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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Um texto à procura de um tradutor

OPERAÇÃO MEMÓRIA: O que dizem os "outros", dentro da Tradição? É preciso acompanhar o que "dizem de nós", como prudência, porque é uma oportunidade de alertarmos o espírito que dorme... Este texto é de abril de 2008. Parece que esse vai e vem nas intenções de dom Fellay já era percebido "fora" da FSSPX...

April 25 - St. Mark, Evangelist - Greater Litanies
Double Feast of the Second Class
Complete Friday Abstinence

SSPX Superior General Bernie Fellay Announces that He Is Following TRADITIO's Recommendations
Now He Will Not Sign a Letter of Capitulation to Benedict-Ratzinger
From: The Fathers



Bernie Fellay, Superior General of the Society of St. Pius X
Tells Benedict-Ratzinger: "No Deal"
Fellay Admits that the TRADITIO Network Was Correct from the Beginning
In Urging Him Not to Sell out to Benedict-Ratzinger and His New Order
"Nothing Has Changed in the Will of Newrome to Follow the [Vatican II] Council"
"We Cannot Sign an Agreement," He Declares

On April 14, 2008, the SSPX's Superior General, Bernie Fellay, announced through the Society's press agency that after over two years' reflection, he now agrees with the TRADITIO Fathers and will not sign a letter of capitulation to Benedict-Ratzinger and his New Order. Since Benedict-Ratzinger's August 29, 2005, "Beheading" Meeting with Fellay, the TRADITIO Network has been almost the only consistent voice that has pointed to the duplicity and hoax of Benedict-Ratzinger's effort to get Fellay to sell out to the New Order.

For over two years now, Fellay has resisted our prudent advice to stay entirely way from the Newchurch of the New Order and has even tried to intimidate the TRADITIO Network by attacking TRADITIO's independent traditional Catholic voice and getting his henchmen to attack us as well -- just as he attacks even his own clergy and membership who disagree with him. Nevertheless, we remained firm in the traditional Catholic Faith and didn't let schoolyard bullies intimidate us. Fellay has now told the world that the TRADITIO Network was right all along and that he was the one deceived by Newrome.

Now Fellay himself has become the target of attacks. In his coverage of the announcement, Reuters' religion editor termed Fellay and his members "rebels." It also took note of the fact that Benedict-Ratzinger on his US junket spurned any appearance of traditional Catholicism: "The Masses [sic] were in post-Council style, in English with him facing the congregation, and most music was modern as well."

Now Fellay has apparently changed his pro-sellout tune and admitted that "all changes introduced at the Council and in the post-Conciliar reforms, which we denounce because the Church has already condemned them, are confirmed" in Benedict-Ratzinger's New Order. Fellay went on to state: "It is necessary to conclude that nothing has changed in the will of [New]rome to follow the Conciliar orientations, despite forty years of crisis, despite the deserted convents, the abandoned rectories, the empty churches."

Fellay then declared that the Society of St. Pius X "cannot sign an agreement" with Benedict-Ratzinger and his New Order. "We observe that the time for an agreement has not yet come.... It would be very imprudent and hasty to thrust ourselves unwisely in pursuit of a practical agreement which would not be founded upon the fundamental principles of the Church, particularly on the Faith."

Good Catholics, although we TRADITIO Fathers are happy to see that Fellay has finally seen the wisdom of our rejection of any sellout to Benedict-Ratzinger and his New Order, we lament the fact that Fellay took over two years to come finally to this conclusion that was obvious to us from the beginning. This delay has been the cause of great dissent within the Society and of numerous members leaving the SSPX during these two years. But we warn you that Fellay has a history of wavering on the question of a sellout to Newrome, so we take his current statement very much cum grano salis for the time being. Moreover, Fellay needs to address other issues with his administration of the Society, to renounce his autocratic and dictatorial behavior toward SSPX clergy and laity, which has earned him the moniker within the Society of "Little Hitler."

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Carta do Superior Geral reeleito - 16/07/2006

OPERAÇÃO MEMÓRIA: Refrescando a memória, acerca do que "diz e desdiz" monsenhor Fellay. Esta é a primeira declaração, como Superior Geral reeleito, em 2006, que foi publicada no site brasileiro da FSSPX e que salvei em meus arquivos em 17 de novembro de 2012, sem revisões ou alterações. Tomamos a liberdade, no entanto, de grifar as partes que merecem nossa atenção. Como por exemplo sobre o que decidiu o Capítulo, as intenções da Cruzada, e a destemida declaração de "a nossa vontade e a nossa determinação de 'pagar o nosso preço'...".

 

16/07/2006 – Carta do Superior Geral reeleito


Estimados fiéis,

Que me seja permitido começar esta primeira carta agradecendo-vos de todas as vossas preces abundantes para o nosso Capítulo Geral. Durante todo o seu desenrolar, num ambiente sereno e ao mesmo tempo intenso, temos sentido o apoio espiritual que vós nos trazeis.

Eu queria apresentar-vos nesta carta alguns frutos das vossas preces e noticias do Capítulo.

Primeiro quanto às eleições: O Capítulo decidiu me confiar de novo, apesar da sua lonjura, o mandato de Superior Geral. Atrevo-me a vos pedir um suplemento de oração para, com esta preciosa ajuda, dedicar-me o melhor possível ao cumprimento deste cargo, ao mesmo tempo pesado e magnífico.

O Capítulo geral elegeu dois assistentes.

O Padre Niklaus Pfluger é um suíço, a quem anteriormente foram confiadas as funções de Superior dos Distritos da Suíça e da Alemanha e de Superior de seminário (Zaitzkofen), adquiriu assim uma boa experiência tanto na formação sacerdotal como no governo de dois distritos. Além disso, tem dois irmãos e dois sobrinhos que são padres, um terceiro irmão frade, sem contar as duas irmãs religiosas, todos na Fraternidade!

O Padre Alain Nély foi primeiro professor na escola de Saint-Joseph des Carmes, depois prior de Marselha e enfim Superior do Distrito da Itália; adquiriu assim uma sólida experiência com a juventude e com os sacerdotes, bem como com o governo dum distrito.

