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domingo, 30 de junho de 2013

25º Aniversário de Consagração Episcopal de Mons. Richard Williamson, FSSPX



uma palavra de gratidão é o mínimo que devemos a este homem de Igreja!

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365 Frases de Santos Carmelitas VIII

365 FRASES DE SANTOS CARMELITAS VIII


... continuação


181. Faze cada coisa como se houvesses de morrer depois de havê-la feito. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus)

182. Se alguém vier lhe pedir um serviço faça tudo o que depender de você para fazê-lo mesmo que lhe custe muito, mas nunca diga não. Se visse Deus em cada um de seus irmãos, nunca recusaria nada, pelo contrário, procuraria adivinhar antes de pedirem, eis a verdadeira caridade. (Santa Teresinha do Menino Jesus)

183. Oh! Se soubesses as ternuras que encerra seu adorável Coração! Como não amá-lo até o delírio, como não desprezar tudo perante o espetáculo de seus encantos e belezas infinitas? (Santa Teresa dos Andes)

184. A oração consola, fortalece, anima, levanta para o céu, faz conhecer a Deus, ensina-nos a nos conhecer. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus)

185. Toma a Deus por esposo e amigo com quem andes constantemente e não pecarás, e saberás amar, e as coisas necessárias sucederão prosperamente para ti. (São João da Cruz)

186. Ele é um Deus de amor. Nós não podemos compreender até onde chega seu amor particularmente quando nos prova. (Beata Elizabete da Trindade )

187. Não há melhor meio para descobrir as insídias do demônio e obrigá-lo a dar-se a conhecer, do que o da oração. (Santa Teresa de Jesus)

188. Ó, Coração de Jesus, tesouro de ternura, és tu minha felicidade, minha única esperança. (Santa Teresinha do Menino Jesus)

189. Companheiro nosso no SS. Sacramento, que parece não estava na sua mão, apartar-se de nós, um só momento! Com tão bom Amigo presente, tudo se pode sofrer. É ajuda e dá força; nunca falta. (Santa Teresa de Jesus)

190. Para poder nos dar a Deus com amor devemos reconhecê-lo como Aquele que ama. (Santa Teresa Benedita da Cruz)

191. Vejo o Senhor carregado de tesouros do seu amor procurando almas vazias onde possa depositá-las. (Beata Maria Maravilhas de Jesus )

192. Na oração, a grande lei é a da liberdade interior. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus)

193. Quisera que visses em Jesus, no Verbo, o amor que nos demonstrou. Olhemos nEle somente seu amor, já que Deus é amor. O amor é sua essência, no amor se encontram todas as suas perfeições infinitas. (Santa Teresa dos Andes)

194. O amor sabe tirar proveito de tudo; do bem e do mal que encontra em nós. (Santa Teresinha do Menino Jesus)

195. Viver submergidos em humildade é viver submergidos em Deus, porque Deus é o fundo desse abismo. (Beata Elizabete da Trindade )

196. Que te aproveita dar a Deus uma coisa se Ele te pede outra? Considera o que Deus quer e faze-o, que assim satisfarás melhor o teu coração do que com aquilo a que te inclinas. (São João da Cruz)

197. “Ama o teu próximo como a ti mesmo”, é o tomado sem reservas nem reduções. O meu próximo não é aquele que me é simpático, mas é aquele que está junto de mim, sem exceção alguma. (Santa Teresa Benedita da Cruz )

198. Como havemos de tratar com o Senhor e que delicadezas de amor Lhe devemos já que, “amor com amor se paga!” (Beata Maria Maravilhas de Jesus )

199. Cada dia que passa compreendo melhor que “só Deus basta”. Esta é a máxima que tenho sobre minha cruz. Que seja também a tua. Busca a Ele e encontrarás tudo…(Santa Teresa dos Andes )

200. Que boa escola de humildade e desprendimento é a oração. Faz-nos caminhar em plena paz no meio da tempestade. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus)

201. Aconteça o que acontecer, permaneçamos abraçados à cruz, que é sempre um grande evento. (Santa Teresa de Jesus)

202. É preciso que o amor de Deus seja tão grande que chegue a extinguir por completo nosso amor próprio. (Beata Elizabete da Trindade )

203. Jesus vive já em meu coração. Procuro unir-me, assemelhar-me e confundir-me nEle. Sou uma gota d’água que hei de perder-me no Oceano Infinito. (Santa Teresa dos Andes)

204. Também tenho muitas distrações durante a oração, mas logo que me dou conta, rezo pelas pessoas que ocupam minha imaginação e assim elas aproveitam das minhas distrações. (Santa Teresinha do Menino Jesus)

205. Se na hora da conta te hás de lamentar por não teres empregado este tempo no serviço de Deus, por que não o ordenas e empregas agora como o quererás tê-lo feito quando estiveres morrendo? (São João da Cruz)

206. Um bom meio para orar continuamente é amar e ter a convicção e a lembrança sempre atual de que se é amado. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus)

207. Quantas coisas passaram, mas Cristo não passa. (Beata Maria Maravilhas de Jesus )

208. Deus tem cuidado dos nossos interesses muito mais do que nós mesmos, sabendo o que convém. (Santa Teresa de Jesus)

209. Quanto mais se resiste no silêncio, menos se sente o mal. (Santa Teresa Benedita da Cruz)

210. A pureza de intenção, a simplicidade, nos dará a herança que o Senhor nos preparou na eternidade. (Beata Elizabete da Trindade)


CONTINUA...

sábado, 29 de junho de 2013

HOMENAGEM A MONSENHOR WILLIAMSON PELO 25º ANIVERSÁRIO DE SUA CONSAGRAÇÃO EPISCOPAL

O único que permaneceu fiel!



clique para ampliar



Já é dia 30 de junho em Londres!
Parabéns, Monsenhor!!!




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RESISTÊNCIA: Declaração conjunta sobre o 25º Aniversário das Consagrações Episcopais

Publicamos a declaração abaixo, dos zelosos Padres da Resistência, acerca do 25º Aniversário das Consagrações Episcopais em Ecône. Publicamos principalmente por estarmos de acordo com o seu inteiro teor que subscrevemos. 

"Porém se vos desagrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: (...) Porque, quanto a mim, eu e minha casa serviremos o Senhor". (Josué 24, 15)


DECLARAÇÃO DA RESISTÊNCIA DA FSSPX 

NO 25º ANIVERSÁRIO DAS CONSAGRAÇÕES EPISCOPAIS



Vienna, Virginia, EUA - 29 de junho de 2013


Ao celebrarmos o 25º aniversário da heroica decisão de Monsenhor Lefebvre, em 1988, de consagrar bispos verdadeiramente Católicos para a defesa da Fé católica e para a preservação dos Sacramentos válidos da devastação da Igreja criada pelo desastroso Concílio Vaticano II, um grupo de sacerdotes expressam seu alarme diante da mesma devastação que se está criando na Fraternidade São Pio X, e resolveram conjuntamente fazer todos os esforços para proteger a Igreja e a Fraternidade contra este novo perigo.

Assim como as autoridades romanas têm utilizado os últimos 50 anos para tentar reconciliar a Igreja com o mundo, e particularmente através da liberdade religiosa e do ecumenismo do Concílio Vaticano II, o Superior Geral da Fraternidade durante os últimos 15 anos tem feito todo o possível para promover o sonho perverso da conciliação da Tradição católica com a Roma Conciliar. Por exemplo, a Declaração de 27 de junho de 2013, mais uma vez, deixa a porta aberta à reabertura das negociações com a Roma Conciliar. (Cf. n º 11)

O resultado dessa tentativa de reconciliar o irreconciliável dentro da Fraternidade São Pio X tem sido a perseguição aos bons sacerdotes, a ruína progressiva do trabalho do Arcebispo e o comprometimento da salvação eterna de inúmeras almas. Isso ocorre porque a Fraternidade São Pio X foi, durante muitos anos, uma âncora da verdadeira fé de toda a Igreja, e agora a âncora se quebrou. E, assim como as autoridades do Vaticano perderam a confiança de muitos fiéis católicos por causa de suas ambiguidades, duplicidade de linguagem e mentiras, agora as autoridades liberais da Fraternidade São Pio X estão perdendo toda a confiança de muitos católicos tradicionais por sua traição à Tradição .

Agora, o que pode fazer um pequeno e disperso grupo de sacerdotes para salvar a situação? Deus salvará a Sua Igreja pela conversão do Papa quando sua Mãe obtiver, finalmente, a consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração. No entanto, a verdade não é uma questão de maioria, e por isso nos fixamos o programa do Arcebispo:

"A Santíssima Virgem sairá vitoriosa, Ela vencerá a grande apostasia fruto do liberalismo. Uma razão para não ficarmos de braços cruzados! Devemos lutar mais do que nunca pelo Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Neste combate não estamos sós; temos conosco todos os Papas até Pio XII inclusive. Todos combateram o liberalismo para salvaguardar a Igreja. Deus não permitiu que lograssem, mas isto não é uma razão para abaixar as armas! É necessário resistir, é necessário construir enquanto outros destroem. É preciso reconstruir as cidadelas destruídas, reconstruir os baluartes da fé. Primeiro o Santo Sacrifício da Missa de sempre, forjador de santos. Depois, nossas capelas que são na verdade nossas paróquias, os mosteiros, as famílias numerosas, as escolas católicas, as empresas fiéis à doutrina social da Igreja, os homens políticos decididos a fazer a política de Jesus Cristo. Devemos restaurar um conjunto de costumes, vida social e reflexos cristãos, com a amplitude e duração que Deus disponha. Tudo o que eu sei, a fé nos ensina, é que Nosso Senhor Jesus Cristo deve reinar neste mundo, agora e não apenas no fim do mundo, coo quiseram os liberais!

Enquanto eles destroem, nós temos a felicidade de construir. Felicidade maior ainda porque gerações de jovens sacerdotes participam com zelo desta tarefa da reconstrução da Igreja para a salvação das almas." (Do Liberalismo à Apostasia - A Tragédia Conciliar. Capítulo XXXIV.)


