significa defender a causa de Deus; abandoná-la significa afastar-se de Deus e colocar-se nas fileiras do “pai da mentira”. É sempre muito grave, e as consequências são funestas: uma primeira falta atrai uma segunda, e aquele que acreditava que tinha a se censurar nada mais do que um passo em falso logo é arrastado para o abismo. É preciso, então, manter a firme determinação de nunca recuar em tudo o que diz respeito à verdade, e de não ter apreço algum por seu próprio descanso, pelos interesses e por sua própria vida, quando se trata de defendê-la. (...)

Outro perigo que espreita os que estariam preservados dos dois primeiros é o de seguir cegamente às autoridades particulares a maioria das quais, em tempos de dificuldades e de perseguição, se inclina para o lado que favorece a natureza, embora se oponha à Verdade. É preciso lembrar bem a Verdade permanece sempre igual, sempre a mesma, não varia por causa das circunstâncias; o que em uma época se viu que era Verdade não pode deixar de o ser, embora tais ou quais personagens tenham mudado de sentimento; é preciso voltar ao que se pensava quando nada ofuscava o juízo, e não às dúvidas que sobrevieram desde que os motivos terrenos e os medos humanos despojaram o entendimento de uma parte de sua força e de sua liberdade. (...)

Desmascarar o erro
Não podemos nos abster de falar destes princípios e destas máximas ímpias que os patrões da Revolução difundiram por todo lugar e, particularmente, da chamada Declaração dos direitos do Homem. Se eles a proclamaram com tanta solenidade, se se esforçaram de inculcá-la e esculpi-la profundamente nas almas, o fizeram porque essa contém todos os princípios sobre os quais se baseia a Revolução anticristã. É preciso desmascarar sua falsidade, ressaltando o verdadeiro significado que os legisladores deram à “liberdade” e à “igualdade” que puseram como fundamento destes direitos. É preciso fazer ressaltar as contradições ocultadas nestes direitos e constatar as consequências funestas que deles resultaram. Estes pressupostos direitos do Homem são uma doutrina tão danosa que não bastará desmascarar seu veneno: é preciso, de algum modo, na medida do possível, tirá-las das mãos e das vistas dos povos, votá-la à execração e, sobretudo, estar atentos que certos mestres desgraçados não se sirvam deles para envenenar as almas dos seus alunos. (...)

Alguns legisladores decretaram que o povo Francês reconheceria a existência do Ser supremo e da imortalidade da alma. Mas qual “Ser supremo”? Eles mesmos declararam que “não se trata do deus dos curas”. Trata-se de um deus que não exige nem orações nem sacrifícios, um deus indiferente entre a mentira e a verdade, um deus para o qual todos os cultos são iguais. Admitiram este Ser supremo apenas por razões políticas, fazendo-o confundir-se com a natureza. E qual “imortalidade da alma”? Eles se cuidam bem de defini-la e não gostariam nada que uma alma imortal fosse submetida ao juízo de um Deus infinitamente santo.

Substituindo a mentira à verdade, a Revolução corrompeu também a virtude. A virtude verdadeira exige que o homem se faça violência, e os princípios revolucionários lhe tiram os motivos mais poderosos para impor-se esta violência.


Esperar no futuro

Hoje, o mal avançou a tal ponto que, sem uma intervenção maravilhosa de Deus, e de uma magnitude sem precedentes, o nosso País não poderia ressurgir. (...) para reanimar a coragem daqueles que permanecem fieis, devemos recordar-lhes as divinas promessas, o cumprimento das quais se implementará com as calamidades dos últimos tempos. Quando a Igreja cai em ruina, Deus se digna, muitas vezes, de restaurá-la de modo estupefaciente. É o que deverá acontecer nestes tempos de revolução universal. Nunca as perdas da Igreja foram tão grandes; essa será, em certo sentido, reduzida ao estado em que estava no momento da Paixão do Salvador; mais isso acontecerá para que ressurja com renovado esplendor e para que propague o domínio de Cristo mais do que no passado. A sua juventude será renovada, e o Espírito Santo efundirá sobre ela uma maior abundancia de seus dons.


