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terça-feira, 12 de junho de 2012

Carta de Mons. Marcel Lefebvre aos futuros Bispos da Fraternidade São Pio X, em 29 de agosto de 1987.

Operação Memória: Outro texto de Mons. Marcel Lefebvre, auto-explicativo. Portanto sem grifos de minha parte, embora a mão coce em certas expressões inquestionáveis do que verdadeiramente pretendia Monsenhor para seus quatro Bispos. 

Giulia d'Amore

Carta de Mons. Marcel Lefebvre aos futuros Bispos da Fraternidade São Pio X, em 29 de agosto de 1987.


Advenita Regnum tuum

Aos senhores padres Williamson, Tissier de Mallerais, Fellay e de Galarreta.

Caríssimos amigos,

A cátedra de Pedro e as posições de autoridade em Roma estão ocupadas pelos anticristos, portanto a destruição do Reino de Nosso Senhor no interior de seu próprio Corpo Místico aqui na Terra prossegue rapidamente, especialmente com a corrupção da Santa Missa, esplêndida expressão do triunfo de Nosso Senhor por meio da Cruz, Regnavit a ligno Deus, e fonte da extensão do seu Reino nas almas e na sociedade.

Assim, aparece claramente a necessidade absoluta de permanência e da continuidade do Sacrifício adorável de Nosso Senhor, para que "venha o Seu Reino". A corrupção da Santa Missa levou à corrupção do sacerdócio e à universal decadência da fé na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Deus suscitou a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X para o mantimento e o perpetuamento do seu sacrifício glorioso e expiatório na Igreja. Ele escolheu para si verdadeiros sacerdotes, instruídos e convencidos destes divinos mistérios. Deus me deu a graça de preparar estes levitas e de lhes conferir a graça sacerdotal para a perseverança do verdadeiro sacrifício, tal como definido pelo Concílio de Trento.

Isto nos valeu a perseguição da Roma anticristo. Uma vez que esta Roma modernista e liberal prossegue a sua obra destruidora do Reino de Nosso Senhor, como provam Assis e a confirmação das teses liberais do Vaticano II sobre a Liberdade Religiosa¹, eu me vejo obrigado pela Divina Providência a transmitir a graça do episcopado católico que recebi, para que a Igreja e o sacerdócio católico continuem a subsistir para a glória de Deus e a salvação das almas.

É por isso que, convencido de cumprir apenas a Santa Vontade de Nosso Senhor, com esta carta vos peço que aceiteis receber a graça do episcopado católico, como já conferi a outros sacerdotes, em outras circunstâncias.

Confiro-vos esta graça confiando que logo a Sé de Pedro será ocupada por um sucessor de Pedro perfeitamente católico, em cujas mãos vós podereis devolver a graça de vosso episcopado para que ele a confirme.

O objetivo principal desta transmissão é o de conferir a graça da ordem sacerdotal para a continuação do verdadeiro Sacrifício da Missa, e para conferir a graça do sacramento da confirmação aos filhos e aos fieis que vo-la pedirão.

Eu vos exorto a permanecerem ligados à Sé de Pedro, a Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as igrejas, na fé católica integral, expressa nos símbolos da fé e no Catecismo do Concílio de Trento, de acordo com o que vos foi ensinado em vosso seminário. Permanecei fiéis na transmissão desta fé, para que venha o Reino de Nosso Senhor.

Em fim, eu vos exorto a permanecerem ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, de permanecerem profundamente unidos entre vós, submissos ao seu Superior Geral, na fé católica de sempre, lembrai-vos destas palavras de São Paulo aos Gálatas: "Sed licet nos aut angelus de coelo evangelizet vobis praeterquam quod evangelizavimus vobis, anathema sit. Sicut praedicimus et nunc iterum dico: si quis evangelizaverit praeter id quod accepistis, anathema sit." [Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema! Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado! (Gálatas 1: 8-9)].

Caríssimos amigos, sede a minha consolação em Cristo Jesus, permanecei firmes na fé, fiéis ao verdadeiro sacrifício da Missa, ao verdadeiro e santo Sacerdócio de Nosso Senhor, para o triunfo e a glória de Jesus no Céu e na terra, para a salvação de almas, para a salvação da minha alma.

Nos corações de Jesus e Maria, vos abraço e vos abençoo.






NOTA
1 – Com toda probabilidade, aqui Monsenhor se refere à resposta aos Dubia acerca da Declaração conciliar Dignitatis Humanae, apresentados à Congregação para a Doutrina da Fé em 06 de novembro de 1985; resposta enviada ao Mons. Lefebvre pelo Prefeito da Congregação, o Cardeal Joseph Ratzinger em 09 de março de 1987.


Tradução: Giulia d'Amore di Ugento

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