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quarta-feira, 30 de maio de 2012

A Selva - Do pecado da incontinência

  Santo Afonso Maria de Ligório
(27/09/1696 - 02/08/1787)
Bispo de Santa Àgata
Confessor
Doutor Zelosíssimo da Igreja
Fundador dos Missionários Redentoristas

A Selva



PRIMEIRA PARTE - MATERIAIS PARA OS SERMÕES


Do pecado da incontinência


I - Necessidade da pureza no padre

 A incontinência é chamada por Basílio de Seleucia391 uma peste viva, e por S. Bernardino de Sena, o mais funesto de todos os vícios392; e isso porque, como diz S. Boaventura, a impudicícia destrói o germe de todas as virtudes 393.Por isso Sto. Ambrósio lhe chama a origem e mãe de todos os vícios 394.De fato, este vício arrasta consigo todos os crimes: ódios, roubos, sacrilégios etc. S. Remígio teve pois razão em dizer que por causa deste vício, poucos adultos se salvam395. E lê-se no Pe. Paulo Segneri396 que assim como o orgulho encheu o inferno de anjos rebeldes, assim a impudicícia o enche de homens.
 Nos outros vícios pesca o demônio ao anzol; neste é à rede, de modo que enche mais o inferno com esta paixão, do que com todas as outras. Assim, para punir a incontinência, há Deus enviado à terra os flagelos mais espantosos: dilúvios de água e de fogo!
 Segundo Sto. Atanásio397, é a castidade uma pérola mui preciosa, mas poucas pessoas cá na terra sabem encontrá-la. Ora, se esta pérola convém aos seculares, é absolutamente necessária aos padres. Entre todas as virtudes que o Apóstolo prescreve a Timóteo, recomenda-lhe em especial a castidade398.Orígenes diz que é a primeira virtude que deve adornar o padre, quando sobe ao altar399. E, segundo S. Clemente de Alexandria, nesta vida, somente são e se podem com verdade dizer sacerdotes os de vida pura 400.Se pois a pureza faz o padre, a impureza dalgum modo o há de despojar da sua dignidade, diz Sto. Isidoro de Pelusa 401.
 Eis a razão por que a santa Igreja, em tantos concílios, em tantas leis e advertências, sempre se tem mostrado ciosa de conservar a castidade nos padres. Inocêncio III publicou o seguinte decreto: “Ninguém seja admitido a uma Ordem sacra, desde que não seja virgem ou duma castidade provada; = Nemo ad sacrum Ordinem permittatur accedere, nisi aut virgo aut probatae castitatis existat (Cap. a multis. De aet. et qual. ord.). E ao mesmo tempoordenou que os eclesiásticos incontinentes fossem excluídos — ab omnium graduum dignitate. Outro decreto é de S. Gregório: “Se alguém se manchar com um pecado carnal, depois de receber alguma Ordem sacra, seja excluído das funções da sua Ordem, e não seja mais admitido a servir ao altar 402”.
 Além disto403, condenou todo o sacerdote réu dum pecado vergonhoso, a dez anos de penitência: durante os três primeiros meses devia dormir no chão duro, viver na solidão, sem nenhuma comunicação com os homens, e privado da sagrada comunhão; depois, durante ano e meio, devia sustentar-se a pão e água; nos anos seguintes, devia continuar o jejum a pão e água, mas só três dias na semana. Em suma, a Igreja olha como monstros os padres que não têm uma vida casta.

