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sábado, 19 de janeiro de 2013

FSSPX: Caso Williamson, o Vaticano II e o Judaísmo: Dom Curzio

Mais uma reflexão de dom Curzio Nitoglia traduzida por mim e que se encaixa no projeto Operação Memória, para que não nos esqueçamos das coisas e não nos deixemos enganar por malabarismos de circo.

"Tudo está perdido com a guerra, tudo pode ser salvo com a paz" (Pio XII) 



CASO WILLIAMSON, O VATICANO II E O JUDAÍSMO



Por Don Curzio NITOGLIA
20 de fevereiro de 2009


1) Bento XVI (21/01/09) revogou a excomunhão de 1º de julho de 1988, que fora imposta aos quatro bispos da FSSPX, consagrados em 30 de junho de 1988 por Mons. Marcel Lefebvre e Mons. Antônio de Castro Mayer

2) Imediatamente, a mídia orquestrou uma campanha de linchamento contra o Papa Ratzinger e a FSSPX, especificamente na pessoa de Mons. Williamson, réu de haver exposto (no Canadá, vinte anos atrás) sua opinião sobre as teses dos historiadores que revisaram a "shoah" (palavra hebraica, que, traduzida em italiano[1], significa "catástrofe" e não "holocausto", como gostariam que fosse entendida) e sobre a qual foi chamado a responder de novo, em outubro de 2008, pela TV sueca, na Alemanha.

3) O rabinato mundial pediu ao Papa que re-excomungasse Williamson, e à FSSPX que dissesse claramente se aceita totalmente o Vaticano II, especialmente o "Nostra aetate" e o ensinamento sobre o hebraísmo do pós-concílio. Infelizmente, tal pedido foi acatado plenamente por Bento XVI, na "Nota da Secretaria de Estado" (04/02/09).

4) O rabino chefe de Roma[2] disse que o problema central não é tanto a revisão da vulgata sobre "shoah" (levantada pela "mídia", a propósito de Mons. Williamson), quanto o da não-aceitação da mudança da atitude teológica em relação ao hebraísmo, iniciado por João XXIII, com o Vaticano II< e levado adiante por Paulo VI e, sobretudo, por João Paulo II. Quando Ratzinger emanou o "Motu Proprio" sobre a Missa Tridentina, era lícito (mas não obrigatório) esperar, sem alimentar falsas ilusões, que ele quisesse reverter, gradualmente, o desastre litúrgico provocado por Paulo VI com o NOM (1970); nada demais, mas ainda assim alguma coisa. Crer ainda agora, depois das suas ultimas afirmações, que queira rever e corrigir o Vaticano II significaria "impugnar a verdade conhecida".

5) Quem é realmente Ratzinger? Qual é a sua posição atual sobre o Vaticano II e sobre o judaísmo? Poder-se-ia esperar que os escombros do pós-concílio o tivessem feito repensar, pelo menos em parte, especialmente sobre a liturgia. Ao invés, o caso Williamson mostrou o que realmente fervia na panela. Ratzinger quer a atuação plena e total do Concílio e especialmente do diálogo inter-religioso, sobretudo com o judaísmo. Se a resposta de Ratzinger, em agosto de 2007, ao livro do rabi Jacob Neusner, "Disputa imaginária entre um rabino e Jesus. Qual mestre seguir? (Casale Monferrato, Piemme, 1996), nos havia dado alguma esperança, a tomada de posição hodierna as removeram totalmente. Alfred Lapple, antigo professor de Ratzinger no Seminário de Frisinga, contou a Avvenire[3] (04/02/09, p. 32) que na origem da formação intelectual de Bento XVI estão, além de Lubac e von Balthasar, até mesmo Martin Buber, aquele que vulgarizou, tornou "popular" a cultura hebraico-chassídica[4] mística e esotérica. O professor israelita Israel Shahak (que perdeu os pais no campo de trabalho nacional-socialista de Bergen Belsen, onde ele mesmo foi aprisionado) escreveu que Buber fora "um dos maiores mistificadores (...), nas suas numerosas obras em que exalta o inteiro movimento chassídico não se encontra uma só linha sobre as verdadeiras doutrinas chassídicas que dizem respeito aos não-hebreus (...). As obras de Buber foram traduzidas em hebraico, e tornaram-se um formidável instrumento educativo nas escolas de Israel, aumentando o poder dos líderes chassídicos, literalmente 'sedentos de sangue', ao promover o chauvinismo israelense e o ódio para com todos os não-hebreus (...). Estou convencido de que ninguém deixou um legado mais maléfico que o dele [Buber]" (História hebraica e judaísmo, Verrua Savoia, CLS, 1997, pp. 57-58). Além disso, Maurício Crippa em Il Foglio[5] (4 de fevereiro de 2009, p.3) escreve que Bento XVI "é o teólogo que mais escavou na premissas hebraicas do Cristianismo [...]. Na primeira metade dos anos Setenta, Ratzinger passa a se relacionar com 'La Comunità Cattolica di Integrazione'[6], que, no começo do pós-guerra, havia começado uma profunda revisão teológica e espiritual do Catolicismo alemão [...]. 'Deus pode ter duas esposas [Sinagoga e Igreja]? Não seria talvez esta divisão entre sinagoga e 'ecclesia', tão cheia de mal, o motivo mais profundo de todas as divisões que se seguiram na história da Igreja? ... Não seria talvez o caso de que a Igreja deva radicar-se no hebraísmo para poder ser totalmente Católica, e portanto Universal?'. A relação de estima entre Ratzinger e esta Comunidade (será ele, arcebispo de Mônaco, que aprovará, em 1978, os estatutos) nunca se interrompeu"[7], e isto é bem visível.

