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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

DOM FELLAY ou o sonho não morreu!

O Non Possumus publica, em espanhol, o que o Nouvelles de France publicou em Francês. Vou resumir para vocês: 

DOM FELLAY E A QUIMERA ROMANA

 

Em uma entrevista ao Nouvelles de France, acerca das relações com Roma, dom Fellay, mais uma vez, exibe um ar de incredulidade ao declarar que esperava que, antes de fechar a conta e passar a régua, Bento XVI o receberia de volta com um lindo tapete vermelho e festa e banda e coro angelical!!! Quiçá... a púrpura!!!

E sua ingenuidade não tem fim, meus caros! Ele acredita piamente que, já que este Papa não teve a fineza de se lembrar dele antes de sair, o próximo provavelmente o fará! Creio que ele não pensa que um Müller da vida possa chegar ao trono de Pedro... E nem precisa ser o Müller em pessoa, pode ser qualquer um dos 117 cardeais votantes e que podem ser votados... Qualquer um deles tem pela Neo-FSSPX a mesma estima que lhe reserva Müller. Exceção feita, talvez, ao cardeal Ranjith, que parece ser fiel à Tradição da Igreja.

Continuando...

Adotado o estilo escorregadio tipicamente modernista, dom Fellay não responde à pergunta sobre o desejo dele de que Roma reconheça o rito ordinário (sic) como ilícito; ele escorrega. Mas a pergunta insiste, e ele responde que a Igreja pode efetuar essas “correções” importantes sem pegar mal para ela ou perder a autoridade... e que “nota”, por parte dos bispos, uma certa “oposição” ao Papa que já pediu que se corrigisse a frase “por muitos”. Santa ingenuidade!!! Como se não soubesse quem manda na Igreja hoje!

À eterna pergunta sobre o CVII, dom Fellay volta a afirmar que o concílio não é todo mal, mas tem um certo número de pontos que podem ser corrigidos... E com a ressalva de que já sabe que Roma não condenará o CVII em pouco tempo, mas que ela “pode recordar a Verdade, corrigir discretamente os erros salvaguardando sua autoridade”. Entendeu? Ele sugere que Roma, sem contar a ninguém, “conserte” as coisas aos poucos, assim mantem a autoridade, e os bobos dos bispos nem vão perceber!

Insiste no fato de que, com o tempo, e estando dentro do chiqueiro, ele vá conseguir o milagre de resolver a crise na Igreja, sem se contaminar, como aconteceu com as outras comunidades Ecclesia Dei. Sim, porque com a turminha do dom Fellay as coisas serão diferentes! Conosco não, violão!

Na pergunta seguinte, dom Fellay se entrega: o ingênuo nato! Aos ser-lhe perguntado qual sua impressão ao encontrar o Papa nos primeiros meses do Pontificado, ele candidamente responde que Bento XVI “tinha o desejo sincero de realizar a unidade da Igreja”. E se desmancha em garantia de orações diárias ao Santo Padre! Certamente, dom Fellay não lê o DICI que, atualmente, se transformou no "diário de bordo do Vaticano", pois passou a relatar tudo o que acontece por lá... deixando de lado os acontecimentos e eventos da Neo-FSSPX. O assunto preferido do Papa Bento XVI sempre foi o CVII: a pupila de seus olhos! Ultimamente, a maioria de seus discursos e conversas com o clero tem sido sobre o CVII. Ele até indulgenciou (chama-se "fomento") o estudo do CVII. Só dom Fellay não sabe disso? Esqueceu de quem se trata? Esqueceu que foi ele o algoz de Mons. Lefebvre? Esqueceu quem era o interlocutor que intermediava as conversas entre Mons. Lefebvre e João Paulo II? Que era principalmente a ele – Bento XVI – que Monsenhor se referia quando chamava as autoridades romanas de apóstatas, falsas e mentirosas? Sério, dom Fellay?

Continuando... sim, porque tem mais!

Por fim, aos ser-lhe perguntado qual o ato mais importante do Pontificado de Bento XVI, dom Fellay não pestanejou e bradou: o Motu Proprio Summorum Pontificum, aquele mesmo que taxou de “extraordinário” o rito tridentino e de “ordinário” – portanto lícito e válido – o rito da missa nova protestantizada!!! Aquela que Mons. Lefebvre combateu até o último suspiro de sua vida.

Se houver um “Oscar pela Ingenuidade” certamente dom Fellay o merece! Se é que está sendo sincero. Mas com ele é difícil saber, porque ele tem vários discursos, a depender da plateia.

Bom, agora devemos aguardar até dia 22 de fevereiro, a data limite do ultimatum dos “amigos” Müller/di Noia, com o qual ameaçaram ao superior da Neo-FSSPX, com anátemas e tudo, para que aceite os termos romanos. Se for verdade que, quando o Papa chama, ele... vai correndo, não é de se estranhar que ele aceite, mesmo fazendo birra! Afinal, há tempos eles vêm cozinhando o sapo, isto é, os fieis, para que bebam com o sorriso no rosto o amargo fel da abjuração da Fé Católica.

E se o acordo prático não vier até dia 22, não precisa estar em cólicas, viu Maretboys! Ele virá! Afinal... um novo Papa vem aí! E dom Fellay já mandou lustrar a batina para correr assim que aquele chamar!

Giulia d'Amore di Ugento 




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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

FSSXP: Comunicado de Menzingen sobre o levantamento das excomunhões

OPERAÇÃO MEMÓRIA: Apareceu hoje, em meu Google Alerts, o seguinte comunicado de dom Fellay, do dia 24 de janeiro de 2009, publicado no site Zenit, em 25 de janeiro de 2009. Não pude não me maravilhar com esta estranha indicação, tendo em vista que não é um assunto atual, ou não parece ser! Mas como é útil à Operação Memória e para ajudar a montar esse quebra-cabeça que é a cabeça do superior-geral da Neo-FSSPX, vou publicar aqui, hoje

MENZINGEN, domingo, 24 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos o comunicado que o superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Dom Bernard Fellay, emitiu nesse sábado, ao se fazer público o decreto da Congregação para os Bispos, assinado no dia 21 de janeiro pelo cardeal prefeito Giovanni Battista Re, com o qual Bento XVI acolhe o pedido de levantar a excomunhão dos quatro bispos ordenados em 1988 por Dom Marcel Lefebvre.
* * *

A excomunhão dos bispos sagrados por S. E. R. Dom Marcel Lefebvre no dia 30 de junho de 1988, que tinha sido declarada pela Sagrada Congregação para os Bispos por um decreto do dia 1º de julho de 1988 e que nós sempre contestamos, foi retirada por outro decreto da mesma Sagrada Congregação no dia 21 de janeiro de 2009, por mandato do Papa Bento XVI.