II - Malícia do pecado de impureza no padre

 Examinemos primeiro a malícia do pecado dum padre contra a castidade.
 O padre é o templo de Deus, tanto pelo voto de castidade que fez, como pela unção santa que o consagrou a Deus404. Assim fala S. Paulo de si próprio e dos outros sacerdotes, associados ao seu ministério; o que faz dizer ao cardeal Hugues: Acautele-se o padre de manchar o santuário de Deus, porque ele foi ungido com óleo sagrado 405. O corpo do padre é pois esse santuário do Senhor406. Conservai-vos casto, escrevia Sto. Inácio mártir, como casa de Deus e templo de Jesus Cristo 407. Por isso S. Pedro Damião diz que os padres, manchando o seu corpo com ações desonestas, profanam o templo de Deus. Depois ajunta: “Não demudeis os vasos consagrados a Deus, em vasos de desprezo”408. Que se diria se alguém se servisse, à mesa para beber, dum cálice consagrado? Dirigindo-se aos padres, diz Inocêncio II: Visto que eles devem ser santuário de Espírito Santo, que indignidade vê-los escravos da impureza!409 Que horror ver manchado com as ignomínias dos pecados carnais um padre, que por toda a parte devia difundir, a par duma vida luz, o doce odor da pureza: vê-lo imundo e pestilento!410 Foi o que fez dizer a Clemente de Alexandria que os padres impudícos, quanto lhes é possível, mancham o próprio Deus, que habita na sua alma411.
 E disso se lamenta o Senhor: Os sacerdotes calcaram aos pés a minha lei e profanaram os meus santuários, e Eu era manchado no meio deles412.Pois que, exclama Ele! Vejo-me desonrado pela incontinência dos meus padres, porque, faltando à castidade, profanam os meus santuários, isto é, os seus corpos, que eu consagrei ao meu culto, e onde venho muitas vezes fazer a minha morada! Foi também o que fez compreender S. Jerônimo nestas palavras: “Manchamos o corpo de Cristo, quando nos aproximamos indignamente do altar”413.
 Além disto, o padre imola a Deus sobre o altar o Cordeiro sem mancha, o Filho do próprio Deus; por este motivo ainda, diz S. Jerônimo, deve ser de tal modo casto, que se abstenha não só de toda a ação desonesta, mas até do menor olhar pouco honesto414. S. João Crisóstomo ensina igualmente que o padre deve ser muito puro, para tomar lugar no Céu entre os Anjos415.
 Noutra parte acrescenta que a mão do padre, que há de tocar a carne de Jesus Cristo, deveria resplandecer em pureza mais que o sol 416.Onde se poderia encontrar, pergunta Sto. Agostinho, um homem bastante ímpio que se atrevesse a tocar o Sacramento do altar com as mãos cheias de imundícia? 417
 Mas há ainda uma coisa muito mais horrível, — é que os padres ousem subir ao altar e tocar o corpo de Jesus Cristo, depois de se terem manchado com pecados obscenos, como diz S. Bernardo418. Ai, padres do Senhor, exclama Sto. Agostinho! Tomai cuidado para que essas mãos que se banham no sangue do Redentor, derramado outrora por vosso amor, não venham a manchar-se no sangue sacrílego do pecado419.
 Demais, Cassiano observa que os padres não devem somente tocar a carne do Cordeiro sagrado, mas alimentar-se dela, o que os obriga a uma pureza mais que angélica420. Segundo Pedro Comestor, quando o padre pronuncia, com os lábios manchados do vício vergonhoso, as palavras da consagração, é como se escarrasse no rosto do Salvador; e quando mete na sua boca impura o Corpo sagrado e o Sangue precioso, é como se os lançasse na lama421. Mais ainda, diz S. Vicente Ferrer, esse desgraçado comete crime mais horrível do que se lançasse uma hóstia consagrada numa sentina 422.
 Ó Padre! Exclama aqui S. Pedro Damião, vós que deveis sacrificar a Deus o Cordeiro sem mancha, não vades antes imolar-vos ao demônio por vossas impurezas!423 O mesmo santo chama aos padres impudicos vítimas do demônio, vítimas de que o inimigo das almas faz as suas delícias no inferno424. É necessário ajuntar que o padre impuro não se perde só; arrasta consigo muitos outros. Segundo S. Bernardo, a incontinência dos eclesiásticos é a perseguição mais funesta que a Igreja sofre. Sobre estas palavras de Ezequias — eis que no seio da paz a minha amargura é amaríssima 425 — escreve ele gemendo: Foi a dor da Igreja amarga na morte dos mártires, mais amarga na guerra, que lhe moveram os hereges, amaríssima na corrupção dos seus membros.
 Está em paz a Igreja, e não tem paz: está em paz da parte dos pagãos, em paz do lado dos hereges, mas não por certo da parte dos seus filhos 426.Os filhos dilaceram as entranhas da sua mãe427. Na verdade a Igreja sofreu cruelmente da parte dos tiranos, que pelo martírio lhe arrebataram tantos fiéis; depois sofreu ainda mais cruelmente da parte dos hereges, que com o veneno do erro inficionaram muitos dos seus súditos; mas o seu maior sofrimento, a sua maior perseguição é a que lhe advém dos seus filhos, desses eclesiásticos indignos, que por seus escândalos dilaceram as entranhas maternais! — Que vergonha, exclama também S. Pedro Damião, ver escravo da luxúria aquele que devia pregar a castidade! 428

III - Conseqüências funestas da impureza

 Examinemos agora os estragos que o pecado desonesto causa na alma, e principalmente na alma do padre.