6) Padre Federico Lombardi declarou que "quem nega a 'shoah' nega a Cruz de Cristo"! "Tenebrae factae sunt"! "Esta é a vossa hora e o poder das trevas"[8].

7) O que acontece realmente? Penso que é necessário distinguir:

a) Antes de tudo, não devemos nos iludir: Bento XVI não é São Pio X; teve uma formação neo-modernista; intelectualmente é influenciado fortemente, ainda hoje, pelo hegelianismo e pelo modernismo. Se em 2007 se podia esperar "contra spem", sem se iludir, agora não dá mais. Se ele cedeu por fraqueza ou se tudo foi cuidadosamente estudado, só Deus o sabe com certeza. Nós podemos ter apenas conjecturas ou opiniões. É necessário reconhecer que ele sofreu pressões bastante notáveis por parte do judaísmo ad extra e pelo episcopado ad intra. Mas se é humano ter medo do leão que quer nos devorar "no Coliseu", non licet "mudar de fé" por medo dos leões.

b) À luz de tudo o que houve, pode-se pensar (é uma opinião muito provável, não uma certeza, ao menos para mim) que a manobra desde o "Motu Proprio" de 7 de julho de 2007 até a revogação da excomunhão (21/01/09) tenha sido uma "armadilha" preparada,  lucidamente, para quem ainda não havia cedido às "novidades" conciliares e pós-conciliares, aí inclusa a teologia do "Judaíco-Cristianismo", iniciada com "Nostra aetate" (1965), prosseguida com "a Antiga Aliança jamais revogada" (1981) e "os irmãos mais velhos na fé" (1986), levada, então, a termo justamente por Bento XVI em Auschwitz, no dia 28 de maio de 2006, quando exclamou, voltando-se a Deus: "Desperte! Não esqueça a Tua criatura, o homem!"[9], retomando, assim, a "teologia do silêncio de Deus", tão cara a Hans Jonas e a G.B. Metz, os quais negam a bondade, onipotência e providência de Deus e duvidam até de sua existência, por ter-se calado diante da "shoah". Em breve, os rabinos pedirão a Ratzinger para excomungar também Deus. Naquela época, se podia pensar que Ratzinger equiparava a "catástrofe" do povo hebraico ao Holocausto de Cristo; hoje, 4 de fevereiro de 2009, se tem a certeza, diante da "Nota da Secretaria de Estado", ditada pelo próprio Ratzinger, onde se lê que "as posições de Mons. Williamson são absolutamente inaceitáveis e firmemente rejeitadas pelo Santo Padre", o qual, em 28 de janeiro de 2008, "reiterou sua plena e indiscutível solidariedade com os nossos Irmãos destinatários da Primeira Aliança", onde o "Bispo Williamson, para uma admissão a funções episcopais na Igreja, deverá também tomar distância, em modo absolutamente inequívoco e público, de suas posições sobre a shoah". Não se fala mais de Antiga ou Velha Aliança, à qual sucedeu a Nova e Eterna, mas de Primeira, como se houvessem duas Alianças paralelas, uma (a Primeira) para o hebraísmo e outra (a Segunda) para as Gentios convertidas a Cristo[10]. Além disso, que eu saiba, a "shoah" não é um dogma de Fé revelada e definida, onde para fazer parte da Igreja é preciso professar a própria "fé" na "shoah". Esta é a prova comprovada da evolução heterogênea do "dogma" conciliar e pós-conciliar da "hermenêutica" da descontinuidade ou da "ruptura" e da inconciliabilidade entre Concílio e Tradição.  
 
