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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Destruidores da Liturgia Católica

DESTRUIDORES DA LITURGIA CATÓLICA

Padre Michel Boniface, FSSPX
(REVISTA SEMPER, no. 95, maio-junho de 2008)


O movimento litúrgico desviado

Começaram bem e terminaram mal: assim poderia ser resumida a tragédia de alguns monges que, desviando-se um pouco, fizeram naufragar todo o movimento litúrgico. Dom Lambert Beauduin[1], Dom Casel[2], Pius Parsh[3], Romano Guardini[4] etc., estes homens não foram a voz da Tradição Católica genuína. Quiseram usar a Liturgia de acordo com suas ideias pessoais e não transmitiram o que haviam recebido das mãos santas de Papas, bispos e sacerdotes que os precederam. Influenciados pelo espírito de seu tempo, quiseram fabricar Liturgias; menosprezaram o que haviam recebido e decidiram retirar da Liturgia tudo o que a Igreja havia feito durante dois mil anos, sem levar em conta que o Espírito Santo influenciou sobre o que fora transmitido. Padre Bonneterre disse que “o duplo pecado mortal do movimento litúrgico desviado é a busca de um arqueologismo desenfreado que se traduz no desprezo, não apenas da Liturgia barroca do Concílio de Trento, mas também da Liturgia da Idade Média. O que conta é a arqueologia dos primeiros séculos, que eles vão a ressuscitar artificialmente[5].


Dom Casel (1886-1948)
Alguém[6] dizia: “Dom Casel nos fez sair do beco sem saída das teorias pós-tridentinas do Sacrifício[7]. Isto significa que Dom Casel, monge alemão, destruiu toda a barreira que o Concílio de Trento havia levantado contra a heresia protestante, que nega a realidade do Sacrifício da Missa. Dom Casel e seus companheiros triunfaram, e suas ideias penetraram profundamente no Catolicismo através do Concílio Vaticano II e a Missa Nova fabricada por ideólogos[8].


Dom Lambert Beauduin (1873-1960)
Este sacerdote entra, em 1906, com a idade de 33 anos, na Abadia de Mont-César[9] (Bélgica), fundada pelos monges de Maredsous[10] em 1899. Rapidamente descobre na Liturgia, seguindo São Pio X, um maravilhoso meio de formar os fiéis na vida cristã. Durante alguns anos, trabalha muito bem. Infelizmente, Dom Lambert gradualmente se desvia do caminho reto e, finalmente, desvia os fins da Liturgia, insistindo mais sobre a pastoral litúrgica.
Após a Primeira Guerra Mundial, Dom Lambert torna-se um entusiasta propagandista do Ecumenismo, ou seja, a reunião de todos os cristãos; suas ideias continham graves erros e eram muito perigosas para os católicos. Antes do Concílio Vaticano II (1962-1965), Dom Lambert já havia traçado o plano ecumênico que hoje destrói a Igreja Católica. “Nosso monge, rapidamente, sem confessá-lo, vai fazer passar suas concepções ao ‘Movimento Litúrgico’; vai trabalhar (seus sucessores ainda mais do que ele) para adaptar a nossa Liturgia católica romana às necessidades do apostolado, melhor ainda, às urgências da união das Igrejas”[11].


Em 1926, o diplomático Roncalli, futuro João XXIII, dizia que o método de seu amigo Dom Lambert era “o bom”. O Papa Pio XI e o Cardeal Merry del Val diziam o oposto. E por esta razão, em 1928, Pio XI publicou a Encíclica Mortalium animos, verdadeira carta do ecumenismo católico genuíno. Dom Lambert foi julgado duas vezes por sua atitude perigosa e foi afastado da Bélgica, seu País natal. Na França, lugar de seu desterro, trabalhou e semeou suas ideias revolucionárias nas mentes de muitos sacerdotes. Teve muita influência por ser um entusiasta de primeira.