1. A cegueira do Espírito.

 Primeiro que tudo, o pecado cega o espírito, e faz-lhe perder de vista Deus as verdades eternas. Segundo Sto. Agostinho, a castidade faz que os homens vejam a Deus429. Pelo contrário, o primeiro efeito do vício impuro é a cegueira do espírito, cujas conseqüências no sentir de Santo Tomás são: cegueira do espírito, ódio a Deus, apego à vida presente, horror à vida futura ou desesperação de salvação430.
 A impudicícia, ajunta Sto. Agostinho, roubanos o pensamento da eternidade. A primeira coisa que faz o corvo, quando encontra um cadáver, é arrancar-lhe os olhos, o primeiro mal que a incontinência faz à alma é tirar-lhe a luz das coisas divinas. Quantos exemplos desta triste verdade! Vêde Calvino, primeiro inclinado para a vida eclesiástica, pastor de almas431, tornado depois, por essa paixão infame, o chefe duma heresia; Henrique VIII, primeiro defensor da Igreja, depois seu perseguidor; Salomão, que começa por ser um santo, e acaba por idólatra! O mesmo acontece de contínuo aos sacerdotes impuros. Caminharão como cegos, porque pecaram contra o Senhor 432.
 Desgraçados! No meio das luzes das missas que celebram, das orações que recitam, dos funerais a que assistem, permanecem cegos, como se não acreditassem, nem na morte que os espera, nem no juízo em que hão de prestar contas, nem no inferno que será a sua herança! Parecem feridos desta terrível maldição: Que o Senhor te faça louco, cego e delirante, de modo que andes às apalpadelas, como o cego nas trevas, e não possas trilhar o caminho direito433.
 Esse lamaçal infecto em que estão engolfados, a tal cegueira os reduz, que depois de terem abandonado a Deus, — que os havia sublimado acima dos astros, — não pensam mais em prostrar-se a seus pés, a solicitar-lhe perdão: Não terão o pensamento de voltar para o seu Deus; porque o espírito de fornificação está no seio deles, e não conheceram o Senhor434. Como diz S. João Crisóstomo, nada mais pode alumiá-los, nem as advertências dos superiores, nem os conselhos dos bons amigos, nem o temor dos castigos, nem o perigo de serem desonrados435. E será para a admirar que eles não vejam mais? Caiu sobre eles o fogo, e não viram mais o sol436. Que fogo, pergunta o Doutor angélico, senão o da concupiscência?437.
 Depois, noutra parte diz: O vício da carne extingue o juízo da razão. Os prazeres impuros não deixam mais na alma sentimento senão para os deleites carnais. Pela sua deleição brutal faz este vício perder ao homem até a razão438, a ponte, como diz S. Jerônimo, de o tornar pior que uma besta. Donde resultará que o padre impudico, cego pelas suas impudicícias, nenhuma atenção prestará, nem aos ultrajes que faz a Deus com a sua conduta sacrílega, nem ao escândalo que dá aos outros; chegará mesmo a celebrar missa com pecado na alma. Que admira? Quem perdeu a luz facilmente se deixa ir a toda a espécie de mal.
 Se se quer encontrar a luz, é necessário aproximar de Deus, diz o Salmista439. Mais que nenhum outro vício, porém, a impudicícia afasta o homem de Deus, diz Santo Tomás440. Por isso o impudico se torna semelhante a um bruto, incapaz para o futuro de compreender as coisas espirituais. Não compreende o homem animal as coisas do espírito de Deus441. Nada lhe faz impressão, nem o inferno, nem a eternidade, nem a dignidade sacerdotal: Non percipit. Segundo Sto. Ambrósio, começará talvez a duvidar da fé: “Desde que uma pessoa começa a entregar-se à luxúria, começa a afastar-se da verdadeira fé”442.
 Ó, quantos desgraçados padres, transviados por este vício, acabaram por perder a fé! Assim como a luz do sol não pode penetrar num vaso cheio de terra, assim a luz divina não brilha numa alma habituada aos pecados da carne: o habitudinário levará consigo para a sepultura os seus vícios. Os seus ossos se hão de encher dos vícios da sua juventude (os vícios da juventude são os vícios vergonhosos) , vícios que dormirão com ele no pó443.
 Como esta alma desgraçada acabará por se esquecer de Deus, no meio das suas impurezas, também Deus a esquecerá, e permitirá que ela fique abandonada nas suas trevas: Visto que me esqueceste, e me atiraste para trás das costas, arrasta tu também o estigma da tua perversidade e das tuas abominações444. S. Pedro Damião explica assim: Os que lançam a Deus para trás das costas são os que se deixam arrastar pela luxúria445.
 Conta o Pe. Cataneo446 que um pecador, que vivia em relações criminosas, foi advertido por um amigo para que emendasse a vida, se não queria condenar-se. Ele porém respondeu-lhe: “Meu amigo, por uma tal mulher bem se pode ir para o inferno”. Sem dúvida, para lá foi esse miserável, porque foi morto. — Um outro, e era padre, surpreendido em casa duma dama, a quem pretendia seduzir, foi obrigado pelo marido dela a ingerir um veneno. De regresso a sua casa, deitou-se no leito e contou a um amigo a desgraça que lhe tinha acontecido. O amigo, vendo-o prestes a expirar, exortou-o a confessar-se sem demora, mas ele respondeu-lhe: “Não, não posso confessar-me; só tenho um favor a pedir-te, — dize a Senhora N. que morro por amor dela”.
 Pode ir mais longe a cegueira?