Deveres de uma restauração católica

Celebração da Missa durante a Revolução Francesa
By Charles Louis Lucien Muller
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Nós esperamos que Deus, como efeito de sua misericórdia, porá fim aos males da revolução anticristã, mesmo que esse tempo pareça bastante distante, e nos auguramos que a Providência restabeleça entre nós, do modo que quiser, um Governo católico. Este deverá, antes de tudo, propor-se como fim aquilo que o próprio Deus se propõe: a Sua glória, a glória de Jesus Cristo e os benefícios de sua Igreja. Deste escopo primário nasce o bem espiritual dos povos. O segundo escopo de um Governo católico, que é comum a qualquer outro Governo, é o bem terreno dos súditos. Será fácil demonstrar que o melhor modo de obter esse segundo resultado é o de não nunca perder de vista o primeiro. O bem dos povos depende necessariamente de Deus, e o cuidado com os deveres para com Deus torna os povos e os seus governantes mais iluminados e vigilantes no cuidado de sua glória e de sua verdadeira felicidade. (...)

Por mais que os governantes devam agir com prudência, seu primeiro dever é o de atrair sobre si mesmos e sobre o povo a divina proteção. Renegar-se-ia estranhamente o primeiro princípio de toda política cristã se não se estivesse intimamente convencido de que cada homem à frente de qualquer Governo deve, antes de tudo, propor-se a tornar propício Deus, o Senhor dos dominadores. Este dever, comum a todos os povos e a todos os tempos, adquire uma nova importância nas nossas circunstancias. De fato, uma grande mudança em favor da Religião não poderá ocorrer sem que os povos, como que despertando de um sonho letárgico, reconheçam o cegamento e o abismo no qual se deixaram arrastar. (...)

Uma vez que a reparação deverá ser tanto pública e solene quanto público e solene foi o escândalo, os líderes deverão fazer, em nome da Nação, a confissão de seus crimes; reconhecerão que, repudiando a Religião de Jesus Cristo, a Nação havia merecido que Deus a abandonasse e que, apenas por puro efeito de Sua bondade, Deus se dignou de dirigir-lhe ainda o olhar; eles professarão um retorno perfeito à Fé católica e uma devoção sincera à Igreja; declararão nulas as leis promulgadas contra a Religião e restabelecerão em seus direitos o governo eclesiástico.


Fonte: Associazione Luci sull’Est
Também encontrável em Espanhol: Non Possumus.
Tradução, pesquisa, notas e biografia: Giulia d’Amore di Ugento.


FONTES DE PESQUISA:
- ANDRÉ RAYEZ, “Revue d'histoire de l'Église de France, 1968, Vol. 54, n. 153, pp. 253/279, Clorivière et ses fondations” (1790-1792).
- CHANTAL REYNIER: “Adélaïde de Cicé Hors série n° 1 de la revue Traces – 1999 – 45 pages: Adélaïde de Cicé dans le contexte historique de la Révolution Française”.
- COLLECTIF: “Dans la tourmente révolutionnaire, les Filles du Cœur de Marie Bande dessinée” – 1989 – 48pp.
- MARIELLE DE CHAIGNON: “Adélaïde de Cicé, Editions Nouvelles cités – 1990 – 157pp. – Vie d'Adélaïde de Cicé 1749 – 1818”.
Wikipedia.it – I
Wikipedia.it – II
Wikipedia.it – III


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BIOGRAFIA DE PADRE DE CLORIVIÈRE