8) Quais são os pontos em questão, para nós, irrenunciáveis?

a) O deicídio: para os católicos, Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a sua morte, portanto, é um verdadeiro "Dei-cídio". O hebraísmo não crê em sua divindade, mas não pode impor aos cristãos de renegá-la ou de não professá-la publicamente (cfr. Mons. Brunero Gherardini, La vexata quaestio del deicídio, Cidade do Vaticano, em "Divinitas", n.º 2/2008, pp. 215-223. Id, Sugli Ebrei: così, serenamente, Frigento, em "Fides Cattolica", n.º 1/2009, pp. 245-278). Para os Evangelhos e todos os Padres da Igreja, desde Santo Inácio de Antióquia (+ 107) a Santo Agostinho (+ 430) — e, portanto, infalivelmente —, o judaísmo, religião rabínica ou pós-bíblica, é responsável pela morte de Jesus. Santo Tomás de Aquino, o Doutor Comum da Igreja, ensina que "os judeus pecaram, não apenas matando Cristo como homem, mas também como crucificadores de Deus" (S. Th., III, q. 47, a. 5). De fato, pelo dogma da União Hipostática, a natureza humana de Cristo subsiste na Pessoa divina, onde tudo o que é feito contra Cristo homem é feito contra Cristo Deus; portanto, trata-se de verdadeiro "deicídio", mesmo se não morreu a divindade mas apenas a humanidade de Jesus, subsistente na Pessoa do Filho consubstancial ao Pai e ao Espírito Santo.

b) A frase sobre os "irmãos mais velhos na Fé", pronunciada por João Paulo II em 13 de abril de 1986, na sinagoga de Roma, para a Fé Católica é falsa e não apenas ambígua, porque o hebraísmo após Cristo é fiel ao Talmud, e não a Moisés; finalmente, é divinamente revelado (São Paulo: 1 Tess. 2, 15-16) que "Os hebreus mataram o Senhor. Não agradam a Deus, são inimigos de todos os homens, porque nos impedem de pregar aos pagãos para que se salvem". Portanto, com os hebreus pós-bíblicos não temos nada em comum quanto à religião, não podem ser nossos irmãos mais velhos (no sentido ontológico de "prediletos", como precisou então J.P. II, e não cronológico, por terem nascido antes de nós), eles são um obstáculo à salvação dos homens, porque inimigos até hoje do Evangelho de Cristo, que é o único meio de salvação. A religião hebraica após Cristo não é uma realidade viva, mas "morta e mortífera". Os hebreus que viveram antes de Cristo e foram fiéis a Abraão e ao Antigo Testamento são irmãos mais velhos (somente cronologicamente; de fato, ontologicamente ou quanto ao valor, estão em um estado objetivamente inferior, porque a Antiga Aliança é imperfeita respeito à Nova e Eterna; onde o Cristianismo é superior, quanto ao valor objetivo, ao hebraísmo do Antigo Testamento). O próprio Jesus, quando os hebreus incrédulos professaram de terem por pai Abraão, responde que o é carnalmente, mas não espiritualmente ou quanto à Fé, porque Abraão cria em Cristo vindouro, enquanto eles o renegam e, portanto, têm "por pai o diabo" (João, VIII, 44). Se fossem "nossos irmãos mais velhos quanto à Fé" (J.P. II, 13/04/86), nós também teríamos "por pai o diabo". Espero mesmo que não!

c) A Antiga Aliança foi substituída pela Nova e Eterna, no Sangue de Cristo, onde a Igreja fundada por Jesus é o novo e verdadeiro Israel. São Paulo, divinamente inspirado, ensina: "dizendo Aliança Nova, Cristo declarou antiquada a primeira; ora, o que é antiquado e envelhecido está certamente fadado a desaparecer" (Hebr., VIII, 13). É de Fé revelada. 