S.E. Mons. Richard Williamson FSSPX
R.P. Joseph Pfeiffer FSSPX
R.P. Tomas de Aquino O.S.B.
R.P. Jahir FBMV
R.P. Jean-Michel Faure FSSPX
R.P. Ronald Ringrose
R.P. Juan Carlos Ortiz FSSPX
R.P. Hugo Ruiz FSSPX
R.P. Ernesto Cardozo FSSPX
R.P. Joaquim FBMV
R.P. Richard Voigt FSSPX
R.P. David Hewko FSSPX
R.P. François Chazal FSSPX
R.P. Valan Rajakumar FSSPX
R.P. Patrick Girouard FSSPX
R.P. René Trincado FSSPX
R.P. Olivier Rioult FSSPX
R.P. Rafael OSB
R.P. Edgardo Suelo FSSPX
Ir. Placide OSB
Ir. Andrés OSB


Fonte: Non Possumus.
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento.

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NEO-IGREJA: A questão do brasão do Papa

PRIMO PIANO

Ele renunciou espontaneamente ao pontificado, mas agora quer continuar mantendo os símbolos

RATZINGER QUER MANTER O BRASÃO

Foi infrutífera a missão do Cardeal Montezemolo

por Marco Bertoncini

“Santo Padre, após haver renunciado ao pontificado, não pensa em mudar o brasão?”. “Obrigado, não pretendo mudá-lo”. Este é o resumo da tentativa feita pelo cardeal Andrea Cordero Lanza di Montezemolo  junto a Bento XVI para que mudasse o brasão usado de 2005 a 2013, passando a adotar um novo, relacionado com a situação (inesperada e com precedentes limitados e perdidos no tempo) de pontífice emérito. É o próprio prelado, especialista em heráldica eclesiástica, quem dá a notícia no fascículo n. 113 da revista Nobiltà, no artigo “Um novo brasão para um papa emérito”. 

O Cardeal Montezemolo havia preparado o brasão para o Papa Bento, logo após sua eleição. Daquele primeiro, assevera, o pontífice emérito deveria abandonar os símbolos “que lhe competiam apena por causa do ofício, ou da dignidade, que agora abandonou”. Portanto, sairiam as grandes chaves cruzadas [decussate, em italiano, ou seja, em forma de cruz de Santo André], símbolo da jurisdição petrina que já não exerce mais. No máximo, elas poderiam figurar no interior do novo brasão, no topo. De fato, poderia, ao contrário, permanecer a mitra, introduzida pelo próprio Bento XVI no lugar da tiara, símbolo habitual dos papas ao longo dos séculos. A mitra, de fato, simboliza a ordem episcopal: hoje, Ratzinger permanece bispo; alias, para alguns ele deveria ter assumido o título de “bispo emérito de Roma” e não de “pontífice emérito”. De acordo com Mons. Montezemolo, no entanto, reduzir-se-ia a “um simples logo”, evidentemente insuficiente para quem esteve no comando da Igreja. Sai, portanto, também a mitra.

Quem é o primeiro?

A este artigo, que recebi em mãos, mas desconheço o autor (quem for e quiser se identificar me avise), se junta outro que publicarei em seguida, “Ratzinger quer conservar o brasão”. São peças de um puzzle que será bem compreendido por muitos quando for tarde demais. Nos dias que se seguiram à eleição de Bergoglio, houve uma série de entrevistas e reportagens na mídia, como era de se esperar. Lembro que a GloboNew chamou para um debate alguns heréticos, entre os quais o indefectível Leonardo Boff, o qual explicou como a Teologia da Libertação entende o Papado”, e que “eles” esperavam exatamente isso do Bergoglio, e que veremos coisas ainda mais espantosas! Em suma, pelo que me lembro, para eles, deve mesmo haver uma separação entre o “Papa” e o “Bispo de Roma”; este seria algo como o presidente da Conferência Episcopal Italiana, e aquele seria o chefe visível da Igreja, algo como a Rainha Elisabeth. Cada País teria sua própria "igreja", administrada e comandada in loco, ou seja, a doutrina católica mudaria de País a País, conforme a cultura e a vontade popular. O elo de ligação entre as igrejas “locais” seria justamente o Papa, mas sem poder algum de mando ou decisão sobre a igreja como um todo, à moda dos protestantes. A esta igreja, dom Fellay queria quer nos arrastar.

Well, só nos resta esperar. 


Giulia d'Amore di Ugento






QUEM É O PRIMEIRO? Na publicação oficial de 2013 do Vaticano, Ratzinger permanece “Sommo Pontefice”, enquanto Bergoglio tem o mero título de “Bispo de Roma”.

Francisco-Bergoglio aprovou a inclusão de Bento- Ratzinger no Annuario Pontificio Oficial de 2013 como “Sumo Pontífice Emérito”, enquanto ele mesmo tem o mero título de “Bispo de Roma”. Este abandonou até mesmo a assinatura papal e assina simplesmente “Francesco”. Mais uma vez, Bergoglio parece não querer se apresentar, sem hesitação, como “Papa”.

De acordo com a publicação oficial do Vaticano temos um Papa, porém seu nome não é Francisco, mas Bento. A edição de 2013 do Annuario Pontificio, uma espécie de “quem é quem” da Santa Sé e da Igreja Católica, que saiu com dois meses de atraso em 23 de maio próximo passado (Domingo da Santíssima Trindade), designa Bento-Ratzinger como “Sumo Pontífice”, ainda que “Emérito”, enquanto Bergoglio-Francisco é designado meramente como “Bispo de Roma”.

Na edição de 2012, Bento-Ratzinger era designado como “Vigário de Jesus Cristo, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Sumo Pontífice da Igreja Universal, Primaz da Itália, Arcebispo e Metropolitano da Província de Roma, Soberano da Cidade-Estado do Vaticano, Servo dos Servos de Deus”. Para Bergoglio, os outros títulos foram relegados a um lugar inferior, fora da página principal. Na edição de 2012, Bento-Ratzinger assinava o seu retrato oficial como “Benedictus PP XVI”. Na edição de 2013, Bergoglio assina somente “Francesco”.   

Houve um grande alvoroço no Neo-Vaticano sobre como chamar Ratzinger quando ele se tornou o Ex-Neo-Papa. Não queriam chamá-lo de "ex-Papa", provavelmente porque soaria muito parecido com "ex-esposa". Mas as autoridades do Neo-Vaticano estavam preocupadas em evitar a impressão de que haveria dois Neo-Papas na Neo-Igreja, o que resultaria em desorientação nos fiéis" - que veio a ser conhecida como “la questione dei due Papi”, a questão dos dois Papas.

Mas a decisão de Bergoglio foi exatamente na direção oposta. Ele, pessoalmente, aprovou o Anuário Pontifício 2013 que dá a Ratzinger o título papal de "Sumo Pontífice Emérito", enquanto Bergoglio autointitula-se simplesmente "Bispo de Roma", o que quase parece ser uma posição inferior. Tampouco usa a assinatura papal tradicional em seu retrato, mas mas apenas "Francesco", uma variação do "Chamem-me Jorge". [Algumas informações para este comentário foram contribuição do Serviço de Informação do Vaticano.]

Análise:

Esta notícia pode ter duas interpretações:

a) O Papa Francisco tomou a decisão baseado na sua propagada (pela mídia) humildade e para a manter falada, ou por simples ingenuidade. Mas...
b) Em prospectiva, pode se tratar de mais um passo na realização dos desígnios do CVII e dos últimos Papas: federação de todas as Igrejas Cristãs (e até as não-Cristãs – veja-se Assis) sob a presidência do Papa. Assim:
c) O Bispo de Roma seria o chefe dos Católicos;
d) O Papa (desta vez ainda emérito) seria o presidente da federação das religiões (o velho sonho maçônico).

Aguardemos o desenvolvimento e outros comentários a esta parte do Annuario Pontificio 2013.


original: http://www.traditio.com/comment/com1305.htm (dia 23 de maio).
em italiano: http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1350523.

Tradução ignorada
Revisão do blog Pale Ideas.
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A PRIMAZIA DE DEUS.

O que aconteceu no Alverne durante o mês de setembro de 1224, e as Chagas impressas na carne de nosso Pai São Francisco, significam e manifestam mais que tudo que Deus é Senhor. Deus se apoderou do Homenzinho de Assis e nele agiu como quis. Esta realidade eterna e irremovível de que “Deus é Senhor” é o fundamento de tudo em nossa vida natural e na vida da graça: sem ela, tudo é obscuro; com ela, tudo é luz. São Francisco assim entendeu o senhorio de Deus e o aceitou com júbilo e reconhecimento: fez desta realidade o ponto de referência constante de tudo em sua vida. Nunca mais do que no Alverne. Possuímos a respeito uma informação excepcional, do próprio punho de São Francisco, um documento escrito no Alverne depois da estigmatização, ainda no vértice da experiência mística: a “Chartula quam dedit fr. Leoni”. Diz-nos o que Deus era para ele:

Chartula quam dedit fr. Leoni


Vós sois o santo Senhor e Deus único, que operais maravilhas.
Vós sois o forte.
Vós sois o grande.
Vós sois o Altíssimo.
Vós sois o Rei onipotente, santo Pai, Rei do céu e da terra.
Vós sois o Trino e Uno, Senhor e Deus, Bem universal.
Vós sois o Bem, o Bem universal, o sumo Bem, Senhor e Deus, vivo e verdadeiro.
Vós sois a delícia do amor.
Vós sois a Sabedoria.
Vós sois a Humildade.
Vós sois a Paciência.
Vós sois a Segurança.
Vós sois o Descanso.
Vós sois a Alegria e o Júbilo.
Vós sois a Justiça e a Temperança.
Vós sois a Plenitude e a Riqueza.
Vós sois a Beleza.
Vós sois a Mansidão.
Vós sois o Protetor.
Vós sois o Guarda e o Defensor.
Vós sois a Fortaleza.
Vós sois o Alívio.
Vós sois nossa Esperança.
Vós sois nossa Fé.
Vós sois nossa inefável Doçura.
Vós sois nossa eterna Vida, ó grande e maravilhoso Deus, Senhor.

Opuscula S. P. Franciscj, Quaracchi 1949, p. 124-125. Os Escritos, p. 179-180. 



Fonte: http://www.franciscanos.org.br/?page_id=21142.
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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Ramalhete Espiritual para o Monsenhor Richard Williamson

É necessário rezar mesmo por Williamson, que sofre do mesmo mal de Fellay, se encantou com o canto da serei pós-conciliar. 