Para os modernistas, o Movimento litúrgico desviado será uma arma para fazer da Liturgia, acima de tudo, um meio de apostolado; para fazer curvar a Liturgia às exigências do apostolado. De teocêntrica, a Liturgia será antropocêntrica. O homem estará no centro da Liturgia, e não mais Deus. Pior, após a condenação do Modernismo por parte de São Pio X, os modernistas, corruptores da Fé Católica, se aproveitam da Liturgia para continuar modificando a Igreja por dentro, e para conduzi-la ao caos atual (Para entender um pouco o problema, leia a Encíclica Pascendi[12] de São Pio X e a Humani Generis de Pio XII, que denunciam o Modernismo e a Nova Teologia).


Seu plano resume-se nisto:
1. Adaptar a Liturgia às necessidades do apostolado.
2. Urgência na união das Igrejas a todo custo.
3. Não dissociar o Ecumenismo da Liturgia, que inocula as ideias nas almas.


Em 1946, o Padre Duployé fazia esta confidência: “Tivemos contato com os representantes das diferentes Igrejas cristãs. Dom Beauduin sempre nos ensinou a não dissociar Ecumenismo e Liturgia”. O mesmo padre dizia que o Movimento litúrgico, na França, sob a influência de Dom Lambert, pôs em marcha uma gigantesca revolução que não mais domina. “Os riscos existem, e são temíveis”, confessa o padre Duployé. “Constituímos um posto avançado no clero francês. Não falamos a mesma linguagem da maioria dos párocos, e, se a maior parte do Episcopado segue nossos esforços com simpatia, cuja sinceridade não ponho em dúvida, [isso] pode muito bem coincidir com uma ignorância quase completa dos princípios que nos guiam... Entre este ponto avançado e a maioria do clero francês, devemos vigiar, segundo uma tática que tem sido muito bem realçada... para que não se criem intervalos... devemos saber calar e saber esperar. Publicamente, não podemos que apresentar ao clero o pão bem cozido. Desde o início dos nossos esforços, falamos de adaptação e evolução litúrgica. Às vezes me pergunto se não nos enganamos com estas palavras... Estamos sobre uma máquina lançada em alta velocidade. Somos, contudo, capazes de conduzi-la? Confesso-lhe, para terminar, meu cansaço e meus temores[13].

Isto foi revelado em 1968 por um discípulo de Dom Lambert. Os liturgistas modernos atuam como uma associação de iniciados: eles sabem o que querem, mas os outros recebem pão cozido, não sabem para onde os iniciados os conduzem.


A Santa Sé e o Movimento Litúrgico

Em 20 de novembro de 1947, Pio XII, através da Encíclica Mediator Dei, com discernimento e uma extraordinária habilidade, mantém tudo o que há de bom no Movimento Litúrgico, e condena veementemente os desvios. O Papa diz: “notamos, com muita apreensão, que há algumas pessoas muito ávidas de novidades e que se afastam do caminho da sã doutrina e da prudência (...), comprometem esta santíssima causa, e frequentemente até a contaminam de erros que atingem a Fé Católica e a doutrina ascética”[14].


O Papa condena as novidades temerárias

“(...) deve-se, todavia, reprovar severamente a temerária audácia daqueles que introduzem de propósito novos costumes litúrgicos ou fazem reviver ritos já caídos em desuso e que não concordam com as leis e as rubricas vigentes. (...) está fora do caminho quem quer restituir ao altar a antiga forma de mesa[15]. O Papa termina a encíclica colocando os Bispos em guarda contra a introdução de “uma falsa doutrina, que altera a própria noção da Fé” Católica[16]. Infelizmente, esta falaz doutrina produziu a nova Missa.

