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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

FSSPX: E agora, José?

Fugindo dos textos - resumidos ou na íntegra - dos blogs Católicos, escolhi a abordagem de um site de notícias conciliar - Zenit - para enxergamos por outro lado a questão: como Roma vê as coisas. Diriam que bastaria a palavra de Di Noia para ilustrar a questão. Sim, é verdade, mas a "homilia" é tão importante ou mais que a "palavra", porque joga luzes sobre pontos que, por vezes, não estão claros. Vê-se bem que os Romanos pretendem nos incluir no pluralismo conciliar que abraça a todos e não ouve ninguém. A linguagem condescendente de Di Noia é uma zombaria a mais no discurso todo. Trata-nos como crianças mimadas e sem direção. Bom, sobre a direção não está de todo errado, porque este estado de coisas dentro da FSSPX se deve justamente a um problema de direção, ou... falta dela. 

Eu vejo positivamente - para usar o jargão "deles" - essa carta. Porque? Por que, agora, dom Fellay não pode mais se calar! Não pode mais ter dois discursos, um para Roma e outro para seus comandados. Agora, se dom Fellay se calar... me pergunto o que os que dormem vão fazer. Até onde vão para "ver no que vai dar"? Como aplacam suas consciências? Durante o último ano, tenho lido na internet o que Roma dizia e o que dom Fellay dizia, e havia uma séria discrepância. Me diziam que Roma mentia. Oras, se Roma mentia porque dom Fellay nunca a desmascarou? Agora é a oportunidade!

Diálogo com a Fraternidade de São Pio X: carta a dom Fellay e aos sacerdotes lefebvrianos

Uma iniciativa de dom Augustin Di Noia

Anita Sanchez Bourdin

ROMA, Monday, 21 January 2013 (Zenit.org).

Di Noia
Por iniciativa pessoal, dom Augustin Di Noia tenta relançar o diálogo de Roma com a Fraternidade de São Pio X. O dominicano estadunidense, desde junho de 2012, é vice-presidente da Comissão Ecclesia Dei, interface de diálogo entre a Igreja católica e os discípulos de dom Marcel Lefebvre. A comissão depende da Congregação para a Doutrina da Fé. O prelado acaba de enviar uma carta a dom Bernard Fellay, superior, e a cada sacerdote da Fraternidade.

Canais informativos ligados à Fraternidade afirmam que Roma defende a interpretação do Concílio Vaticano II mediante uma hermenêutica de “continuidade” com a Tradição. Mas a Fraternidade considera que certos documentos conciliares são errôneos, em particular no tocante ao diálogo inter-religioso e ao ecumenismo.

Com o “bloqueio” do diálogo ecumênico, dom Di Noia propõe um enfoque espiritual, convidando a Fraternidade a um exame de consciência com palavras-chave como humildade, doçura, paciência e caridade, por exemplo.

Roma espera, conforme a carta, a resposta de dom Fellay ao documento que lhe foi enviado em 14 de junho. Para sair do impasse provocado pela ausência de retorno, ele propõe que a Fraternidade reencontre o “carisma positivo” do seu início, em Friburgo e Écône: uma tentativa de reforma por meio da formação dos sacerdotes e da missão.

Di Noia recomenda ainda evitar o recurso aos meios de comunicação – a Assessoria de Imprensa da Santa Sé não publicou nada sobre esta carta –, e a prática de um “Magistério paralelo”. O ideal seria valorizar as objeções de maneira “construtiva” e fundamentá-las em uma teologia “profunda”.

O prelado menciona a instrução do cardeal Joseph Ratzinger Donum veritatis sobre “a vocação eclesial do teólogo”, de 24 de maio de 1990, que propõe esta definição de teólogo: “tem a função especial de conseguir, em comunhão com o Magistério, uma compreensão cada vez mais profunda da Palavra de Deus contida na Escritura, inspirada e transmitida pela Tradição viva da Igreja”. O documento recorda também a autoridade do magistério: “em seu compromisso no serviço da verdade, o teólogo deverá, para permanecer fiel à sua função, levar em conta a missão própria do Magistério e colaborar com ele”.

Após a exclusão de dom Richard Williamson, anunciada em 24 de outubro de 2012, a Fraternidade de São Pio X parece ter sofrido divisões internas. Dom Fellay seria partidário de manter o diálogo. A situação da Fraternidade – cujos responsáveis não estão mais excomungados, mas ainda não estão integrados à Igreja Católica - é insustentável a longo prazo, de acordo com a avaliação de observadores.

A carta de dom Di Noia parece enviar uma mensagem realista: a comissão vaticana não deseja que a mão estendida por Bento XVI se torne uma ocasião perdida, já que as negociações não deverão ser eternas.
 
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