Os assistentes morarão em Menzingen, na Suíça, onde está a Casa Geral da Fraternidade desde 1993. Vão ser os preciosos colaboradores para o bom andamento da Fraternidade, e terão a ocasião de viajar pelo mundo, assegurando assim um contato ainda melhor entre a Casa Geral e os membros da Fraternidade, bem como com os fiéis.

O Capítulo não se reduz às eleições. É também a ocasião de determinar as coordenadas da situação, de considerar as fraquezas que pedem melhoramentos, de dar as diretivas para que os nossos padres possam viver sempre melhor segundo os nossos estatutos e assim atrair melhor as graças e os dons do Céu. Consideramos também, como é óbvio, o estado do nosso relacionamento com Roma. Com um cuidado de clareza o maior possível, e com o cuidado, também, de evitar todas as falsas esperanças ou ilusões, o Capítulo, por unanimidade, decidiu fazer a declaração que se encontra em anexo¹.

Nesta mesma linha, ele me encarrega de vos comunicar um projeto ambicioso:

A Fraternidade tenciona apresentar ao Sumo Pontífice um “ramalhete espiritual” de um milhão de terços para o fim do mês de outubro, mês dedicado ao Rosário.

Os terços vão ser recitados às intenções seguintes:

Obter para o Papa Bento XVI a força necessária para libertar inteiramente a Santa Missa de Sempre, chamada “de São Pio V”.
Para o regresso da realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Para o triunfo do Coração Imaculado de Maria.

É, portanto, a uma verdadeira Cruzada que nós vos chamamos. Esta oração tantas vezes recomendada pela própria Santíssima Virgem Maria e apresentada como o grande meio de apoio, amparo e salvação para os cristãos de hoje neste tempo de crise. Desde séculos, desde que o antagonismo entre o mundo e a Igreja se manifesta com mais força, esta oração apareceu como uma arma dada pelo Céu para se defender, santificar-se e vencer.

Nós vos recomendamos, portanto, com instância, começar sem tardar a trazer “rosas espirituais” ao nosso “ramalhete”. Os padres darão em breve indicações necessárias para recolher este tesouro.

Queremos também manifestar, ora às autoridades romanas, ora ao Céu, por este número evidentemente significativo, a nossa vontade e a nossa determinação de “pagar o nosso preço”.

Confiantes que a Nossa Boa Mãe dos Céus ouve a oração dos seus filhos, que Ela não pode estar indiferente, nem à dureza dos tempos que decorrem, nem à miséria espiritual que nos circunda, e que mais ou menos tarde Ela ouvirá a nossa prece que responde ao seu apelo, confiamos todas as decisões do Capítulo à materna benevolência do Coração Imaculado de Maria e ao amparo do Sagrado Coração de Jesus, para que Ele as abençoe, as torne eficazes para a maior glória de Deus e nossa salvação a todos.

Nos cum prole pia benedícat Virgo Maria.

+ Bernard Fellay
Dia 16 de julho de 2006
Na Festa da Nossa Senhora do Monte Carmelo

Fonte: http://www.fsspx.com.br/exe2/16072006-carta-do-superior-geral-reeleito. Link testado, continua ativo. Publicado em set 19, 2009.
Vide também: http://www.holycrossseminary.com/2006_August.htm, um relato do Capítulo, com fotos e os dois textos: a carta em tela e a declaração do Capítulo. Em Inglês.
 
Nota

+

segunda-feira, 10 de junho de 2013

NEO-FSSPX: dom Fellay e a sua mais nova versão dos fatos...

OPERAÇÃO MEMÓRIA: Uma entrevista cedida há alguns dias ao AngelusPress e publicada no DICI, na qual Mons. Fellay discorre sobre o próximo aniversário das sagrações episcopais feitas pelo Venerável Mons. Lefebvre, sobre a situação atual da (Neo)FSSPX e, também, sobre seus "sentimentos" em relação a Mons. Richard Williamson. É a mais nova e atualizada "verdade dos fatos", sob a ótica do Rei de Menzingen. Mais uma vez, ele reinterpreta suas falas, à luz de uma hermenêutica toda própria. Confesso que não pretendo ler o texto na íntegra, porque estou um pouco cansada dessas sempre novas versões apresentada por monsenhor. Haja paciência e estômago! Publico, apenas, a tradução feita pelo sr. Robson Carvalho e publicada no Apostolado Católico Arauto da Verdade, para que fique registrado - mais uma vez - o que monsenhor ESCREVE e, portanto, PENSA a respeito das coisas. Uma singela nota [4] minha no final. Não me contive ao passar os olhos sobre o último parágrafo! 



* * *


Sagração Episcopal de Dom Fellay
Antes de ser uma "glória", essa foto
é seu próprio julgamento e condenação
por trair aquele que lhe deu uma MISSÃO,
por morder a mão que o alimentou!
Em entrevista recentemente cedida ao DICI, V. Ex.ª Revma d. Fellay descreveu em sucintas palavras a situação de declínio atual da FSSPX e suas expectativas negativas em relação à D. Richard Williamson, animosidades que não concordam com seu antigo espírito de serenidade ao qual ele fazia questão de salientar em várias ocasiões. Fato é que eram rotineiras as entrevistas que garantiam não existir crise alguma na fraternidade, algo, como se é constatável pelos fatos, muito distante da realidade das coisas.


Entrevista concedida por Dom Bernard Fellay à revista do distrito dos Estados Unidos, The Angelus Press.

The Angelus: Qual foi a sua primeira reação quando o senhor tomou conhecimento de que o senhor era um dos padres escolhidos por Dom Lefebvre para a sagração episcopal?

Dom Fellay: Minha primeira reação foi pensar que deveria existir candidatos melhores; – se possível, afaste de mim este cálice! – Em seguida, pensei em meus confrades, em meus irmãos padres, pois é evidente que isso é uma cruz pesada a carregar: trata-se de se devotar aos outros.

TA: O senhor se recorda de seus sentimentos e de seu estado de espírito em 30 de junho de 1988, após ter sido sagrado bispo pelas mãos do Monsenhor?

