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quarta-feira, 11 de março de 2015

Motu Proprio Bonum Sane - São José Patrono da Igreja


MOTU PROPRIO

BONUM SANE

A DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ,

HÁ MEIO SÉCULO PATRONO DA IGREJA CATÓLICA 



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SS PAPA BENTO XV


Foi uma coisa boa e salutar para o povo cristão que Pio IX, Nosso Predecessor de imortal memória, conferisse a José, o castíssimo Esposo da Virgem Mãe de Deus e Guarda do Encarnado, o título de Patrono da Igreja Católica, e, visto que em dezembro próximo recorre o quinquagésimo aniversário do feliz acontecimento, nos parece muito útil que ele venha celebrado de modo solene por todo o mundo.

Se olharmos com atenção a este últimos cinquenta anos, apresenta-se a nossos olhos uma longa série de pias instituições as quais atestam que o culto ao Santíssimo Patriarca foi gradualmente crescendo até hoje entre os fieis de Cristo. Se, então, consideramos as calamidades pelas quais é afligido, hoje, o gênero humano, parece ainda mais necessário que tal culto seja consideravelmente aumentado entre os povos e ainda mais difundido em todo lugar.


De fato, depois da tensão tão grave da guerra, em Nossa recente Encíclica, "acerca da reconciliação da paz cristã", indicamos o que faltava para restabelecer em todo lugar a tranquilidade da ordem, considerando particularmente as relações que decorrem entre os povos e entre os indivíduos no campo civil. Agora, se faz necessário considerar uma outra causa de perturbação, muito mais profunda, que se aninha exatamente nas íntimas vísceras da sociedade humana. Isto é, o flagelo da guerra se abateu sobre as pessoas humanas justamente naquele momento quando elas já eram profundamente infectadas pelo naturalismo, aquela grande peste do século que, onde floresce, atenua o desejo dos bens celestes, apaga a chama da divina caridade e subtrai o homem da graça de Cristo que cura e eleva e — tendo-lhe tirado o lume da Fé e tendo-lhe deixado apenas as corrompidas forças da natureza — o abandona à mercê das mais desenfreadas paixões. Assim acontece que muitíssimos se empenharam apenas na conquista dos bens terrenos; e, quando já havia se exacerbado a disputa entre proletários e patrões, este ódio de classes aumentou ainda mais com a duração e a atrocidade da guerra, que, se de um lado provocou um desconforto econômico intolerável às massas, por outro fez afluir fortunas fabulosas nas mãos de pouquíssimos
.

Acresça-se a isso que a santidade da fé conjugal e o respeito à autoridade paterna foram, por muitos, não pouco vulnerados por causa da guerra; seja porque o afastamento de um dos cônjuges tenha afrouxado no outro o vínculo do dever, seja porque a ausência de um olhar vigilante tenha oportunizado a ocasião para a imprudência, especialmente por parte das mulheres, de viver a seu próprio talante e muito livremente. Por isso, devemos constatar com verdadeira dor que, agora, os costumes públicos são muito mais depravados e corrompidos que antes, e que, portanto, a chamada "questão social" foi se agravando a ponto tal de originar ruínas irreparáveis. De fato, amadureceu-se nos desejos e nas expectativas dos mais sediciosos o advento de uma certa república universal, a qual seria fundada sobre a igualdade absoluta entre os homens e sobre a comunhão dos bens, e na qual não haveria mais distinção alguma de nacionalidade, não se reconheceria a autoridade do pai sobre os filhos, nem do poder público sobre os cidadãos, nem de Deus sobre os homens reunidos em um consórcio civil. Uma série de coisas que, se implementadas, dariam lugar a tremendas convulsões sociais, como a que agora está assolando uma nada pequena parte da Europa. E Nós vemos que, justamente para criar também entre os outros povos um tal estado de coisas, as plebes são excitadas pelo furor e a impudência de uns poucos, e aqui e ali se verificam repetidamente alguns tumultos.

Nós, portanto, preocupados acima de tudo com o rumo desses acontecimentos, não deixamos, quando tivemos a ocasião, de lembrar aos filhos da Igreja o seu dever, como fizemos recentemente com a carta endereçada ao Bispo de Bérgamo e aos Bispos da região do Veneto. E agora, pelo mesmo motivo, isto é, para lembrar, de nossa parte, o dever aos todos homens de todo lugar, que ganham o pão com o trabalho, para conservá-los imunes ao contágio do socialismo, o inimigo acérrimo dos princípios cristãos, Nós, com grande solicitude, lhes propomos, em modo particular, São José, para que o sigam como guia especial deles e o honrem qual celeste Patrono.

