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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

MONS. LEFEBVRE: "A favor e contra o Syllabus". A condenação das ações e intenções de dom Fellay.

Eu me pergunto se dom Fellay & companhia ouviram essa conferência ou a leram em algum momento de suas vidas. E os demais padres? Nos seminários não se lia isso? Aqui está a condenação de dom Fellay e de seus cúmplices, e de todos os que venderam a primogenitura por um prato de lentilhas frias.

Giulia d'Amore


* * *


Conferencia de Monsenhor Lefebvre por ocasião do retiro sacerdotal do mês de setembro de 1990 em Ecône.
Ela permanece sempre atual, pois ilustra bem a mudança radical que se operou na Igreja depois do Concilio.
O Vaticano II tomou o sentido contrário àquele que o Magistério tinha ensinado, notadamente no combate que tinha sustentado os papas do século XIX e do século XX até Pio XII contra os erros modernos.
Depois de ter se lembrado de uma conversa telefônica que tivera com o Cardeal Oddi que dizia para pedir “um pequeno perdão ao Papa” e ao que lhe respondeu: “É preciso que Roma mude. Isto não é uma questão de liturgia. É uma questão de fé.” Monsenhor Lefebvre afirma que o combate que nós vivemos hoje é sempre o mesmo. Há os “pro-Syllabus” e os que são contra.


A favor e contra o Syllabus.


O problema permanece gravíssimo, e não o podemos minimizar. É isso que precisamos responder a todos os leigos que vem nos perguntar se a crise vai acabar ou se não haverá um meio de ter uma autorização para nossa liturgia, nossos sacramentos...

Certamente que a questão da liturgia e dos sacramentos é muito importante, mas mais importante ainda é a questão da Fé. Para nós, esta questão está resolvida por que temos a Fé de sempre, aquela do Concílio de Trento, do Catecismo de São Pio X, de todos os Concílios e de todos os Papas de antes do Concílio Vaticano II; em uma palavra, a Fé da Igreja.

Mas, e Roma? A perseverança e a pertinácia das ideias falsas e dos graves erros do Vaticano II continuam. Isso é claro.

O padre Tam nos enviou trechos do l’Osservatore Romano: Discursos do Santo Padre, do Cardeal Casaroli, do Cardeal Ratzinger. São documentos oficiais da Igreja, dos quais não se pode duvidar a autenticidade, e se fica estupefato.

Nestes tempos (pois estou de férias), eu reli o livro que conheceis bastante, de Barier, sobre o Catolicismo liberal. E é impressionante ver que nosso combate é exatamente aquele dos grandes católicos do século XIX, desde a Revolução Francesa, e o combate dos Papas Pio VI, Pio VII, Pio VIII. Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, até Pio XII. Ora, em que se resume este combate? Na Quanta Cura e o Syllabus de Pio IX e na Pascendi Domini Gregis de São Pio X. São documentos sensacionais, que aliás, tiveram grande repercussão em seu tempo, pois opuseram a doutrina da Santa Sé aos erros modernos.  É a doutrina com que a Igreja enfrentou os erros que são manifestamente da Revolução Francesa, particularmente da Declaração dos Direitos do Homem.


Ora, é o mesmo combate que travamos hoje em dia: há aqueles que são a favor do Syllabus e os que são contra; há aqueles que são a favor da Quanta Cura e os que são contra; aqueles que são a favor da Pascendi e os que são contra. É isso mesmo.

Aqueles que são contra os documentos adotam o principio da Revolução, os erros modernos. Aqueles que são a favor, permanecem na Fé Católica.

Ora, vós sabeis muito bem que o Cardeal Ratzinger disse oficialmente que, para ele, o Vaticano II era o anti-Syllabus¹. Logo, eles adotaram o principio da Revolução. Alias, foi dito muito claramente: “a Igreja se abriu às doutrinas que não são nossas, mas que vieram da sociedade etc...”. Todo mundo compreendeu: os princípios de 1789, os Direitos do Homem.

