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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

LEFEBVRE: O Testamento de Monsenhor.

OPERAÇÃO MEMÓRIA. APESAR DA FONTE, VALE PELO REGISTRO.

O Testamento do Arcebispo
Dom Marcel Lefebvre

Tradução, seguida de comentários,
por J. S. DALY
(2011)


Introdução


O Padre Giulio Tam, um membro da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X de origem italiana, que recebe cotidianamente o “Osservatore Romano”, o diário oficial da Cúria Romana, viu por bem, para a informação de seus confrades, reunir as passagens mais significativas dos discursos do Papa e das autoridades Romanas sobre os temas mais atuais.

A coletânea projeta luz tão brilhante sobre a Revolução doutrinal oficialmente inaugurada na Igreja durante o Concílio e continuada até nossos dias, que não se pode evitar de pensar na “cátedra da iniquidade” prevista por Leão XIII, ou na Roma que perde a fé prevista por Nossa Senhora em La Salette.

A difusão e adesão das autoridades Romanas aos erros maçônicos muitas vezes condenados por seus predecessores é um grande mistério de iniquidade que arruína a fé católica em seus fundamentos.

A realidade dura e dolorosa obriga-nos em consciência a organizar por conta própria a defesa da nossa Fé Católica. O fato de assentar-se nos postos de autoridade não é mais, lamentavelmente, garantia da ortodoxia da fé daqueles que os ocupam. O próprio Papa agora difunde incessantemente os princípios de uma religião falsa, o que tem como resultado uma apostasia geral.

Nós damos aqui, portanto, os textos, sem comentários, referentes ao ano de 1990. Os leitores serão capazes de julgar por si próprios e pelos textos dos Papas de antes do Concílio.

Lê-los justifica amplamente nossa conduta em prol da preservação e restauração do Reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Sua Santíssima Mãe na terra como no Céu.

O restaurador da Cristandade é o sacerdote, pelo oferecimento do verdadeiro sacrifício, pela confecção de verdadeiros sacramentos, pelo ensino do verdadeiro catecismo, por seu papel de pastor vigilante para a salvação das almas.

É em redor de padres verdadeiros e fiéis que os cristãos devem agrupar-se e organizar toda a vida cristã. Todo espírito de desconfiança para com padres que merecem confiança diminui a solidez e a firmeza da resistência contra os destruidores da fé.

São João conclui seu Apocalipse com o apelo: “Veni Domine Jesu”, Vinde, Senhor Jesus, aparecei finalmente sobre as nuvens do Céu, manifestai a Vossa onipotência. Seja o Vosso reino universal e para sempre.