d) Se Cristo é Deus, o judaísmo pós-bíblico que nega a sua divindade é uma falsa religião. Pelo princípio de não-contradição: "uma mesma coisa [Cristo] não pode ser [Deus] e não ser [Deus] ao mesmo tempo e sob a mesma relação" (Aristóteles). Jesus ou é Deus ou não é Deus, "tertium non datur". Se é Deus, o Cristianismo é verdadeiro e o judaísmo é falso; se não é Deus, vice-versa. É absolutamente certo.

e) A 'shoah' não é uma questão puramente histórico-política (como foi repreendido a Mons. Williamson), mas ela pretende ser a nova "religião imanente" do hebraísmo "messias coletivo", dono e senhor deste mundo (cfr. "O caso Williamson" e "Jonas: um homem para o nosso tempo" neste mesmo site). Tudo isto, para a Fé Católica, é inaceitável. Além disso, a história se faz com provas certas de documentos, de arquivos, de relíquias bélicas, e não pela força de ameaças de prisão ou de excomunhão laicas e eclesiásticas. Além disso, é uma questão de "verdade", ou seja, de conformidade do nosso intelecto e juízo à realidade. Não se pode pedir de aderir ao erro (deformidade entre juízo e realidade) pelo verdadeiro respeito da dignidade da natureza humana, feita para aderir ao verdadeiro e ao bem. São necessárias as provas históricas, químicas e físicas para aderir à vulgata holocáustica. Jesus nos ensinou: "a verdade vos fará livres"; o erro, ao contrário, nos faz escravos do pai da mentira.

Conclusão: um apelo à unidade interna na verdade

a) Infelizmente, alguns sacerdotes "tradicionalistas" não mostraram muita dignidade, firmeza e caridade, e lincharam, defenestraram ou "jogaram ao mar", publica e ferozmente, sem possibilidade de apelo, Mons. Williamson (como ele mesmo reconheceu, comparando-se a Jonas), em um novo tribunal de "Nuremberg-bis", que deixou mais do que perplexos, aliás claramente desgostosos, muitíssimos fiéis "tradicionalistas" e não. A profissão, implícita, de "fé" no holocausto hebraico, mesmo por parte de uma fatia do mundo "tradicionalista", é surpreendente e nos faz tocar com a mão o quanto extensa e profunda é a crise de Fé em ambiente católico. Santo Tomás de Aquino ensina que "Cristo pregou publicamente aos hebreus a verdade que eles odiavam, sem medo de chocá-los"(S. Th., III, q. 42, a. 2). Então, é dever do Bispo, como de todo cristão, professar a verdade não só de Fé, mas também conexa com a Fé. Oras, hoje se fez do holocausto hebraico uma verdade de "fé" talmúdica, [des]conexa com aquela católica. Alguém poderia objetar que em certos momentos ocorre prudência para não escandalizar os pusilli[11]. São Gregório Magno responde que: "Se o escândalo vem da verdade, é necessário suportar o escândalo ao invés de abandonar a verdade" (Homília VII, em Ezequiel), por ser a prudência cristã uma virtude sobrenatural. Agora a questão histórica da "shoah", como todas as outras, deve ser enfrentada pelos critérios de "conformidade à realidade" (verdade) e não pela onda das emoções ou do medo. Portanto, não é lícito pedir a Mons. Williamson uma retratação, ditada pela "prudência da carne", que seja "disforme da realidade dos fatos" (falsidade).

b) Sinto dizer, mas, objetivamente, o comunicado de imprensa de Mons. Fellay sobre o "caso Williamson" não foi correto, especialmente em relação a um Bispo mais velho, que foi, no seminário de Ecône, o nosso mestre de filosofia e teologia e que nos ensinou a raciocinar com seu rigor lógico. "Errare humanum est". Todavia, não seria nada generoso culpar Mons. Fellay, ele também pode errar, sobretudo em uma situação de "pressão" ou "lobbyng" como esta que estamos vivendo. O dever atual é a unidade na verdade, evitando toda divisão interna e contra-atacando o inimigo externo.