DF: Não me recordo muita coisa de meus próprios sentimentos e emoções, mas me lembro quanto a assembleia estava eletrizada. A atmosfera era realmente elétrica. Nunca vi nada igual. Recordo-me bem disso, tanto ao longo da cerimônia quanto depois: uma alegria imensa, nada mais. Era emocionante.

TA: Em seu itinerário espiritual, Dom Lefebvre fala de um sonho que ele teve na catedral de Dacar. O senhor pode nos explicar em que as sagrações de 1988 foram uma realização deste sonho?

DF: Coisa admirável, diria que não vejo mesmo ligação entre os dois acontecimentos. Com efeito, não acredito que havia uma. Não acho que a consagração dos bispos esteja diretamente ligada à própria obra do Monsenhor: isso foi simplesmente um meio de sobrevivência. Isso não é essencial à obra, que é de formar e de edificar padres segundo o Coração de Jesus. Eis aqui o essencial.
É verdade que sem bispos, não poderia haver padres, mas isso não é o elemento essencial da obra. Isso é essencial para sobreviver, mas não para a natureza da obra. Evidentemente, a questão surge hoje de outra forma à vista de todos os desenvolvimentos em nosso apostolado e da situação da Igreja!

TA: Dom Lefebvre insistia sobre o caráter extraordinário de sua decisão de sagrar e a distinguia também de um ato cismático, sublinhando o fato de que ele não pretendia transmitir nenhuma jurisdição episcopal, mas somente o poder da ordem. Ao longo dos últimos vinte e cinco anos, alguns criticaram a escolha de um destes bispos como superior geral, dizendo que tal eleição supõe a reivindicação de um poder de jurisdição para o bispo. O senhor pode responder a este argumento e explicar como o papel do superior geral não implica tal reivindicação?

DF: Inicialmente, por que Dom Lefebvre, no momento das sagrações, não queria que um bispo se tornasse superior geral? Isso era precisamente para facilitar as relações com Roma. Se o superior geral fosse bispo, ele seria objeto de uma sanção da parte de Roma, o que tornaria as discussões mais difíceis do que se ele fosse um simples padre, como o padre Schmidberger, nosso superior naquele momento. Sua decisão se baseava claramente sobre as circunstâncias, e isso não era a expressão de um princípio. Era uma questão de prudência e não se tratava de excluir diretamente a possibilidade de que um bispo se tornasse superior geral no futuro.
Todavia, é preciso distinguir dois tipos de jurisdição. Existe uma jurisdição normal, ordinária, que um superior geral exerce junto de seus membros e, de outra parte, a jurisdição ordinária do bispo. Enquanto bispos, não possuímos jurisdição ordinária atualmente, mas enquanto superior geral, possuo o outro tipo de jurisdição. Elas não são as mesmas.

O espírito de Dom Lefebvre

TA: Há uma lembrança particular que o senhor guarda do Monsenhor e que o senhor gostaria de compartilhar conosco?

DF: De um lado, sua simplicidade e seu bom senso, do outro, sua elevada visão das coisas. Esta era sempre sobrenatural: ele se voltava sempre para Deus. É evidente que ele era guiado pela oração, pela fé, pela união com Deus. Para ele, era normal e evidente estar, nas ações ordinárias, sempre unido a Nosso Senhor.

TA: Como o senhor desenvolve junto de seus padres e seminaristas o espírito notável de Dom Lefebvre no que concerne à piedade sacerdotal, à solidez doutrinal e à ação contrarrevolucionária?

DF: Inicialmente, tentamos, na medida do possível, colocar os seminaristas em contato com o próprio Dom Lefebvre: sua voz, seus ensinos, seus livros… Possuímos os registros de suas conferências aos seminaristas. Os franceses têm aí uma vantagem! Mas estamos traduzindo elas para que todos os seminaristas possam ter acesso. Em inglês, algumas destas conferências já foram publicadas em forma de livro: Eles o destronaram, A Santidade sacerdotal, A missa de sempre.
Em seguida, buscamos realizar e aplicar em nossos seminários os meios que ele mesmo nos deu: o plano dos estudos e das conferências que ele preparou, por exemplo; ele determinou sua ordem e o modo com o qual elas se estruturam. Nossa filosofia e nossa teologia são assim fundamentadas sobre o ensino de São Tomás, como recomenda a Igreja. Os Atos do Magistério formam um curso particularmente caro ao Monsenhor; estudamos aí as encíclicas dos grandes papas do século 19 até Pio XII, assim como seu combate contra a introdução dos princípios das Luzes na Igreja e na sociedade. Continuamos fielmente tudo isso com fruto.

O desenvolvimento da Fraternidade depois de 1988

TA: Quais foram, na Fraternidade, depois das sagrações de 1988, as mudanças positivas e negativas mais importantes?

DF: Não sei se houve muitas mudanças. Tornamo-nos um pouco mais velhos, ainda que permaneçamos uma congregação jovem. Mas agora temos padres idosos, o que não tínhamos em 1988. É uma mudança superficial, direis. Tínhamos então quatro bispos e agora temos três. Isso também é uma mudança. Mas em si, não há nada de fundamental, nada de essencial. Temos mais casas em mais países, mas isso é menos uma mudança que o desenvolvimento normal de uma obra.
Permanecemos fiéis à linha de conduta de Dom Lefebvre. Olhando alguns dos últimos anos, de fato, Monsenhor disse em 1988 que Roma viria a nós 5 ou 6 anos após as sagrações; isso durou 24 ou 25 anos, e evidentemente a situação ainda não está amadurecida. As mudanças na Igreja que Dom Lefebvre esperava – o retorno à Tradição – ainda não existem. Mas seguramente, se as autoridades eclesiásticas continuarem como elas agem, a destruição se agravará e um dia elas deverão dar meia-volta, e então, neste dia, eles retornarão em nossa direção.
Por outro lado, olhe o que ocorreu em alguns anos: reconheceram que a missa de sempre não tinha sido ab-rogada, as “excomunhões” de 1988 foram levantadas e adquirimos uma influência na Igreja que nunca tivemos antes. Sem falar da crítica sempre mais importante do Concílio, mesmo em Roma, fora dos círculos da Fraternidade; o que é, nesta escala, um fenômeno relativamente novo.