Expressamos nossa gratidão filial ao Santo Padre por este ato que, além da mesma Fraternidade, será um bem para toda a Igreja. Nossa Fraternidade deseja poder ajudar sempre mais o Papa a por remédio nesta crise sem precedentes que comove atualmente o mundo católico, e que o Papa João Paulo II tinha designado como um estado de “apostasia silenciosa”.

Além do nosso reconhecimento ao Santo Padre, e a todos aqueles que ajudaram a chegar a este ato corajoso, nos congratulamos de que o decreto do dia 21 preveja como necessário “conversações” com a Santa Sede, conversações que permitirão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X de expor suas razões doutrinais de fundo que ela considera como a origem das dificuldades atuais da Igreja.

Neste novo clima, nós temos a firme esperança de chegar logo a um reconhecimento dos direitos da Tradição católica.

Menzingen, 24 de janeiro de 2009

+ Bernard Fellay
   

Bom, deixando de lado tudo o que já se disse sobre esse "gracioso ato do Papa", já se passaram 4 anos desse comunicado, e o que temos? 

Temos que a FSSPX dividiu-se entre os que permanecem fiéis ao projeto de Mons. Lefebvre e a esta "firme esperança" de dom Fellay, e os que preferem se juntar à igreja Conciliar, apesar das recomendações do Fundador de que se aguarde a conversão de Roma, antes de voltar ao diálogo. Recomendação, aliás, feita pelo próprio dom Fellay aos membros das comunidades Ecclesia Dei, de forma veemente e firme e que, agora, ele mesmo prefere ignorar, atraído por quiçá que quimera de vã-glória. Pelo visto, a firmeza não é uma de suas qualidades mais persistentes.

Temos que Roma jamais mudou o discurso, mantendo uma coerência que, infelizmente - e me desminta quem puder fazê-lo - não vemos nos comunicados oficiais (e extra-oficiais) da Neo-FSSPX.  

Temos que muitas almas se perderam, desiludidas (ou chocadas, ou escandalizadas, ou decepcionadas; escolham o verbo) pelas ações do superior-geral que as tem por "bagatelas", coisas de somenos importância. Sim, eu sei que não se referia estritamente às almas, mas quem sabe somar dois mais dois sabe o que isso significa. 

Temos que muitos bons padres, em nome de um obedientismo que já não tem justificativa alguma, e que eles sabem perfeitamente que está errado, muitos bons padres mantém-se à espera de um sinal prodigioso... Uma espera pela qual deverão prestar contas, tendo em vista todas as almas que se perdem neste ínterim. E que seja uma, não tem valor algum? Não custou ela o preço do Sangue de um Deus? Não deixou Ele noventa e nove no abrigo para correr atrás daquela até encontrá-la? E, agora, o "superior" simplesmente a abandona? Sinceramente, graça a Deus que eu não estou nos panos dele!

Eu sou uma dessas "bagatelas" que S.Exa. prefere contabilizar como "efeitos colaterais" nessas negociações sujas, que já ultrapassaram o limite de qualquer decência. Se não fosse a caridade de um bom padre fiel a seu Pai e à Tradição da Igreja, eu certamente estaria ao relento, longe do aprisco de Deus. Por isso, eu agradeço todo santo dia; isso e a graça de poder enxergar o que nem mesmo um superior-de-congregação, com graças de estado e tudo, consegue enxergar. Não pode. Não quer. 

Giulia d'Amore di Ugento

Os grifos no comunicado são nossos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

FSSPX: E agora, José?

Fugindo dos textos - resumidos ou na íntegra - dos blogs Católicos, escolhi a abordagem de um site de notícias conciliar - Zenit - para enxergamos por outro lado a questão: como Roma vê as coisas. Diriam que bastaria a palavra de Di Noia para ilustrar a questão. Sim, é verdade, mas a "homilia" é tão importante ou mais que a "palavra", porque joga luzes sobre pontos que, por vezes, não estão claros. Vê-se bem que os Romanos pretendem nos incluir no pluralismo conciliar que abraça a todos e não ouve ninguém. A linguagem condescendente de Di Noia é uma zombaria a mais no discurso todo. Trata-nos como crianças mimadas e sem direção. Bom, sobre a direção não está de todo errado, porque este estado de coisas dentro da FSSPX se deve justamente a um problema de direção, ou... falta dela. 

Eu vejo positivamente - para usar o jargão "deles" - essa carta. Porque? Por que, agora, dom Fellay não pode mais se calar! Não pode mais ter dois discursos, um para Roma e outro para seus comandados. Agora, se dom Fellay se calar... me pergunto o que os que dormem vão fazer. Até onde vão para "ver no que vai dar"? Como aplacam suas consciências? Durante o último ano, tenho lido na internet o que Roma dizia e o que dom Fellay dizia, e havia uma séria discrepância. Me diziam que Roma mentia. Oras, se Roma mentia porque dom Fellay nunca a desmascarou? Agora é a oportunidade!

Diálogo com a Fraternidade de São Pio X: carta a dom Fellay e aos sacerdotes lefebvrianos

Uma iniciativa de dom Augustin Di Noia

Anita Sanchez Bourdin

ROMA, Monday, 21 January 2013 (Zenit.org).

Di Noia
Por iniciativa pessoal, dom Augustin Di Noia tenta relançar o diálogo de Roma com a Fraternidade de São Pio X. O dominicano estadunidense, desde junho de 2012, é vice-presidente da Comissão Ecclesia Dei, interface de diálogo entre a Igreja católica e os discípulos de dom Marcel Lefebvre. A comissão depende da Congregação para a Doutrina da Fé. O prelado acaba de enviar uma carta a dom Bernard Fellay, superior, e a cada sacerdote da Fraternidade.

Canais informativos ligados à Fraternidade afirmam que Roma defende a interpretação do Concílio Vaticano II mediante uma hermenêutica de “continuidade” com a Tradição. Mas a Fraternidade considera que certos documentos conciliares são errôneos, em particular no tocante ao diálogo inter-religioso e ao ecumenismo.

Com o “bloqueio” do diálogo ecumênico, dom Di Noia propõe um enfoque espiritual, convidando a Fraternidade a um exame de consciência com palavras-chave como humildade, doçura, paciência e caridade, por exemplo.

Roma espera, conforme a carta, a resposta de dom Fellay ao documento que lhe foi enviado em 14 de junho. Para sair do impasse provocado pela ausência de retorno, ele propõe que a Fraternidade reencontre o “carisma positivo” do seu início, em Friburgo e Écône: uma tentativa de reforma por meio da formação dos sacerdotes e da missão.

Di Noia recomenda ainda evitar o recurso aos meios de comunicação – a Assessoria de Imprensa da Santa Sé não publicou nada sobre esta carta –, e a prática de um “Magistério paralelo”. O ideal seria valorizar as objeções de maneira “construtiva” e fundamentá-las em uma teologia “profunda”.