Pierre-Joseph Picot de Clorivière (Saint-Malo, 1735 – Paris, 1820) foi um jesuíta e escritor bretão. Padre de Clorivière intuiu a profundidade da Revolução Francesa, traçando dela um surpreendente quadro: “A Revolução que vimos desencadear-se — escreve em 1794 — apresenta três característica principais, previstas nas Sagradas Escrituras: ela foi imprevista, é grande, será geral”. Após uma experiência na Marinha (1752), vai estudar Direito (1754) em Paris, na Sorbonne. Em 1755, faz os Exercícios Espirituais Inacianos e compreende sua vocação religiosa. No dia 23 de fevereiro de 1756, após a Missa na igreja dos Jesuítas, uma Senhora lhe diz: “O Senhor vos chama sob a proteção de S. Inácio e de S. Francisco Savério. Eis o noviciado dos Jesuítas. Entrai”. Após alguma resistência por parte da família, entra no Noviciado dos Jesuítas de Paris, em 14 de agosto de 1756; e, no dia 17 de agosto do ano seguinte, pronuncia os primeiros votos. Em 1762 os Jesuítas são expulsos da França; ele estuda Teologia a Liége, onde foi ordenado sacerdote aos 2 de outubro de 1763, na véspera da supressão da Companhia por decreto do Papa Clemente XIV. Padre de Clorivière foi o último jesuíta que pronunciou os seus votos solenes em França antes da supressão da Companhia de Jesus e seria o restaurador dela depois de 1814, quando o Papa Pio VII restaurou a Companhia em todo o mundo. Padre de Clorivière sempre permaneceu fiel à Companhia, estando disposto a sofrer a mesma sorte. Sua vida é cheia de peripécias: Emigração, denúncias, cárceres, provações na saúde, longas viagens em péssimas condições. Vive por alguns anos na Inglaterra, sob o nome de Pierre Picot. Desenvolveu seu apostolado na Inglaterra e Bélgica. Tornando-se padre secular após a supressão da Companhia, começa a se dedicar à direção espiritual dos religiosos (foi confessor dos Eremitanos e de outros religiosos de Paris); transferindo-se na Bretanha, dedica-se ao ensino e à pregação das missões populares. Em plena Revolução Francesa, Padre de Clorivière tem a inspiração de manter a vida religiosa, suprimida pela Revolução, e desagravar Maria Santíssima. Em 13 de fevereiro de 1790, o governo revolucionário decreta a supressão das Ordens de votos solenes na França: Padre de Clorivière projeta, então, uma nova forma de vida consagrada que pudesse melhor corresponder às exigências da época, um sodalício cujos membros não usassem hábito ou outros sinais distintivos e não conduzissem vida comum. Funda, assim, em Paris, a “Sociedade dos Sacerdotes do Coração de Jesus” e a “Sociedade das Filhas do Coração de Maria”, que anteciparam os modernos Institutos seculares. As Filhas do Coração de Maria, que vivem no meio do mundo uma autêntica vida religiosa, querem ser como Maria: “contemplativas na ação”. Em 1779, Padre de Clorivière se torna pároco de Paramé, onde promove as Confrarias e a adoração do Santíssimo Sacramento; ocupa-se de obras de caridade, abre escolas para meninos, funda um “Bureau de charité” dirigido por Thèrése de Bassablons, futura Filha do Coração de Maria e mártir. Em 1786, Padre de Clorivière passa a dirigir o Seminário de Dinan. Em 1787, em Dinan, conhece outra Bretã como ele, Adélaïde-Marie Champion de Cicé, de quem se torna diretor espiritual e que desejava uma intensa vida religiosa, que, sem afastá-la do mundo, lhe permitisse atender aos doentes em suas casas. Em 25 de março de 1790, em um quaresimale, Padre de Clorivière defende a excelência do Estado religioso, que deve ser livre de ingerências estatais. No dia seguinte, é preso, mas, julgado inocente, foi logo libertado. Após a promulgação da Constituição Civil do Clero, Padre de Clorivière demite-se do Seminário de Dinan e retoma o seu projeto de partir para Maryland (EUA), para se juntar a seu amigo John Carroll, o novo Bispo de Baltimore, mas em 19 de julho de 1790, o bom Padre tem a primeira das duas inspirações: ele vê, “como em um piscar de olhos” (“comme en un clin d'œil”), em grandes detalhes, uma maneira de preservar a vida religiosa da Igreja na França daquele período funesto de Terror e perseguição religiosa: uma sociedade de sacerdotes que reforçaria a sua vida espiritual e os ajudaria a servir a Igreja naqueles tempos difíceis. Em 18 de agosto de 1790, Padre de Clorivière recebe a segunda inspiração, algo semelhante à inspiração de Adélaïde: uma sociedade de vida consagrada (com os três votos religiosos de pobreza, castidade e obediência), cujos membros não tenham nem hábito uniforme, nem uma vida em comum e que se dediquem à oração e a toda boa obra que as circunstâncias indiquem como necessárias. Uma sociedade “adequada às circunstancias em que se encontrava a Igreja e de tal forma a permitir de viver no mundo, em qualquer situação, uma vida religiosa autêntica, imitando a vida da Virgem Maria e dos primeiros cristãos”.  Essa forma de vida religiosa conservaria para o mundo o bem inestimável da vida consagrada mesmo em tempos difíceis, mesmo “sem o conhecimento das gentes e apesar delas”. Também lhes garantiria o anonimato do que precisavam naqueles tempos sombrios de perseguição religiosa e de comoção social. Padre de Clorivière transfere-se, assim, a Paris: o mal vinha de Paris e lá era preciso combate-lo! Lá precisa mudar frequentemente de casa para fugir da polícia e, durante o Terror, viver na clandestinidade. Aos 02 de Fevereiro de 1791, Padre de Clorivière com outros oito sacerdotes e um leigo pronunciam, em Montmartre, um mesmo “ato de oferecimento” composto por ele, e que Adélaïde também pronuncia, junto com uma dezena de mulheres espalhadas entre Paris e a Bretanha. É nessa consagração que têm efetivamente origem as duas Sociedades. Adélaïde é a primeira pedra do projeto: “j'ai mis en tête le nom d'Adélaïde comme la première pierre de cette société”, diz o Padre de Clorivière. E ela será a primeira superiora. Em 30 de Abril de 1791, o Padre a chama Adélaïde a Paris. Escondendo-se, mudando muitas vezes de casa e, durante o Regime do Terror, em absoluta clandestinidade, ela e suas companheiras cuidam dos doentes, ajudam os pobres, assistem os sacerdotes que precisam se esconder para não ter que jurar fidelidade à Constituição Civil do Clero, que os tornaria funcionários do Estado. Em 04 de Maio de 1791, o Padre lhe escreve: “Plus vous éprouvez votre faiblesse, plus il vous faut mettre votre confiance dans le Seigneur. Il suppléera abondamment à tout ce qui vous manque…” (Mais vós provai vossa fraqueza, mais vós deveis colocar vossa confiança no Senhor. Ele suprirá abundantemente a tudo o que vos faltar...). Após o atentado a Napoleão, em 24 de dezembro de 1800 Padre de Clorivière deixa Paris para pregar as missões nos vilarejos e retiros espirituais por toda a França. Em 19 de Janeiro de 1801, Adélaïde é presa sob a acusação de ter abrigado um tal Carbon, ao qual havia acolhido sem fazer perguntas e que era acusado de ter voltado à França sem autorização e de ter participado da conspiração da “máquina infernal” contra Napoleão, o qual sofreu um atentado à Rue Saint-Nicaise, Paris, em 21 de Dezembro de 1800, quando se dirigia à Ópera de Haydin. Levado a cabo no âmbito da Conspiração de Cadoudal, ficou conhecida como a explosão da máquina infernal, um invento de um tal Chevalier encomendado pelo irmão do rei Luís XVI, o Conde de Artois, que vivia em Londres e viria ser decapitado pela Revolução. Por segundos não conseguiu o intento. A explosão ocorreu quando a carruagem de Napoleão já havia passado em frente ao Café Apollon, onde estava estacionada a carroça. Oito ou nove pessoas morreram e umas quarenta outras restaram feridas e Napoleão escapou incólume; foi o primeiro estadista na história moderna a ser alvo de um carro-bomba. No dia 07 de abril seguinte, Adélaïde é processada (por oito longos dias), absolvida e liberada: a opinião pública exigiu e obteve a sua absolvição, pois via nela uma santa. Apesar da saúde debilitada por causa da detenção, Adélaïde continuou seu trabalho com os pobres, seu diálogo com as autoridades religiosas e a acolhida a novas filhas do Coração de Maria. Em 1804, Padre de Clorivière volta a Paris, mas, acusado de ter tido contatos com o autor do atentado, é preso no dia 5 de maio de 1804 e encarcerado por cinco anos. A ligação com as duas Sociedades são as cartas que Madame de Carcado, da Sociedade das Filhas do Coração de Maria, visitante autorizada pela polícia,  lhe entrega. É libertado em abril de 1809. De 1804 a 1809, é Adélaïde que acompanha as duas Sociedades, fazendo-se de ponte para o Padre de Clorivière no cárcere. Em 1814, da Rússia, o General da Companhia, p. Brzozowskji, lhe confia a restauração da Companhia na França, da qual se torna o Superior Provincial e demite-se em janeiro de 1818. Adélaïde morre em Paris, no dia 26 de Abril de 1818, enquanto estava em adoração diante do Santíssimo Sacramento. Padre de Clorivière morre também em Paris, aos 9 de janeiro de 1820, ajoelhado à balaústra durante a adoração ao Santíssimo. 
The Call for the Last Victims of the Terror,
7-9 Thermidor, Year 2