A tática dos modernistas é: organizar-se a nível nacional e internacional; produzir muitos temas que tratam de todas as questões litúrgicas; propagar suas ideias e apresentá-las aos Bispos favoráveis a eles; depois de ter convencido os Bispos, incentivá-los para que apresentem ao Vaticano essas ideias e desejos dos liturgistas modernistas como se fossem os desejos dos Bispos, dos sacerdotes e do povo católico. Eles também utilizam os documentos do Papa para uma finalidade contrária às intenções do Papa.

Em nível europeu, os revolucionários utilizaram a Mediator Dei para continuar a subversão litúrgica. Eles perderam o sentido católico primordial da Liturgia, e suas reformas fizeram-no perder aos católicos com a mudança da Liturgia a partir do Vaticano II.

Os dirigentes mais perigosos do movimento litúrgico eram apoiados e protegidos pelos mais altos dirigentes da Igreja. Como poderia o Papa Pio XII suspeitar que os peritos que os cardeais Bea e Lercaro tanto elogiaram eram, na verdade, os mais perigosos inimigos da Igreja? Assim que Pio XII morreu, Dom Lambert Beauduin disse a seus companheiros[17]: “Se elegerem Roncalli, tudo estará salvo: ele será capaz de convocar um concílio e consagrar o ecumenismo[18].

Em 1958, Roncalli foi eleito; e, como Papa João XXIII, abriu as portas da Igreja à revolução litúrgica e ecumênica, através do inoportuno e atípico Concílio Vaticano II; reabilitou também os teólogos modernistas – Yves Congar[19] e Karl Rahner[20] – condenados por Papa Pio XII; apoiou com todo seu poder de Papa a reforma da Liturgia; esta suposta reforma foi uma autêntica revolução luterana, que causou tantos escândalos, tantos sacrilégios[21] e tantas ruínas espirituais, morais e materiais na Igreja Católica.



Também neste blog: La liturgia ha de ser destruida.


Fonte: Ecce Christianus (espanhol).
Tradução e algumas notas: Giulia d’Amore.



Para quem quiser saber mais sobre Congar e Rahner e seu companheiro Lubac, leia o texto do Pe. Dominique Bourmaud, FSSPX, publicado no Blog do Angueth: Os Três Mosqueteiros Modernistas.