O prelado menciona a instrução do cardeal Joseph Ratzinger Donum veritatis sobre “a vocação eclesial do teólogo”, de 24 de maio de 1990, que propõe esta definição de teólogo: “tem a função especial de conseguir, em comunhão com o Magistério, uma compreensão cada vez mais profunda da Palavra de Deus contida na Escritura, inspirada e transmitida pela Tradição viva da Igreja”. O documento recorda também a autoridade do magistério: “em seu compromisso no serviço da verdade, o teólogo deverá, para permanecer fiel à sua função, levar em conta a missão própria do Magistério e colaborar com ele”.

Após a exclusão de dom Richard Williamson, anunciada em 24 de outubro de 2012, a Fraternidade de São Pio X parece ter sofrido divisões internas. Dom Fellay seria partidário de manter o diálogo. A situação da Fraternidade – cujos responsáveis não estão mais excomungados, mas ainda não estão integrados à Igreja Católica - é insustentável a longo prazo, de acordo com a avaliação de observadores.

A carta de dom Di Noia parece enviar uma mensagem realista: a comissão vaticana não deseja que a mão estendida por Bento XVI se torne uma ocasião perdida, já que as negociações não deverão ser eternas.
 
Fonte


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

FSSPX: Carta aberta de Dom Fellay ao Cardeal Hoyos - 2001

Ainda OPERAÇÃO MEMÓRIA: 

Carta aberta de Dom Fellay ao Cardeal Hoyos (de 2001)


"Eminentíssimo Senhor,

Com o olhar posto no Sagrado Coração, do qual celebramos a festa neste dia, segundo seus próprios desejos, imploro à Sua misericórdia que se digne marcar com Sua luz e Sua caridade as linhas que seguem. O jesuíta Mgr. Pierre Henrici, então secretário da Communio, dizia em uma conferência sobre a maturação do Concílio, que no Concílio Vaticano II duas tradições teológicas que essencialmente não podiam se compreender, haviam-se chocado. Sua carta de 7 de maio causou um sentimento semelhante de incompreensão e de decepção. Temos a impressão de que ela nos impõe um dilema: ou entramos na plena comunhão, e então devemos nos calar diante dos graves males que ferem a Igreja - por falta de jaula dourada, nos impõem uma mordaça - ou ficamos "de fora".

Esse dilema, nós o recusamos. Pois, por um lado, nunca abandonamos a Igreja, por outro, nossa situação atual, certamente desconfortável, não é o resultado de uma ação culpável nossa, mas a conseqüência de uma situação desastrosa dentro da Igreja contra a qual tentamos, mal ou bem, nos proteger. As diferentes decisões tomadas por D. Lefebvre foram ditadas pela vontade de não perder a fé católica e de sobreviver no meio de uma confusão universal que não popa Roma. Chamamos a isso "estado de necessidade".

Se queremos evitar o impasse ao qual conduz sua carta, seria preciso mudar profundamente as perspectivas, o status quaestionis. Com efeito, para sua Eminência,

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

FSSPX: A nova hermenêutica de Mons. Fellay

Dom Juan Carlos Ortiz: “Que Deus tenha piedade de Fraternidade!”

A nova hermenêutica de Mons. Fellay

A Fraternidade mudou sua posição?

De Dom Juan Carlos Ortiz

 


Dom Juan Carlos Oriz é um sacerdote da Fraternidade há 28 anos.
Este artigo foi publicado no site francês Avec l’Immaculée.


Apesar de certos discursos recentes que querem ser reconfortantes, a Fraternidade São Pio X continua a atravessar a mais grave crise interna que já conheceu, tanto por sua profundidade quanto por sua extensão.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

TRADIÇÃO: Mais uma profissão de fé; esta de 2009!!!

Depois virá a tradução, como sempre.


PROFESIÓN DE FE CATÓLICA DEL PADRE JEAN DE MORGON.


El Padre Jean es el autor de la Carta que fue filtrada en el 2009 luego de su oposición a los deseos de Monseñor Fellay de reunirse con Roma.
Me han comunicado esta profesión de fe de este mismo Padre Jean que es Capuchino de Morgon. Lo ha hecho a guisa de sermón el 21 de octubre pasado para inaugurar a su manera “el año de la fe” promovido por Benedicto XVI.
Aunque somos simples fieles, deberíamos hacerla también porque nosotros tenemos el mismo combate por la defensa de la fe católica.

Cita :

Domingo 21 de octubre de 2012.

PROFESION DE FE CATOLICA DEL PADRE JEAN


I  PREAMBULO

1) En vista de la presente situación, en el 50 aniversario de apertura del Concilio Vaticano II en el que el Papa Benedicto XVI acaba de inaugurar un “año de la fe”, “consagrado a la profesión de la fe y a su justa interpretación”, y en el cual se incita a los fieles al estudio indulgenciado de las actas del Concilio y a los artículos del nuevo catecismo; este concilio del cual el cardenal Ratzinger escribió 30 años después: “Un abismo corta a la Iglesia entre dos mundos irreconciliables: el mundo preconciliar y el mundo posconciliar” (“Un canto nuevo para el Señor”, Desclée-Mame, 1995, pág. 174)

2) Vista la reciente declaración difundida por el Prefecto de la Congregación de la Fe, Monseñor Müller, quien no ha abjurado verdaderamente de sus errores (por no decir herejías) sobre la Transubstanciación, la Virginidad de María y la pertenencia de los protestantes en la Iglesia, que acusó a los sacerdotes y fieles de la Tradición de estar afuera de la Fe católica afirmando: “Nosotros no podemos abandonar la fe católica en estas negociaciones (con la FSSPX)”. (Entrevista a NDR, 06-10-2012).

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

FSSPX: Carta aos amigos e benfeitores n. 63, de 06/01/2003

Operação Memória: Ainda sobre Campos e o acordo prático, em 06 de Janeiro de 2003:


Carta aos amigos e benfeitores

Mgr Fellay, Supérieur Général de la FSSPX

Caros Amigos e Benfeitores,

As Nossas Relações com Roma
ma vez mais dirigimos a Carta aos Amigos e Benfeitores com certo atraso. Uma vez mais hesitamos em vos escrever mais cedo, receando que um elemento importante faltasse no desenrolar das nossas relações com Roma, sobretudo após os acordos de Campos. é evidente que, aos olhos de Roma, o que sucedeu com Campos deveria ser o preâmbulo da nossa “regularização”. Da nossa parte, consideramos que o que sucedeu aos nossos antigos amigos deve servir-nos de lição.
Por si e em geral, as intenções de Roma a respeito da Fraternidade são, de preferência, as de um acordo. De todos os lados ouvimos que o Soberano Pontífice quereria regularizar este assunto antes de morrer.