PERCEPÇÃO – NOVO ARTIGO DO PADRE PATRICK GIROUARD.

Publicamos o artigo do Padre Girouard, acerca da crise na FSSPX. Palavras contundentes, no estilo sim sim, não não que não temos visto sob o comando de Bernard Fellay. Nas notas de tradução comentei alguma coisa, mas permitam-me fazê-lo aqui, mais amplamente. Acabo de ler e traduzir este texto e fiquei surpresa - nem sei por que - em perceber que tivemos a mesma "percepção", o Pe. Girouard e eu - de alguns aspectos:  "medo, a cegueira sobrenatural, a confusão de ideias (...), o agir nas trevas, a invasão de contas de e-mails, a perseguição a sacerdotes e fiéis 'descontentes', as expulsões". Eu também entendo que há, sim, uma cegueira intelectual voluntária, mas, para mim, é devido ao orgulho e à arrogância. Não querem dar o braço a torcer. No Brasil, particularmente, admitir que "o rei está nu" significaria "aliar-se" a pessoas com as quais se tem pendências pessoais, que nada tem a ver com doutrina ou fé. E todos nós sabem muito bem disso. Trata-se de fomentar o partidarismo que tanto criticam e praticam largamente. Alguém que acabou de "chegar" à Tradição me disse que ficou escandalizado com esse tipo de atitude, impensável em um ambiente que pretende ser de defensores da Fé e da Verdade, de verdadeiros católicos. Mas devo admitir que do lado de cá também escasseiam as virtudes, vencidas que são, em ambos os lados, pelo amor de si mesmo acima do amor de Deus. Vender tudo o que se possui, pegar a cruz e seguir andando atrás de Cristo parece relativamente fácil, mas renunciar a si mesmo... isso é outra história! 

Muitos ainda guardam a esperança de que algo possa ser salvo na (Neo)FSSPX, que basta substituir o Conselho Geral e recomeçar de onde se parou. Ledo engano. Se, por um lado, errou o rei (Conselho Geral), errou também o súdito que obedeceu sabendo que aquele estava errando. Há algo de podre no reino da Menzingen, e essa podridão comprometeu a estrutura da FSSPX como um todo. Durante esses últimos 15 anos, que tipo de sacerdote os seminários têm formado? O que se ensina lá? Quantos sacerdotes e até que ponto se mantêm realmente fiéis à missão que lhes foi confiada por Monsenhor Lefebvre? Até onde o câncer do modernismo adentrou o organismo da FSSPX? Até quando estão dispostos a combater pela Fé se reclamam de que "isso" está demorando, de que podem nos excomungar de novo (tomara!)... Ou se já adquiriram os vícios dos padres modernistas e já se recusam, por exemplo, a atender a um pedido para uma missa de corpo presente porque "estou em meu dia de folga"!!! 

Alguns, nos acusando - a nós! - de não crermos no sobrenatural, apelam à Divina Providência como se fosse o Mago Merlin! Se fosse assim, deveríamos todos sentar na beira da calçada e deixar a Providência agir. Mas eu pergunto a meus botões: se a Providência não age em Roma... porque agiria em Menzingen? Quem é que não crê na Divina Providência aqui? E... de novo a arrogância do acordistas que irrompe feito avalanche!!!

Enfim, hoje eu recebi algumas frases (nem lembro de quem e de onde, portanto me perdoem as generosas almas) que quero compartilhar. Façam bom proveito! 


  • Vou me tornar seu inimigo, porque te conto a verdade? – São Paulo aos Gálatas, 4; 16
  • Se vos tenho falado das coisas terrenas e não me credes, como crereis se vos falar das celestiais? - São João, 3;12
  • Examinai tudo: abraçai o que é bom. - I Tess 5; 21
  • Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada. - São Mateus, 10; 34-36
  • Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te. - Apocalipse, 3; 16



PERCEPÇÃO



Quando eu falo com as pessoas, muitos me perguntam a mesma coisa: “Mas Padre, por quê Monsenhor Fellay está fazendo isso? Por quê ele, e os outros Superiores, seguem esta nova estratégia com Roma?”.

Claro que, para responder com certeza completa e absoluta, eu teria de ser Deus. Mas, como Ele me escolheu para ser Seu ministro aqui na Terra, devo fazer o meu melhor para colocar alguma luz sobre esta questão.

Pelo que eu pude reunir de diversas fontes, os superiores da Fraternidade, e aqueles que os seguem, acreditam que a obtenção da “normalização canônica”, um “reconhecimento oficial” pelas autoridades romanas, teria por objeto alcançar mais almas e poder ajuda-las a alcançar a sua salvação eterna. (Eles parecem esquecer que já existem nove Comunidades que assinaram um acordo a quem estas almas podem se dirigir.) Para Monsenhor Fellay e seus seguidores, tal “regularização” repararia também uma injustiça perpetrada contra a FSSPX. Estes dois motivos parecem ser bons e dignos de louvor. As pessoas boas se sentem atraídas por boas razões.

Antes de lidar com o primeiro motivo, que é o tema deste editorial, permitam-me rapidamente despachar a questão da reparação da “injustiça” perpetrada contra nós: Desde quando o fato de ser rejeitado por pessoas más tornou-se uma injustiça para as pessoas boas? Ser rejeitado por hereges e pervertidos não soa nada mal para mim. Aliás, eu diria que me fizeram um favor. Os modernistas e pervertidos de Roma não me tiraram o ser Católico, apenas me deram a alegria de receber uma das bem-aventuranças reveladas por Nosso Senhor: sofrer perseguição por causa da justiça. Por quê eu quereria ser despojado desta bem-aventurança?

Prossigamos com nossa argumentação. Se fôssemos analisar seriamente ambos os motivos, entenderíamos que eles têm um fundamento ralo e não podem resistir a um escrutínio. Na verdade, esses motivos têm origem no desejo de que a FSSPX pudesse um dia ser percebida pelas pessoas como pertencente à “igreja” oficial. Em outras palavras, toda a crise que temos vivido nos últimos 15 anos, desde a fundação do Grupo de Reflexão entre Católicos (GREC), é baseada em uma questão de PERCEPÇÃO, ou seja, a maneira como as outras pessoas nos veem.

Este Grupo de Reflexão entre Católicos, fundado em 1997, entre outros, pelo Padre Alain Lorans (administrador do DICI) e pelo pai do novus ordo, Michel Lelong, tem como objetivo oficial alcançar a reconciliação entre a FSSPX e a Roma conciliar. O Padre Lorans fundou o grupo com a bênção de Monsenhor Fellay, mantendo-o informado acerca de seu trabalho. Eu tenho o livro escrito pelo Padre Lelong, onde detalha a história do grupo. Entre outras coisas, diz que o GREC sugeriu à Fraternidade que pedisse às autoridades romanas que lhe concedessem dois sinais de boa vontade que ajudariam a alcançar a futura reconciliação: (1) a “liberalização” da missa antiga, (2) o levantamento das “excomunhões”. O GREC também sugeriu que a FSSPX deixasse de (1) criticar tão severamente as autoridades romanas, e de (2) rechaçar o Vaticano II como um todo. Nós sabemos o que aconteceu em seguida: a Fraternidade pediu dois sinais de “boa vontade” por parte de Roma e também mudou seu estilo de argumentação. (Sobre esta mudança, por favor veja o meu sermão sobre a logomarca da Fraternidade.) É interessante notar que, enquanto toda a questão da “reconciliação” está baseada na percepção, os meios propostos para alcançá-la também estão fundados na percepção.

Realmente, todos sabemos que a Missa Antiga nunca precisou ser “liberada”, uma vez que a Bula Quo Primum[*] deu a permissão perpétua para celebrá-la , apesar do que digam os bispos do novus ordo; que as “excomunhões” nunca foram válidas e que o novo estilo de argumentação da Fraternidade é o resultado do desejo de não ser percebidos como “amargurados”, “severos”, “desobedientes” etc. Mas, mesmo eles sabendo de tudo isso, Monsenhor Fellay e seus seguidores, em algum momento, começaram a ter medo[1] da percepção negativa que os “católicos” da igreja oficial pudessem ter desses três elementos. Eles começaram a pensar que tal percepção negativa era um obstáculo para a salvação dessas pobres almas. Portanto, para remover este obstáculo, para obter um bom fim, decidiram seguir as sugestões do GREC[2], o que significa que eles escolheram meios maus para obter um bom fim. Todo mundo que tem o menor conhecimento do Catecismo sabe que isso nunca será moralmente lícito.

Além disso, ao pedir a Roma que concedesse esses dois “sinais de boa vontade”, os líderes da Fraternidade de maneira intencional agiram externamente de uma maneira que contradizia o que internamente acreditavam ser verdade. Eles, então, aumentaram a confusão[3] das pobres almas que queriam “salvar”, porque agiram publicamente COMO SE a Missa Antiga tivesse sido proibida, COMO SE as excomunhões tivesse sido válidas e COMO SE a Roma conciliar e o Pontífice, além do próprio concílio, não fossem assim tão maus. Em outras palavras, eles têm sido, para todos os efeitos práticos, mentirosos e hipócritas.

Mais tarde, Monsenhor Fellay e seus dois assistentes, que formam o que é chamado de Conselho Geral, apresentaram a Roma uma Declaração Doutrinal[4], aos 15 de abril de 2012, que é um monumento ao mesmo tipo de hipocrisia. É um documento que tenta, através da sutileza na escolha de palavras e expressões, ser aceitável tanto para os modernistas como para os tradicionalistas. É por isso que o mesmo Monsenhor Fellay disse repetidamente que a nossa aceitação deste texto dependia de nosso estado de espírito ao lê-lo (óculos escuros ou cor-de-rosa). Até onde sabemos, o Conselho Geral não enviou a Roma nenhum outro documento oficial que revogasse a Declaração Doutrinária, e, portanto, esta ainda representa a posição oficial da Fraternidade sobre estas questões, apesar das declarações contrária feitas nos sermões ou conferências. Tais declarações realmente não têm nenhum valor oficial ou jurídico; são apenas mais uma prova de que os líderes da Fraternidade estão sendo hipócritas, não só com os “católicos” da igreja oficial, mas também com seus próprios fiéis, que são os que os pagam.