Nós estamos exatamente na mesma situação do Cardea Pie, de Monsenhor Freppel, de Louis Veuillot, do deputado Keller na Alsácia, de Ketler na Alemanha, do Cardeal Mermillod na Suíça, que combateram o bom combate, com a grande maioria dos bispos, pois nessa época eles tinham a sorte de ter ao seu lado a grande maioria dos bispos. Certamente, Monsenhor Dupanloup e alguns bispos franceses foram a exceção. Alguns mesmo na Alemanha e na Itália foram abertamente contra o Syllabus e Pio IX, mas foram casos extraordinários.

Havia esta força revolucionária herdada da Revolução e, para usá-la, Monsenhor Dupanloup, Montalambert, Lamennais..., que não queriam nunca invocar os Direitos de Deus contra os Direitos do Homem. “Nós pedimos o direito comum”, ou seja, isso que convém a todos os homens, a todas as religiões, a todo mundo. O Direito comum, não o Direito de Deus.

Nós nos encontramos na mesma situação. É preciso não ter ilusões: estamos em um combate muito forte. Mas como é assegurado por toda linhagem dos Papas, nós não temos que hesitar nem ter medo.

Alguns querem mudar isso ou aquilo e se ligar a Roma e ao Papa... Nós o faríamos claro, se eles voltassem à Tradição e continuassem o trabalho de todos os Papas do século XIX e da primeira metade do século XX. Mas eles mesmos reconhecem que tomaram um novo caminho, que o Concílio Vaticano II abriu uma nova era e que a Igreja percorre uma nova etapa.
Penso que é preciso inculcar isso nos fiéis, de tal maneira que eles se sintam solidários com a História da Igreja. Por que, enfim, isso remonta a antes da Revolução: é o combate de Satanás contra a Cidade de Deus. Como isso vai se resolver? É o segredo de Deus, um mistério. Mas não é preciso se preocupar, é preciso ter confiança na graça do Bom Deus.
Nós precisamos é combater as idéias atualmente em voga em Roma, aquelas que o Papa exprime, assim como Ratzinger, Casaroli, Willebrands, e tantos outros. Nós os combateremos por que eles só fazem ensinar o contrário dos [?] disseram e afirmaram solenemente diante um século e meio.

Então é preciso escolher.

É isso que eu dizia ao Papa Paulo VI. Nós somos obrigados a escolher entre Vós, o Concílio, e vossos predecessores. A quem é preciso ir? Aos predecessores, que afirmaram a Doutrina da Igreja, ou seguir as novidades do Concílio Vaticano II que vós afirmastes. “Oh, não é preciso ter teologia aqui”, me respondeu ele. Tudo está, pois, claro!

Nós não podemos hesitar um minuto se não quisermos ir ao encontro daqueles que estão nos traindo. Há sempre aqueles que querem ficar olhando do outro lado do muro. Eles não olham o lado dos amigos, aqueles que lutam do mesmo lado na batalha, eles sempre estão olhando, pelo menos um pouco, do lado do inimigo.

Eles dizem que é preciso ser caridoso, ter bons sentimentos, que é preciso evitar as divisões. Depois de tudo, estas pessoas dizem que, durante a missa, eles não são tão maus quanto dizem...

Mas eles nos traíram. Eles dão a mão àqueles que demolem a Igreja, àqueles que têm ideias modernistas e liberais, portanto condenadas pela Igreja. E, agora, fazem o trabalho do Diabo, eles que trabalhavam conosco pelo Reino de Nosso Senhor e para a salvação das almas.
“Oh, quando nos concederem a Missa poderemos dar a mão a Roma, não haverá mais problemas.” Assim tudo começa! Eles estão em um impasse pois não se pode dar a mão a Roma e guardar a Tradição.
Que se tenha contato para trazê-los à Tradição, convertê-los, isso sim é um bom ecumenismo. Mas dar a impressão que não existe arrependimento e que tudo está bem com eles, isso não é possível. Como falar com aqueles que agora nos dizem que estamos gelados como cadáveres? Segundo eles, não somos mais a Tradição viva, somos pessoas tristes, “sem vida e sem alegria.” E de crer que jamais fizemos parte da Tradição! É falso. Como quereis vós que se posso ter relações com essas pessoas?