2. A obstinação da vontade

 O segundo efeito do pecado impuro é a obstinação da vontade. Diz S.Jerônimo que o que se deixa cair na rede do demônio não se escapa dela facilmente447. E em Santo Tomás lê-se que nenhum pecado dá tanta alegria ao demônio como o da impudicícia, porque a carne está muito inclinada para este vício; de modo que os que nele caem mui dificilmente se levantam 448. É por isso que S. Clemente de Alexandria chama à impudicícia uma moléstia incurável e Tertuliano um vício sem conversão449. S. Cipriano chama-lhe a mãe da impenitência450. É quase impossível, dizia Pedro de Blois, vencer as tentações carnais, quando se está escravizado pela carne451.
 Conta o Pe. Biderman que um certo jovem caía com muita freqüência no pecado da impureza; à hora da morte fez uma confissão, acompanhada de muitas lágrimas, e morreu deixando a todos grande esperança de se ter salvado.No dia seguinte porém o confessor, ao dizer missa por ele, sentiu que lhe puxavam pela casula; voltou-se e viu um fumo negro, donde saíam centelhas de fogo; em seguida ouviu uma voz a dizer-lhe, que era a alma do jovem defunto, que depois de recebida a absolvição dos seus pecados fôra de novo tentado nos últimos momentos; tinha consentido num mau pensamento e se tinha condenado.
 O profeta e o sacerdote estão manchados... eis por que o caminho deles será como um atalho escorregadio e coberto de trevas; serão impelidos e cairão452. Tal é a desgraça final dos padres impudícos: caminham em trevas por uma via escorregadia, e são impelidos pelos demônios e pelo seu mau hábito para o abismo; por isso lhe é quase impossível escapar à ruína. os que se entregam a este vício, diz Sto. Agostinho, em breve contraem o hábito, que prestes se torna em necessidade de pecar453. O gavião, que se repasta sôfrego da carne podre, deixa-se matar pelo caçador, mas não abandona a sua iguaria; é o que acontece ao impudíco de hábito.
 E, quanto a obstinação dos padres, escravos deste vício vergonhoso, é ainda mais invencível que a dos seculares! A razão disto é, ou porque recebem luzes mais abundantes para conhecerem a malícia do pecado mortal, ou porque a impudicícia neles é muito maior crime. De fato, eles não ultrajam somente a castidade, mas a religião, por causa do voto que fizeram; e as mais das vezes ferem também a caridade para com o próximo, porque quase sempre a impudicícia do padre origina grande escândalo nos outros. Refere Dionísio Chartreux que um servo de Deus, levado um dia em espírito pelo seu anjo ao Purgatório, vira lá uma multidão de seculares que expiavam as suas impurezas, mas poucos padres. Perguntou a razão, e foi-lhe respondido que um padre impudíco dificilmente chega a arrepender-se devéras, e por conseqüência esses padres quase todos se condenam454.