Outro exemplo notável de hipocrisia é a Declaração do Capítulo Geral de 2012[5] da Fraternidade e as seis “condições” para um acordo prático. Os superiores fingem ter recuperado a unidade na Fraternidade, enquanto, na prática, a chamada “unidade” tem sido alcançada pela expulsão de todas as vozes dissidentes, incluindo a de um dos quatro Bispos consagrados por Monsenhor Lefebvre[6]. É uma unidade baseada no medo e em mentiras. Aqueles que sabem que a Fraternidade erra temem ser punidos, e aqueles que aprovam o que está fazendo se deixaram enganar pelos sofismas explicados acima. 


Além disso, afirmar que as seis “condições”, débeis como são, podem nos proteger, é negar-se a ver a realidade em Roma e esquecer o que aconteceu com as nove Comunidades Tradicionais que tentaram isso antes[7]. Isso nada mais é do que cegueira intelectual voluntária.

O que esperamos que todos percebam é que Monsenhor Fellay e seus seguidores estão cometendo o mesmo erro que os clérigos cometeram no Vaticano II: eles baseiam sua estratégia em uma questão de PERCEPÇÃO. Realmente o Vaticano II foi uma tentativa de melhorar a percepção dos não-católicos respeito à Igreja. Mas a fracassada experiência da igreja conciliar deveria ter impedido que os líderes da Fraternidade caíssem na mesma armadilha, mas desde quando é as crianças aprendem a partir da experiência das gerações anteriores?[8]

O que podemos fazer para deter esta loucura? Acho que devemos sair desse sistema de hipocrisia e desse ciclo de medo. Devemos defender a verdade, independentemente da percepção que os outros tenham de nós e independentemente dos castigos. O que converteu os pagãos nos primeiros séculos da Igreja não foram Cristãos que tentaram ser bem “percebidos”. Foi a constância daqueles que estiveram dispostos a dar suas vidas por fidelidade às suas convicções. Por isso, queridos amigos, RESISTAMOS ABERTA E FORTEMENTE![9]


Padre Patrick Girouard



Original: http://www.sacrificium.org/article/perception-25-june-2013.
Versão em espanhol: http://nonpossumus-vcr.blogspot.com.br/2013/06/percepcion-nuevo-articulo-del-padre.html.
Tradução, comentário e notas: Giulia d’Amore di Ugento.




Notas de tradução:
* Bula Quo Primum.
1. Falamos disso no comentário às Declarações do dia 27 de junho, em Ecône.
2. Acerca do GREC.
3. Idem
4. Sobre a Declaração Doutrinal de 15 de abril de 2012.
5. Sobre a Declaração do Capítulo Geral de 2012.
6. Sagrações cujo 25º aniversário hipocritamente os três bispos comemoram no dia 27 de junho de 2013, com um discurso que desdiz tudo o que foi dito até agora e, mais uma vez, manipula as palavras de Monsenhor Lefebvre.
7. Arrogantemente, eles não esqueceram. O que dizem é que conosco isso não irá acontecer. Se isso não é arrogância, o que é?
8. Infantilidade, sim, mas também, como dito, arrogância. E orgulho por não querer admitir o erro e ter que voltar atrás e reparar todas as injustiças que foram praticadas com sacerdotes e fiéis, e principalmente Monsenhor Williamson, taxada de rebelde, desobediente, exagerado, apocalíptico, louco.
9. É o desejo de todos os que entenderam – desde o começo ou com o passar do tempo – mas, sinceramente, eu duvido que haja humildade suficiente para tanto. A renúncia de si mesmo é um desafio insuperável para algumas pobres almas. Parecem estar dispostas a perder o Céu para não se verem obrigadas a admitir o que sempre souberam: a aventura de dom Fellay é uma loucura! Seguindo o conselho do GREC abriram mão da ajuda sobrenatural e do aconselhamento do Fundador, o qual, santa alma, pode não estar (fisicamente) mais entre nós - como diz o prior de São Paulo (sic) - mas nem por isso deixou de existir, e nem por isso a Fraternidade que ele fundou pode virar a casa-da-mãe-joana...
 

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quinta-feira, 27 de junho de 2013

25º Aniversário das Sagrações de Ecône - Menzingen fala...

OPERAÇÃO MEMÓRIA: uma declaração acerca do 25º aniversário das sagrações episcopais a que Mons. Lefebvre se viu obrigado para salvaguardar a verdadeira Fé e lhe valeu uma excomunhão que era para ele, não um estigma, mas a garantia de que os seminários não seriam procurados por candidatos não católicos. A excomunhão passou a ser, então, uma honra e uma glória - um DETENTE - para cada sacerdote, religioso e fiel. Bom, pelo menos enquanto viveu Monsenhor. Com o tempo, se transformou magicamente de garantia em estigma, e daí surgiu o medo. O medo de ser condenado à danação eterna por... apóstatas!!! "Não tenhais medo", nos exortou Nosso Senhor. Mas quem foi incumbido de nos dirigir... teve medo! Não sei o que veio antes do que, mas temos o medo, a cegueira sobrenatural, a confusão de ideias: 2+2 agora pode ser qualquer coisa. E temos o agir nas trevas, a invasão de contas de e-mails, a perseguição a sacerdotes e fiéis "descontentes", as expulsões e as "excomunhões". A (Neo)FSSPX nunca se pareceu tanto com Roma. A Roma apóstata denunciada por Monsenhor Lefebvre. E agora me vêm com essa declaração, assinada pelos três bispos que fundaram a Neo-FSSPX. Sim, porque quem se cala consente. E o que é mais claro e cristalino do que uma assinatura em um documento desses? Os três bispos estão de acordo. Só um dos quatro bispos escolhidos pelo Fundador não teve medo. Pode até se dizer - como se ouve por aí - que Dom Williamson seja britânico demais e que deveria tomar atitudes mais drásticas. Mas ele não teve medo de ser excomungado porque sabe perfeitamente com que se está a falar em Roma. Não é por acaso que o "Papa de plantão" era justamente o cardeal a quem Monsenhor se referia com epítetos nada gentis. Mas verdadeiros. Enfim, vamos ao texto. 

O primeiro parágrafo já mostra a desfaçatez de quem assina. Hipócritas. No segundo, já vemos, mais uma vez, a manipulação das palavras de Monsenhor Lefebvre em prol da suja traição por 30 moedas. No terceiro parágrafo, mais uma vez o fundador-mor da Neo-FSSPX se desdiz. Sim, porque se ESTA é a verdade... o que é há no Preâmbulo é o que? E em todas as suas declarações onde dizia que 95% do Concílio era aceitável e que 5% era discutível... ou algo assim? Agora ele diz - e os demais bispos assinam embaixo - que "a causa dos graves erros que estão demolindo a Igreja não reside em uma má interpretação dos textos conciliares – uma “hermenêutica da ruptura” que se oporia a uma “hermenêutica da reforma na continuidade” -, mas nos próprios textos, por causa da inaudita linha escolhida pelo concílio Vaticano II"! Estamos de brincadeira? Pensa que somos idiotas? E que história é essa de “hermenêutica da reforma na continuidade”? A única hermenêutica que deve haver é a da Tradição! Bom, os parágrafos seguintes são mais do mesmo, como ele habilmente faz para iludir os tolos. Dai que no 10º parágrafo, me vem com essa: "Cinquenta anos depois do Concílio as causas permanecem e continuam produzindo os mesmos efeitos, de modo que hoje aquelas sagrações episcopais conservam toda a sua justificação." Então, a pergunta que não quer calar: e por quê o superior geral quis porque quis unir-se a essa Igreja? Pelo menos é o que deixou bem claro no Preâmbulo e em outras oportunidade como na da famosa frase de que iria correndo se o papa chamasse... Sim, ele pensa realmente que somos idiotas!!!  

Em certos momentos, me ocorre o pensamento de que o bispo Fellay não saiba pedir desculpas, afinal todos nós temos nossas limitações, embora a arrogância não seja algo esperável em um religioso! Quem sabe, penso eu com meus botões, ele tenha vergonha e ache que basta voltar atrás com os discursos apenas, na esperança de ser compreendido e perdoado sem que seja necessário dizer nada... Mas daí vem o parágrafo décimo primeiro, onde ele mostra um pouco de seu "jogo":
" Entendemos que fazemos o mesmo, seja que Roma regresse logo à Tradição e à fé de sempre – o que restabelecerá a ordem na Igreja -, seja que ela nos reconheça explicitamente o direito de professar integralmente a fé e de rejeitar os erros que lhe são contrários, com o direito e o dever de nos opormos publicamente aos erros e aos fautores desses erros, seja quem for – o que permitirá um começo do restabelecimento da ordem." 
Como assim? A mesma autoridade que nos excomungou e desexcomungou agora vai nos reconhecer explicitamente o direito inalienável de professar integralmente a fé etc. e tal??? Mas com que autoridade!!! Se Monsenhor Lefebvre não reconheceu a João Paulo II autoridade para excomungá-lo... que autoridade tem o Bispo de Roma que se recusa a ser Papa de nos reconhecer o que quer que seja? Estamos loucos???

Nada mudou, meus caros! São conversas para boi dormir e inglês ver!!! Hipócrita, o bispo Fellay que manipula a verdade feito Pilatos, um liberal igual a ele. Hipócritas os cúmplices dessa declaração. 

Outra pergunta que me faço é do por que da mudança da data... Dia 30 de junho de 2013 é um domingo. Dia propício para agradecer a Deus pelo sacrifício de Monsenhor Lefebvre. Então, por quê antecipar a comemoração para hoje, 27 de junho? Alguém sabe dizer?  

E mais não digo!


Mons. Lefebvre com Mons. de Castro Mayer e os quatro novos bispos.
Interessante notar a linguagem corporal e a disposição de todos. Dom Williamson aparece no mesmo núcleo
que os Monsenhores. Os demais estão separados do grupo central, cada qual a uma determinada distância.
Vemos isso em telas de grandes pintores, com algum significado oculto.
No mínimo é intrigante. Alguém pode achar profético...


Declaração por ocasião do 25º aniversário das sagrações episcopais (30 de junho de 1988 – 27 de junho de 2013)


Por ocasião do 25º aniversário das sagrações, os bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X expressam solenemente sua gratidão a Dom Marcel Lefebvre e a Dom Antônio de Castro Mayer pelo ato heroico que não tiveram medo de realizar em 30 de junho de 1988. Mais particularmente, querem manifestar sua gratidão filial ao seu venerado fundador que, depois de tantos anos de serviço à Igreja e ao Romano Pontífice, para salvaguardar a fé e o sacerdócio católico, não hesitou em padecer a injusta acusação de desobediência.

