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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Dom Marcel Lefebvre fala

OPERAÇÃO MEMÓRIA: para quem esqueceu ou não sabe ou se faz de besta. Vou ter que aprender a desenhar para que fique mais claro? Será? Grifos nossos.


"Se Eu não tivesse vindo, teriam desculpa, mas como Eu vim, eles não têm mais desculpa", disse Jesus (em João).   

 * * *

Dom Marcel Lefebvre: "Um grave problema, diante da consciência e da fé de todos os católicos desde o começo do pontificado de Paulo VI. Como é possível que um Papa, verdadeiro sucessor de Pedro, socorrido pela assistência do Espírito Santo, possa presidir a destruição da Igreja, a mais profunda e extensa da história dela, em tão pouco tempo e de um modo que nenhum heresiarca jamais conseguiu?".  



Dom Marcel Lefebvre fala



Transcrevemos hoje, traduzida, a entrevista de Dom Marcel Lefebvre publicada no Figaro de 4 de agosto(1); e não ignoramos que muitos leitores brasileiros, por carência de informação ou de formação, talvez se escandalizem com a declaração de Dom Lefebvre; e talvez a qualifiquem como simplesmente rebelde e indisciplinada.

De início eu diria ao meu escandalizado leitor que é fácil julgar-se mais católico, mais virtuoso do que Dom Lefebvre, mas que não é tão fácil sê-lo efetivamente.

A Europa inteira está emocionada e aturdida diante da suspensão do venerável ancião que se achou colocado na situação prevista na famosa carta que os cardeais Ottaviani e Bacci dirigiram ao Sumo Pontífice em 1969: «...a promulgação do Novo Ordo coloca o fiel católico diante de uma trágica opção».

Coube à grande alma católica do Bispo fundador de seminários católicos o encargo de condensar em sua obra, em seu coração, o sofrimento de todos os sacerdotes e leigos do mundo que sofrem o mesmo dilaceramento.


Segue-se a entrevista com a pergunta inicial do jornalista e as declarações de Dom Lefebvre:


Dom Marcel Lefebvre, não estará o senhor à beira de um cisma?.
 