c) O Vaticano II é caro ao hebraísmo. É fato que, especialmente nestes dias, temos percebido, lido e constatado, e "contra o fato não vale o argumento". Mas São Paulo (I Tess., 2, 15-16) revela, divinamente inspirado, que "Os judeus mataram o Senhor Jesus e os profetas perseguem a nós Apóstolos, não agradam a Deus e são inimigos de todos os homens [não-hebreus, NdA]. Nos proíbem de evangelizar os Gentios para a salvação deles". Na medida em que os judeus atuais continuam e prosseguem no caminho daqueles que recusaram Cristo, o crucificaram e perseguiram os Doze Apóstolos, eles não agradam a Deus. Se não agradam a Deus, não podem ser caros nem mesmo a nós; se são caros ao Vaticano II, significa que este não tem o mesmo Espírito de Deus. Além do mais, o hebraísmo nega a SS. Trindade e a divindade de Cristo, que são os dois mistérios principais da Fé Católica. Então, ou o hebraísmo enlouqueceu e se contradiz, mas não é assim, ou o Vaticano II está em contradição com o Catolicismo e não pode agradar a quem quer permanecer cristão, agradando a quem odeia Cristo e o Cristianismo.  O fato de que os próprios rabinos nos intimem a aceitar o Vaticano II "'soa mal" e deveria fazer refletir "todos os homens de boa doutrina". Sempre São Paulo (Tito, I, 10-14) revela que: "Há muitos espíritos desordeiros, faladores e enganadores, sobretudo aqueles que provêm da circuncisão [judaísmo NdA]: a estes precisamos tampar a boca (…). Portanto, repreende-os duramente, para que sejam firmes na Fé e não se prendam as fábulas judaicas". O Apóstolo não diz para se retratar ou se desculpar, mas de "tapar a boca" deles (não de Mons. Williamson) e para "não acreditar nas fábulas judaicas".

d) É historicamente certo que a "Nostra aetate" foi preparada por Jules Isaac, hebreu ateu filo-comunista, com ajuda do Bené Berìth (a maçonaria judaica) do qual era membro (como declarou, aos 16 de novembro de 1991, em ocasião da premiação do Cardeal Decourtray, Marc Aron, presidente do "B.B." francês) e do Card. Agostino Bea, assistido por p. Paul Démann, hebreu "convertido" e por p. Jean de Menasce (idem). O acordo entre Jules Isaac e Papa Roncalli foi organizado pela "B.B." e por alguns políticos social-comunistas (J. Madiran "Itineraires" III, setembro 1990, pg. 3, nota 2). Um outro artífice de "Nostra aetate" foi Nahum Goldman, presidente do "Congresso Mundial Hebraico", que preparou também o rascunho da "Dignitatis Humane", sobre a liberdade religiosa. Os documentos foram apresentados pelo Goldman junto a Label Katz (ele também da "B.B."), em nome da "Conferência Mundial das Organizações Hebraicas". Então, "Nostra aetate" e "Dignitatis Humanae" foram preparadas, materialmente, pela maçonaria hebraica. Dulcis in fundo, o rabino Abraham Heschel, colaborou intensamente com Bea e companhia da elaboração de "Nostra aetate". Tudo isto foi revelado pelo israelita Lazare Landau ("Tribune Juive", n.º 903, janeiro 1986, e n.º 1001, dezembro de 197), que escreve: "No inverno de 1962, os dirigentes hebreus receberam em segredo, no subsolo da sinagoga de Estrasburgo, p. Yves Congar, encarregado por Bea e Roncalli de nos perguntar o que esperávamos da Igreja, às vésperas do Concílio (…). A Nossa completa reabilitação, foi a resposta" (J. Madiran, "Intineraires", outono de 1990, III, pg. 1-2).