Na carta que nos dirigiu antes das sagrações, escreveu: “Eu vos conjuro a permanecer unidos à Sé de Pedro, à Igreja romana, Mãe e Mestra de todas as Igrejas, na fé católica íntegra, expressada nos Símbolos da fé, no catecismo do Concílio de Trento, conforme ao que vos foi ensinado no vosso seminário. Permanecei fiéis na transmissão desta fé para que venha o Reino de Nosso Senhor”. Esta frase expressa bem a razão profunda do ato que iria realizar: “para que venha o Reino de Nosso Senhor”, adveniat regnum tuum!

Seguindo a Dom Lefebvre, afirmamos que a causa dos graves erros que estão demolindo a Igreja não reside em uma má interpretação dos textos conciliares – uma “hermenêutica da ruptura” que se oporia a uma “hermenêutica da reforma na continuidade” -, mas nos próprios textos, por causa da inaudita linha escolhida pelo concílio Vaticano II. Esta escolha se manifesta nos documentos e no seu espírito: diante do “humanismo laico e profano”, diante da “religião (pois se trata de uma religião) do homem que se faz Deus”, a Igreja, única detentora da Revelação “do Deus que se fez homem”, quis dar a conhecer o seu “novo humanismo”, dizendo ao mundo moderno: “nós também, mais do que ninguém, temos o culto do homem” (Paulo VI, Discurso de encerramento, 7 de dezembro de 1965). No entanto, essa coexistência do culto de Deus e do culto do homem se opõe radicalmente à fé católica que ensina a dar o culto supremo e o primado exclusivamente ao único Deus verdadeiro e ao seu único Filho, Jesus Cristo, em quem “habita corporalmente a plenitude da divindade” (Col. 2, 9).

Somos obrigados a constatar que este Concílio atípico, que quis ser apenas pastoral e não dogmático, inaugurou um novo tipo de magistério, desconhecido até então na Igreja, sem raízes na Tradição; um magistério decidido a conciliar a doutrina católica com as ideias liberais; um magistério imbuído dos princípios modernistas do subjetivismo, do imanentismo e em perpétua evolução segundo o falso conceito de tradição viva, viciando a natureza, o conteúdo, a função e o exercício do magistério eclesiástico.

Desde então, o reino de Cristo deixou de ser a preocupação das autoridades eclesiásticas, apesar destas palavras de Cristo: “todo poder me foi dado na terra e no céu” (Mat. 28, 18) continuarem sendo uma verdade e uma realidade absolutas. Negá-las nos fatos significa não reconhecer na prática a divindade de Nosso Senhor. Assim, por causa do Concílio, a realeza de Cristo sobre as sociedades humanas simplesmente é ignorada, ou combatida, e a Igreja é arrastada por esse espírito liberal que se manifesta especialmente na liberdade religiosa, no ecumenismo, na colegialidade e na missa nova.

A liberdade religiosa exposta por Dignitatis humanae e a sua aplicação prática por cinquenta anos conduzem logicamente a pedir ao Deus feito homem que renuncie a reinar sobre o homem que se faz Deus, o que equivale a dissolver a Cristo. Ao invés de uma conduta inspirada por uma fé sólida no poder real de Nosso Senhor Jesus Cristo, vemos a Igreja vergonhosamente guiada pela prudência humana e duvidando a tal ponto de si mesma que não pede aos Estados nada além daquilo que as lojas maçônicas querem lhe conceder: o direito comum, no mesmo nível e entre as outras religiões, que ela não ousa mais chamar de falsas.

Em nome de um ecumenismo onipresente (Unitatis redintegratio) e de um vão diálogo interreligioso (Nostra Aetate), a verdade sobre a única Igreja é silenciada; assim, uma grande parte dos pastores e dos fiéis, não vendo mais em Nosso Senhor e na Igreja católica a única via de salvação, renunciaram a converter os adeptos das falsas religiões, deixando-os na ignorância da única Verdade. Este ecumenismo literalmente matou o espírito missionário pela busca de uma falsa unidade, reduzindo muito frequentemente a missão da Igreja à transmissão de uma mensagem de paz puramente terrestre e a um papel humanitário de alívio da miséria no mundo, colocando-se assim atrelada às organizações internacionais.

O debilitamento da fé na divindade de Nosso Senhor favorece uma dissolução da unidade da autoridade na Igreja, introduzindo um espírito colegial, igualitário e democrático (cf. Lumen Gentium). Cristo não é mais a cabeça da qual tudo provém, em particular o exercício da autoridade. O Romano Pontífice, que não exerce mais efetivamente a plenitude da sua autoridade, assim como os bispos que – contrariamente ao ensinamento do Vaticano I – creem poder compartilhar colegialmente de modo habitual a plenitude do poder supremo, se colocam daí em diante, com os padres, à escuta e atrás do “povo de Deus”, novo soberano. É a destruição da autoridade e, em consequência, a ruína das instituições cristãs: famílias, seminários, institutos religiosos.

A missa nova, promulgada em 1969, debilita a afirmação do reino de Cristo pela Cruz (“regnavit a ligno Deus”). De fato, o seu próprio rito atenua e obscurece a natureza sacrificial e propiciatória do sacrifício eucarístico. Subjacente a esse novo rito, encontra-se a nova e falsa teologia do mistério pascal. Ambos destroem a espiritualidade católica fundada sobre o sacrifício de Nosso Senhor no Calvário. Esta missa está penetrada de um espírito ecumênico e protestante, democrático e humanista, que remove o sacrifício da Cruz. Ela ilustra também a nova concepção do “sacerdócio comum dos batizados” que esconde o sacerdócio sacramental do padre.

Cinquenta anos depois do Concílio as causas permanecem e continuam produzindo os mesmos efeitos, de modo que hoje aquelas sagrações episcopais conservam toda a sua justificação. É o amor pela Igreja que guiou Dom Lefebvre e que guia os seus filhos. É o mesmo desejo de “transmitir o sacerdócio católico em toda a sua pureza doutrinal e sua caridade missionária” (Dom Lefebvre, A vida espiritual) que anima a Fraternidade São Pio X no serviço à Igreja, quando pede com instância às autoridades romanas de reassumir o tesouro da Tradição doutrinal, moral e litúrgica.

Este amor pela Igreja explica a regra que Dom Lefebvre sempre observou: seguir a Providência em todo momento, sem jamais pretender antecipá-la. Entendemos que fazemos o mesmo, seja que Roma regresse logo à Tradição e à fé de sempre – o que restabelecerá a ordem na Igreja -, seja que ela nos reconheça explicitamente o direito de professar integralmente a fé e de rejeitar os erros que lhe são contrários, com o direito e o dever de nos opormos publicamente aos erros e aos fautores desses erros, seja quem for – o que permitirá um começo do restabelecimento da ordem. Na espera disso, e diante desta crise que continua seus estragos na Igreja, perseveramos na defesa da Tradição católica e nossa esperança permanece íntegra, pois sabemos com fé certa que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mat. 16, 18).

Entendemos assim seguir a exortação do nosso querido e venerado pai no episcopado: “Queridos amigos, sede o meu consolo em Cristo, permanecei fortes na fé, fiéis ao verdadeiro sacrifício da missa, ao verdadeiro e santo sacerdócio de Nosso Senhor, para o triunfo e a glória de Jesus no céu e na terra” (Carta aos bispos). Que a Santíssima Trindade, por intercessão do Imaculado Coração de Maria, nos conceda a graça da fidelidade ao episcopado que recebemos e que queremos exercer para honra de Deus, o triunfo da Igreja e a salvação das almas.

Ecône, 27 de junho de 2013, na festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Dom Bernard Fellay
Dom Bernard Tissier de Mallerais
Dom Alfonso de Galarreta




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Frases de Santos: Santo Agostinho e a verdade

O Concílio Vaticano II em perguntas e respostas!


The Ecumenical Council
by Salvador Dali
Quando aconteceu o Concílio Vaticano II?

O Vaticano II foi aberto pelo Papa João XXIII em 11 de outubro de 1962. João XXIII morreu no ano seguinte; mas seu sucessor, Paulo VI, continuou o Concílio e encerrou-o em 8 de dezembro de 1965.

O Concílio durou mais de três anos ininterruptos?


O Concílio Vaticano II compreendeu quatro sessões de menos de três meses, em cujo intervalo os bispos retornavam às suas dioceses. A primeira sessão (11 de outubro a 8 de dezembro de 1962) – a única que se deu no pontificado de João XXIII – não promulgou nenhum documento: dedicaram-se, sobretudo, a descartar o trabalho da Comissão Preparatória.

Qual é o lugar do Vaticano II entre os demais concílios?

O Vaticano II foi o 21° Concílio Ecumênico. Foi, quanto ao número de participantes, o mais importante de toda a História: dois mil bispos ali se reuniram.

Em que o Concílio Vaticano II difere dos Concílios anteriores?


O Concílio Vaticano II declarou não querer ser mais que um “Concílio Pastoral”, que não define as questões de Fé, mas dá diretivas pastorais para a vida da Igreja. Renunciou à definição de dogmas e assim, à infalibilidade que pertence a um Concílio. Seus documentos não são, portanto, infalíveis.

Quais são os objetos ordinários de um Concílio?


Na sua carta de convocação do primeiro Concílio do Vaticano, Pio IX indica que os Concílios Gerais foram convocados, sobretudo “nas épocas de grandes perturbações, quando calamidades de todo gênero se batiam sobre a Igreja e sobre os povos”. Todos os Concílios Ecumênicos do passado foram convocados para vir ao encalço de uma heresia (como foi o caso dos sete primeiros), ou para corrigir um mal então dominante (simonia, cisma, corrupção do clero, etc). Pio IX resume assim os principais fins de um Concílio: 

Decidir com prudência e sabedoria, tudo o que poderia contribuir para definir os dogmas da Fé; para condenar os erros que se espalham insidiosamente; para defender, colocar à luz, explicitar a Doutrina Católica; para conservar e reorganizar a disciplina eclesiástica; para corrigir os modos corrompidos da população.” (Bula de Convocação para o Concílio Vaticano I. AAS, 1868, vol. IV, p.5.)