Mas, por outro lado, os nossos receios sobre Campos revelaram-se fundados, e os desenvolvimentos que verificamos na Administração Apostólica, contrariamente às expectativas romanas, deixam-nos um sentimento de desconfiança. Trata-se, certamente, de cambiantes assaz voláteis e susceptíveis de mudança, de surpresas e de novas situações um pouco semelhantes às que se podem encontrar em época de política instável. E é quase impossível prognosticar evoluções futuras em tal situação.

Verificamos nos bastidores do Vaticano uma certa tentativa de revisão dos desenvolvimentos dos últimos decênios, uma vontade de alguns em corrigir o desvio, mas continua sendo evidente que os princípios que governam a Roma atual são bem e sempre os da atualização do Concílio, iguais aos que pudemos experimentar nos últimos quarenta anos. Nos documentos oficiais e na linha geral, não vemos uma revisão desses princípios; bem pelo contrário, repisam-nos que o movimento introduzido pelo Vaticano II seria irreversível, o que nos obriga a perguntarmo-nos de onde provém a mudança de atitude a nosso respeito. A resposta encontra-se, desde logo, sem exclusão de outras explicações, na visão pluralista e ecumênica que reina, para futuro, no mundo da catolicidade. Ora, esta visão acaba por passar ao lado de todo o mundo, sem requerer, hoje em dia, nenhuma conversão, como disse o Card. Kasper sobre os ortodoxos e mesmo sobre os judeus. é evidente que, ante tal perspectiva, se encontrará também um pequeno lugar para a Tradição, mas... Não podemos aceitar tal visão, como o professor não pode aceitar pluralismo em matemática.

Virá um dia, estamos absolutamente certos, em que Roma regressará à sua Tradição, em que a honrará, e nós chamamos, com todo o nosso coração, esse dia bendito. Mas, por agora, não estamos ainda tão avançados, e qualquer ilusão seria mortal para a nossa sociedade. Podemos verificá-lo examinando os acontecimentos de Campos.

Para fazer o ponto da situação, queremos sublinhar dois elementos de mudança em Campos: a evolução da atitude de Campos em relação às autoridades romanas, depois do acordo; e, em conseqüência, a distância que cada vez mais nos afasta de Campos, com todas as divergências que isso implica.

Mudanças em Campos
ampos, pelo seu mentor Dom Rifan clama em todas as direções que nada mudou, que os padres da Administração Apostólica permanecem tão tradicionalistas como outrora, além de que é essencial o que lhes foi concebido, e a razão da sua adesão à proposta romana: a ratificação da posição tradicionalista.
Eis o que, da nossa parte, pudemos observar. Notemos, desde já, que não ignoramos que, num diferendo, o homem tende a tomar como verdade o que é em detrimento do seu próximo. Há, certamente, falsos rumores que circulam a respeito dos nossos antigos amigos, tais como: “Dom Rifan celebrou a nova Missa”, ou ainda: «Campos abandonou tudo».

é importante para a História, e para a nossa conduta, o apoio sobre uma verdade tão estabelecida quanto possível. Eis, então, alguns elementos desta natureza:

1. No site Internet de Campos, encontra-se exposta a posição de Campos sobre a questão do ecumenismo. Ora, sobre este assunto, é afirmada a adesão ao magistério do passado, como ao do presente. Ali se encontram citações de Mortalim Animos de Pio XI, ao lado de Redemptoris Missio de João Paulo II. é forçoso verificar que foi feita uma escolha: citam-se passagens tradicionalistas, não se diz nada das outras passagens que introduzem perspectivas muito diferentes sobre a questão. Ali se lê: «Como somos católicos, não temos doutrina própria e especial. A nossa doutrina é exclusivamente a do Magistério da Igreja, do qual publicamos os extratos de alguns documentos antigos e novos, referindo-se, sobretudo a alguns pontos da doutrina católica que correm hoje um perigo maior».

2. Esta atitude de duplicidade implícita tornou-se como que a norma na nova situação em que se encontram: sublinham-se os pontos do pontificado atual que aparecem favoráveis, passam-se em silêncio reverente os que não são... Poderá dizer-se o que se quiser: em 18 de Janeiro de 2002, em Campos, não houve apenas o reconhecimento unilateral de Campos por Roma, como alguns pretendem, mas existe uma contrapartida: a cumplicidade do silêncio. Aliás, como poderia ser de outro modo? é evidente que, agora, em Campos eles têm alguma coisa a perder, e têm medo de perder essa alguma coisa, e que, para não a perderem, foi escolhido o caminho do compromisso. «Nós, os brasileiros, somos homens de paz. Vós, os franceses, bateis-vos sempre». Para ter paz com Roma, é preciso cessar de se bater. Já não se olha mais para a situação global da Igreja, está-se satisfeito com o gesto romano a um pequeno grupo de 25 padres, para se dizer que a situação de necessidade já não existe na Igreja, porque com a concessão de um bispo tradicional, foi criada uma nova situação de Direito... Por uma árvore, esqueceu-se a floresta.

3. Dom Rifan, durante uma breve estadia na Europa, foi visitar D. Gérard, a quem apresentou as suas desculpas. Numa conferência perante os monges da abadia, expôs a existência de duas fases na vida de Dom Castro Mayer: a primeira seria a de um bispo dócil e respeitoso da hierarquia, a segunda, após 1981, a de um homem da Igreja muito mais duro... «Escolhemos o primeiro», dirá aos monges, dos quais alguns ficaram pelo menos surpreendidos com estas palavras; um deles abandonará o mosteiro para se juntar a nós.

4. Neste contexto, a nova Missa é adequada. Abandonam-se as 62 razões que rejeitam a nova Missa, acha-se que se for bem celebrada, é válida...(o que nenhum de nós nega, mas não é este o problema). Já não se diz que não se pode a ela assistir, por que é má, perigosa... Dom Rifan dirá, numa justificação da sua posição sobre a Missa: «Assim, rejeitamos os que querem usar a Missa Tradicional como uma bandeira para contestar ou ultrajar a autoridade hierárquica da Igreja legitimamente constituída. Aderimos à Missa Tradicional, não com espírito de contradição, mas como clara e legítima expressão da nossa fé católica (...)». Isto faz pensar numa palavra cardinalícia: «Vós sois pela antiga Missa, a Fraternidade São Pedro é contra a nova. Não é a mesma coisa». Este argumento justificava a ação de Roma contra o Padre Bisig e, quase simultaneamente, as aproximações favoráveis à Fraternidade São Pio X. Uma distinção tão curiosa torna-se realidade, e neste caminho se compromete Campos: pela antiga, mas não contra a nova. Pela Tradição, mas não contra a Roma moderna. “Sustentamos que o Concílio não pode estar em contradição com a Tradição”, acaba de declarar Dom Rifan a uma revista francesa, Famille Chrétienne. E, contudo, desse Concílio, um famoso cardeal disse que foi o 89 (1) na Igreja. E Dom Castro Mayer...