by Charles Louis Lucien Muller
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Em suas obras, individua a Maçonaria como uma das causas da Revolução Francesa. Deixa uma profícua produção literaria: 108 trabalhos em 137 publicações em 6 línguas, entre os quais: “La vie de Louis-Marie Grignion de Montfort“, Paris, 1785 (entre as numerosas biografias sobre São Luís Maria Grignion de Montfort é reputada uma das melhores); “Les Excellences de Marie (divers écrits)”, 1776-1809; “Les doctrines de la Déclaration des droits de l'homme”, 1793; “Explication des Epitres de Saint Pierre“, 1809; “Manuel à l'usage des filles de la société du Coeur de Marie“, 1862; “La pratique de l'oraison mentale, rendue facile à tous les vrais fidèles“. Junto com Etienne de la Croix, Jean Croiset (S.J.), Nicolas-Marie Verron (S.J.), Dominicus de Colonia, Madeleine Thérèse Rousselet (XIII-XIX): “Neuvaines aux Saints Jésuites - Neuvaines en l'honneur des saints de la Compagnie de Jésus. S. Ignace de Loyola, Fondateur, S. François Xavier, Apôtre des Indes & du Japon, S. François de Borgia, troisieme Général, S. Jean-François Régis, Missionaire, S. Louis de Gonzague, Etudiant de Théologie, S. Stanislas Kotska, novice, BB. Paul Miki, Jean de Goto, Jacques Kisaï, Martyrs Japonois”, Paris, 1795.