É isso que nos coloca, às vezes, problemas com alguns bons leigos, que estão conosco e aceitaram as sagrações, mas que têm uma espécie de arrependimento intimo de não estar com aqueles que estavam outrora, aqueles que não aceitaram as sagrações e que agora estão contra nós. “É uma pena, eu bem quereria ir revê-los, me encontrar com eles, lhes estender a mão.” Isso é traição porque na menor ocasião partirão com eles. É preciso saber o que se quer.

Pois foi isso que matou a Cristandade na Europa, não somente a Igreja na França, mas também na Alemanha, na Suíça... São os liberais que permitiram à Revolução de se instalar, precisamente porque estenderam as mãos àqueles que tinham seus princípios.

É preciso saber se queremos colaborar para a demolição da Igreja, à ruína do Reinado Social de Nosso Senhor ou se estamos decididos a trabalhar no Reino de Nosso Senhor.

Todos aqueles que quiserem vir conosco, para trabalhar conosco, Deo Gratias! Nos os acolhemos, pouco importa de onde eles venham, mas que eles não nos digam para sair de nosso caminho para ir colaborar com os outros. Isto não é possível.
Ao longo de todo o século XIX, os católicos foram divididos a respeito do documento do Syllabus, a favor ou contra.

Vós lembrais, em particular, o conde de Chambord, que criticaram de ter recusado a realeza por uma questão de bandeira. Mas não é somente uma questão de bandeira, o conde de Chambord recusou estar submisso aos princípios da Revolução. Ele disse: “Eu não consentirei nunca a ser o rei legitimo da Revolução.” E ele tinha razão, pois ele teria que sido eleito pelo País e pela Assembleia, mas sob condições de aceitar o Parlamentarismo, ou seja, os princípios da Revolução. Então ele disse: “Não, se eu devo ser rei, eu o serei segundo meus ancestrais de antes da Revolução.”

Ele tinha razão em escolher assim. Com o Papa, ele escolheria os princípios de antes da Revolução, princípios católicos e antirrevolucionários. E nós também escolhemos ser antirrevolucionários, com o Syllabus, contra os erros modernos, de estar na verdade católica e a defender.

Este combate entre a Igreja e os liberais modernistas é aquele do Concílio Vaticano II. E isto vai mais longe. Mais se analisam os documentos do Vaticano II e a interpretação que lhe dão as autoridades da Igreja, mais se percebe que se trata não somente de alguns erros - o ecumenismo, a liberdade religiosa, a colegialidade, um certo liberalismo - mas ainda uma perversão do espírito. É toda uma nova filosofia baseada sobre a filosofia moderna do subjetivismo. Um livro que acaba de ser publicado de um teólogo alemão, e espero que seja traduzido em francês a fim de que possais ter em vossas mãos, é muito instrutivo sobre este ponto de vista. Ele comenta o pensamento do Papa, especialmente sobre um retiro que, simples bispo, ele prega no Vaticano. Ele mostra bem que no Papa tudo é subjetivo. Quando se lê em seguida seus discursos, se percebe que este é mesmo o seu pensamento. Apesar das aparências, isso não é católico. O pensamento que o Papa tem de Deus, Nosso Senhor, vem do fundo de sua consciência, e não de uma Revelação objetiva à qual adere por sua inteligência. Ele constrói a ideia de Deus. Ultimamente ele disse, em um impressionante documento, que a ideia de Trindade não veio senão muito mais tarde, porque seria preciso que a psicologia do homem interior pudesse ser capaz de chegar a Santíssima Trindade. Logo a ideia da Trindade não é uma Revelação, mas vem do fundo da consciência. É completamente outra ideia de Revelação, da Fé e da filosofia, é uma perversão total. Como sair disso? Eu não sei. Em todo caso isso é um fato.

Não são pequenos erros. Encontramo-nos diante de uma corrente filosófica que remonta a Descartes, a Kant, a toda linha de filósofos modernos que prepararam a Revolução.