Assim, pouco a pouco, o combate esfuma-se e acaba-se por se acomodar à situação. Em Campos mesmo, tudo o que é positivamente tradicional é decerto conservado; portanto os fiéis não vêem mudanças, exceto os mais sagazes, que notam a tendência em falar mais e respeitosamente das declarações e acontecimentos da atualidade romana, omitindo as prevenções de outrora e os desvios de hoje; o grande perigo é, então, acabar por se acomodar à situação e não mais tentar remediá-la. Por nós, antes de nos abalançarmos, queremos a certeza da vontade de Roma de apoiar a Tradição, os sinais de uma conversão.

Afastamento da Fraternidade
aralelamente a este desenvolvimento psicológico, infelizmente bem previsível, que faz com que os padres de Campos, apesar dos seus dizeres, estejam fora de combate, é preciso notar outro fenômeno, o da crescente hostilidade entre nós. Dom Rifan ainda diz que quer ser nosso amigo, enquanto que padres de Campos nos acusam já de sermos cismáticos, pois que não aceitamos o seu acordo...
Um pouco como o barco que chegou ao meio do rio e, levado pela corrente, se distancia da margem, docemente, assim vemos, em vários indícios, uma separação entre nós cada vez maior. Advertimos Campos desse grande perigo, nada quiseram ouvir. Como não querem remar contra a corrente, conservam no interior da barca uma atitude semelhante à que tinham anteriormente, o que dá a impressão de nada ter mudado; entretanto afastam-se de nós, manifestam cada vez mais uma adesão ao Magistério atual, contrária à atitude que tiveram até aqui, e que nós, pelo contrário, mantemos, quer dizer, uma sã crítica do presente sob o olhar do passado.

Resumindo, devemos afirmar que Campos, apesar da sua recriminação, lentamente, sob a conduta do seu novo bispo, se amolda ao espírito conciliar. De momento, Roma não exige mais.

Talvez se objete que os nossos argumentos são bem fracos, subtis, e não têm peso perante a oferta romana de regularizar a nossa situação. Respondemos que, considerada abstratamente, in abstracto, a proposta de Administração Apostólica é tão magnífica como o plano de uma bela casa, proposto por um arquiteto. A verdadeira questão e o verdadeiro problema não está aí, mas no concreto: em que terreno será construída a casa? Nas areias movediças do Vaticano II, ou sobre o rochedo da Tradição que remonta ao primeiro dos Apóstolos?

Para assegurar o futuro, somos obrigados a pedir a Roma de hoje clareza sobre a sua adesão à Roma de ontem. Quando as autoridades tiverem claramente reafirmado em fatos e regressado efetivamente ao «Nihil novi nisi quod traditum est», então, “nós” não mais seremos um problema. E suplicamos a Deus que apresse o dia em que toda a Igreja reflorescerá, tendo redescoberto o segredo da sua passada força, liberta desse pensamento do qual Paulo VI dizia «que é o tipo não católico. Pode ser que prevaleça. Nunca será a Igreja. é preciso que fique um pequeno rebanho, por ínfimo que seja.»

Vida interna da Fraternidade
ueremos também vos dar conhecimento da nossa vida “interna”, fazer-vos participar um pouco das nossas alegrias e trabalhos apostólicos. E aproveitamos esta carta para vos descrever um pouco as nossas atividades nos países de missão. é verdade que hoje quase todos os países, em particular na nossa velha Europa, estão prestes a tornar-se países de missão... Os nossos padres, nas suas viagens apostólicas, visitam mais de 65 países, em alguns dos quais ainda sofrem hoje perseguição direta.
Mas como nos alongamos muito, limitar-nos-emos aqui a dois novos campos de apostolado. Vistamos-los mais ou menos esporadicamente desde há anos, mas recentemente cremos ver neles uma espantosa abertura: a Lituânia e o Quênia.

A fim de melhor organizar o nosso apostolado na Rússia e na Bielorrússia, estabelecemos uma testa de ponte na Lituânia, país que sofreu bastante com a perseguição comunista russa, e onde o catolicismo se manteve heroicamente. Caída a cortina de ferro, os países do Leste receberam com bastante ingenuidade as novidades vaticânicas, persuadidos de que o que vinha do Ocidente devia ser bom... Estes países alcançam em pouco tempo o estado desastroso provocado pelas reformas. A reação não é visível, é passiva, não passa à ação. Mas os nossos confrades descobrem, através de uma língua difícil, um terreno que se anuncia fértil para a Tradição, mais do que as primeiras áridas experiências permitiam esperar. Recebidos com uma severa prevenção do episcopado como saudação de boas vindas, os nossos confrades descobrem vários padres desejosos de se unirem a nós. Explicam-nos a censura episcopal: os bispos temem que os fiéis se unam a nós em massa... Eis que uma misteriosa e pequena congregação feminina se aproxima de nós. O Cardeal Vincentas Sladkevicius, falecido em 28 de maio de 2000, Arcebispo Emérito de Kaunas, fundador dessa congregação, deixou-lhe a palavra de ordem: «Quando a Fraternidade São Pio X vier, juntai-vos a ela. é dela que virá a restauração da Igreja na Lituânia.» Possamos nós estar à altura! Que Deus nos ajude com a sua graça. As grandes cidades têm agora o seu pequeno centro de Missa, mas o interesse, ainda discreto, é cada dia mais premente.

O Quênia recebe a visita esporádica dos padres da Fraternidade desde há vinte e cinco anos... Subitamente, descobrimos a existência de um grupo de 1.500 fiéis, organizados na sua luta e recusa da comunhão na mão e em pé. Os primeiros contatos mostram à evidência que não se trata somente do modo de comungar, mas de toda uma atitude tradicional. Descobrimos também numerosas religiosas que abandonaram as suas diversas congregações ou delas foram expulsas, por causa da sua recusa das reformas conciliares. Vivendo no mundo, permaneceram fiéis aos seus votos. Agora, dezesseis delas dirigem-se a nós, para que lhes demos a possibilidade de viverem de novo em comunidade.

Um jovem padre diz-nos: «Se construirdes aqui uma capela, a catedral vai esvaziar-se. Quando visito os fiéis, estes me dizem: 'Por que mudaram a nossa Igreja? Diga a Missa como dantes!' Mas eu não conheço essa Missa, não sei como era a Igreja anteriormente. Quando o pergunto aos padres mais velhos, tratam-me mal. Poderíeis ensinar-me a celebrar a antiga Missa? Posso visitar-vos para aprender?» Um outro padre, também ele jovem, declara com uma entoação que diz muito: «Esta noite anotarei no meu diário: a minha primeira Missa tridentina.»