BIOGRAFIAS SOBRE PADRE DE CLORIVIÈRE:

Jacques Terrien, “Histoire du r. p. de Clorivière de la Compagnie de Jesus”, Paris, C. Poussielgue, 1892;
Marie-Edme de Bellevue, “Le p. de Clorivière et sa mission”, Wetteren, De Meester, 1933;
René Bazin: “Pierre de Clorivière, contemporain et juge de la Révolution”, Paris, 1926;
Chantal Reynier, “Pierre-Joseph de Clorivière: Un maître spirituel pour aujourd'hui”;
Henri Monier-Vinard: “Article Clorivière dans le Dictionnaire de Spiritualité”, Vol.II,1, colonnes 974-979;
André Rayez: “Formes modernes de vie consacrée: Adélaide de Cicé et P. de Clorivière”, Paris, 1966;
F. Morlot: “Pierre de Clorivière (1735-1820)”, Paris, 1990.


***


PEDINDO A INTERCESSÃO DO PE. PIERRE-JOSEPH PICOT DE CLORIVIÈRE


Ó Deus, que abrasaste o coração de Pedro José no fogo do vosso amor e fizeste dele verdadeiro imitador dos sentimentos do Coração de Jesus e audacioso apóstolo ao serviço da Igreja, concedei-nos, por sua intercessão, a graça que pedimos... (dizer a graça desejada).

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Coração Imaculado de Maria, a quem Pedro José tanto amou, obtendo-nos o favor de vê-lo um dia proclamdo santo.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao pai.

Comunique as graças obtidas à Casa Provincial da Sociedade das Filhas do Coração de Maria - Rua Humaitá, 170 - CEP 22.261-001 - Rio de Janeiro – RJ

(Fonte: Ache Oração)




[1] Na verdade, encontrei seu nome já como Beato cuja memória é celebrada no dia 9 de janeiro em vários sites e blogs na web, contudo não encontrei uma comprovação disso.
[2] Rom. 12, 1. “Seja razoável a vossa obediência”.

ABORTO - O GRITO SILENCIOSO

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