[1] Lambert Beauduin: (1873-1960) monge da Abadia beneditina de Mont-César na Lovaina (Bélgica), iniciou, em 1909, um movimento litúrgico pelo “renascimento” da Liturgia. Começa a planejar a fundação de um mosteiro pela unidade dos cristãos e, em 1924, por causa da carta Equidem Verba, que Pio XI endereça ao abade primário da Ordem beneditina para chamar sua atenção para a questão da unidade, resolve começar seu projeto. Funda, em 1926, a “Pela Unidade das Igrejas”, em Amay, sendo o primeiro prior. Em 1939, a comunidade muda para a Abadia beneditina de Chevetogne (Bélgica), mas Beauduin não é mais o prior: foi excluído da abadia em 1932 por seu caráter temperamental: recusava-se a aceitar a Encíclica Mortalium animos de Pio XI, o qual estava preocupado com o desenvolvimento do ecumenismo. A Abadia de Chevetogne é única em seu gênero e  foi colocada sob o signo do ecumenismo pelo próprio Beauduin, que construiu duas igrejas no local, uma de rito latino, dedicada a Jesus de Nazareth, e outra de rito bizantino, dedicada à Exaltação da Santa Cruz. A notoriedade do prior se desenvolve fortemente, graças aos contatos com personalidades de diversas Igrejas Cristãs (ortodoxa, anglicana, protestante), através da hospedagem de visitantes, a celebração litúrgica segundo as tradições bizantina e latina e, a partir de 1942, sobretudo pela organização de congressos teológicos. A comunidade de Chevetogne o fez aparecer como o pioneiro da unidade dos cristãos. Contribuiu com a evolução da atitude da Igreja Católica em prol do ecumenismo, que se tornará doutrina oficial do CVII, em 1962. Depois de mais de 20 anos de “exílio” (1959), é reintegrado à comunidade com o status de hóspede. A comunidade de Chevetogne tem fortes liames com a Comunhão Anglicana e as Igrejas derivadas da Reforma Protestante. Sobre a Equidem Verba: é um breve apostólico do Papa Pio XI, escrito por instigação de Mons. d´Herbigny, em 21 de março de 1924, no qual instruiu ao Abade Primaz da Confederação Beneditina, Fidelis von Stotzingen (1913-1947), para que fundasse uma congregação interritual de especialistas, por causa do apelo do monasticismo no Oriente. O Abade Fidelis não compreendia como o Papa pudesse apoiar um monge sanguíneo, de imaginação extremada, quase desprezador da Igreja Ocidental e muito inclinado às atividades ao ar livre, mas também não sabia da influência exercida sobre o Papa por Mons. d´Herbigny – Michel-Joseph Bourguignon d'Herbigny, 1880-1957, bispo jesuíta francês; em 1937, após o fracasso na sua missão de manter a Fé Católica na Rússia (comparada ao Cavalo de Troia), foi privados de seus poderes episcopais, sem que fossem divulgadas as razões (Yves Chiron, 2004, Pie XI: 1857-1939. p. 191) – e pelo Cardeal belga Mercier Désiré-Félicien-François-Josep Mercier, 1851-1926, Arcebispo de Bruxelas-Mechelen de 1906 até falecer, foi criado Cardeal em 1907 –, simpatizantes do unionismo, influenciados que estavam pelas Conferências de Malinas, centradas na figura do protestante Lord Halifax (Charles Lindley Wood, 2º Visconde de Halifax, 1839-1934, presidente da E.C.H. de 1868 a 1919 e de 1927 a 1934; é declarado pela Wikipédia inglesa como Anglo-católico), da English Church Union, que desejava uma aproximação com Roma. Dom Beauduin preparara para o Cardeal Mercier um informe sobre “a Igreja Anglicana unida, mas não absorvida”, onde revelava suas concepções mais do que duvidosas sobre o ecumenismo. Infelizmente, entre as consequências mais graves desse informe, houve a supressão das sedes episcopais católicas criadas no século XIX, com a demissão dos titulares (Cfr. Missa Tridentina em Portugal). (NdTª.)
[2] Otto Casel: era monge do mosteiro beneditino de Santa Maria Laach, em Eifel (Alemanha), com sua teoria do Kultmysterium (o mistério do culto cristão). Precursor reconhecido da Institutio Generalis do Novus Ordo Missae, Casel estava infectado pelo arqueologismo. (NdTª.)