O crescimento necessário

TA: O senhor poderia descrever os projetos e os trabalhos que foram realizados ao longo dos últimos 25 anos graças às sagrações?

DF: Isso é simples: depois das sagrações, os bispos da Fraternidade São Pio X ordenaram mais padres do que havia na época das sagrações de 1988. Portanto, é claro que os bispos eram necessários para o desenvolvimento do apostolado da Fraternidade. Sem os bispos, a Fraternidade estaria moribunda: seus bispos são indispensáveis para a continuação da obra. Há também as confirmações que geram os soldados de Cristo prontos para lutarem por Deus e seu reino. Enfim, não podemos negar a existência desta influência sobre a Igreja inteira, para que a Tradição recupere seus direitos.

TA: Alguns críticos da Fraternidade a comparam com as comunidades Ecclesia Dei, que não têm bispos (com exceção de Campos) e eles tiram a conclusão de que as sagrações não eram necessárias, visto que, sem bispos próprios, estas comunidades continuam a existir. Em qual medida a diferença entre a história da Fraternidade e aquela das comunidades Ecclesia Dei, ao longo dos últimos 25 anos, demonstra mais claramente em nossos dias a legitimidade do julgamento do Monsenhor, a saber, que um bispo da Fraternidade era necessário, não somente para assegurar a sobrevivência da Fraternidade, mas também para salvaguardar a integridade de sua missão?

DF: Inicialmente, todos os membros da Ecclesia Dei compreendem que se não tivéssemos bispos, eles mesmos não existiriam. Diretamente ou indiretamente, eles dependem da vida da Fraternidade. Isso está muito claro. Mas atualmente, os frutos de seu apostolado estão totalmente submetidos à boa vontade dos bispos diocesanos. Estes limitam de modo radical todo desejo firme de estabelecer uma vida católica tradicional, restringindo as possibilidades do apostolado neste sentido. As comunidades Ecclesia Dei estão obrigadas a se misturarem com as novidades do Vaticano II, do mundo e do Novus Ordo. Aí se encontra a grande diferença entre a Fraternidade e as comunidades Ecclesia Dei.
Constato, todavia, que algumas comunidades Ecclesia Dei se aproximam de nós. Contudo, isso está longe de ser o caso para todas.

TA: Dom Lefebvre se esgotara em viagens através do mundo ao longo dos anos que precederam as sagrações, porque ele era o único bispo tradicional (com exceção de Dom Castro Mayer, que limitava geralmente seu apostolado à sua própria diocese). Por consequência, ele escolheu sagrar quatro bispos em vez de um único. O efetivo dos fiéis da Tradição cresceu ao longo dos últimos 25 anos; contudo e infelizmente, o número de bispos da Fraternidade se encontra agora reduzido a três. Basta três bispos para assumir o trabalho? É necessário consagrar mais?

DF: Desde 2009, com efeito, trabalhamos somente com três bispos. É óbvio que isso funciona. Portanto, está claro que podemos funcionar com três. Não há razão urgente ou de grande necessidade para sagrar outro.
Certamente, devemos perguntar sobre o futuro, mesmo se atualmente a necessidade não existe. Minha resposta é muito simples: quando e se as circunstâncias que conduziram Dom Lefebvre a tomar tal decisão se apresentarem novamente, tomaremos os mesmos meios.

A iniciativa romana de uma normalização canônica

TA: Ainda que Dom Lefebvre sempre tenha desejado lograr uma relação serena com as autoridades romanas, as sagrações foram seguidas de hostilidades e de perseguições renovadas. Ao longo da última década, ao menos, vocês procuraram acabar com estas hostilidades e com estas perseguições, sem, todavia, colocar em perigo os princípios da missão da Fraternidade. Até agora estes esforços fracassaram, apesar de vossa boa vontade: na sua opinião, por quê?

DF: Inicialmente, gostaria de precisar que a iniciativa de uma normalização veio de Roma e não de nós. Não dei o primeiro passo. Tentei ver se a situação era tal que pudéssemos ir adiante sem perder nossa identidade. Obviamente, ainda não é o caso.
Por quê? As autoridades ainda se apegam aos princípios perigosos e envenenados que foram introduzidos na Igreja no momento do Concílio. É por isso que não podemos segui-las.
Não faço ideia do tempo que será preciso, ou quantas tribulações deveremos sofrer pra chegar até este momento. Dez anos, talvez; talvez menos, talvez mais. Isso está nas mãos de Deus.

TA: O senhor se mantém aberto a novos contatos da parte de Roma, e em particular do novo papa?

DF: Claro, permaneço aberto! Esta é a Igreja de Deus. O Espírito Santo está sempre aqui para passar por cima dos obstáculos semeados na Igreja depois do Vaticano II. Se Nosso Senhor quer endireitar as coisas, ele fará isso. Só Deus sabe quando, mas devemos estar sempre prontos. Uma solução completa e verdadeira pode vir apenas quando as autoridades trabalharem novamente nesse sentido.

TA: Quais sinais devemos esperar que nos mostrariam que o retorno à Tradição está cumprido, ou ao menos começou entre as autoridades romanas?

DF: É difícil dizer por onde isso começará. Tivemos com o papa Bento XVI, inicialmente, o grande sinal da liturgia, e talvez também alguns outros esforços menos sustentados. Isso ocorreu apesar de uma forte oposição. Evidentemente a iniciativa não alcançou o resultado esperado, como vemos agora. Mas o movimento deverá necessariamente vir da liderança.
Contudo, um movimento também pode vir de baixo: bispos, padres e fiéis do Novus Ordo que querem regressar à Tradição. Creio também que esta tendência já está em marcha, ainda que reduzida. Isso ainda não é a corrente dominante, mas é certamente um sinal. A mudança profunda deverá vir do alto, do papa. Ela poderá vir de vários lados, mas, finalmente, ela visará repor Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo em seu lugar na Igreja, ou seja, no centro.

TA: Suponhamos a conversão desde o topo em Roma, como a restauração da Igreja inteira poderá acontecer?

DF: É muito difícil dizer. Por hora, se nada muda, poder-se-ia viver uma perseguição interna e grandes lutas no próprio interior da Igreja, como no tempo do Arianismo. Se algo diferente ocorresse, se houvesse, por exemplo, uma perseguição e em sequência o papa voltasse à Tradição, a situação poderia ser completamente diferente. Deus sabe qual plano ele seguirá para repor sua Igreja em boa ordem!