Como podem as autoridades da Igreja ser insensíveis a estes apelos das almas sedentas de graça e de vida católica? Sob a cinza e as ruínas pós Vaticano II, há ainda uma brasa católica tradicional, que quer inflamar-se de novo. A Igreja não morre, Deus vela por ela. Praza a Deus que possamos ser seus dóceis instrumentos, que espalhemos o fogo que o seu Coração ardia em espalhar no mundo inteiro.

Mas vós bem o sabeis, queridos fiéis, particularmente vós, que nós não podemos servir tanto como quereríamos; quanta falta temos de padres! Orai, pedi ao dono da seara que envie numerosos trabalhadores para o seu campo apostólico.

Neste início de novo ano, confiamo-vos, cheios de gratidão e dizendo-vos um caloroso obrigado pela vossa generosidade sem falta, esta intenção de oração pelos padres, pelo sacerdócio católico. Deus vos abençoe e a todas as vossas famílias, abundantemente, com todas as suas graças.
 
Epifania, 2003

† Bernard Fellay

FSSPX: O estado atual das relações entre a FSSPX e Roma

Operação Memória: a entrevista do Superior Geral da FSSPX a DICI, em 6 de setembro de 2012.

Entrevista de Dom Bernard Fellay sobre o estado atual das relações entre Fraternidade São Pio X e Roma.



DICI: O senhor está preocupado com a demora na resposta de Roma, que poderia permitir àqueles que são contrários a um reconhecimento canônico afastar sacerdotes e fiéis da Fraternidade São Pio X?

Dom Fellay: Tudo está nas mãos de Deus. Confio em Deus e em sua Divina Providência, que sabe conduzir tudo, inclusive as demoras, para o bem dos que O amam.

DICI: A decisão do Papa foi postergada como disseram algumas revistas? A Santa Sé o fez saber algo sobre um atraso?

Dom Fellay: Não, não tive conhecimento de qualquer programação. Inclusive há alguns que dizem que o Papa avaliará esta questão em Castel Gandolfo, em julho.

DICI: A maioria dos que se opõe à aceitação por parte da Fraternidade de um eventual reconhecimento canônico ressalta que os debates doutrinais só poderiam conduzir a esta aceitação [canônica] se tivessem terminado com uma solução doutrinal, isto é, uma “conversão” de Roma. A sua posição sobre este ponto mudou?

Dom Fellay: Devemos reconhecer que estas reuniões foram uma oportunidade para expor os diversos problemas com que nos deparamos diante do Concílio Vaticano II. O que mudou é que Roma já não faz de uma plena aceitação do Concílio uma condição para a solução canônica. Hoje em dia, em Roma, alguns consideram que uma compreensão diferente do Concílio não é determinante para o futuro da Igreja, pois a Igreja não é só o Concílio. De fato, a Igreja não se limita ao Concílio, ela é muito maior. Portanto, é necessário se dedicar a resolver problemas maiores. Esta tomada de consciência pode nos ajudar a entender o que realmente está acontecendo: somos chamados a ajudar a levar aos demais o tesouro da Tradição que pudemos conservar.
Assim, pois, é a atitude da Igreja oficial que mudou, e não nós. Não fomos nós quem pedimos um acordo, é o Papa que quer nos reconhecer. Podemos, então, nos perguntar o porque desta mudança. Ainda não estamos de acordo doutrinariamente e, no entanto, o Papa quer nos reconhecer! Por que? A resposta é: há problemas tremendamente importantes na Igreja de hoje. Devemos fazer frente a estes problemas. Devemos deixar de lado problemas secundários e fazer frente a problemas maiores. Esta é a resposta de um ou outro prelado romano, mas jamais o dirão abertamente; é necessário ler nas entrelinhas para entender.
As autoridades oficiais não querem reconhecer os erros do Concílio. Elas nunca o dirão de maneira explícita. Contudo, se lemos nas entrelinhas, podemos ver que querem remediar alguns destes erros. Eis um exemplo interessante sobre o sacerdócio. Vocês sabem que desde o Concílio tem havido uma nova concepção do sacerdócio, que demoliu a imagem do sacerdote. Hoje vemos claramente que as autoridades romanas procuram restaurar a verdadeira concepção do sacerdote. Já havíamos observado isso claramente durante o Ano Sacerdotal, que ocorreu em 2010-2011. Agora a festa do Sagrado Coração é o dia dedicado à santificação dos sacerdotes. Nesta ocasião, uma carta foi publicada e um exame de consciência foi composto para os sacerdotes. Alguém poderia pensar que foram buscar este exame de consciência em Écône, visto que está claramente em consonância com a espiritualidade pré-conciliar. Esta revisão oferece a imagem tradicional do sacerdote, e até de seu papel na Igreja. É este o papel que Dom Lefebvre afirma quando descreve a missão da Fraternidade: restaurar a Igreja através da restauração do sacerdote.
A carta diz: “A Igreja e o mundo não podem ser santificados senão pela santidade do sacerdote”. Realmente, o sacerdote é colocado no centro. O exame de consciência começa com esta pergunta: “A santificação é a principal preocupação do sacerdote?”. Segunda pergunta: “O Santo Sacrifício da Missa — que é a palavra que usam, não a Eucaristia, a Synaxis ou qualquer outra coisa — é o centro da vida do sacerdote?”. Então são recordadas as finalidades da Missa: o louvor a Deus, a oração, a reparação dos pecados… dizem tudo. O sacerdote deve se imolar — a palavra “imolar-se” não é usada, mas “dar-se”, sacrificar-se para salvar as almas. Tudo está dito. Depois vem a evocação dos novíssimos: “Pensa o sacerdote frequentemente nos seus novíssimos? Pensa em pedir a graça da perseverança final? Recorda isso aos fiéis? Visita os moribundos para lhes dar a extrema-unção?”. Vê-se como, habilmente, este documento romano recorda claramente a ideia tradicional do sacerdote.
Certamente, isso não elimina os problemas, e ainda há graves dificuldades na Igreja: o ecumenismo, Assis, a liberdade religiosa… mas o contexto está mudando; e não só o contexto, mas a própria situação… Eu distinguiria entre as relações exteriores e a situação interna. As relações com o mundo exterior ainda não mudaram, mas o que acontece na Igreja, as autoridades romanas estão procurando mudar pouco a pouco. Obviamente, ainda segue existindo um desastre maior, devemos ser conscientes, e não dizemos o contrário, mas também é necessário ver o que se está fazendo. Este exame de consciência para os sacerdotes é um exemplo significativo.

