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sábado, 19 de janeiro de 2013

Onde está a reação?

Impossível não repercutir este texto brilhantemente escrito. Sugiro que, da próxima vez, coloque mais desenhos e menos letrinhas, porque os que dormem não compreendem o que leem, ainda mais um texto mais longo do que duas linhas. Pinçam uma palavra ou outra, e se o resumo for "contra" dom Fellay... saem ao galope, gritando: "Crucifica-o!". Não fazem uso da razão. Enfim, eu não perco a esperança e por isso rezo e... desenho!



Onde está a reação?


Já se tornou costume: quando alguém da resistência faz uma crítica bem fundamentada contra Dom Fellay, logo os capachos de plantão se colocam a defender o chefe. As críticas são feitas com todas as provas, muitas vezes baseadas nas palavras escritas ou pronunciadas pelo próprio Dom Fellay. Mas, os guarda-costas lançam aquele ar de escândalo: "estão mentindo!", "estão caluniando!". Pretendem que a propaganda encubra a verdade.

Engraçado que, quando as autoridades vaticanas dizem coisas que realmente depõem contra Dom Fellay, o silêncio é total. Eles temem desagradar as autoridades com as quais se deseja fazer o acordo prático. Vejamos o que disse recentemente o cardeal Cañizares:

"Mesmo aqueles que seguem a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, quando participam de uma missa celebrada corretamente, afirmou ainda o alto prelado, eles dizem que não haveria a necessidade desta separação com a Igreja Católica se ela [a missa] fosse assim em todos os lugares". O Cardeal Cañizares, em seguida, esclareceu que, segundo o testemunho de Dom Bernard Fellay, atual superior da Fraternidade, Dom Lefebvre obviamente não desejaria a ruptura se a missa fosse celebrada por todos segundo "a forma mais estrita" do novo Missal de Paulo VI (1963-1978).

O fato é muito grave. A nossa recusa da missa de Paulo VI não se baseia em qualquer abuso que ela possa ter sofrido. O novo rito é mau em si. Antes mesmo que fosse posto em prática, o cardeal Ottaviani já havia denunciado todos os erros e problemas deste rito. E dizer que Dom Lefebvre teria aceitado a "forma mais estrita" da missa nova é um grande absurdo, uma deturpação do pensamento deste santo bispo. 

Visto que o cardeal atribuiu tal afirmação a dom Fellay, temos apenas duas saídas: 

- se Dom Fellay não disse isto, ele deveria reagir publicamente e denunciar a mentira do cardeal. Os capachos deveriam se indignar e publicar seus comunicados da mesma forma como fazem contra os membros da resistência (com a diferença de que, agora, eles teriam razão de protestar);

- se Dom Fellay disse isto, seria mais uma prova da grande mudança de rumo que ele está operando na FSSPX. 

De uma forma ou de outra, isto só demonstra o grave perigo do acordismo.

Outra notícia que demonstra o perigo que se corre pela falta de reação, é a carta enviada por Dom Di Noia a cada um dos padres da FSSPX. Pelo pouco que se pode ler na reportagem, já se pode perceber o quanto a carta se constitui como uma armadilha para os incautos. Nada diferente do que poderíamos esperar da comissão Ecclesia Dei. Mas, o que mostra o nível a que chegamos na neo-FSSPX, é que esta carta teria sido enviada para a sede da FSSPX em Menzingen com o intuito de ser distribuída a cada um de seus padres.
A única atitude correta das lideranças da FSSPX seria não encaminhar a carta aos padres e ainda refutar publicamente cada uma das insidias pelas quais se tenta cooptar os incautos.
Mas… A notícia diz, não sabemos se é verdade, que os padres receberam a tal carta. Se isto realmente chegou a acontecer, é mais uma prova da traição cometida contra a obra de Dom Lefebvre. 

Vejamos alguns pontos inadmissíveis da carta citados na reportagem:

Ele [Dom di Noia] solicita a ambas as partes a proceder, cada qual em sua parte, a um exame de consciência focado na humildade, docilidade, paciência e caridade.

Ora, os modernistas perseguiram a tradição, despojaram-nos de tudo o que era de nosso direito, e vem falar em caridade? Antes de mais nada, devolvam o que roubaram! Além disso, dizer que a FSSPX precisa fazer um exame de consciência, implica em acusá-la de ter culpa, o que não é verdade. Mas prossigamos:

(…) a contínua degradação da situação da Fé Católica é um convite premente [à FSSPX] para deixar o seu grandioso isolamento, e se unir às equipes de salvamento no próprio lugar do acidente. 

