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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O Privilégio Sabatino & as Trinta Missas Gregorianas

O Privilégio Sabatino & as Trinta Missas Gregorianas



Por Dr. Remi Amelunxen
Traduzido por Andrea Patrícia

 

Nossa Senhora oferece alívio e liberta
almas que sofrem no Purgatório
O Privilégio Sabatino é baseado na Bula Sacratissimo uti culmine, do Papa João XXII, de 3 de março de 1322, emitida 71 anos após Nossa Senhora ter aparecido a São Simão Stock e ter entregado-lhe o Escapulário do Carmo, também conhecido na América como Escapulário Marrom (aqui também). 

Nesta Bula, o Papa declarou que a Mãe de Deus apareceu a ele e lhe recomendou urgentemente a Confraria da Ordem Carmelita. Ela pediu ao Papa para ratificar, como Vigário de Cristo na terra, as indulgências que Nosso Senhor já havia garantido no Céu para os membros da Ordem Carmelita que morreram usando seu Escapulário. Estas foram indulgências plenárias para os membros da Ordem Carmelita e uma indulgência parcial para os membros da Confraria.

Então, a Mãe Santíssima afirmou que ela desceria do Céu ao Purgatório no Sábado após suas mortes e libertaria e conduziria ao Céu todos os que estavam no Purgatório que haviam ganho este privilégio. Desta promessa de ser libertado do Purgatório no Sábado seguinte vem seu nome, Privilégio Sabatino, pois "Sábado" em Latim é Sabbatum.


O Papa João XXII escreveu no fim da Bula: “Esta santa indulgência eu portanto aceito; eu confirmo e ratifico na terra, assim como Jesus Cristo graciosamente garantiu no Céu, em consideração aos méritos da Virgem Maria.”

Este Privilégio Sabatino foi aprovado e confirmado por 16 Papas, incluindo São Pio V (1566). Uma das mais claras explicações da assistência prometida às almas no Purgatório que preenchiam as condições do Privilégio Sabatino é encontrada num decreto do Papa Paulo V, comunicado no ano 1613:

"É lícito aos Padres Carmelitas pregar que os católicos podem crer piedosamente no auxílio prometido às almas dos irmãos e membros da Confraria da Virgem Maria do Monte Carmelo, a saber, que a Virgem Maria irá assistir por suas contínuas intercessões, sufrágios e méritos e ainda por sua especial proteção, particularmente no primeiro Sábado (cujo dia foi consagrado a Ela pela Igreja) após a morte, às almas dos irmãos e membros da Confraria que, deixando esta vida, em caridade devem ter usado o hábito [Escapulário] e devem ter observado a castidade de acordo com o seu particular estado de vida, e também tenham recitado o Pequeno Ofício ou, se incapazes de ler, tenham mantido os jejuns da Igreja, e tenham se abstido do consumo de carne às Quartas-feiras e Sábados, a menos que a Festa da Natividade de Nosso Senhor caia num desses dias."

O Papa Bento XIV [biografia na nota 6] declarou que os fieis devem confiar no Privilégio Sabatino e que nem a Bula original nem a aparição da Mãe Santíssima podem ser contestados (Opera omnia, 1767).

O Privilégio Sabatino, dessa maneira, consiste essencialmente na libertação antecipada do Purgatório através da intercessão especial e petição de Nossa Senhora no dia consagrado a Ela, Sábado. (1)

As condições do Privilégio

Muitas pessoas têm a ideia errônea de que qualquer um que morre usando o Escapulário Marrom irá para o Purgatório e será libertado por Nossa Senhora no primeiro Sábado após sua morte. Este não é o caso.  



Alguns Escapulários sugerem erroneamente
que apenas usar o Escapulário Marrom
merece o Privilégio Sabatino.
O Privilégio Sabatino afirma claramente que a libertação antecipada do Purgatório é aplicada apenas àqueles que usam o Escapulário e preenchem outras condições. As condições do Privilégio Sabatino são três:
1. O uso do Escapulário Marrom de Nossa Senhora do Monte Carmelo. O usuário deve ter o Escapulário oficialmente imposto. Esta recepção oficial é feita por um Sacerdote que coloca o Escapulário na pessoa e, então, recita uma oração particular. É necessário fazer isso apenas uma vez na vida;

2. Viver uma vida de castidade de acordo com o seu estado de vida;

3. A recitação diária do Pequeno Ofício da Virgem Maria.

Em vez de recitar o Pequeno Ofício, as pessoas que não podem ler podem observar todos os jejuns observados pela Igreja Católica e, em adição, abster-se de carne em todas as Quartas-feiras e Sábados do ano, exceto quando o Natal cair em um desses dias.

A faculdade de mudar essa condição para ganhar o privilégio foi garantida a todos os confessores pelo Papa Leão XIII, no Decreto da Congregação das Indulgências, de junho de 1901. De acordo com este decreto, qualquer padre com faculdades diocesanas pode comutar a recitação do Pequeno Ofício por alguma obra piedosa, normalmente a recitação diária das 15 dezenas do Rosário. A maioria dos leigos simplesmente pede a um padre que aprove esta substituição.

Portanto, é importante não apenas usar o Escapulário, mas também preencher as outras condições do Privilégio. Nossa Senhora revelou ao Venerável Dominic de Jesus e Maria [1559-1630]: "Embora muitos usem meu Escapulário, apenas poucos preenchem as condições para o Privilégio Sabatino."

O Privilégio Sabatino ainda está em vigor?