A interpretação reta do Vaticano II é aquela dada nestes dias por Bento XVI, que faz uma coisa só com o judaísmo, ainda caro a Deus, que não tem necessidade de Cristo porque tem o seu "holocausto". Se se quer permanecer cristão não se pode aceitar o Vaticano II. Então, já deveria estar claro que qualquer colóquio sobre a interpretação à luz da Tradição seria equivalente a "dialogar com o diabo", o que é muito perigoso.
e) Querer ocupar-se do Vaticano II e do anti-modernismo sem querer conhecer (histórica e teologicamente) o problema hebraico (cfr. I de Poncins, O problema dos hebreus no concílio, Roma, 1962) significa fazer um buraco na água e fazer-se enganar pelos "irmãos piores" Falava com um grande teólogo da velha escola, o qual me dizia que Mons. Antônio Piolanti pensava que, dentre poucos anos, "Nostra aetate" seria completamente esquecida, pelo tanto que era priva de fundamentos das Escrituras, patrísticos e teológicos (é o único documento do Vaticano II que não contém nem uma citação das Santas Escrituras, dos Padres, dos Doutores e do Magistério). Ao invés, ela se tornou o cavalo de batalha do pontificado de J. P. II ("irmãos mais velhos na fé"). Portanto, o citado teólogo concluía que, para abordar adequadamente o "problema do concílio" de um ponto de vista teológico, ocorre conhecer o "problema hebraico", que é teológico, histórico, político e socioeconômico. Infelizmente, muitos "tradicionalistas" da Missa de São Pio V et non plus ultra (mas a FSSPX não é a "Ecclesia Dei afflicta", ela foi fundada por Mons. Lefebvre para combater os erros do Vaticano II e a salvaguarda da Missa católica, porém nem todos os seus membros parecem estar cientes disso) acusam de antissemitismo se se aborda o problema hebraico, ainda que só de um ponto de vista teológico. Gostariam que se falasse somente de Blondel, da "Pascendi" e da "Humani Generis". Seria como se (só para dar um exemplo), em uma hipotética guerra entre França e Itália, declarada por Sarkozy, nos dissessem para partir, mas para disparar somente contra De Gaulle, que jaz sob a terra, e para não mirar em Sarkozy! A guerra seria perdida desde o começo. O inimigo de hoje (janeiro de 2009) não são Blondel (1893) e filhos, mas o judaísmo internacional. Isto explica a incerteza da reação ao Vaticano II em ambiente "tradicionalista da Missa de São Pio V et non plus ultra", e também por parte de alguns membros da FSSPX, sobre o por que se atira em Mons. Williamson e se pede desculpas "a todos os homens de boa vontade", irmãos piores inclusos. Ao invés, se deve passar ao contra-ataque, porque "o diabo se faz leão se tu te fazes formiga, enquanto se tu te mostras leão, ele se torna uma formiga" (São Leão Magno). Passado o primeiro momento de confusão, é preciso fazer sentir a própria voz, unidos na verdade, servindo-se da mídia de que se dispõe, incluídos aqueles da contrainformação "online". Seria um erro brutal dividir-se, banir Mons. Williamson e "reverenciar" a "sinagoga de satanás", a qual não só não perdoa a quem cede, mas duplica a sua raiva. A FSSPX corre o risco de rachar em duas ou em mil pedaços, de ser absorvida pela "igreja conciliar" (como a chamava o card. Benelli), a qual hoje expôs claramente o seu ultimatum e cessou de falar com ambiguidade, onde não podemos mais nos iludir de dialogar com ela – "rebus sic stantibus" – ela pede uma rendição incondicional às novidades do Vaticano II, aceitá-la seria a apostasia. Se houve uma incerteza ou ainda uma cessão inicial, podemos nos levantar como São Pedro ("errare humanum est"), é preciso colocar uma pedra sobre as incompreensões passadas, e recomeçar, unidos, sem ambiguidades, a batalha das ideias.     

f) É impressionante constatar quão profundamente "a Sinagoga de satanás" (Ap., II, 9) está infiltrada no Vaticano. O que perturba não é o que pede o rabinato (ele faz o seu trabalho), mas o fato de que  o Papa ceda a este (não faz o seu dever, mas infelizmente há cinquenta anos nos habituamos). O que, porém, nos deixa mais atônitos é que uma parte do "tradicionalismo" católico não tenha nada a objetar e esteja pronto a honrar o holocausto hebraico (implicitamente ao lado daquele de Jesus).