3. A condenação eterna

 Finalmente, este vício execrável conduz o homem, e sobretudo o padre à condenação eterna. Diz S. Pedro Damião que os altares de Deus não recebem outro fogo senão o do amor divino; de modo que todos aqueles que lá sobem, com uma chama impura no coração, devem ser atormentados pelo fogo da vingança divina455. E ajunta que todas as obscenidades do impudíco se hão de demudar um dia em pez que nas suas entranhas alimentará eternamente o fogo do inferno456.
 Ó, que terríveis castigos reserva Deus para os padres impudícos! E a quantos padres este pecado há precipitado no inferno! Diz ainda S. Damião: Se o homem do Evangelho, que se tinha apresentado no festim nupcial sem o vestido conveniente, foi por isso condenado às trevas, — que há de esperar aquele que, introduzido na sala do festim celeste, longe de lá brilhar pela riqueza da veste nupcial, se mostra conspurcado com a imundícia abominável de uma luxúria espantosa?457 Conta Barônio que um padre, que tinha passado uma vida licenciosa, viu à hora da morte, durante a sua agonia, uma multidão de demônios que vinham contra ele; então voltou-se para um religioso que lhe assistia e pediu-lhe que intercedesse por ele. Um instante depois, disse-lhe que já estava no tribunal de Deus, e exclamou: Cessai, cessai de orar por mim, são inúteis as vossas preces, estou condenado 458.
 Escreve S. Pedro Damião que, na cidade de Parma, um padre e uma mulher foram feridos de morte repentina, no momento em que se entregavam ao crime. Nas revelações de Santa Brígida459 lê-se que um padre impudíco, estando no campo, fôra fulminado por um raio, que só lhe reduziu a cinzas as partes pudendas, e lhe deixou intacto o resto do corpo; prova evidente de que Deus o tinha castigado assim, em razão da sua incontinência.— Em nossos dias morreu também repentinamente um padre no meio do crime; e, para cúmulo de desonra foi exposto à porta duma igreja, no mesmo estado de desnudez, em que tinha sido encontrado em casa da sua cúmplice460.
 Como os padres impudícos desonram a Igreja com os seus escândalos, o Senhor lhes inflige o castigo que merecem, tornando-os os mais vis e desprezíveis de todos os homens. É precisamente o que ele declara pela boca de Malaquias, falando dos padres: Desertastes do caminho, escandalizastes a muitos, a quem ensinastes a lei..., por isso vos humilhei e entreguei ao desprezo de todos os povos461.