Grandioso isolamento? A FSSPX está afastada dos hereges e traidores, e não do povo fiel que necessita do apoio espiritual que os "plena comunhão" nos negam. Isolar-se daqueles que estão infectados de heresia é a garantia de sobrevivência para a nossa Fé. Isto não quer dizer que a FSSPX não esteja participando do salvamento. Ela sim o está fazendo. Aquelas equipes às quais Dom Di Noia se refere, as "oficiais", estas estão matando o acidentado através de indiferentismos, ecumenismos, reuniões de Assis, visitas a igrejas luteranas, negação de dogmas, nomeação de hereges para altos cargos no Vaticano, etc. 

O desejo de silenciar a crítica ao Latrocínio Vaticano II também é evidente, pois Dom di Noia pede que a FSSPX que "se abstenha, por uma questão de princípio, de fazê-lo [criticar o CV II] nos meios de comunicação de massa".

Criticar o Vaticano II apenas em privado? De que adiantaria acender a lâmpada escondida dentro de uma caixa? Todos os católicos têm o direito de conhecer as mazelas do conciliábulo.

Dom di Noia também pede que a FSSPX "fundamente todas as suas análises em bases teológicas profundas e amplas". E não foi isto que a FSSPX sempre fez? E que resposta as autoridades modernistas deram? Nenhuma. Deixaram no silêncio, por que não tem resposta para dar, por exemplo, para a "Sinopse dos erros imputados ao Concílio Vaticano II", a "Candeia debaixo do alqueire", o "Prometo – a religião do homem", o "Catecismo católico da crise na Igreja" ou o "Problema da reforma litúrgica". Quem conhece a FSSPX sabe que não faltam trabalhos sérios, muito bem fundamentados e que provam com todo rigor os erros do Vaticano II e da missa nova.

Finalmente, o bispo afirma que: 

o "carisma" próprio de Dom Lefebvre e da obra que ele fundou, que é a "formação sacerdotal" e não a "retórica áspera e contraproducente" ou "a de se arrogar a missão de julgar e corrigir a teologia", ou ainda "de corrigir publicamente os outros na Igreja". (…)
essas "objeções" teológicas devem ser expressas internamente, e não em praça pública, para "estimular o magistério" a formular melhor o seu ensino. E não sob a forma de um "magistério paralelo".

Como pode a liderança da FSSPX ficar quieta diante de tantas acusações falsas? Quando foi que a FSSPX utilizou de retórica?  Quando se arrogou a missão de julgar e corrigir a "teologia"? A teologia católica é ensinada pela FSSPX. O que é condenada é "nova teologia", herética, defendida pelas autoridades modernistas. Esta nova teologia, e os "outros" que a defendem, é que são publicamente corrigidos. E isto é ótimo que aconteça, para que as pessoas conheçam os lobos em pele de ovelha. Mas, como isto incomoda muito as autoridades modernistas, Dom di Noia quer que a FSSPX se cale. E ainda lança a acusação de um "magistério paralelo". Onde estão as lideranças da FSSPX para protestar contra tamanha mentira? Será que eles somente protestam contra as verdades ditas contra o chefe?

Se Don di Noia convida tanto a FSSPX para uma colaboração leal, dócil, paciente, pautada pela caridade, então ele também deve estar muito aberto para receber a contribuição dos tradicionalistas, certo? Somente quem não conhece o jogo sujo da Ecclesia Dei poderia acreditar nisto. Pois este Don di Noia já admitiu, em outra oportunidade, que o objetivo é converter a FSSPX ao pensamento conciliar, ainda que isto leve tempo

Esta mesma estratégia insidiosa é demonstrada na recente carta. Depois de tudo o que já dissemos, resta-nos deplorar o quanto Don di Noia manipula a memória de Dom Lefebvre. Pois ele teve a ousadia de invocar o "carisma" próprio do grande Arcebispo e de sua obra reduzindo-a, porém, à formação sacerdotal. A boa formação dos sacerdotes é uma marca da FSSPX, sem dúvida. Mas não é a única. Combater os erros da igreja conciliar é outra tarefa imprescindível nos dias de hoje. E isto é o que Dom di Noia quer impedir. Elogiar algum "carisma" de Dom Lefebvre ao mesmo tempo em que se quer silenciar o combate da FSSPX é uma prova da absoluta imoralidade a que se presta a Ecclesia Dei. O elogio deles é o mesmo do tentador, quer apenas a nossa ruína.

Quem é que não consegue enxergar que qualquer acordo com estas pessoas significa trair a obra de Dom Lefebvre e toda a resistência católica contra o modernismo? Dom di Noia coloca expressamente seus desejos de silenciar o combate da FSSPX e ainda tem gente que não enxerga o intuito dos lobos? Onde está a reação? Acordem!


Fonte: Pacientes na tribulação