g) O rabino chefe de Roma Riccardo Di Segni, em 5 de fevereiro de 2009, escreveu que, se os católicos querem que o diálogo inter-religioso com o hebraísmo continue, "1º como foi feito para o negacionismo, deve ser claro que (…) não há lugar não apenas para o anti-semitismo, mas também para o anti-judaísmo (…); 2º deve haver coerência entre documentos e comportamento, evitando incidentes (…)". Além disto, conclui, o problema de fundo sempre permanece, ainda que se elimine o negacionismo, o anti-semitismo e o anti-judaísmo, porque não se deve falar de conversão do hebraísmo a Cristo, como pelo contrário fez Bento XVI durante o Ângelus de domingo, dia 25 de janeiro de 2009, festa da conversão de São Paulo. Ora, estando assim as coisas, não é mais somente uma questão de prudência sobrenatural falar ou não de unicidade da perseguição contra os hebreus entre 1942-45, de anti-judaísmo teológico, de necessidade do único Salvador de todos os homens, Jesus Cristo. Mas é uma questão de Fé e, se Jesus nos autorizou a "fugir de uma cidade se querem nos martirizar", não nos permite de não proclamar a Fé quando somos interpelados, mesmo ao custo de perder a vida. Os primeiros cristãos não se comportaram assim, Jesus tampouco; pelo contrário, subiu a Jerusalém para ser crucificado e proclamou a sua divindade, por causa da pergunta do Sumo Sacerdote. São Paulo escreveu: "Ai de mim se não pregasse o Evangelho!". São Pedro respondeu, ao Sacerdote que o intimava de não pregar Jesus, que "não podia não pregar" e que "é melhor obedecer a Deus que aos homens". Além disso, o próprio Verbo Encarnado, no Evangelho, nos ensinou a "não temer aqueles que podem matar o corpo, mas aquele que mata a alma e depois a lança no inferno". Oras, se hoje nos calamos ou nos acordamos com aqueles, perdemos a alma; se, pelo contrário, pregamos claramente podemos perder tudo (casa, igrejas e também a vida) mas nos salvamos pela eternidade.  

O ano de 2009 iniciou mal e terminará pior, mas é aquilo que merecemos, como nos havia avisado Nossa Senhora em Fátima, em 1917: "se o mundo não se converter...". Mas Jesus nos prometeu que "as portas do inferno não prevalecerão!". Agora, cabe a nós sermos unidos na verdade, sem descontos nem ambiguidades. Bento XVI não é mais ambíguo, a FSSPX deveria reencontrar a unidade interna, na verdade, e dizer "pão ao pão e vinho ao vinho" ou como disse Jesus: "o vosso falar seja sim sim não não, o que passar disso vem do Maligno". Somente assim manterá a sua identidade, que é aquela de seu fundador, e a sua unidade. "Tudo é perdido com a guerra [interna, NdA], tudo se pode salvar com a paz" (Pio XII).

don Curzio Nitoglia

Tradução: Giulia d'Amore di Ugento. Publicado no Pale Ideas em 19/10/13. 


VIDE TAMBÉM: Arquivo Krahgate. Reflexões de Dom Curzio Nitoglia



[1] N.Trª.: Isso vale para o português também.
[2] N.Trª.: Riccardo Di Segni.
[3] N.Trª.: Periódico italiano.
[4] N.Trª.: O Judaísmo chassídico ou hassídico (do hebraico חסידים, Chasidut para os Sefardim; Chasidus para os Asquenazes) é um movimento dentro do Judaísmo ortodoxo. Hoje, este termo denomina a tendência que se desenvolveu na primeira metade do século XVIII, na Europa Oriental, com o rabino Israel Ben Eliezer, mais conhecido como Baal Shem Tov, em reação ao Judaísmo legalista.
[5] N.Trª.: Periódico italiano.
[6] N.Trª.: A Comunidade Católica de Integração.
[7] NdA: Cfr. G. Valente, Ratzinger professor, Cinisello Balsamo, São Paulo, 2009.
[8] N.Trª.: Evangelho de S. Lucas 22:53.
[10] N.d.A.: Cfr. o artigo de então Card. Joseph Ratzinger, A herança de Abraão dom de Natal, "L'Osservatore Romano", 29 de dezembro de 2000, p. 1. Neste, o purpurado explicava que Cristo é o único Salvador para os gentios e cristãos, mas Israel mantinha o seu papel de povo eleito, por ser o primeiro de Deus, onde sua "tarefa do povo eleito é (…) doar a eles Deus, o Deus único e verdadeiro, a todos os outros povos (…). Os nossos irmãos hebreus (…) tem conservado, ainda hoje, a Fé neste Deus". Mas, então, Jesus, que os hebreus não aceitaram, não é Deus único e verdadeiro?  Ou há dois Deuses, um para os israelitas e um outro para os goym?
[11] N.Trª.: "pusilli", do latim: os pequenos.