Aqui vão algumas citações do Papa sobre o ecumenismo publicados no l’Osservatore Romano de 2 de junho de 1989:

“Minha visita aos países Nórdicos é uma confirmação do interesse da Igreja Católica na obra do ecumenismo, que é a de promover a unidade de todos os cristãos. Há vinte e cinco anos que o Concilio Vaticano II insistiu claramente sobre a urgência deste desafio da Igreja. Meus predecessores procuraram atingir este objetivo como uma perseverante atenção à graça do Espírito Santo, que é a fonte divina e a garantia do movimento ecumênico. Desde o principio de meu pontificado fiz do ecumenismo a prioridade de minha solicitude para a ação pastoral.”

Está claro!

E o Papa fez o mesmo discurso diversas vezes, porque ele recebeu constantemente delegações ortodoxas, de todas as religiões, de todas as seitas.

Mas se pode dizer que este ecumenismo não trouxe o menor progresso para a Igreja. Não chegou a nada senão a confortar uns aos outros em seus erros, sem procurar convertê-los. Tudo isso que se diz é um verdadeiro falatório: 'a comunhão aproxima'. 'Nós desejamos estar antes em uma comunidade perfeita', 'esperemos que em pouco possamos comungar nos sacramentos da unidade'. E assim sucessivamente. Mas eles não avançam, e é impossível que avancem.

Sempre no l’
Osservatore Romano, encontramos um discurso de Casaroli se dirigindo à Comissão dos Direitos do Homem das Nações Unidas:
“Respondendo com muito prazer ao convite que me foi feito de vir até vós e vos trazer os encorajamentos da Santa Sé, desejo me demorar um pouco – e todos o compreenderão – sobre um aspecto especifico da liberdade fundamental de pensar e de agir segundo sua consciência, a liberdade de religião.” (Ouvir uma coisa dessas da boca de um arcebispo!) “João Paulo II não hesitava em afirmar no ano passado em uma mensagem para a Jornada Mundial para a Paz, que a liberdade religiosa constitui, como uma pedra angular, o edifício dos direitos do homem.”
“A Igreja Católica e seu Pastor supremo, que fez dos direitos do homem um dos grandes temas de sua pregação, não deixou de dizer que tudo foi feito para o homem (dixit Casaroli) toda organização da sociedade não tem sentido que na medida onde ela faz da dimensão humana uma preocupação central.” (De Deus não se diz nada, sem dimensão de Deus no homem, é medonho! É o Paganismo!). E ele continua: “Tudo pelo homem e tudo para o homem, esta é a preocupação da Santa Sé que é também a vossa.”
Não há nada mais o que demonstrar. Nós não temos nada com essa gente por que não temos nada em comum com eles.

Então nosso famoso Ratzinger se encontra agora envergonhado por ter dito que o Vaticano II era um contra-Syllabus, pois o reprova continuamente. É por que ele encontrou uma explicação que nos deu em 27 de junho de 1990.

Vós sabeis que Roma publicou um documento para explicar as relações entre o Magistério e os teólogos. Como eles não sabem sair dos embaraços em que estão, eles tentam pegar os teólogos sem os condenar. Há paginas e paginas onde se perdem completamente.

É na apresentação deste documento que o Cardeal Ratzinger mostra seu pensamento sobre a possibilidade de poder dizer o contrário do que os Papas sempre ensinaram desde o último século.