TA: O que podemos fazer para acelerar tal retorno à Tradição?

DF: Rezar, fazer penitência! Todos deveriam cumprir seu dever de estado, encorajar a devoção ao Coração Imaculado de Maria e recitar o rosário. Quanto ao rosário: não sou contrário a uma nova cruzada.

TA: O que o senhor diria àqueles que lhe acusam de querer – ou de ter querido – comprometer os princípios da Fraternidade relativos ao Concílio e à Igreja pós-conciliar?

DF: Isso é propaganda pura e simples espalhada por aqueles que querem dividir a Fraternidade. Não sei de onde eles tiraram estas ideias. Certamente, eles se aproveitaram da situação delicadíssima do ano passado para acusar o Superior de coisas que ele nunca fez e que nunca teve a intenção de fazer. Nunca tive a intenção de comprometer os princípios da Fraternidade.
Independente do que seja, façam a pergunta: para quem seria útil uma divisão da Fraternidade, senão aos seus inimigos? Estes que dividem a Fraternidade por sua dialética, deveriam refletir nos motivos de suas ações. Por estes, quero dizer Dom Williamson e os padres que o seguem.

TA: Com o recuo, há algo que o senhor teria feito de forma diferente ao longo do ano passado?

DF: Ó, certamente, ficamos sempre mais sábios depois da batalha. Teria insistido mais sobre o que eu sempre disse e não achava necessário sublinhar: independente de qual seja o acordo, sempre haverá uma condição sine qua non: sem compromisso é impossível! Permanecemos tais como somos. Eis o que nos faz católicos, e queremos permanecer católicos.
Também teria melhorado as comunicações e já trabalhei nisso. Fui paralisado pelas faltas. Farei as coisas de forma diferente agora.

TA: Além das relações com Roma, quais são suas esperanças para a Fraternidade e a Igreja para os próximos 25 anos?

DF: Que nos 25 anos que virão, vejamos o retorno da Igreja à sua Tradição, a fim de ver uma nova florada da Igreja.

TA: Como fiéis e padres podem honrar e comemorar este 25º aniversário das consagrações?

DF: Honrar nosso caro Fundador e buscar imitar suas virtudes: sua bela humildade, sua pobreza, sua prudência e sua fé. Ademais, estudar os ensinos do Dom Lefebvre a fim de compreender os princípios que nos guiam: o amor de Nosso Senhor, da Igreja, de Roma, da Missa e do Coração Imaculado de Maria.[4]

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¹ – Artigo original em francês (acesso em 08 jun 2013) em: <http://www.dici.org/documents/reflexions-sur-le-25e-anniversaire-des-sacres-episcopaux/>.
² – Tradução gentilmente cedida por Robson Carvalho.
³ – Transcrição sem revisão.4Nota do Pale Ideas: Hipocrisia pouca é bobagem! Que virtudes de Mons. Lefebvre, exatamente, tem dom Fellay imitado nos últimos anos? E que "estudo" são os que ele permite? Quando é notório que alguns textos do Fundador estão proibidos? Basta ver o que causou o "sermão do Bom Pastor", há um ano, no Priorado de São Paulo, quando o rev. Pe. Cardozo SE ATREVEU a ler trechos dos textos de Mons. Lefebvre que estavam sendo "omitidos" ou "reinterpretados" pelo superior geral!!! O peixe morre realmente pela boca!
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quinta-feira, 30 de maio de 2013

O equivocado levantamento das excomunhões indevidamente pedido pela própria FSSPX

OPERAÇÃO MEMÓRIA: Para refrescar a memória dos que sofrem de amnésia profunda e também para dar suporte a um texto que publicarei ainda hoje e que é uma bomba!!!



O equivocado levantamento das excomunhões indevidamente pedido pela própria FSSPX



24/01/2009 – Carta do Superior Geral sobre o levantamento das excomunhões
Publicado em set 19, 2009

Caríssimos fiéis,

Como anunciei no comunicado à imprensa, "a excomunhão dos bispos sagrados por S. E. R. Dom Marcel Lefebvre no dia 30 de junho de 1988 que tinha sido declarada pela Sagrada Congregação para os Bispos por um decreto do dia 1º de julho de 1988 e que nós sempre contestamos, foi retirada por outro decreto da mesma Sagrada Congregação no dia 21 de janeiro de 2009, por mandato do papa Bento XVI". Era a intenção de orações que eu lhes tinha confiado em Lourdes, no dia da festa de Cristo Rei de 2008. Os senhores responderam muito além de nossas esperanças, pois que um milhão setecentos e três mil terços foram recitados para obter pela intercessão de Nossa Senhora o fim do opróbrio que pesava, na pessoa dos bispos da Fraternidade, sobre todos aqueles que estão unidos de perto ou de longe à Tradição. Saibamos agradecer à Santíssima Virgem que inspirou ao Santo Padre este ato unilateral, bondoso e corajoso. Asseguremos-lhe nossa fervente oração.

Graças a este gesto, os católicos do mundo inteiro unidos à Tradição não serão mais injustamente estigmatizados e condenados por ter mantido a Fé de seus pais. A Tradição católica não está mais excomungada. Apesar de que ela nunca o esteve em si, ela muito freqüente e cruelmente o esteve de fato. Do mesmo modo que a missa tridentina jamais esteve ab-rogada em si, como foi felizmente lembrado pelo Santo Padre pelo Motu Proprio Summorum pontificum do dia 7 de julho de 2007.

O decreto do dia 21 de janeiro cita a carta do dia 15 de dezembro passado ao Cardeal Castrillón Hoyos na qual eu expressava nosso apego "à Igreja de N. S. Jesus Cristo que é a Igreja Católica" e reafirmando nossa aceitação de seu ensinamento bimilenar e nossa Fé na primazia de Pedro. Eu recordava como sofremos pela situação atual da Igreja onde este ensinamento e esta primazia são humilhados, e acrescentava: "Estamos prontos para escrever com nosso sangue o Credo, para assinar o juramento anti-modernista, a profissão de Fé de Pio IV, nós aceitamos e fazemos nossos todos os concílios até o Vaticano II a respeito do qual temos nossas reservas." Em tudo isso, temos a convicção de permanecer fiéis à linha de conduta traçada por nosso fundador, Dom Marcel Lefebvre, de quem esperamos uma próxima reabilitação.