- Esta é a pergunta que a si próprios fazem muitos católicos após saberem das últimas sanções tomadas por Roma contra nós. Na maioria dos casos, os católicos definem ou imaginam o Cisma como uma ruptura com o Papa. Não levam além sua indagação. Se o senhor vai romper com o Papa ou se o Papa vai romper com o senhor, temos pois um Cisma.
- Porque romper com o Papa constitui um Cisma? Porque, onde está o Papa está a Igreja Católica. Logo seria apartar-se da Igreja Católica. Ora, a Igreja Católica é uma realidade mística que existe não apenas no espaço, sobre a superfície da terra, mas também no tempo e na eternidade. Para que o Papa represente a Igreja e seja dela a imagem, é preciso que esteja unido a ela tanto no espaço como no tempo já que a Igreja é uma Tradição viva na sua essência. Na medida em que o Papa se afastar dessa Tradição estará se tornando cismático, terá rompido com a Igreja. Teólogos como São Belarmino, Caetano, o Cardeal Journet e muitos outros, estudaram essa eventualidade. Não se trata, pois, de uma coisa inconcebível.
- Quanto a nós, é o Concílio Vaticano II, suas reformas, suas orientações oficiais que nos preocupam, mais do que a atitude pessoal do Papa, mais difícil de ser perscrutada.
- Este Concílio representa, tanto aos olhos das autoridades romanas quanto aos nossos, uma nova Igreja, que, aliás, eles próprios chamam de Igreja Conciliar.
- Cremos poder afirmar, atendo-nos à crítica interna e externa do Vaticano II, isto é, analisando os textos e estudando seus antecedentes e suas consequências, que este Concílio, virando as costas para a Tradição e rompendo com o passado da Igreja, é cismático. Julga-se a árvore pelos frutos. A imprensa mundial, americana e europeia, já reconhece que este Concílio está arruinando a Igreja Católica a tal ponto que mesmo os ateus e os governos laicos começam a se inquietar.
- Um pacto de não-agressão foi firmado entre a Igreja e a Maçonaria. É o que está mascarado pelas palavras "aggiornamento", "abertura para o mundo" ou "ecumenismo".
- A Igreja aceitaria, doravante, não ser mais a única Religião verdadeira, a única via para a salvação eterna. Ela reconheceria como religiões-irmãs as outras religiões. Reconheceria como um direito concedido pela natureza da pessoa humana que esta pessoa é livre de escolher sua religião e que, portanto, a existência de um Estado católico seria inadmissível.
- Se admitirmos este novo princípio, temos que mudar toda a Doutrina da Igreja, seu culto, seu Sacerdócio, suas instituições. Pois tudo, até então, na Igreja, manifestava que Ela era a única a possuir a Verdade, o Caminho e a Vida em Nosso Senhor Jesus Cristo, que ela, a Igreja, é a única a deter em pessoa, na Santa Eucaristia, onde, Ele está presente, graças à continuação de seu Sacrifício. Logo é uma inversão total da Tradição e do ensino da Igreja que está se operando, depois do Concílio e pelo Concílio.
- Todos aqueles que cooperam nesta reviravolta de valores aceitam e aderem a essa nova Igreja Conciliar – como o próprio Dom Benelli a designa na carta que me dirigiu em nome do Santo Padre em 25 de junho último – e entram no cisma.
- O fato de terem sido adotadas no Concílio teses liberais só pode acontecer num concílio pastoral, não infalível, e não pode ser explicado sem uma minuciosa e secreta preparação - que os historiadores, no futuro, um dia descobrirão, para grande estupefação dos católicos - que confundem a Igreja Católica, Romana, Eterna com a Roma humana e susceptível de ser invadida por inimigos vestidos de púrpura.
- Como poderíamos nós, por obediência servil e cega [a mesma que tomo conta dos sequazes de Fellay], fazer o jogo desses cismáticos que nos pedem colaboração para seus empreendimentos de destruição da Igreja?
- A autoridade legada por Nosso Senhor ao Papa, aos bispos e ao sacerdócio em geral está a serviço da Fé na Sua divindade, e da transmissão de Sua própria vida divina. Todas as instituições divinas ou eclesiásticas estão destinadas a esse fim. O direito e as leis não têm outra finalidade. Servir-se do direito, das instituições e da autoridade para aniquilar a Fé Católica e impedir que a vida seja comunicada é uma espécie de aborto ou de contraconcepção espiritual. Quem ousará dizer que um católico verdadeiramente digno desse nome pode cooperar com tal crime pior do que o aborto corporal? 
- Eis porque estamos prontos e submissos para aceitar tudo o que for conforme à nossa Fé Católica, tal como foi ensinada durante dois mil anos, mas recusamos tudo o que lhe é contrário.
- Já ouvimos a objeção: "Então cabe a nós julgarmos a fé católica?" Mas não será dever de um católico julgar entre a fé que lhe ensinam hoje e a que foi ensinada e crida durante vinte séculos e que está escrita nos catecismos oficiais como o do Concílio de Trento, o de São Pio X e em todos os catecismos antes do Vaticano II? Como foi que agiram os verdadeiros fiéis diante das heresias? Preferiram dar o sangue a trair sua fé.
- Que a heresia venha pelos mais altos dignitários, isso não altera o problema quanto à salvação de nossa alma. Sobre isso há uma ignorância grave entre os católicos quanto à natureza e extensão da infalibilidade do Papa. Muitos pensam que toda palavra saída da boca do Papa é infalível.
- Por outro lado, parece-nos muito mais certo que a Fé ensinada pela Igreja durante 20 séculos não pode conter erros do que seja certo que o Papa é verdadeiramente Papa. A heresia, o cisma, a excomunhão "ipso facto", a invalidade da eleição [isto se torna a cada dia mais evidente, nos círculos dos teólogos e dos vaticanistas, em relação a Bergoglio], tudo isso são causas eventuais que podem fazer com que um Papa não tenha sido jamais Papa, ou não mais o seja. Nesse caso, evidentemente excepcional, a Igreja se encontraria numa situação semelhante àquela em que ela se acha quando morre um Soberano Pontífice.
- Um grave problema, diante da consciência e da Fé de todos os católicos desde o começo do pontificado de Paulo VI. Como é possível que um Papa, verdadeiro sucessor de Pedro, socorrido pela assistência do Espírito Santo, possa presidir a destruição da Igreja, a mais profunda e extensa da história dela, em tão pouco tempo e de um modo que nenhum heresiarca jamais conseguiu?
- A essa pergunta será preciso responder um dia. Mas, embora deixando o problema aos teólogos e aos historiadores, somos constrangidos pela realidade a responder praticamente, seguindo o conselho de São Vicente de Lérins: "O que deverá fazer o cristão católico se alguma parcela da Igreja venha a se desligar da comunhão da Fé Universal? Que outro partido tomar senão preferir ao membro gangrenado e corrompido, a parte sã do organismo? E se um contágio ou uma epidemia arrisca envenenar não somente uma pequena parcela da Igreja, mas, ao mesmo tempo, toda a Igreja, então, o maior zelo deverá ser o de se unir à antiguidade que, evidentemente, não pode mais ser seduzida por nenhuma novidade falsificadora".
- Estamos, pois, decididos a continuar nossa obra de restauração do Sacerdócio católico, aconteça o que acontecer, persuadidos de que não podemos prestar melhor serviço à Igreja, ao Papa, aos bispos e aos fiéis.
- Deixem-nos fazer a experiência da Tradição!
Marcel Lefebvre

Nota 1. Entrevista feita em Ecône, dia 2 de agosto de 1976
Revista Permanência n° 140-14, Julho-Agosto 1980 





MORTE, O PORTAL DA VIDA
Joseph Noel Paton

Você sabe quando atravessará o seu?
Não tem amor à sua alma?
Porque se contenta em esperar?


Fontes:

  
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