Alega-se atualmente que como o Privilégio Sabatino não é mais listado no Enchiridion Indulgentiarum (lista de indulgências) da Igreja, e como todas as indulgências de tempos passados foram explicitamente sub-rogadas pelo atual Enchiridion [pós-CVII], alguns concluem que o Privilégio Sabatino também foi sub-rogado. Contudo a Raccolta delle orazioni e pie opere per le quali sono sono concedute dai Sommi Pontefici le SS. Indulgenze, ou mais simplesmente Raccolta, ainda está em vigor, pois pertence à Tradição bimilenar da Igreja. 

A Hierarquia apóstata de hoje criou este estratagema progressista contra as indulgências para criar confusão entre os católicos e tornar a Igreja Católica mais parecida com o Protestantismo – que odeia todas as indulgências – bem como para denegrir e destruir tudo o que é Sagrado.

A sólida e contínua aprovação do Privilégio Sabatino por tantos Papas no passado dá aos fieis católicos confiança de que será efetivo para sempre e encoraja-os a adotar esta sã tradição. Como a Bula do Papa João XXII explicou, o Privilégio Sabatino é simplesmente a ratificação na terra das indulgências que Nosso Senhor Jesus Cristo já garantiu no Céu. Claramente, isso não pode ser ab-rogado tão facilmente.

É opinião deste autor que os Sacerdotes devem fazer com que o Privilégio Sabatino seja mais conhecido, e os católicos devem abraçar esta oportunidade de uma grande graça concedida a nós pela nossa Mãe Santíssima.

As Trinta Missas Gregorianas

Como o Privilégio Sabatino, as Trinta Missas Gregorianas referem-se à libertação das almas do Purgatório através da assistência de Nossa Senhora. (2)
 

Inspirado pelo Espírito Santo,
o Papa São Gregório concedeu-nos o privilégio
das Trinta Missas Gregorianas
A prática das Trinta Missas Gregorianas foi fundada pelo Papa Gregório, o Grande, em 590 d.C. no Monastério Santo André em Roma. Ele estabeleceu que 30 Missas oferecidas em 30 dias consecutivos sem interrupção libertam uma alma específica do Purgatório. As verificações históricas da eficácia das Trinta Missas Gregorianas são impressionantes.

Esta prática piedosa estabelecida por São Gregório, o Grande, fala muito em seu favor. Este santo não apenas nos deu o Sacramentário Gregoriano (que é essencialmente a Missa do modo como sempre foi rezada, e tornou-se conhecida hoje como Missa Tridentina), como também fez a consolidação das orações universais católicas pelos mortos.

As Trinta Missas Gregorianas têm sido largamente usadas em Monastérios Beneditinos desde o início da Idade Média. Apenas as Festas de Natal, Páscoa e o Tríduo da Semana Santa, quando caem entre as trinta Missas, podem interrompê-las sem quebrar o privilégio.

As Missas Gregorianas são frequentemente oferecidas num altar privilegiado, embora isso não seja obrigatório. Quando a prática começou, ela era limitada somente às Missas rezadas no altar do Monastério Santo André em Roma, usado por São Gregório quando ele era Abade de Santo André. Mais tarde, este mesmo privilégio foi estendido a outros altares em Roma, e então por toda parte. O Papa Leão XIII declarou que uma única Missa no altar privilegiado é equivalente às Trinta Missas Gregorianas.

As Trinta Gregorianas caem em desuso

Em seu artigo Thirty Gregorian Masses, Pe. Stephen Somerville responde à questão sobre por que esta prática foi descontinuada após o Vaticano II. Ele não acredita que ela foi colocada de lado por razões práticas. Em vez disso, ele afirma:

“O Ecumenismo provavelmente trabalha para fazer com que a prática das Trinta Missas passe despercebida ou que seja descontinuada. Trata-se de um lembrete ousado e enfático da doutrina do Purgatório e da importância das orações e Missas rezadas pelos fieis falecidos, coisas que estão fora da crença protestante, e portanto aptas a levantar a fúria protestante.”

A maioria dos jovens sacerdotes nem mesmo sabem o que são as Trinta Missas Gregorianas.

Hoje, encontrar padres ou monastérios que rezem as Trinta Missas consecutivamente pode ser difícil, mas é possível (clique aqui e aqui). [N. Trad.: No Brasil, clique aqui e informe-se]

Como o Privilégio Sabatino, as Trinta Missas Gregorianas são uma tradição longamente honrada da Igreja que oferece alívio as almas do Purgatório. Como fieis católicos ao Magistério da Igreja, nós devemos fazer tudo para ajudar estas Pobres Almas, especialmente aquelas de nossos familiares e amigos.

Que seja concedido o Eterno descanso a elas, Oh Senhor, e que a luz perpétua brilhe sobre elas. Que possam descansar em paz. Amen.

  1. The Catholic Encyclopedia, Albany NY: JB Lyon Co., 1912, vol. XIII, p. 289-290
  2. Leia [em inglês] o excelente artigo do padre Stephen Somerville the Thirty Gregorian Masses no website [TIA].


Original aqui

Fonte e tradução: http://borboletasaoluar.blogspot.com.br/2014/08/o-privilegio-sabatino-as-trinta-missas.html
Acrescentei alguns links e informações entre colchetes. 





Onde adquirir o escapulário: http://edicoescristorei.wixsite.com/editoramcr/escapularios


Leia sobre ESCAPULÁRIOS: http://precantur.blogspot.com/2016/08/o-assunto-e-escapulario-marrom.html




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