Nunca houve, então, outro Concílio “pastoral” antes do Vaticano II?

Todos os Concílios da Igreja foram pastorais. Mas o foram definindo os dogmas; desmascarando os erros; defendendo a Doutrina Católica; e lutando contra as desordens disciplinares e morais. A originalidade do Vaticano II foi a de querer ser “pastoral” de uma maneira nova, recusando-se a definir dogmas, a condenar erros, e mesmo a apresentar a Doutrina Católica de modo defensivo.

O Vaticano II não promulgou documentos dogmáticos?

O Vaticano II promulgou dezesseis textos: nove decretos, três declarações e quatro constituições. Dentre estas, duas são ditas “Constituições Dogmáticas”: Lumen Gentium (sobre a Igreja) e Dei Verbum (sobre a Revelação). Isso não significa que tenham proclamado dogmas ou que sejam infalíveis, mas apenas que tratam de uma matéria referente ao dogma. O Vaticano II se recusou a definir o que quer que seja de modo infalível; Paulo VI o sublinhou explicitamente em 12 de janeiro de 1966, algumas semanas após seu encerramento: 

Tendo em vista o caráter pastoral do Concílio, este evitou proclamar de modo extraordinário dogmas dotados da nota da infalibilidade.”

A “pastoralidade” do Vaticano II caracteriza-se pela adaptação da Igreja ao nosso tempo?

Todos os Concílios adaptaram a Igreja ao seu tempo. Mas o fizeram anatematizando os erros do dia; punindo os desvios morais ou disciplinares da época; armando a Igreja contra seus inimigos. A adaptação não visava a se conformar com o século, mas a melhor resistir-lhe. Não se tratava de agradar ao mundo, mas de confrontar e de o vencer, para agradar a Deus. João XXIII e Paulo VI procuraram, ao contrário, tornar a Igreja Católica sedutora para o homem moderno.

João XXIII e Paulo VI exprimiram essa intenção?

João XXIII declarou, em 14 de fevereiro de 1960: 

O fim primeiro e imediato do Concílio é o de apresentar ao mundo a Igreja de Deus, no seu perpétuo vigor de vida e de Verdade, e com sua legislação adaptada às circunstancias presentes, de modo a ser sempre mais conforme à sua divina missão e estar sempre mais pronta para as necessidades de hoje e de amanhã. Em seguida, se os irmãos que se separaram e que ainda estão divididos entre si virem se concretizar o comum desejo de unidade, poderemos lhes dizer então, com uma viva emoção: é a vossa casa; a casa daqueles de trazem o sinal de Cristo.” (João XXIII, discurso ao Conselho Geral da Ação Católica Italiana, em 14 de fevereiro de 1960).
O Cardeal Montini, futuro Paulo VI, declarava, em abril de 1962: 
A Igreja se propõe, pelo próximo Concílio, a entrar em contato com o mundo (...) Ela se esforçará para ser (...) amável em sua linguagem e na sua maneira de ser.”
E, durante o Concílio, Paulo VI afirmava, em sua encíclica Ecclesiam Suam
A Igreja poderia se propor a realçar os males que podem se encontrar no mundo, a pronunciar anátemas e suscitar cruzadas contra eles (...); parecem nos, ao contrário, que a relação da Igreja com o mundo (...) pode se exprimir melhor sob a forma de um diálogo” (§80).

O Vaticano II se quis, desde o início, portanto, como um Concílio de abertura e diálogo?

De fato, os membros da Comissão Preparatória estabelecida por João XXIII, pensavam dever organizar um Concílio normal. Tiveram um enorme trabalho para esboçar esquemas que pudessem servir de base aos debates conciliares. Mas, durante esse tempo, o Secretariado para Unidade dos Cristãos igualmente estabelecido por João XXIII (em junho de 1960), trabalhava em outro sentido. Finalmente, a verdadeira intenção de João XXIII prevaleceu: no início do Concílio, livraram se dos esquemas preparatórios, julgados demasiado “doutrinais”, e o Concílio se comprometeu com a via preparada pelo Secretariado de Unidade.

Como o Secretariado para a Unidade preparou o Concílio?
Sobre a presidência do Cardeal Bea, o Secretariado para a Unidade preparou o Concílio perguntando aos católicos o que esperavam da Igreja. Estabeleceu contatos com os ortodoxos, os protestantes, os judeus, os comunistas e os maçons, e comprometeu-se mesmo a que alguns de seus desiderata fossem satisfeitos.

Quais foram as exigências dos ortodoxos e dos comunistas?


Para contar com a presença de observadores ortodoxos no Concílio, João XXIII se comprometeu à não condenação do comunismo no Concílio. Monsenhor Roche, amigo e confidente do Cardeal Tisserant, testemunha: 

“O Cardeal Tisserant recebeu ordens formais tanto para negociar o acordo como para supervisionar sua exata execução durante o Concílio. Foi assim que, a cada vez queria abordar a questão do comunismo, o Cardeal, de sua mesa do Conselho da Presidência, intervinha”. (Itinéraires 285, p.157.)

Quais foram os pedidos dos judeus?

No número 1001 da Tribune Juive (1987), Lazare Landau conta: 

“Numa noite brumosa e glacial de inverno de 1962-63, atendi a um convite extraordinário no Centro Comunitário da Paz, em Estrasburgo. Os dirigentes judeus recebiam, em segredo, no subsolo, um enviado do papa. Na saída do Shabat, éramos uma dezena para acolher um dominicano de vestimenta branca, o reverendo padre Yves Congar, encarregado pelo Cardeal Bea, em nome de João XXIII, de nos perguntar, no início do Concílio, o que esperávamos da Igreja Católica (...)”. 
“Os judeus, mantidos há vinte séculos à margem da sociedade cristã, frequentemente tratados como subalternos, inimigos e deicidas, pediam sua completa reabilitação. Provindos, em linhagem direta, do tronco abrâmico, de onde saiu o Cristianismo, pediam para serem considerados como irmãos, parceiros de igual dignidade, da Igreja Cristã (...).” 
“O mensageiro branco – despojado de qualquer símbolo ou ornamento – retornou a Roma, portador das inumeráveis solicitações que reforçavam as nossas. Depois de debates difíceis (...), o Concílio atendeu as nossas expectativas. A declaração Nostra Aetate n° 4 constituiu – Padre Congar e três redatores do texto me confirmaram – uma verdadeira revolução na doutrina na Igreja sobre os judeus (...)”. 
“Homilias e catecismos mudariam em poucos anos (...). Desde a visita secreta do Padre Congar, num lugar escondido da sinagoga, durante uma noite muito fria de inverno, a doutrina da Igreja tinha conhecido uma total mutação.”

Quais foram os pedidos dos protestantes e dos maçons?

Em setembro de 1961, o Cardeal Bea encontrou, secretamente, em Milão, o Pastor Willem A. Visser’t Hooft, secretário-geral do Conselho Ecumênico de Igrejas (organismo de origem protestante, de tendência maçônica). A liberdade religiosa foi um dos temas mais importantes do encontro. Mas tarde, em 22 de julho de 1965, na véspera da última sessão conciliar, o mesmo Conselho Ecumênico de Igrejas publicou a lista de suas sete exigências fundamentais em matéria de liberdade religiosa. Todas foram satisfeitas pelo Concílio no documento Dignitatis Humanae.

Que conclusões se pode tirar dessa política de abertura levada a cabo pelo Concílio Vaticano II?

Percebe-se claramente que o Vaticano II não foi um Concílio como os demais. Os textos que promulgou, fruto de um “diálogo” com o mundo, são mais textos diplomáticos ou “publicitários” (destinados a dar uma boa imagem a Igreja) do que textos magisteriais (ensinando com autoridade e precisão Verdades de Fé). Nenhum dos textos conciliares é, de si, infalível.

Qual foi a influencia desse Concílio na Crise da Igreja?

As forças liberais e modernistas, que já minavam a Igreja, conseguiram colocar as mãos sobre o Concílio Vaticano II. Pode-se então dizer, que o Vaticano II foi a faísca que deflagrou uma crise que se preparava já de longa data na Igreja.

A quando podem-se remontar as origens dessa crise?

São Pio X já constatava na encíclica Pascendi, que o modernismo não era um inimigo exterior à Igreja, mas que havia penetrado no interior, apesar de seus adeptos ainda esconderem suas verdadeiras intenções.

O Papa São Pio X não combateu vigorosamente esses modernistas?

São Pio X combateu o modernismo energicamente. Seus sucessores até Pio XII fizeram o mesmo, com mais ou menos vigor; mas não conseguiram verdadeiramente vencê-los. A Encíclica Humani Generis, de Pio XII, condenando o que se chamou “Nova Teologia” (1950), foi aceita exteriormente; mas, nas realidade foi desprezada por muitos. Continuaram a se interessar nas teses condenadas e, nas casas de formação, encorajavam se os futuros padres a fazer o mesmo.

Pode-se dizer que o Vaticano II foi uma revolução na Igreja?

Que o Concílio foi uma revolução na Igreja, alguns de seus defensores clamam-no, eles mesmos. Assim, o Cardeal Suenens fez um paralelo entre o Concílio e a Revolução Francesa, dizendo que o Vaticano II havia sido o 1789 na Igreja. O Padre Yves Congar, teólogo conciliar, comparou o Concílio à Revolução bolchevique: “A Igreja fez pacificamente sua Revolução de Outubro.” (Yves Congar, O.P. Le Concile au jour Le jour. Deuxième session, Paris, 1964, p.215)

Como os liberais colocaram as mãos sobre o Concílio?

Graças ao apoio de João XXIII e de Paulo VI, as forças liberais e neo-modernistas introduziram nos textos do Concílio, um grande número de ideias. Antes do Concílio, a Comissão Preparatória havia preparado com cuidado, esquemas que eram o eco da Fé da Igreja. É sobre esses esquemas que a discussão e os votos deveriam ter sido feitos, mas eles foram rejeitados na primeira sessão do Concílio e substituídos por novos esquemas preparados pelos liberais.

Não houve no Concílio defensores da Doutrina tradicional?

Houve no Concílio um grupo de mais ou menos de 250 a 270 bispos decididos a defender a Tradição da Igreja. Acabaram por formar o Coetus Internatinalis Patrum. Mas contra ele, estava já constituído e perfeitamente organizado, um grupo de Cardeais e Bispos liberais, que se chamou Aliança do Reno.