IV - Remédios contra a incontinência

 Muitos remédios indicam os mestres da vida espiritual, contra esta lepra de impureza; mas os dois principais e os mais necessários são a fuga das ocasiões e a oração.
 Quanto ao primeiro, dizia S. Filipe de Néri que neste combate a vitória é para os poltrões, isto é, para os que fogem à ocasião. Embora o homem empregue todos os outros meios possíveis, se não fugir, está perdido 462.Quanto ao segundo remédio, que é a oração, devemos estar persuadidos que de nós mesmos não temos força para resistir às tentações da carne.
 Há de vir-nos de Deus a força, — que ele não concede senão a quem lha suplica. O único baluarte contra esta tentação, diz S. Gregório de Nyssa, é a oração463. E antes dele tinha dito o Sábio: Como eu sabia que não podia possuir este tesouro, se Deus mo não desse, apresentei-me diante do Senhor e pedi-lho 464.Para maior desenvolvimento sobre os meios de combater o vício impuro, e em especial sobre os dois meios aqui indicados, a fuga das ocasiões e a oração, veja-se a instrução sobre a castidade, na segunda parte desta obra.
Notas:
391. Orat. 5.
392. Vermis quo nullus nocentior (T. II. s. 52. a. 3. c. 2).
393. Luxuria omnium virtutum eradicat germina.
394. Luxuria seminarium et origo vitiorum est (De Elia et jej. c. 19).
395. Demptis parvulis, ex adultis pauci, propter hoc vitium salvantur (S. Thom. de Vill. De S.Ildeph. conc. 2).
396. Il Christ. inst. p. 1. rag. 24.
397. Gemma pretiosissima, a paucis inventa (De Virginit.).
398. Teipsum castum custodi (1. Tim. 5, 22).
399. Ante omnia, sacerdos, qui divinis assistit altaribus, castitate debet accingi (In Levit. hom.4).
400. Soli qui puram agunt vitam, sunt Dei sacerdotes (Strom. l. 4).
401. Si pudicitia sacerdotes creat, libido sacerdotibus dignitatem abrogat (Epist. l. 3. ep. 75).
402. Qui, post acceptum sacrum Ordinem, lapsus in peccatum carnis fuerit, sacro Ordine ita careat, ut ad altaris ministerium ulterius non accedat (Cap. Pervenit. dist. 50).
403. Cap. Presbyter. dist. 82.
404. Cap. Presbyter. dist. 82.
405. Unxit nos Deus, qui et signavit nos (2. Cor. 1, 21).
406. Sacerdos ne polluat sanctuarium Domini; quia oleum sanctae unctionis super eum est (Ep. ad Heron. Diac.).
407. Teipsum castum custodi, ut domum Dei, templum Christi (Op. 18. d. 2. c. 4-7).
408. Nonne templum Dei violant? Nolite vasa Deo sacrata in vasa contumeliae vertere.
409. Cum ipsi templum et sacrarium Spiritus Sancti debeant esse indignum est eos immunditiis deservire (Cap. Decernimus dist. 28).
410. Sus lota in volutabro (2. Pet. 2, 22).
411. Deum in ipsis habitantem corrumpunt, quantum in se est, et vitiorum suorum conjunctione polluunt (Paedag. l. 2. c. 10).
412. Sacerdotes ejus contempserunt legem meam, et polluerunt sanctuaria mea... et coinquinabar in medio eorum (Ezech. 22, 26).
413. Polluimus corpus Christi, quando indigni accedimus ad altare (In Mal. 1. 7).
414. Pudicitia sacerdotalis, non solum ab opere immundo, sed etiam a jactu oculi sit libera (In Tit. 1. 8-9).
415. Necesse est sacerdotem sic esse purum, ut, in ipsis coelis collocatus, inter coelestes illas virtutes medius staret (De Sacer. 1. 3).
416. Quo solares radios non deberet excedere manus illa, quae hanc carnem tactat? (In Matth. hom. 83).
417. Quis adeo impius erit, qui lutosis manibus sacratissimum Sacramentum tractare praesumat? Em vez destas palavras, eis o que lemos no lugar indicado: Si erubescimus et timemus Eucharistiam manibus sordidis tangere, plus debemus timere ipsam Eucharistiam in anima polluta suscipere (Serm. 292. E. B. app.). — LE TRADUCTER.
418. Audent Agni immaculati sacras contingere carnes, et intingere in sanguinem Salvatoris manus, quibus paulo ante carnes attrectaverunt (Declam. n. 13).
419. Ne manus quae intinguntur sanguine Christi, polluantur sanguine peccati! (Molina. Instr.Sac. tr. 1. c. 5. § 2).
420. Qua puritate oportebit custodire castitatem, quos necesse est quotidie sacrosanctis Agni carnibus vesci! (De Coen. inst. l. 6. c. 8).
421. Qui sacra illius verba Sacramenti ore immundo profert, in faciem Salvatoris spuit; et cum in os immundum sanctissimam Carmem ponit, eam quasi in lutum projicit (Serm. 38).
422. Majus peccatum est, quam si projiciat corpus Christi in cloacam.
423. Cur, o sacerdos, qui sacrificium Deo debes offerre, temetipsum prius maligno spiritui non vereris victimam immolare? (Opusc. 17. c. 3).
424. Vos estis daemonum victimae, ad aeternae mortis succidium destinatae; ex vobis diabolus, tamquam delicatis dapibus, pascitur et saginatur (Epist. l. 4. ep. 3).