DICI: O senhor reconhece que sérias dificuldades permanecem sobre o ecumenismo, a liberdade religiosa… Havendo um reconhecimento canônico, qual seria sua atitude diante destes problemas? Não se sentiria obrigado a manter uma certa discrição?

Dom Fellay: Permita-me responder a sua pergunta com três perguntas: As novidades que se introduziram durante o Concílio foram o começo de um maior desenvolvimento da Igreja, de vocações e da prática religiosa? Não constatamos, muito pelo contrário, uma forma de “apostasia silenciosa” em todos os países cristãos? Podemos nos calar diante destes problemas?
Se queremos fazer frutificar o tesouro da Tradição para o bem das almas, devemos falar e atuar. Necessitamos dessa dupla liberdade de expressão e de ação. Mas eu desconfiaria de uma denúncia puramente verbal dos erros doutrinais; denúncia bem mais polêmica dado que é somente verbal.
Com o realismo que lhe era peculiar, Dom Lefebvre reconhecia que as autoridades romanas e diocesanas seriam mais sensíveis aos números e aos fatos apresentados pela Fraternidade São Pio X do que aos argumentos teológicos. É por isso que não temo afirmar que se ocorresse um reconhecimento, as dificuldades doutrinais seriam sempre ressaltadas por nós, mas com a ajuda de uma lição dada pelos próprios fatos, sinais tangíveis da vitalidade da Tradição. E por isso, como eu já dizia em 2006 sobre as etapas de nosso diálogo com Roma, devemos ter “fé na Missa Tradicional, esta Missa que exige a integridade da doutrina e dos sacramentos, promessa de toda fecundidade espiritual das almas”.

DICI: 2012 não é 1988, ano de sua sagração episcopal. Em 2009 foram levantadas as excomunhões, em 2007 se reconheceu oficialmente que a Missa Tridentina “nunca havia sido ab-rogada”, mas agora alguns membros da Fraternidade deploram que a igreja ainda não se tenha convertido. O rechaço a priori por parte deles de um reconhecimento canônico se deve a 40 anos de uma situação excepcional que resulta em uma má interpretação da submissão à autoridade?

Dom Fellay: O que está acontecendo nestes dias mostra claramente alguns de nossos pontos fracos diante dos perigos que foram criados pela situação em que estamos. Um dos principais perigos é inventar uma noção da Igreja que parece ideal, mas que não se situa de fato na verdadeira história da Igreja. Alguns argumentam que para trabalhar “com segurança” na Igreja, em primeiro lugar, ela deve limpar-se de todo erro. Ora, os santos reformadores não a abandonaram para lutar contra estes erros. Nosso Senhor nos ensinou que sempre haverá cizânia, até o fim dos tempos. Não só a erva boa, não só o trigo.
Nos tempos dos arianos, os bispos trabalharam em meio aos erros para convencer da verdade os que estavam equivocados. Não disseram que queriam estar fora, como alguns dizem hoje. Sem dúvida, sempre há que ter cuidado com as expressões “fora”, “dentro”, porque somos da Igreja, somos católicos. Mas, por este motivo podemos nos negar a convencer aqueles que estão na Igreja, sob o pretexto de que estão cheios de erros? Vejamos o que fizeram os santos! Se Deus nos permite estar em uma situação nova, em um combate corpo a corpo a serviço da verdade… Esta é a realidade que nos apresenta a história da Igreja. O Evangelho compara o cristão ao fermento, e queremos que a Missa cresça sem estar dentro da massa?
Nesta situação, apresentada por alguns como uma situação impossível, nos é pedido trabalhar como fizeram todos os santos reformadores de todos os tempos. Certamente, isso não elimina o perigo. Porém, se temos a liberdade suficiente de atuar, de viver e de crescer, é necessário fazê-lo. Realmente, creio que isso deva ser feito, sempre e quando tenhamos a proteção suficiente.

DICI: O senhor crê que há membros da Fraternidade que, conscientemente ou não, abraçam teorias sedevacantistas? Tem medo de sua influência?

Dom Fellay: Certamente alguns podem estar influenciados por essas ideias, isso não é novo. Eu não creio que sejam tão numerosos, mas podem causar dano, sobretudo mediante a difusão de falsos rumores. Mas realmente creio que a principal preocupação entre nós é antes a questão da confiança nas autoridades romanas, temendo que o que possa acontecer seja uma cilada. Pessoalmente, estou convencido de que este não é o caso.
Entre nós há desconfiança de Roma, porque sofremos muitas decepções, por isso cremos que possa se tratar de uma cilada. É certo que nossos inimigos podem pensar em utilizar esta oferta como uma cilada, mas o Papa, que realmente quer este reconhecimento canônico, não o oferece como uma cilada.

DICI: Várias vezes o senhor repetiu que o Papa quer pessoalmente o reconhecimento canônico da Fraternidade. O senhor recebeu uma confirmação pessoal e recente do mesmo Papa de que é realmente sua vontade?

Dom Fellay: Sim, é o Papa quem quer, e eu o disse várias vezes. Tenho detalhes suficientes em meu poder para afirmar que o que digo é certo, embora não tenha tido nenhum trato direto com o Papa, mas com os seus mais próximos colaboradores.

DICI: Sobre a carta de 7 de abril, assinada pelos outros três bispos da Fraternidade, infelizmente publicada na internet: a análise que ela apresenta corresponde à situação da Igreja?

Dom Fellay: Sobre a posição deles, não excluo a possibilidade de uma evolução. A primeira questão para nós, que fomos sagrados por Dom Lefebvre, foi a da sobrevivência da Tradição. Creio que sim, meus confrades veem e compreendem que em direito e em fatos há na proposta romana uma verdadeira oportunidade para a Fraternidade de “restaurar todas as coisas em Cristo”, apesar de todos os problemas que permanecem na Igreja hoje, então eles poderão reajustar seu juízo — isto é, com o estatuto canônico em mãos e os fatos diante de seus olhos. Sim, eu creio, espero. E devemos rezar por esta intenção.

DICI: Alguns em todo o mundo, incluindo membros da Fraternidade, utilizaram passagens de uma entrevista que o senhor deu à Catholic News Service; estas passagens sugerem que a seus olhos a Dignitatis Humanae já não apresenta dificuldades. A maneira como esta entrevista foi feita alterou o significado do que o senhor quis expressar? Qual é a sua posição sobre esta questão em comparação com o que Dom Lefebvre ensinava?