[3] Pius Parsh: canônico agostiniano de Klosterneuburg (Alemanha), fundou o Movimento Bíblico-Litúrgico, que pretendia modificar a Eclesiologia. Para ele, a Palavra de Deus, considerada como a Revelação imediata de Deus no meio da Assembleia, modifica totalmente a concepção da Missa: Deus estará presente mais por sua Palavra que por sua Eucaristia. Os fieis “assistentes à Missa” se transformam em “Assembleia do Povo de Deus”: a reunião dos crentes no meio dos quais sopra o Espírito. Esta é a nova concepção da Liturgia, a nova concepção da Igreja no Movimento Bíblico-Litúrgico de Dom Parsch. (NdTª.)
[4] Romano Guardini: sacerdote, escritor e teólogo italiano, naturalizado alemão, que nasceu em 1885. Foi professor em Tubinga (1945-1948) e em Munique (1948-1962). Não participou do CVII por motivos de saúde, mas não deixou, por isso, de exercer sua nefasta influência na comissão litúrgica para a qual seria designado. É teólogo de referência para o Papa Bento XVI, segundo a Wikipédia. Foi exilado em Mooshausen, pelos nazistas, mas exercitava uma estranha e inexplicável “resistência passiva” ao Nazismo, atestada por seus escritos e vista, por seus fãs, como uma rejeição ao Nazismo (sic). Também na “teologia politica” se manteve na “via di mezzo” entre os católicos socialistas e os mais tradicionalistas, sendo repreendido por ambas as partes. Era um morno, pelo visto. Morreu em 1968. (NdTª.)
[5] Didier Bonneterre, El Movimiento Litúrgico, Buenos Aires, ed. Ictión, 1982, pág. 40.
[6] Teria sido o liturgista Wolfgang Waldstein, segundo Missa Tridentina em Portugal. (NdTª.)
[7] Bonneterre, El Movimiento pág. 40.
[8] Fraternidade Sacerdotal São Pio X, El problema de la reforma litúrgica, la misa de Pablo VI y de Vaticano II, estudio teológico y litúrgico, Buenos Aires, Ed. Fundación San Pío X, 2001.
[9] Abadia beneditina na Lovaina, região da Bélgica flamenga. (NdTª.)
[10] Abadia beneditina fundada no século XIX (15/11/1872) na Bélgica, na cidade de Anhée, pelos monges da Abadia de Beuron (Alemanhã). (NdTª.)
[11] Bonneterre, El Movimiento. pág. 37.
[12] Pascendi Dominici Gregis, de 8 de setembro de 1907. (NdTª.)
[13] Padre Duployé, Les origines du Centre de pastorale liturgique, 1943-1949, ed Salvator, pág. 308, citado por el padre Bonneterre, El Movimiento, pág. 65.
[14] Mediator Dei, 7. (NdTª.)
[15] Mediator Dei, 52. (NdTª.)
[16] Mediator Dei, 188. (NdTª.)
[17] Aqui, refere-se ao Padre Bouyer (Cfr. L. Bouyer, Don Lambert Beauduin, a Man of the Church, Casterman, 1964, pp. 180-181; citado pelo Padre Dilder Bonneterre em The Liturgical Movement, Ed. Fideliter, 1980, p. 119). (NdTª.)
[18] “Se elegerem Roncalli papa tudo estará salvo, ele será capaz de convocar um concílio e consagrar o ecumenismo… temos nossa chance; os Cardeais, em sua maior parte, não sabem o que devem fazer. São capazes de votar por ele” (Sodalitium, n. 28, 1958, p. 20). (NdTª.)
[19] Yves Congar. Teólogo dominicano francês, nascido em 1904. Esteve preso de 1940 a 1945 nos campos de concentração de Golditz e Lübeck. Foi fundador e diretor da coleção Unam Sanctam, e professor de teologia na faculdade de Le Saulchoir. Foi um eclesiólogo, entusiasta do ecumenismo e da reforma da Igreja, precursor e consultor do Concílio Vaticano II e precursor da Nova Teologia. Foi criado Cardeal por João Paulo II em 30 de outubro de 1994, recebendo o barrete de cardeal em 8 de dezembro do mesmo ano. Faleceu em 1995, de uma grave doença neurológica. Congar esteve à frente de uma equipe numerosa de teólogos dominicanos franceses que mudaram a teologia católica ao longo dos últimos cinquenta anos, tais como Chenu, Liégé, Lelong, Cardonnel, Schillebeeckx etc. Em 1958 publica o texto Quod omnes tangit ab omnibus tractari et approbari debet no qual utiliza uma célebre locução, já usada em sentido teocrático por Papa Bonifácio VIII, para fundar a democracia na Igreja. Com Henri de Lubac e Karl Rahner, Congar esteve sob escrutínio teológico