“O documento, diz o cardeal, afirma talvez pela primeira vez com esta clareza (com efeito, eu penso que é verdade), que há decisões do Magistério que não podem ser a última palavra sobre a matéria, tanto que ela, mas que são uma tintura substancial sobre o problema (o maligno!) e antes de tudo uma expressão de prudência pastoral. Uma espécie de disposição provisória. (As decisões oficiais da Santa Sé, disposições provisórias!) O núcleo continua estável, mas os aspectos particulares sobre os quais tem uma influencia das circunstâncias do tempo, podem ter necessidade de retificações ulteriores. A este respeito se pode assinalar as declarações dos papas do último século sobre a liberdade religiosa como também as decisões anti-modernistas do principio do século. E sobre tudo as decisões da Comissão Bíblica da mesma época.” (Isso nós não podemos digerir).
Ai estão três decisões do Magistério que se pode colocar de lado. Isso pode mudar. A este respeito se podem assinalar as declarações dos Papas do último século que têm necessidade de correções ulteriores “As decisões anti-modernistas renderam um grande serviço, mas depois de ter rendido seu serviço pastoral, em seu tempo, em suas determinações particulares, elas são agora ultrapassadas.” (E ai viramos a página do modernismo. Está terminado e não se fala mais nisso).
Ai emerge a acusação que lhe fazemos de ser contra o Syllabus, contra as decisões pontificais e contra o Magistério: um núcleo continua (qual núcleo? Ninguém sabe!), mas os aspectos particulares sobre os quais tem uma influencia particular as circunstâncias do tempo podem ter necessidades de retificações ulteriores. Ai está o que está acontecendo. É inacreditável. Como quereis que tenhamos confiança nessa gente que justificam a negação da Quanta Cura, da Pascendi e as decisões da Comissão Bíblica etc...
Ou somos herdeiros da Igreja Católica - ou seja, da Quanta Cura, da Pascendi, com todos os Papas até antes do Concílio e a grande maioria dos bispos de então, pelo Reino de Nosso Senhor e a salvação das almas - ou somos os herdeiros daqueles que se esforçam, mesmo ao preço de uma ruptura com a Igreja e sua doutrina, em vista de obter uma presença como servidores no governo mundial revolucionário. Porque isto está no fundo da questão: de tanto dizer dos direitos do homem, da liberdade religiosa, a democracia e a igualdade dos homens, eles terão um lugar no Governo Mundial, mas será um lugar de servidores.
Se eu vos digo estas coisas é porque me parece que é preciso apegar nosso combate àquele que o precedeu. Porque ele não começou no Concílio. Este combate é muito duro, muito difícil, no qual correu sangue. A separação entre a Igreja e o Estado, os religiosos e religiosas casados, a espoliação dos bens da Igreja, constituíram uma verdadeira perseguição, não somente na França mas também na Suíça, na Alemanha, na Itália. Era o momento da ocupação dos Estados Pontifícios, quando o Papa se encontrou relegado ao Vaticano, em pressa de coisas abomináveis. Então estaremos nós com todas essas pessoas, contra a doutrina dos Papas, sem nos ocupar de protestar quando os vemos nos impedir de defender os direitos da Igreja e de Nosso Senhor para defender as almas?
Creio que temos verdadeiramente um combate que não está de acordo com nossas forças. Mais precisamente, não é a nosso combate que nos entregamos, é ao de Nosso Senhor, continuado pela Igreja. Não podemos hesitar: ou estamos com a Igreja ou estamos contra Ela, não estamos com esta Igreja conciliar que tem cada vez menos a ver com a Igreja Católica, praticamente nada mais.
Antes, quando o Papa falava dos Direitos do Homem, ele fazia continuamente como alusão aos seus deveres. Agora isso terminou: tudo é para o homem e tudo é pelo homem. Queria vos dar algumas considerações para vos fortificar também para que tenhais consciência de continuar o combate com a graça do Bom Deus.
Por que é certo que não existiríamos mais se o Bom Deus não estivesse conosco. Houve ao menos quatro ou cinco ocasiões em que a Fraternidade poderia desaparecer. E, graças a Deus, estamos sempre ai para continuar. Ela deveria desaparecer por ocasião das sagrações, tanto nos falaram isso! Todos os profetas de desgraças e mesmo nossos próximos nos diziam: ”Monsenhor, não faças isso, será o fim da Fraternidade.” Mas não, o Bom Deus não quer que o combate termine assim.