425. Ecce in pace amaritudo mea amarissima (Is. 38, 17).
426. Amara prius in nece Martyrum, amarior in conflictu haereticorum, amarissima in moribus domesticorum. Pax est, et non est pax: pax a paganis, pax ab haereticis, sed non profecto a filiis (In Cant. s. 33).
427. Filii propriam matrem eviscerant! (S. ad Past. in syn.).
428. Qui praedicator constitutus es castitatis, non te pudet servum esse libidinis? (Opusc. 17, c. 3).
429. Castitas, mundans mentes hominum, praestet videre Deum (Serm. 291. E. B. app.).
430. Caecitas mentis, odium Dei, affectus praesentis saeculi, horror vel desperatio futuri (2.2. q. 153. a. 5).
431. João Calvino foi provido aos doze anos numa capelania na igreja de Noyon, e depois no curato de Pont-l’Evêque, perto desta cidade, ainda que nunca foi elevado ao sacerdócio (Dict. hist. de Feller).
432. Ambulabunt ut caeci, qui Domino peccaverunt (Soph. 1, 17).
433. Percutiat te Dominus amentia, et caecitate, ac furore mentis, et palpes in meridie, sicut palpare solet caecus in tenebris, et non dirigas vias tuas (Deut. 28, 28).
434. Non dabunt cogitationes suas, ut revertantur ad Deum suum; quia spiritus fornicationum in medio eorum, et Dominum non cognoverunt (Os. 5, 4).
435. Nec admonitiones, nec consilia, nec aliquid aliud salvare potest animam libidine periclitantem (Hom. contra lux.).
436. Supercecidit ignis, et non viderunt solem (Ps. 57, 9).
437. Vitia carnalia exstinguunt judicium rationis. Delectatio quae est in venereis, totam animam trahit ad sensibilem delectationem (2. 2. q. 53. a. 6).
438. Luxuria hominem pejorem bestia facit (Eusèbe. Ep. ad Dam. de morte Hier.).
439. Accedite ad eum, iluminamini (Ps. 33, 6).
440. Per peccatum luxuriae, homo videtur maxime a Deo recedere (In Jo. 31. lect. 1).
441. Animalis autem homo non percipit e a quae sunt Spiritus Dei (1. Cor. 2, 14).
442. Ubi coepit quis luxuriari, incipit deviare a fide recta (Ep. 36).
443. Ossa ejus implebuntur vitiis adolescentiae ejus et cum eo in pulvere dormient (Job 20, 11).
444. Quia oblita es mei, et projecisti me post corpus tuum, tu quoque porta scelus tuum et fornicationes tuas (Ezech. 23, 35).
445. Illi Deum post corpus suum ponunt, qui suarum obtemperant illecebris voluptatum (Opusc.18. diss. 2. c. 3).
446. Eserc. della buonam, p. 1. d. 34.
447. Hoc rete diaboli, si quis capitur, non cito solvitur (Eusèbe, Ep. ad Dam. de morte Hier.).
448. Diabolus dicitur maxime gaudere de peccato luxuriae, quia est maximae adherentiae, et difficile ab eo homo potest eripi (1. 2. q. 73. a. 5).
449. Morbus immedicabilis, vitium immutabile (Paedag. l. 2. c. 10).
450. Impudicitia mater est impoenitentiae (De Disc. et Bono pud.).
451. Est fere impossibile triumphare de carne, si ipsa de nobis triumphavit.
452. Propheta et sacerdos polluti sunt... idcirco via eorum erit quasi lubricum in tenebris; impellentur enim, et corruent in ea (Jer. 23, 11).
453. Dum servitur libidini, facta est consuetudo; et dum consuetudini non resistitur, facta est necessitas (Conf. l. 8. c. 5).
454. Vix aliquis talium veram habet contritionem; idcirco pene omnes aeternaliter damnantur (Quat. Nov. p. 3. a. 13).
455. Altaria Domini, non alienum, sed ignem dumtaxat divini amoris accipiunt; quisquis igitur carnalis concupiscentiae flamma aestuat, et sacris assistere mysteriis non formidat, ille divinae ultionis igne consumitur (Opusc. 27. c. 3).
456. Veniet, veniet profecto dies, imo nox, quando libido ista tua vertetur in picem, qua se perpetuus ignis in tuis visceribus inextinguibiliter nutriat (Opusc. 17. c. 3).
457. Quid illi sperandum, qui, coelestibus tricliniis intromissus, non modo non est spiritalis indumenti decore conspicuus, sed ultro etiam foetet sordentis luxuriae squalore perfusus?(Opusc. 18. d. 1. c. 4).
458. Cessa pro me orare, pro quo nullatenus exaudieris (Anno 1.100 n. 24).
459. Epist. l. 5. ep. 16.
460. Revel. l. 1. c. 2.
461. Vos autem recessistis de via, et scandalizastis plurimos in lege... propter quod et ego dedi vos contemptibiles et humiles omnibus populis (Mal. 2, 8).
462. Qui amat periculum, in illo peribit (Eccli. 3, 27).
463. Oratio pudicitiae praesidium est (De Orat. Dom. or. 1).
464. Et ut scivi quoniam aliter non possem esse continens, nisi Deus det... adii Dominum, et deprecatus sum illum (Sap. 8, 21)
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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Ó Altíssimo e glorioso Deus...