por suas ideias modernistas, no pontificado de Pio XII, o qual condenou a heresia da ‘Nova Teologia’ em setembro de 1946. Todos os três foram de algum modo disciplinados ou retirados de seus cargos e foram, então, miraculosamente reintegrados como periti conciliares às vésperas do CVII. Suas ideias e ensinamentos passaram a ser conhecidos com o nome genérico de “a Nova Teologia” e influenciaram os princípios do Magistério conciliar. Todos eles se tornaram peritos dos papas subsequentes, e muitas honras e louvores lhes foi tributados pela Igreja pós-conciliar. Congar era repetidamente exilado em Jerusalém, então chamado a Roma e Cambridge novamente, terminando o período pré-conciliar em Estrasburgo. De Roma, ele podia escrever com toda a impunidade: “O curso que ofereço atualmente, De Ecclesia, apesar do tom ingênuo, é minha resposta real; é minha dinamite real sob os assentos dos escribas! Aguardo e aproveito as ocasiões que surgem para expressar publicamente minha recusa às mentiras do sistema” (In Leprieur, Quand Rome Condamne, in One Hundred Years of Modernism - Angelus Press, 2006 -, p. 243). (NdTª.)
[20] Karl Rahner. Sacerdote jesuíta de origem germânica e teólogo, nascido em 1904. Foi aluno de Martin Heidegger em Friburgo e professor de teologia dogmática em Innsbruck de 1937 a 1964, ano que veio a suceder Romano Guardini na Faculdade de Filosofia da Universidade de Munique. Ele foi um dos protagonistas do “rinnovamento” da Igreja que levou ao CVII, para o qual foi chamado em 1963, por João XXIII, como um dos teólogos consultores (peritos), depois de ter participado de sua preparação. Tornou-se um personagem chave do Concílio, promovendo a nova visão de uma “Igreja de todo o mundo”, uma maior autonomia do Episcopado e a participação do leigo na Liturgia. Naqueles anos acendeu-se também seu interesse por temas como pacifismo, desarmamento nuclear, ajuda aos Países do Terceiro Mundo, e a luta contra a exploração dos povos oprimidos, com particular atenção aos movimentos da Teologia da Libertação. A Rahner se opôs o também teólogo suíço e amigo Hans Urs von Balthasar, que temia pela antropologização do Cristianismo. Rahner defendia um Cristianismo anônimo, com o qual superava as restrições da doutrina da salvação obtida exclusivamente pela plena comunhão com a Igreja Católica (Extra Ecclesiam nulla salus). Como todo modernista, deturpa a verdade ao afirmar que o Concílio Tridentino já ensinava a antiga doutrina (dos tempos de Santo Ambrósio) do “batismo de desejo”, segundo a qual qualquer um que, em seu autentico endereço moral, seja orientado positivamente para Deus é uma pessoa “justificada”, mesmo não tendo ainda recebido o batismo (Karl Rahner, La fatica di credere, Edizioni Paoline, 1986, p. 87). Ele, contudo, nega que a doutrina dos cristãos anônimos esteja em contraste com a pretensão do Cristianismo de ser a mais alta expressão da relação de graça entre o homem e Deus, ou que tal doutrina diminua a necessidade do batismo e da Fé cristã (Karl Rahner, La fatica di credere, op. cit. , p. 87). Embora não aceitasse o ateísmo como religião de Estado, via pontos em comum entre a ética cristã e o marxismo (Karl Rahner, La fatica di credere, op. cit. , p. 89), sobretudo em relação à Teologia da Libertação. O estigmatino italiano Cornelio Fabro (1911-1995) o acusou, com justiça, de ser um deformador sistemático, por se chocar ruidosamente com as teses tomistas da mesma forma que um homem surdo num concerto musical (Fabro, La Svolta Antroplogica de K. Rahner, textos escolhidos por Innocenti, Influssi Gnostici nella Chiesa d’Oggi, p. 48). Morreu em 1984. (NdTª.)
[21] Padre Enrico Zoffoli, La Comunión en la mano, Quito, Librería Espiritual, 1985, pág. 107.

Um comentário:

  1. Excelente texto. Muito esclarecedor. Vale ser lido por todos os católicos.

    Que Deus a abençoe.

    Alexandre Fernandes

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