Écône, 4 de Março de 1991

+ Marcel Lefebvre

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Notas por J. S. Daly


1. O Arcebispo está escrevendo uma Introdução para acompanhar a publicação de uma seleção de textos de João Paulo II e de outras fontes romanas de alto escalão escolhidos pelo Padre Tam a partir do Osservatore Romano para projetar luz sobre a crise na Igreja. As coletâneas do Pe. Tam aparecem em seu website http://www.marcel-lefebvre-tam.com. Na seção de livros, a coletânea de 1990 está como Número 1.
2. O Arcebispo faz uso de três alusões escriturísticas de caráter apocalíptico: “mistério da iniquidade”, “apostasia geral” e “Vinde, Senhor Jesus”, as palavras finais do Apocalipse.
3. O Arcebispo alude a duas fontes apocalípticas não escriturísticas: primeiro, à oração extensa do Papa Leão XIII a São Miguel que dizia: “No próprio Lugar Santo, onde foi posta a Sé do beatíssimo Pedro e a Cátedra da Verdade para luz do mundo, eles ergueram o trono da sua abominável impiedade, com o desígnio iníquo de que, quando o Pastor houver sido atingido, as ovelhas se dispersarão”; em segundo lugar, a um texto conhecido como o “Segredo de La Salette” e amplamente circulado a despeito de reiteradas condenações pelo Santo Ofício e de ao menos uma menção no Índex dos Livros Proibidos. Esse texto prevê que “Roma perderá a fé e se tornará a cátedra do Anticristo”.
4. O Arcebispo continua a referir-se a João Paulo II como “papa” a despeito de declarar que ele está incessantemente disseminando uma religião falsa e que ele deve ser ignorado na defesa da fé. Noutra passagem ele se refere àqueles “que se assentam nos postos de autoridade”.
5. O teor geral do texto do Arcebispo parece ir além de seu escopo como introdução a uma breve coleção de excertos do Osservatore Romano. Ao dar conselhos gerais sobre confiança em padres e comentários gerais sobre preservação da fé durante a crise, o Arcebispo parece tencionar que suas palavras sejam lidas e aplicadas amplamente. O impressionante apelo final “Vinde, Senhor Jesus” somado à morte do autor aos 85 anos poucas semanas depois, sem ter escrito nenhum documento público posterior, convida a enxergar este texto como sendo em certo sentido o testamento do Arcebispo.
6. Se o Arcebispo Dom Lefebvre está nos legando, neste texto, sua orientação final e juízo definitivo sobre a crise atual, parece poder-se resumi-lo como segue:
a. A crise através da qual estamos vivendo é essencialmente devida à falsificação fundamental da Fé Católica por parte dos ocupantes de Roma durante o Concílio e desde então.
b. Em 1991 não havia sinal de melhora na situação.
c. Esta corrupção da fé é revolucionária e maçônica em sua origem, radical em espécie e apocalíptica em suas consequências.
d. É essencial não confundir a Nova Missa, os novos sacramentos e os novos catecismos com a verdadeira Missa, os verdadeiros sacramentos e o verdadeiro catecismo.
e. É essencial desconfiar completamente das autoridades romanas que, embora continuando a ocupar seus cargos, na realidade representam não Cristo mas o Anticristo.
f. A preservação da fé deve ser organizada privadamente em redor de padres confiáveis.
7. As palavras do Arcebispo podem ser frutuosamente comparadas com outras que datam dos últimos anos de vida dele que manifestam a consistência das opiniões do Arcebispo sobre os pontos acima. Por exemplo:
a. “Roma perdeu a Fé, meus caros amigos. Roma está na apostasia. Estas não são palavras, estas não são palavras ao vento que eu estou dizendo. É a verdade. Roma está na apostasia. Não se pode mais confiar nessa gente. Eles saíram da Igreja, saíram da Igreja. Eles estão saindo da Igreja. Isso é certeza, certeza, certeza… (…)
b. “Eu resumi as coisas para o Cardeal Ratzinger: ‘Eminência, veja, ainda que você nos dê um bispo (…), nós não podemos colaborar; é impossível, impossível. (…) Para nós, Cristo é tudo. Nosso Senhor Jesus Cristo é tudo, Ele é nossa vida. E você está fazendo o oposto.’ (…) Aí está. Não conseguimos entender-nos um ao outro. Esse, eu vos garanto, é o resumo. Não se pode seguir essa gente. (…) É inconcebível, inconcebível (…) É inacreditável, inacreditável! Então como pode alguém imaginar que se possa confiar em gente assim? Não é mais possível.” (Setembro ou outubro de 1987, discurso a seminaristas. A entrevista com Ratzinger referida ocorrera em 14 de julho de 1987.)
c. Assim também, em sua carta aos quatro bispos que ele estava prestes a consagrar em 1988 o Arcebispo afirmara: “a Sé de Pedro e os postos de autoridade em Roma estando ocupados por anticristos, a destruição do Reino de Nosso Senhor continua…”
d. Em sua carta de 25 de janeiro de 1987 ele escreveu: “Essa subversão da fé parece realmente estar preparando o caminho para o Anticristo de acordo com as profecias de São Paulo aos Tessalonicenses e de acordo com os comentários dos Padres.”

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O Testamento do Arcebispo Dom Marcel Lefebvre. Tradução seguida de comentários por J. S. DALY, 2011; trad. br. por F. Coelho, São Paulo, fev. 2012, blog Acies Ordinata, http://wp.me/pw2MJ-1dN
De: “Re: Archbishop Lefebvre & La Salette”, in: The Bellarmine Forums, 19-XI-2011, http://sedevacantist.com/forums/viewtopic.php?p=10818#p10818

Para ver a carta autógrafa de Dom Lefebvre: http://www.strobertbellarmine.net/Lettre_Mgr_Lefebvre_Tam_No1.pdf
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