Lendo esta carta do Pe. Rioult ao Distrito da França e, mais claramente, a Pe. De Cacqueray, não posso não lembrar de certos nomes e certos rostos. As questões que ele coloca na carta são as mesmas que me coloco também. De praticamente todas, sei as respostas. Quem não sabe? E ele é bondoso ao chamar de “ingenuidade” o que, para mim, claramente não é mais. No começo talvez, e apenas para dar aos envolvidos o “benefício da dúvida”, embora não se justifique em quem, por ser um Padre, sabe muito bem de tudo o que vemos narrado aqui. Não falo dos fatos – que foram acontecendo e se revelando aos poucos – mas sobre a doutrina e a verdade. Todos os padres que eu conheci pessoalmente sabem. E eu sei que sabem porque eles próprios me falaram dessas coisas todas. Inclusive das dúvidas, do medo de um acordo e, principalmente, da “decepção” com o Superior Geral. No entanto, apenas um deles está na Resistência. E desde o começo. Confesso que esperei pelos outros. A cada novo fato me dizia que "desta vez" foi a gota d' água! Mas a tempestade veio e... nada. A admiração já cedeu lugar a uma decepção sem esperança. Não posso admirar quem parece ter perdido a noção de certo e errado, o "sim, sim, não, não". Não posso admirar quem desdiz, com as ações, tudo o que me disse em sermões, conversas e confidências.
Adiante. Eu não vejo como voltar a um “redil” contaminado pelo erro. Principalmente os seminários. O que esperar deles? Que Padres irão formar? Com que doutrina? E como expurgar os “elementos perniciosos”? Como retirá-los dos lugares onde se encastelaram? Ele se miram no exemplo daquele que provocou tudo isso. Devem ter certeza absoluta que o prato de sopa quente está bem garantido!
Sobre as reparações e anistias, por mais que queiramos, dificilmente o orgulho que visivelmente toma conta de Dom Fellay vai permitir um ato de justiça e de caridade desses. De qualquer forma, diante do problema da situação moral e doutrinaria dos seminários e dos Sacerdotes, de que adiantariam as reparações e a anistia?
Sobre as reparações e anistias, por mais que queiramos, dificilmente o orgulho que visivelmente toma conta de Dom Fellay vai permitir um ato de justiça e de caridade desses. De qualquer forma, diante do problema da situação moral e doutrinaria dos seminários e dos Sacerdotes, de que adiantariam as reparações e a anistia?
Para mim, por uma questão de lógica e de bom senso, quem tem que voltar para algum lugar são os que deixaram o redil. E não foi a Resistência, a qual, como diz o nome, para “resistir” a algo não pode ter saído de lá. Francamente falando, a Resistência é a FSSPX de Mons. Lefebvre. A de dom Fellay é, de fato, a Neo-FSSPX, porque, como vimos do relato de Pe. Rioult – e todos nós sabemos à perfeição – houve uma mudança de rumo e houve a traição à decisão do Capítulo de 2006. Sim, eles são a Neo-FSSPX. Em meu modesto parecer, não precisava ter sido criada uma “FSSPX de Estrita Observância”. O grande problema aqui é que o que afeta o Superior afeta também alguns de seus mais fiéis súditos: se sobra orgulho na cúpula, não falta na base! E fazer a coisa certa, sobretudo no Brasil, é violentar todas as fibras do próprio ser para buscar abrigo no redil de um desafeto (mais por questões pessoais do que doutrinarias ou que tais). Será que há virtude suficiente para isso? Quanto vale a tua alma?
Outro pensamento que me passou pela cabeça ao ler esta carta (que me lembra outra, escrita pelos 37 anônimos padres franceses), que traz trechos que são visivelmente confidências feitas por Pe. de Cacqueray, é que o ambiente na Neo-FSSPX deve ser bem desagradável atualmente, porque, tendo-se instalado a desordem, já não há mais confiança. E não posso não pensar nos ambientes marxistas em que espionagem, delação e desconfiança convivem silenciosamente, e de ambos os lados! Certamente, há todas as melhores intenções nos padres que traficam as informações internas e as tornam públicas pelo bem comum, mas a pergunta que fica é: o que faz lá, reverendo? Se testemunha tanta coisa errada, que fere a alma e a decência, o que faz lá ainda?
Pior, como diz o Pe. Rioult, por quê um comportamento em público e outro em privado? Ninguém pode servir a dois Senhores...
Giulia d’Amore
Pior, como diz o Pe. Rioult, por quê um comportamento em público e outro em privado? Ninguém pode servir a dois Senhores...
Giulia d’Amore
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CARTA ABERTA AO DISTRITO DA FRANÇA
Por Dom Olivier Rioult
Original, em francês: http://www.lasapiniere.info/archives/1568.
Em italiano: http://nullapossiamocontrolaverita.blogspot.com.br/2013/12/in-privato-si-stigmarizza-laccordista.html.
Caros confrades,
Uma vez que o Boletim da Fraternidade São Pio X (n° 251), de julho de 2013, me mencionou explicitamente, peço-vos alguns minutos de atenção para ouvir meu “direito de resposta”.