De onde vem esse nome, Aliança do Reno?

O nome Aliança do Reno vem do fato de os dirigentes desse grupo liberal eram, quase todos, bispos de dioceses às margens do Rio Reno. A cada dia esse grupo inundou o Concílio com folhas datilografadas, nas quais se diziam aos bispos em que sentido deviam votar. É por isso que um jornalista, o padre Ralph Wiltgen, pôde intitular O Reno se Lança no Tibre, seu livro que contava a história do Concílio.

Os inovadores eram majoritários?

Como toda revolução, o Vaticano II não foi conduzido pela maioria, mas por uma minoria bem ativa e organizada. A maioria dos bispos estava indecisa e pronta para seguir os conservadores. Mas, quando viram que os dirigentes da Aliança do Reno eram amigos pessoais do papa e que alguns dentre estes (os Cardeais Dopfner, Lecaro e Suenens) tinham até sido nomeados moderadores do Concílio, eles os seguiram.

Os textos do Vaticano II, portanto, não são representativos do que pensava a maioria dos bispos na abertura do Concílio?

Um teólogo da ala progressista, Hans Kung, exprimiu um dia, sua alegria de que um sonho de uma pequena minoria se havia realizado no Concílio: 

“Nenhum daqueles que vieram aqui para o Concílio voltará para sua casa igual ao que era antes. Pessoalmente nunca teria esperado que os bispos falassem de modo tão ousado e tão explicito na aula conciliar.” (O Reno se Lança no Tibre, pag. 65)

Quem é esse teólogo Hans Kung?

Hans Kung manifestou, desde o Concílio, a que espírito se filia. Além da infalibilidade pontifícia e da Divindade de Cristo, esse eclesiástico nega a maior parte dos dogmas cristãos de tal maneira que mesmo a Roma conciliar teve que lhe retirar a autorização de lecionar.

Outros teólogos hereges exerceram influência no Vaticano II?

O jesuíta Karl Rahner (1904-1984), mesmo sendo mais prudente e menos explicito, espalhou teses análogas em suas obras. O Santo Ofício, desde 1949, impôs-lhe silencio sobre certas questões. Teve, no entanto, sobre o Concílio Vaticano II uma influência imensa; Ralph Wiltgen chega a dizer que foi o teólogo mais influente do Concílio: 

“A posição dos bispos de língua alemã sendo regularmente adotada pela Aliança europeia (Aliança do Reno), e a posição da Aliança sendo, por sua vez, a mais frequentemente adotada pelo Concílio, bastava que um só teólogo fizesse suas visões serem adotadas pelos bispos de língua alemã para que o Concílio as fizessem suas. Ora, um tal teólogo existia: era o padre Karl Rahner.” (O Reno se Lança no Tibre, pag. 85)

Há outros testemunhos sobre a influência de Rahner no Concílio?

O padre Congar conta: 

“O clima virou: Rahner dixit, ergo verum est [Rahner disse, então é verdade]. Dou um exemplo. A Comissão Doutrinal era formada pelos bispos, cada um tendo a seu lado seu próprio perito, mas também por alguns Superiores Gerais (como o dos Dominicanos ou dos Carmelitas). Ora, sobre a mesa da Comissão havia dois microfones; mas Rahner praticamente havia tomado um somente para si. Rahner era um pouco intrometido e muito frequentemente o Cardeal de Viena, Franz Konig, cujo perito era Rahner, virava-se em sua direção e dizia lhe para que falasse: Rahner, quid? Naturalmente, Rahner intervinha (...)”. (Yves Congar, em Trinta Dias, edição francesa, n° 3, 1993, pag.26)

Qual era o pensamento de Karl Rahner?

Karl Rahner era um revoltado contra o ensinamento tradicional da Igreja que, para ele, era só “monolitismo” e “teologia de escola.” Uma carta que escreveu em 22 de fevereiro de 1962, por ocasião da tradução italiana de seu Pequeno Dicionário Teológico esclarece-nos sobre seus sentimentos em relação ao Magistério da Igreja: 

“(...) Uma tradução italiana é claramente um problema especial, em razão da presença, em Roma, de lideres e guardiães da ortodoxia. Por outro lado, estou cada vez mais fortificado em minhas posições. Também se poderia dizer que esse pequeno léxico está redigido de tal modo que essas pessoas não compreendam nada e não vejam, portanto o que está dito contra sua estreiteza.” (Herbert Vorgrimler. Karl Rahner verstehen, Friburgo, Herder, 1995, pag.175)

Karl Rahner manifestou, durante o Concílio, sua revolta contra a Tradição e o Magistério da Igreja?

Durante o Concílio, o Cardeal Ottaviani, Prefeito do Santo Ofício, exprimiu um dia em seu discurso sua inquietação quanto a algumas inovações. Falava sem texto, por estar quase cego e ultrapassou seu tempo para falar. Então, o microfone simplesmente lhe foi cortado. Rahner comentou o acontecimento em uma carta escrita a Vorgrimler, em 5 de novembro de 1962: 

“Você já deve ter sabido que Alfrink, de novo, simplesmente cortou a palavra a Ottaviani, por que ele falava por muito tempo. Começou-se a aplaudir (o que não é habitual). Moral: A alegria sádica é a alegria mais pura.” (Deutsche Tagespost, 10 de outubro de 1992).

Encontra-se na correspondência de Karl Rahner, outros elementos sobre seus sentimentos sobre o Concílio?

A publicação, em 1994, da correspondência trocada entre o padre Karl Rahner e a poetisa austríaca Luise Rinser (1911-2002) fez estourar o escândalo: no momento mesmo em que mandava chover e fazer bom tempo no Concílio, Karl Rahner estava em correspondência amorosa com essa mulher, escrevendo-lhe, em sua paixão, até três cartas por dia (276 somente no ano de 1964).

Outros maus teólogos influenciaram o Vaticano II?

Pode-se citar, entre outros, os Padres Congar e De Lubac, já apresentados anteriormente, o padre Schillebeeckx, o padre John Courtney-Murray etc.

Qual foi a influencia do padre Congar no Concílio?


Monsenhor Lefebvre conta:
Monsenhor Lefebvre no Vaticano II
“No início do Vaticano II, eu ia às as reuniões [dos bispos franceses] em Saint Louis-des-Français. Mas ficava estupefato de ver como aquilo acontecia. Os bispos se comportavam literalmente como garotinhos diante dos Congar e outros peritos que gritavam em torno. O padre Congar subia à mesa da presidência e, sem o menor pudor, dizia: ‘Monsenhor Fulano, o senhor fará tal intervenção sobre tal assunto. Não tenha nenhuma preocupação. Nós lhe prepararemos o texto e o senhor só terá que ler.’ Não podia crer no que meus olhos viam, nem no que meus ouvidos ouviam! E parei de ir a essas reuniões (...)” (Monsenhor Marcel Lefebvre, Fideliter n°59, pag,53).

Há outros testemunhos sobre a influencia do padre Congar?

Monsenhor Desmazières, Bispo-auxiliar de Bordeaux, conta: 

“(...) De tarde os trabalhos continuavam. Eu ia ao meu dirigido pelo padre Congar, sobre a Escritura e a Tradição. Éramos uma dúzia. A nós cabia prever as intervenções a serem feitas no dia seguinte (...). pediram-me para tomar a segunda. Não me recusei, mas com a condição do padre Congar preparasse meu texto. Estava de acordo. Ele mo passará amanhã no ônibus (...) Tomei conhecimento do texto no trajeto; não estava decidido mudar o que quer que fosse. Desembarcando em São Pedro, inscrevi-me para falar: era o vigésimo primeiro (...)” (Monsenhor Desmazières. L’Aquitaine, semaine religieuse de Bordeaux, dezembro de 1962, pag.580).

O que disso dizia o padre Congar?

O padre Congar, normamente, minimizava sua influencia no Concílio. No entanto, assim resumiu sua ação: 

“A preparação do Concílio havia estado sob a dominação dos homens da Cúria e do Santo Ofício (...) Tudo consistiu praticamente, em os colocar em minoria.” (Yves Congar O.P., em Une Vie pour la Verité, Jean Puyo interrege Le père Congar, Paris, Centurion, 1975, pag.140). Era para ele uma vitória. Dez anos antes, punido por seus Superiores, anotava em seu diário pessoal as seguintes resoluções: “Continuar ao máximo a escrever no mesmo sentido, utilizando todas as chances de liberdade. Aí está, sobretudo, meu combate. Eu sei (e ‘eles’ sabem!) que, em maior ou menor escala, tudo o que digo e escrevo é a negação do sistema. Sim, ai está meu verdadeiro combate: em meu trabalho teológico, histórico, eclesiológico e pastoral. O curso que eu componho nesse momento, de Ecclesia, exatamente como não se tratasse de nada, uma verdadeira resposta; é minha verdadeira dinamite sobre a cadeira dos escribas.” (Yves Congar O.P., notas manuscritas de fevereiro de 1954, citadas por François Leprieur O.P. Quand Rome condamne, Paris, Plont/Cerf, 1989, pag.259). 
Depois do Concílio, declarou: 
“O Concílio liquidou o que eu chamava incondicionalismo do sistema. Entendendo por sistema todo um conjunto muito coerente de ideias comunicadas pelo ensinamento das Universidades romanas, codificas pelo Direito Canônico, protegidas por uma supervisão escrita e bem eficaz sob Pio XII, com resumos, apelos à ordem, submissão dos escritos a censuras romanas e etc. Pelo fato do Concílio, o sistema foi desintegrado.” (Yves Congar O.P., em Une Vie pour la Verité, Jean Puyo interrege Le père Congar, Paris, Centurion, 1975, pag.220).

Quem é o padre Courtney-Murray?

O padre John Courtney-Murray, jesuíta Americano (1904-1967), havia sido condenado em 1955 pelo Santo Ofício, por causa do seu estudo The Problem of Religions Freedom (O Problema da Liberdade Religiosa). Foi, no entanto convidado, como perito, ao Concílio Vaticano II, a partir de 1963. Durante os debates sobre a liberdade religiosa propunha-se aos bispos que redigissem suas intervenções, e assim ele exerceu uma influencia considerável. No fim de sua vida, tentou demonstrar que o ensinamento da Igreja sobre a contracepção podia evoluir, como havia evoluído o ensinamento sobre a liberdade religiosa.