Também desejamos abordar estas "conversações" que o decreto reconhecia como necessárias sobre as questões doutrinais que se opõem ao magistério de sempre. Não podemos senão verificar a crise sem precedentes que sacode a Igreja de hoje: crise de vocações, crise da prática religiosa, do catecismo, e da freqüência dos sacramentos… Antes de nós, Paulo VI falava de uma infiltração da "fumaça de satanás" e de uma "auto demolição" da Igreja. João Paulo II não hesitou em dizer que o catolicismo na Europa estava em estado de uma "apostasia silenciosa". Pouco antes de sua eleição ao Soberano Pontificado, Bento XVI, ele mesmo, comparava a Igreja a "uma barca na que entrava água por todos os lados". Também nós queremos, nestas "conversações" com as autoridades romanas, examinar as causas profundas da situação presente e, apresentando o remédio adequado, chegar a uma restauração sólida da Igreja.

Queridos fiéis, a Igreja está nas mãos de nossa Mãe, a Santíssima Virgem Maria. Nós nos confiamos a Ela. Nós lhe pedimos a liberdade da missa de sempre, em todos os lugares e para todos. Nós lhe pedimos o levantamento do decreto de excomunhão. Nós lhe pedimos em nossas orações, a Ela que é a Sede da Sabedoria, estes necessários esclarecimentos doutrinais que as almas atribuladas têm tanta necessidade.

Menzingen, 24 de janeiro de 2009
+Bernard Fellay

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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Dom Marcel Lefebvre fala

OPERAÇÃO MEMÓRIA: para quem esqueceu ou não sabe ou se faz de besta. Vou ter que aprender a desenhar para que fique mais claro? Será? Grifos nossos.


"Se Eu não tivesse vindo, teriam desculpa, mas como Eu vim, eles não têm mais desculpa", disse Jesus (em João).   

 * * *

Dom Marcel Lefebvre: "Um grave problema, diante da consciência e da fé de todos os católicos desde o começo do pontificado de Paulo VI. Como é possível que um Papa, verdadeiro sucessor de Pedro, socorrido pela assistência do Espírito Santo, possa presidir a destruição da Igreja, a mais profunda e extensa da história dela, em tão pouco tempo e de um modo que nenhum heresiarca jamais conseguiu?".  



Dom Marcel Lefebvre fala



Transcrevemos hoje, traduzida, a entrevista de Dom Marcel Lefebvre publicada no Figaro de 4 de agosto(1); e não ignoramos que muitos leitores brasileiros, por carência de informação ou de formação, talvez se escandalizem com a declaração de Dom Lefebvre; e talvez a qualifiquem como simplesmente rebelde e indisciplinada.

De início eu diria ao meu escandalizado leitor que é fácil julgar-se mais católico, mais virtuoso do que Dom Lefebvre, mas que não é tão fácil sê-lo efetivamente.

A Europa inteira está emocionada e aturdida diante da suspensão do venerável ancião que se achou colocado na situação prevista na famosa carta que os cardeais Ottaviani e Bacci dirigiram ao Sumo Pontífice em 1969: «...a promulgação do Novo Ordo coloca o fiel católico diante de uma trágica opção».

Coube à grande alma católica do Bispo fundador de seminários católicos o encargo de condensar em sua obra, em seu coração, o sofrimento de todos os sacerdotes e leigos do mundo que sofrem o mesmo dilaceramento.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Operação memória: Uma Nova Era?

OPERAÇÃO MEMÓRIA: mais um editorial do pe. Bouchacourt. E com essa publicação testamos uma nossa teoria a respeito da retirada autoritária e abusiva do blog Pale Ideas do ar, como sói acontecer em casos que tais. Se isso acontecer, confirmaremos nossas suspeitas acerca da idoneidade moral deste superior de distrito da Neo-FSSPX. Se isso não acontecer, não confirma o contrário porque dependemos sempre da "sorte" de ele ler ou não esta publicação. Confesso que não li o texto, nem vou ler. Publico pelo motivo de sempre: registrar no tempo e no espaço os textos que brotam dessas mentes reverendíssimas, para que amanhã ou depois não digam que não disseram o que disseram. Esse texto deve ser lido - para quem tiver tempos disponível - em conjunto com tudo o que escreveu no passado. Somente assim se compreende a loucura que vivem os "fellayanos", o Mistério da Iniquidade, naquilo que nossa razão humana consegue compreender. Rezemos...

UMA NOVA ERA?

  Algumas semanas atrás ressoava no alto da loggia de São Pedro em Roma a famosa frase: "Habemus papam!" Acabava de ser eleito o Papa Francisco. Desde então, os meios de comunicação não param de dizer que se inaugurou uma nova era para a Igreja. Com o novo Sumo Pontífice –proclamam– a Igreja de Cristo vai voltar à fonte límpida e refrescante da autêntica pobreza e da simplicidade evangélica. Adeus à mozeta e aos paramentos primorosamente adornados; adeus ao cerimonial pontifical triunfalista e viva o regresso à simplicidade da “Igreja pobre para os pobres”!(1) O mundo aplaude calorosamente, enquanto o seu predecessor Bento XVI é lançado às profundezas do esquecimento, mesmo que ainda vivo.

Esse despojamento iniciado e alentado pelo último concílio, o Vaticano II, parece ter alcançado seu cumprimento com o Papa Francisco, pois, diferentemente de seu predecessor, o novo Papa faz muito poucas alusões diretas ao Vaticano II: simplesmente o vive! É o primeiro sucessor de São Pedro que nunca celebrou a Missa tradicional, já que foi ordenado em dezembro de 1969, poucas semanas depois da imposição do Novus Ordo Missae.