Ele, de fato, viveu uma vida parecida à deles, tanto é verdade que Jesus Deus, mesmo sendo o Unigênito do Pai eterno, quis ser chamado "o Filho do carpinteiro". Mas de quais e quantas virtudes soube adornar aquela sua humilde e pobre condição! Sobretudo daquelas virtudes que deviam resplandecer no esposo de Maria Imaculada e no pai putativo do Senhor Jesus. Por isso, que todos na escola de José aprendam a considerar as coisas presentes, que passam, à luz das futuras, que duram eternas; e, consolando as inevitáveis dificuldades da condição humana com a esperança dos bens celestes, a estes aspirem obedecendo à divina vontade, vivendo sobriamente, segundo os ditames da justiça e da piedade. No que diz respeito especialmente aos operários, Nós apraz aqui reportar as palavras que proclamou em uma análoga circunstância o Nosso Predecessor de feliz memória, Leão XIII, uma vez que elas são tão oportunas que nada poderia, a Nosso parecer, ser dito melhor sobre o assunto: "Diante dessas considerações, os pobres e todos os que ganham a vida com o trabalho das mãos devem elevar a alma e pensar retamente. E se é verdade que a justiça permite que possam libertar-se da pobreza e ascender a melhor condição, a estes, todavia, nem a razão nem a justiça permitem perturbar a ordem estabelecida pela providência de Deus. Pelo contrário, passar à violência e praticar agressões generalizadas e tumultos é um sistema louco que muitas vezes agrava os próprios males que se gostaria de diminuir. Portanto, os proletários, se têm bom senso, não confiem nas promessas de gente sediciosa, mas nos exemplos e no patrocínio do beato José, e na materna caridade da Igreja, a qual, todos os dias, tem por eles um zelo sempre maior" (1).

Assim, o florescer da devoção dos fieis a São José aumentará contemporaneamente, por consequência, o culto deles à Sagrada Família de Nazareth, da qual foi o augusto Chefe, brotando espontaneamente as duas devoções uma da outra. De fato, através José nós vamos diretamente a Maria, à origem de toda santidade, Jesus, o qual consagrou as virtudes domésticas com sua obediência a José e a Maria. Nós, portanto, desejamos que as famílias cristãs se inspirem totalmente a estes maravilhosos exemplos de virtude, e se adequem. De tal forma, visto que a família é o fulcro e a base do humano consórcio, reforçando a sociedade doméstica com a defesa da santa pureza, da concórdia e da fidelidade, com isso mesmo um novo vigor e, diríamos, quase um novo sangue circulará pelas veias da sociedade humana, por obra da virtude de Cristo; e seguirá disso não apenas uma melhora dos costumes privados, mas também da disciplina da vida comunitária e civil.

Portanto, Nós, cheios de confiança no patrocínio daquele em cuja providente vigilância Deus quis confiar a custódia do seu Unigênito Encarnado e da Virgem Mãe de Deus, vivamente exortamos todos os Bispos do mundo católico para que, em tempos tão tempestuosos para a Cristandade, induzam os fieis a implorar com maior empenho o válido auxílio de São José. E visto que muitos são os modos aprovados por esta Sé Apostólica com que se pode venerar o Santo Patriarca, especialmente em todas as quartas-feiras do ano e durante todo o mês a Ele consagrado, Nós queremos que, a critério de cada Bispo, todas essas devoções, porquanto possível, sejam praticadas em todas as dioceses. Mas em modo particular, visto que Ele é meritoriamente tido o mais eficaz protetor dos moribundos, tendo expirado com a assistência de Jesus e de Maria, irão cuidar os sagrados Pastores de inculcar e favorecer com todo o prestígio de sua autoridade aqueles pios sodalícios que foram instituídos para suplicar José em favor dos moribundos, como os "da Boa Morte", do "Trânsito de São José" e "pelos Agonizante".

Para comemorar, então, o supracitado Decreto Pontifício, ordenamos e impomos que dentro de um ano, a começar do dia 8 de Dezembro próximo, em todo o mundo católico se celebre, em honra de São José, Esposo da Beata Maria Virgem, Patrono da Igreja Católica, uma solene função, como e quando crerá oportuno cada Bispo: a todos os que assistirão a ela Nós concedemos, desde já, com as condições costumeiras, a Indulgência Plenária.
 
Dado em Roma, junto a São Pedro, no dia 25 de Julho, festa de São Tiago Apóstolo, 1920, no ano sexto de Nosso Pontificado


BENEDICTUS PP. XV 



(1) Epist. Encycl. Quamquam pluries. 374
Observação: O texto foi traduzido por mim do texto italiano publicado no site do Vaticano, que tem tb uma versão em latim. O traduzi porque não gostei das traduções que li pela web. É, contudo, uma versão não oficial.

Vide também: A superioridade de São José sobre todos os outros Santos de Fr. Reg. Garrigou-Lagrange O.P. e Documentos Pontifícios sobre São José
 
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