Este combate teve seus mártires: os mártires da Revolução e todos aqueles que foram martirizados moralmente durante toda a perseguição dos séculos XIX e XX. São Pio X sofreu o martírio por causa de tantos bispos perseguidos, de conventos expropriados, religiosas expulsas para além das fronteiras e tantas outras coisas. E tudo isso é por nada? Isto seria um falso combate, inútil, um combate que condenaria as vitimas e os mártires? Isto não é possível.
Mas continuemos o combate, agradeçamos ao Bom Deus. Somos perseguidos, é evidente, somos os únicos excomungados, os únicos perseguidos, mas não podemos não o ser.
Então, o que acontecerá? Eu não sei. Elias? Li isso ainda esta manhã nas Escrituras: “Elias voltará e recolocará tudo em seu lugar”, Omnia restituet. Que ele venha rápido!
Humanamente falando, não vejo possibilidade de acordo atualmente. Me disseram ontem: “Se Roma aceitasse vossos bispos e que sejais completamente excetuado da jurisdição dos bispos...”. Primeiramente eles estão bem longe de aceitar uma coisa como estas, em seguida será preciso que eles nos façam uma oferta e eu não penso que estejam prontos a fazer isso, porque no fundo a dificuldade está precisamente em nos dar um bispo tradicionalista. Eles não querem um bispo que não tenha o perfil da Santa Sé. O “perfil”, compreendei o que isso quer dizer? Eles sabem muito bem que nos dando um bispo tradicional eles constituirão uma cidadela tradicionalista, e eles não querem e não o darão aos outros. Quando os outros dizem que assinaram o mesmo protocolo que nós, isso não é verdade. Nosso protocolo previa um bispo e dois comissários romanos. Roma tirou isso do protocolo porque Ela não aceitaria por nenhum preço.
Em 1° de novembro próximo festejaremos os vinte anos da Fraternidade, e estou intimamente convencido de que é ela que representa aquilo que o Bom Deus quer para guardar e manter a Fé, a verdade da Igreja, e isto que pode ainda estar salvo na Igreja. Isto se fará também aos bispos que estarão junto com o Superior Geral e que cumprindo seu papel indispensável de mantenedores da Fé, pregando e dando as graças do Sacerdócio e da Confirmação. São coisas insubstituíveis da qual se tem a absoluta necessidade.
Tudo isso é verdadeiramente muito consolador, e eu penso que podemos agradecer ao Bom Deus e trabalhar na perseverança, a fim de que um dia se reconheça isto que fazemos. Se bem que a visita do Cardeal Gagnon não tenha dado muitos resultados, ele bem mostrou que estamos presentes e o bem que se fazia por meio da Fraternidade. Se bem que eles não tenham querido dizer abertamente, eles são obrigados a reconhecer que a Fraternidade representa uma força espiritual insubstituível para a Fé, do qual eles terão, eu espero, a alegria e a satisfação de se servir quando reencontrarem a Fé tradicional.
Rezemos à Santíssima Virgem, peçamos a Nossa Senhora de Fátima, a todas as peregrinações respectivas em todos os Países, de vir em ajuda da Fraternidade para que ela tenha  muitas vocações. Deveríamos ter  mais vocações, nossos seminários não estão cheios. Mas penso que com a graça de Deus isto acontecerá. Obrigado por terem me escutado. Vos peço que rezem para que eu tenha uma boa e santa morte, por que de agora em diante não tenho mais do que isso a fazer.

In Fideliter N° 87. Mai-Jun 1992
Tradução: Rafael Horta
Visto em: http://auxiliodoscristaos.blogspot.com.br/2013/09/a-favor-e-contra-o-syllabus.html.

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Nota:

1 - "Se se deve admitir um diagnóstico global sobre esse texto [a Gaudium et Spes do Vaticano II] poderia dizer-se que significa, (junto com os textos sobre a liberdade religiosa e sobre as religiões mundiais) uma revisão do Syllabus de Pio IX, uma espécie de Antisyllabus" (Cardeal Ratzinger, Teoria dos Princípios Teológicos, Herder, Munchen, Barcelona, 1992-1995, p. 457). in http://angueth.blogspot.com.br/2012/10/50-anos-de-vaticano-ii-joao-xxiii.html.
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