O Cardeal Bergoglio foi um homem totalmente embebido do espírito do concílio, em cuja fonte alimentou seu sacerdócio. Assim como o Vaticano II quis centrar-se inteiramente no homem, o Cardeal centrou também sobre o homem o seu apostolado, orientando-o à luta contra a pobreza, contra a injustiça e contra a corrupção. Fê-lo com um convencimento real, ganhando para si uma grande popularidade entre os desfavorecidos, juntando a isso uma vida simples e austera.

Animado pelo mesmo espírito, na última Quinta-Feira Santa, como “bispo de Roma”, foi celebrar a missa em uma prisão romana de menores para lavar ali os pés de uns jovens prisioneiros, entre os quais duas jovens, das quais uma era muçulmana! Estamos na presença de um populista militante.

Para quem foi o primaz da Argentina, qualquer fasto cria uma barreira entre os pobres e a autoridade, razão pela qual seria preciso simplificar ao máximo tudo o que se possa simplificar... Como, segundo ele, a liturgia tem por finalidade reunir os homens e manifestar-lhes a ternura de Deus, urge suprimir toda solenidade, ouro e incenso, e retornar à simplicidade do Evangelho. Não se trata tanto de uma falta de bom gosto ou de uma ausência de cultura litúrgica, mas da concretização de uma doutrina vivida, aquela que o Vaticano II pregou e que ele aplica com toda a sua lógica.

Este mesmo pensamento é o que vive no Papa Francisco desde sua eleição e que o guia através do diálogo inter-religioso e do ecumenismo, acerca do qual diz que “quer dar-lhe prosseguimento na linha de seus predecessores”.(2) As religiões, sejam quais forem, estão ao serviço do homem e devem unir-se para realizar o plano de Deus sobre a humanidade. Têm de reunir-se e trabalhar juntas para defender as causas universais em perigo, como o respeito pela vida, a ecologia, a paz e a luta contra todas as exclusões que provocam miséria e injustiça.

Esse movimento ecumênico e inter-religioso se orienta à ação, e não pode ser de modo algum um chamamento à conversão para entrar na Igreja Católica, única arca de salvação... No sermão da missa que celebrou diante de seus cardeais no dia seguinte à sua eleição, o Papa pronunciou belas palavras sobre Nosso Senhor Jesus Cristo, fora de quem não pode haver um apostolado fecundo. Sem Ele, disse, “a Igreja não seria mais que uma ONG”. Mas alguns dias mais tarde, durante a reunião em que recebeu os responsáveis de todas as religiões, o Papa Francisco pediu às religiões que se unam para salvar os valores essenciais, sendo que uma grande parte dos chefes religiosos que assistiam não reconhece a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo... Não há aqui uma contradição? Tal contradição é, por desgraça, o próprio do modernismo que São Pio X denunciava. Esse diálogo, saibamos bem, será mais efusivo do que nunca, como já tinha mostrado tantas vezes em Buenos Aires! Ao contrário de seu predecessor, o Papa Francisco já não vai falar da hermenêutica da continuidade do Vaticano II com a Tradição, nem vai tratar de demonstrá-la. Vai assumir sem nenhum complexo essa ruptura que a FSSPX vem denunciando desde sua fundação.

Como se afasta tudo isso da teologia católica ensinada pelos Papas até Pio XII! O Sumo Pontífice, por função própria, deve defender, explicar e transmitir o depósito da fé que recebeu de Cristo. Essas atitudes novas, ensinadas e praticadas desde mais de 50 anos pelos sucessivos Papas, provêm de uma doutrina nova que está em ruptura com o que expressou o Concílio Vaticano I falando da função do Papa: O Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para que por revelação sua manifestassem uma nova doutrina, senão para que, com sua assistência, santamente custodiassem e fielmente expusessem a revelação transmitida pelos Apóstolos, isto é, o depósito da fé”.(3)

O Pontífice recém-eleito deve entrar no cargo que recebeu, e não adaptá-lo a seus gostos pessoais. Esse cargo o transcende. Em caso contrário, correria o risco de dessacralizá-lo.

Desde o momento de sua aceitação, o Papa já não pertence a si mesmo. Converte-se em Vigário de Cristo, ou seja, na maior autoridade sobre a terra. O fato de levar as insígnias pontifícias, o fasto do protocolo e das cerimônias a que preside protegem essa autoridade, manifestam os dons que recebeu de Deus e dão alegria e orgulho aos membros da Igreja. Assim se manifesta a virtude da magnanimidade que deve haver no Papa, isto é, sua grandeza de alma, que provém da virtude da fortaleza, da qual tanto vai necessitar para cumprir fielmente sua missão e que terá de mostrar em face de um mondo hostil. Além disso, é necessário que queira ser Papa e não unicamente bispo de Roma... São Tomás de Aquino diz que recusar essas honras legítimas é algo repreensível.(4)

O que não impede que o Romano Pontífice manifeste simplicidade e bondade em suas relações com os demais, pelo contrário. Suas qualidades pessoais e sua santidade devem edificar e servir de irradiação do papado no mundo. Da virtude da magnanimidade deve derivar-se a da magnificência: “ver e fazer grande” para a glória de Deus e honra da Santa Igreja. Assim é como se explica o fasto dos ofícios pontifícios e da liturgia católica, que tem como finalidade honrar a Deus e reproduzir na terra algo da liturgia celestial.

Como o Santo Cura d'Ars possuía essa magnificência, exclamava: “Não há nada que seja belo demais para Deus!” Acaso não teriam os pobres, precisamente porque são pobres, direito de assistir a formosas cerimônias litúrgicas que tributam dignamente glória a Deus e que os elevam por sobre seus infortúnios?

O esplendor da liturgia transcende os séculos e as pessoas. Constitui o patrimônio da Igreja oferecido a todos os seus filhos, para ajudá-los a louvar a Deus e atrair sobre si as divinas bondades. A solenidade da liturgia manifesta a fé que anima a Igreja Católica.

Essa magnanimidade e magnificência brilharam de modo exemplar em São Pio X, que provinha de um meio social modestíssimo. Aceitou todas as honras exteriores devidas a seu cargo em prol do bem da Igreja, ainda que sua humildade pessoal sentisse repugnância por isso, conservando ao mesmo tempo uma pobreza edificante no pessoal.