Dom Fellay: Minha posição é a da Fraternidade e Dom Lefebvre. Como de costume, em um assunto muito delicado, é necessário fazer distinções; e algumas destas distinções desapareceram da entrevista de televisão que foi reduzida a menos de 6 minutos. Mas o relato escrito que a CNS fez de meus comentários reestabelece o que disse e que não foi conservado na versão difundida: “Apesar de Dom Fellay se negar a assumir a interpretação (da liberdade religiosa) por Bento XVI como em continuidade com a Tradição da Igreja — uma posição que muitos na Igreja têm discutido duramente –, Dom Fellay falou da ideia em termos surpreendentemente simpáticos”. Na realidade, eu somente recordei que já existe uma solução tradicional ao problema da liberdade religiosa e que se chama tolerância. Sobre o Concílio, quando me fizeram a pergunta: “O Vaticano II pertence à Tradição?”, respondi: “Quisera esperar que assim fosse” (que em uma tradução defeituosa ao francês se transformou em “Espero que sim”). Isso está na linha das distinções feitas por Dom Lefebvre de ler o Concílio à luz da Tradição: o que está de acordo com a Tradição, aceitamos; o que é duvidoso, entendemos como a Tradição sempre ensinou; o que é contrário, rechaçamos.

DICI: Uma Prelazia pessoal é a estrutura canônica que o senhor indicou em declarações recentes. Pois bem, no Código [de Direito Canônico], o cânon 297 requer não somente informar mas também obter a autorização dos bispos diocesanos para fundar uma obra em seu território. Se bem que é claro que qualquer reconhecimento canônico preservará nosso apostolado em seu estado atual, o senhor está disposto a aceitar que as obras futuras não sejam possíveis senão com a permissão do bispo nas dioceses onde a Fraternidade São Pio X atualmente não está presente?

Dom Fellay: Há muita confusão sobre este tema, e é causada principalmente por uma má interpretação da natureza de uma Prelazia pessoal, assim como por um desconhecimento da relação normal entre o Ordinário local e a Prelazia. Acrescente-se a isso o fato de que a única referência disponível atualmente sobre uma Prelazia pessoal seja o Opus Dei. No entanto, sejamos claros, se uma prelazia pessoal nos fosse dada, nossa situação não seria a mesma. Para entender melhor o que aconteceria, creio que nossa situação seria muito mais similar a de um Ordinariato Militar, porque teríamos uma jurisdição ordinária sobre os fiéis. Seríamos como uma espécie de diocese cuja jurisdição se estende a todos os seus fiéis, independentemente de sua situação territorial.
Todas as capelas, igrejas, priorados, escolas e obras da Fraternidade e das Congregações religiosas amigas seriam reconhecidas com uma verdadeira autonomia para exercer o seu ministério.
Continua sendo certo — como é o direito da Igreja — que para abrir uma nova capela ou fundar uma nova obra, seria necessário contar com a permissão do Ordinário local. Seguramente, temos mostrado a Roma como nossa situação atual é difícil nas dioceses, e Roma continua trabalhando nisso. Aqui ou ali, esta dificuldade será real, mas desde quando a vida é sem dificuldades? O mais provável é que também tenhamos o problema oposto, ou seja, que não sejamos capazes de responder aos pedidos que virão de bispos amigos. Penso em algum bispo que poderia nos pedir que nos encarregássemos da formação dos futuros sacerdotes de sua diocese.
De maneira alguma nossas relações seriam as de uma Congregação religiosa com um bispo, mas antes as de um bispo com outro bispo, assim como ocorre com os ucranianos ou os armênios da diáspora. E se, então, um problema não pôde ser resolvido, ele irá a Roma, e então haveria uma intervenção romana para resolver o problema.
Diga-se de passagem, o que se informou através da internet a respeito de meus comentários sobre este tema na Áustria, no mês passado, é completamente falso.

DICI: Se houver um reconhecimento canônico, o que acontecerá com as capelas amigas da Fraternidade independentes das dioceses? Os bispos da Fraternidade continuarão a administrar a Confirmação, a fornecer os Santos Óleos?

Dom Fellay: Se trabalharem conosco, não haverá problema: será igual agora. Se não, tudo dependerá do que estas capelas entendem por independência.

DICI: Haverá alguma diferença em suas relações com as comunidades Ecclesia Dei?

Dom Fellay: A primeira diferença é que eles se verão obrigados a deixar de nos tratar como cismáticos. Sobre um desenvolvimento futuro, é claro que alguns se aproximarão de nós, dado que já nos aprovam discretamente; outros não. O tempo nos dirá como se desempenhará a Tradição nesta nova situação. Temos grandes expectativas para o apostolado tradicional, assim como algumas pessoas importantes em Roma e o próprio Papa. Temos grandes esperanças de que a Tradição se desenvolva com a nossa chegada.

DICI: Ainda se houver um reconhecimento canônico, o senhor dará a oportunidade aos cardeais da Cúria, aos bispos, de visitar nossas capelas, celebrar Missa, administrar Confirmações, talvez até conferir as ordenações nos seminários?

Dom Fellay: Os bispos favoráveis à Tradição, os cardeais conservadores vão se aproximar. Há todo um desenvolvimento a prever, sem conhecer os detalhes específicos. E sem dúvida também haverá dificuldades, que é bastante normal. Não há dúvida de que virão nos visitar, mas para trabalhar de forma mais precisa, como a celebração da Missa ou as ordenações, isso dependerá das circunstâncias. Assim como queremos que a Tradição cresça, esperamos que a Tradição progrida entre os bispos e cardeais. Um dia tudo será harmoniosamente tradicional, mas quanto tempo será necessário? Só Deus sabe.

DICI: Na espera da decisão de Roma, quais são as suas disposições internas? Quais o senhor desejaria aos padres e fiéis apegados à Tradição?

Dom Fellay: Quando em 1988, Dom Lefebvre anunciou que consagraria quatro bispos, alguns o animaram a fazê-lo e outros trataram de dissuadí-lo. Porém, nosso fundador manteve a paz, porque ele não tinha em vista senão a vontade de Deus e o bem da Igreja. Hoje em dia, devemos ter as mesmas disposições interiores. Como seu santo patrono, a Fraternidade São Pio X deseja “restaurar todas as coisas em Cristo”, alguns dizem que não é a hora, outros, pelo contrário, que é o momento adequado. De minha parte, só sei uma coisa: sempre é o momento para fazer a vontade de Deus e sabemos que Ele nos faz conhecê-la no momento oportuno, sempre e quando nos mostramos receptivos às Suas inspirações. Por isso, pedi aos sacerdotes renovar a consagração da Fraternidade São Pio X ao Sagrado Coração de Jesus, em sua festa, 15 de junho próximo, e prepará-la com uma novena, durante a qual se recitarão as ladainhas do Sagrado Coração em todas as nossas casas. Todos podem se unir pedindo a graça de se converter em instrumentos dóceis da restauração de todas as coisas em Cristo. (DICI Nº 256, de DICI 08/06/12).

Fonte: DICI 
Tradução e publicação: Fratres in Unum.com
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