O que se pode concluir disso tudo?

Que homens tais como Kung, Rahner, Congar, Lubac, Courtney-Murray etc., tenham exercido uma influencia sobre o Concílio não advoga em seu favor, nem a favor de suas reformas. Infelizmente, algumas declarações do Papa João Paulo II também não lhe trazem vantagem. Tal como está, que fez em 1963 (quando era um simples bispo):

“Jamais um Concílio conheceu tamanha preparação, jamais se sondou de maneira de maneira tão ampla a opinião católica. Não somente os bispos, as universidades católicas e os superiores gerais das congregações exprimiram suas opiniões sobre os problemas conciliares; mas também uma grande porcentagem de católicos leigos e mesmo de não católicos. Teólogos tão eminentes quanto Henri de Lubac, Jean Daniélou, Yves Congar, Hans Kung, R.Lombarde, Karl Rahner e outros tiveram um papel extraordinário nesses trabalhos preparatórios.” (Citado por M.Malinski, Mon ami Karol Wojtyla, Paris, Le Centurion, 1980, p.189).

Todos os textos do Vaticano II devem ser rejeitados?

Pode-se dividir os textos do Concílio Vaticano II em três grupos:

1)    Alguns poderiam ser aceitos pois estão conformes à Doutrina Católica, como, por exemplo, o Decreto sobre a Formação dos Padre;
2)    Outros são equívocos, isto é, podem ser compreendidos corretamente, mas também podem ser interpretados em sentido errôneo;
3)    Alguns, em fim, não podem ser compreendidos no sentido ortodoxo; na sua atual formulação, não podem ser aceitos. É o caso da Declaração sobre a Liberdade Religiosa.

Os textos ambíguos podem ser aceitos se forem – segundo a expressão de Monsenhor Lefebvre – interpretados à luz da Tradição. Os textos do terceiro grupo não podem ser aceitos antes de terem sido retificados.

De onde vem o caráter ambíguo de alguns textos do Vaticano II?

Os equívocos introduzidos voluntariamente nos textos conciliares para enganar os padres conservadores. Enchia-se-lhes de ilusões, insistindo sobre o fato de que o texto não queria, no fundo, dizer nada diferente do que a Igreja sempre havia ensinado. Mas, na sequência, foi possível apoiar-se sobre estas passagens para defender teses heterodoxas.

Há provas de que essas ambiguidades foram introduzidas voluntariamente?

Karl Rahner e Herbert Vorgrimler confirmam isso quando escrevem, por exemplo, que se “deixou aberto um certo numero de questões teológicas importantes, sobre as quais não se chegaria a acordo, escolhendo-se formulações que poderiam no Concílio ser interpretadas diferentemente por grupos e tendências teológicas particulares.” (K.Rahner e H.Vorgrimler, Kleines Konzilskompendium. Samtliche Texte dês Zweten Vatikanumes, Fribourg, Herder, 1986, pag.21)

Como se podia se justificar uma tal imprecisão nos textos conciliares?

Essa ambiguidade deliberada era explicada pelo fato de o Concílio Vaticano II querer ser apenas um Concílio “Pastoral”, por isso não seria mais necessário que se exprimisse com toda a clareza teológica requerida para um Concílio dogmático.

Pode-se se citar exemplos dessas ambiguidades calculadas?

Um exemplo dessa ambiguidade é dado pela famosa expressão “subsistit in”, introduzida na Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja (I,8). Declarou-se ali que a Igreja de Cristo “subsiste na” Igreja Católica.

Qual é o ensinamento tradicional sobre esse assunto?

O ensinamento tradicional, diz, expressamente, que a Igreja de Cristo é a Igreja Católica. Essa palavra “est” se acha ainda nos primeiros projetos dessa Constituição sobre a Igreja. A palavra foi, em seguida, substituída pela expressão “subsistit in”.  É evidente que essa mudança não foi feita sem motivo.

Por que a palavra “est” é aqui tão importante?

A Igreja Católica não é somente uma certa realização da Igreja de Cristo: Ela é a Igreja de Cristo. Isso significa que há uma identidade absoluta entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica. As outras comunidades eclesiais não pertencem de modo nenhum à Igreja de Cristo. Ora, a expressão “subsistit in” introduz uma ambiguidade justamente nesse ponto.

A Congregação para a Doutrina da Fé não deu a interpretação correta desse “subsistit in” nos seus documentos de 2000 (Dominus Jesus) e de julho de 2007?

A Congregação para a Doutrina da Fé rejeitou a interpretação modernista mais extremista da expressão: aquela segundo a qual a Igreja Católica seria apenas uma realização, dentre outras, da Igreja de Cristo. A formula “subsistit in” permite com efeito, sustentar que haveria, fora da Igreja Católica, “verdadeiras realidades eclesiais”.

Sabe-se quem está na origem dessa expressão”subsisitit in”?

O pastor protestante Wilhelm Schmidt reivindicou a paternidade dessa nova expressão. Eis seu testemunho: 

“Era, então, pastor da igreja da Santa Cruz, em Bremen-Horn, e durante a terceira e quarta sessões, observador no Concílio, como representante da Fraternidade Evangélica Michael, a convite do Bea. Propus, por escrito, a formulação “subsistit in” àquele que era, então, o conselheiro teológico do Cardeal Frings: Joseph Ratzinger, que a transmitiu ao Cardeal.” (Pastor Wilhelm Schimidt [não confundir etnólogo homônimo], carta de 3 de abril de 2000 ao autor deste Catecismo. O Pastor Schimidt diz em sua carta: ‘Nada tenho a objetar à publicação desta informação’.”

O Vaticano II não foi infalível enquanto órgão do Magistério Ordinário?


Alguns pretendem que mesmo que o Vaticano II não tenha produzido atos de Magistério Ordinário, a infalibilidade pertencer-lhe-ia enquanto órgão do Magistério Ordinário Universal, por que quase todos os bispos do mundo nele se fizeram presentes. Alem disso – dizem – o ecumenismo e a liberdade religiosa são ensinado hoje pelos bispos do mundo inteiro, o que equivaleria ao exercício do Magistério Ordinário Universal, que é infalível. Porém essa argumentação está viciada. O Vaticano II, Concílio “Pastoral”, recusou-se a comprometer sua autoridade para definir o que quer que fosse; não impôs a liberdade religiosa e o ecumenismo como Verdades de Fé, por isso encapando ao Magistério Extraordinário. Mas, de uma cajadada só, escapou também do Magistério Ordinário Infalível. Pois não pode haver infalibilidade se os bispos não certificam, com autoridade, que o ensinamento que dispensam pertencem ao Depósito de Fé (ou é-lhe necessariamente ligado) e que deve ser dito como imutável e obrigatório.

Alguns ensinamentos do Vaticano II não são apresentados como “fundados na Revelação”, “conformes à Revelação”, “transmitidos pela Igreja” ou “decretados no Espírito Santo”?

Essas são formas piedosas mas muito insuficientes para assegurar a infalibilidade. Seria preciso impor, com autoridade, esse ensinamento como ligado necessariamente à Revelação Divina, imutável, obrigatório. Ora, a liberdade religiosa e o ecumenismo são novidades contrárias ao ensinamento anterior ao da Igreja. De fato, os bispos não os impõe de forma firme e precisa como Verdades Imutáveis. Não comprometeram formalmente, para os propugnar, sua autoridade de guardiãos do Depósito revelado aos Apóstolos; porém as propuseram de modo liberal (“pastora”) como fruto de um diálogo com o mundo modernos e como reflexo do que criam os cristãos de hoje. Isso basta para excluir a infalibilidade. (Ver sobre esse assunto os argumentos desenvolvidos pelo padre Calderon em A Candeia Debaixo do Alqueire, Rio de Janeiro, Ed. Sétimo Selo, 2009).

Não se pode, pois, invocar o Magistério Ordinário Universal , no que concerne ao ecumenismo e à  liberdade religiosa?


Não se pode invocar o Magistério Ordinário Universal em favor do ecumenismo e da liberdade religiosa; porém, se poderia, a bom direito, afirmar que são as condenações trazidas no curso dos dois últimos séculos contra a liberdade religiosa e o ecumenismo que são infalíveis em razão do Magistério Ordinário.

As autoridades atuais da Igreja reconhecem a não infalibilidade do Vaticano II?

O Vaticano II não foi infalível, foi o que afirmou expressamente o Cardeal Ratzinger em 1988, dizendo: 

“A verdade é que o Concílio ele mesmo, não definiu nenhum dogma e procurou se situar num nível mais modesto, simplesmente como um Concílio pastoral. Apesar disso, numerosos são aqueles que o interpretam como se se tratasse de um ‘superdogma’ que sozinho tem a importância.” (Alocução do Cardeal Ratzinger diante da Conferencia Episcopal Chilena, em 13 de julho de 1988 [Itinéraires 330, fevereiro, 1989, pag.4).

Por que as autoridades atuais se apegam tanto ao Vaticano II, já que reconhecem que ele não é infalível?
 

De fato, o Vaticano II é, desde a origem, objeto de um jogo desonesto. Durante o Concílio, insistiu-se sobre seu caráter pastoral para evitar se exprimir com precisão teológica; mas, depois, deseja-se lhe dar uma autoridade igual ou mesmo superior àquela dos Concílios anteriores. Esse jogo desonesto foi denunciado por um dos participantes do Concílio, Monsenhor Lefebvre, a partir de 1976: 
“É indispensável desmitificar esse Concílio que eles desejam pastoral em razão de seu horror instintivo ao dogma, e para facilitar a introdução oficial das ideias liberais dentro de um texto da Igreja. Contudo, operação terminada, dogmatizam o Concílio, comparam-no ao de Nicéia, pretendem-no semelhante aos outros, senão superior!” (Mons. Marcel Lefebvre, J’acuse Le Concile!, Matigny (Suiça), Editions Saint-Gabriel, 1976, pag.9)

Fonte: Catecismo da Crise na Igreja. Pe. Matthias Gaudron, FSSPX – Editora Permanência. Visto em: http://auxiliodoscristaos.blogspot.com.br/2012/06/o-concilio-vaticano-ii-em-perguntas-e.html.

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