Seu ensinamento foi de grande firmeza, unida a uma admirável bondade para com os que se aproximavam dele. Sob seu pontificado, a Igreja conheceu uma grande irradiação. Salvou-a de muitos perigos interiores e exteriores, sobretudo do modernismo.

Foi um Papa a que todos amavam e admiravam, sendo respeitado pelas potências, mas temido e odiado pelos inimigos da Igreja, que nunca lhe perdoaram a firmeza doutrinal e diplomática que acabou desbaratando os planos deles. Pois – temos de recordá-lo? – a autoridade não se recebe para agradar aos homens, senão para propagar a verdade e o bem, e denunciar o erro e impedir o mal, tal como ensinava São Paulo: “o príncipe é ministro de Deus posto para o teu bem. Mas se obras mal, treme, porque não é debalde que ele cinge a espada, sendo como é ministro de Deus, para exercer sua justiça castigando o que obra mal”.(5) “Recapitular em Cristo todas as coisas”, como dizia São Pio X, ou seja, trabalhar para a reconstrução do reinado social de Cristo. Trata-se de um programa radicalmente oposto às máximas do último Concílio; é, ademais, o único programa que poderá salvar a Igreja da crise que hoje a abruma e trazer a paz e a prosperidade das nações.

O novo Papa deveria inspirar-se em seu santo predecessor e deveria ter presente ante seus olhos aquelas outras palavras de São Paulo: “Se ainda buscasse agradar aos homens, não seria servo de Cristo”.(6) Bastaria a santidade pessoal de um Pontífice ou de um membro da hierarquia católica para tirar a Igreja da crise? Dom Lefebvre, em seu livro A Vida Espiritual, responde de modo muito claro a essa pergunta:

“Talvez alguém me diga: «o senhor está exagerando! Cada vez há mais bispos bons que rezam, que têm fé, que são edificantes...» Ainda que fossem santos, desde o momento em que aceitam a falsa liberdade religiosa, e por conseguinte o Estado laico, o falso ecumenismo (e com isso a existência de várias vias de salvação), a reforma litúrgica (e com isso a negação prática do sacrifício da Missa), os novos catecismos com todos os seus erros e heresias, eles contribuem oficialmente para a revolução na Igreja e para sua destruição.

“O Papa atual e esses bispos já não transmitem Nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim uma religiosidade sentimental, superficial, carismática, pela qual já não passa a verdadeira graça do Espírito Santo em seu conjunto. Essa nova religião não é a religião católica; é estéril, incapaz de santificar a sociedade e a família.

“Uma coisa apenas é necessária para a continuação da Igreja católica: bispos plenamente católicos, que não façam nenhum compromisso com o erro, que estabeleçam seminários católicos, onde os jovens aspirantes se alimentem com o leite da verdadeira doutrina, ponham a Nosso Senhor Jesus Cristo no centro de suas inteligências, de suas vontades, de seus corações, unam-se a Nosso Senhor por meio de uma fé viva, uma caridade profunda, uma devoção sem limites, e peça como São Paulo que se reze por eles, para que avancem na ciência e na sabedoria do «Mysterium Christi», no que descobrirão todos os tesouros divinos. (...) O mal do Concílio é a ignorância de Jesus Cristo e de seu Reino. É o mal dos anjos maus, o mal que encaminha ao inferno”.(7)

Caberia desesperar-se e lamentar-se dessas desgraças de nosso tempo? Claro que não! Isso seria algo estéril e oposto ao espírito católico, pois, como diz a Sagrada Escritura, “abyssus abyssum invocat”,(8) o abismo da prova atrai sobre os que amam a Deus a superabundância da graça. Não se deve desanimar. Como pediu Nossa Senhora de Fátima, rezemos agora mais do que nunca pelo Papa e ofereçamos penitências por ele, para que o Espírito Santo o ilumine, o guia e lhe dê forças para restaurar a Tradição, que é a única que pode salvar a Igreja. Isso constitui um dever para cada um de nós, tanto sacerdotes quanto leigos.

Agora mais do que nunca temos um dever de santidade, para que em meio às trevas brilhe em nossas almas a imagem do Redentor. Cristo deve reinar em nós, em nossos lares e em todas as nossas atividades. Assim é que Deus se deixará comover e se apressará a escutar nossas orações, vendo refletir-se em nossas almas o seu amado Filho.

Finalmente, estudemos os princípios que devem guiar-nos no rude combate da fé no qual estamos envolvidos. Para ajudar-lhes nisso, foi publicado em português o Catecismo católico da crise na Igreja, escrito pelo Padre Gaudron, da FSSPX, que teve grande difusão no distrito da França, e que os ajudará a entender melhor o que é a revolução religiosa que estamos vivendo e lhes proporcionará argumentos para responder às objeções que os outros costumam apresentar contra nós.

Ânimo, queridos amigos! Continuemos todos trabalhando com perseverança no serviço de Cristo Rei, com Fé, Esperança e Caridade, distantes dos rumores e na claridade da verdade. Não nos esqueçamos de que a Páscoa segue muito de perto o Sábado Santo!

A paixão da Igreja acabará na hora que Deus quiser. Não lhes escrevo isso com otimismo ingênuo, senão com confiança nestas palavras de nosso Salvador: “No mundo tereis tribulações, mas tende confiança: Eu venci o mundo”.(9)

Que Deus os abençoe!
Padre Christian Bouchacourt
Superior de Distrito América del Sur

(1) Papa Francisco, 14 de março, discurso aos cardeais no dia seguinte à sua eleição.
(2) Papa Francisco, durante a audiência de 20 de março às diversas confissões cristãs e às outras religiões.
(3) Pio IX: “Pastor Æternus”, 18 de julho de 1870, 4ª sessão do Concílio Vaticano I.
(4) II-IIae, questão 129, artigos 1 e 3.
(5) Romanos, 13, 3-4.
(6) Gálatas, 1, 10.
(7) Dom Lefebvre: “A Vida Espiritual”, prólogo.
(8) Salmo 91, 8.
(9) João, 16, 33.

fonte: http://www.fsspx-sudamerica.org/fraternidad/iesus/editorialportu141.php

Não revisado pelo blog; publicado conforme consta do original.


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