Dedico esta oração a todos aqueles que, ligados à Tradição da Igreja, sofrem silenciosamente diante da decadência da Igreja pós-Conciliar.
 

Oração de São Francisco de Assis diante do Crucifixo



  
Ó Altíssimo e glorioso Deus,
Iluminai as trevas
De meu coração.

Dai-me uma fé reta,
Uma esperança certa
Uma caridade perfeita
E uma humildade profunda.

Dai-me, Senhor,
Sabedoria e discernimento
Para cumprir a Vossa verdadeira
E santa vontade.

Amém.



domingo, 27 de maio de 2012

Carta de Mons. Lefebvre ao Papa - maio de 1983

Carta de Mons. Lefebvre ao Papa


Publicamos uma carta de Mons. Lefebvre ao Papa, lida por ele mesmo aos seminaristas na conferência espiritual em Ecône em 25 de maio de 1983. Esta [carta] mantém toda a sua atualidade e exprime as profundas razões da batalha da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X pela Fé. 

Santo Padre,

Hoje mesmo, o jornal parisiense Le Figaro estampa como manchete da primeira página, em letras garrafais: O Papa denuncia a opressão das consciências em sua mensagem Urbi et Orbi de 04 de abril de 1983. Certamente, é por causa daquela opressão das consciências, exercida de maneira inconcebível dentro da Igreja, que vós prevedes um decreto para autorizar o antigo rito romano da Missa. Não é, de fato, uma opressão iniqua tirar dos sacerdotes o rito de sua Missa de ordenação e forçá-los, sob pena de suspensão, a adotar um novo rito, de cuja instituição participaram seis pastores protestantes?

É aos pés do Crucifixo que vos respondo, Santo Padre, unido a todos os bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e fieis que sofreram um verdadeiro martírio moral pela imposição forçada desta reforma litúrgica. Quantas lágrimas, quanta dor, quantas mortes prematuras de que são responsáveis aqueles que injustamente impuseram estas mudanças, operadas unicamente em nome de um ecumenismo aberrante. Por isso, a minha resposta quanto ao parágrafo do novo Ordo Missae é negativa.

Os próprios autores da reforma afirmaram que o seu objetivo era "ecumênico". Isto é, destinado a suprimir, sem tocar na doutrina, o que desagrada aos nossos "irmãos separados". Mas é evidente que o que desagrada aos nossos "irmãos separados" é a doutrina da Missa católica. Para lhes dar satisfação, foi instituída uma missa equívoca, ambígua, na qual a doutrina católica foi esvaziada. Como, então, se pode pensar que esta diminuição da Fé foi inspirada pelo Espírito Santo? A própria definição da Missa, mesmo aquela que foi depois corrigida pelo artigo 7 da Instituição, mostra com evidência esta diminuição e, também, a falsificação da doutrina. O uso desta missa ecumênica faz adquirir uma mentalidade protestante, indiferentista, que coloca todas as religiões em pé de igualdade, como o faz a declaração sobre a liberdade religiosa, que tem por base doutrinal os direitos do homem, a dignidade humana mal compreendida e condenada por São Pio X em sua carta sobre o Sillon.

As consequências desse espírito, difundido dentro da Igreja, são deploráveis e arruínam a vitalidade espiritual da Igreja. Em consciência, não nos resta que afastar os sacerdotes e os fiéis do uso deste novo Ordo Missae, se desejarmos que a Fé católica integral permaneça ainda viva. Quanto ao primeiro parágrafo que diz respeito ao concílio, aceito de bom grado assiná-lo no sentido de que a Tradição é o critério de interpretação dos documentos (o que é, por outro lado, também o sentido da nota do concílio sobre a interpretação dos textos), pois é evidente que a Tradição não é compatível com a declaração sobre a liberdade religiosa, de acordo com os próprios peritos, como os reverendos padres Congar e Meuret.

Então, nós não vemos outras soluções para este problema que, primeiro: seja concedida a liberdade de celebrar segundo o rito antigo, de maneira conforme a edição dos livros litúrgicos do Papa João XXIII. Segundo: a reforma do novo Ordo Missae, para dar-lhe uma expressão manifesta dos dogmas católicos da realidade do ato sacrifical, da presença real para uma adoração mais manifesta, da distinção clara entre o sacerdócio do padre e o dos fiéis e da realidade propiciatória do sacrifício. Terceiro: uma reforma das declarações ou expressões do concilio que sejam contrárias ao magistério oficial da Igreja, especialmente na declaração sobre a liberdade religiosa, na declaração sobre a Igreja e o mundo, no decreto sobre as religiões não cristãs etc.

É vital para a Igreja afirmar, através do sacrifício da Missa, que há salvação unicamente através do sacrifício de Nosso Senhor, único Salvador, único Sacerdote, único Rei. A religião católica é a única verdadeira, as outras religiões são falsas e arrastam as almas para o erro e o pecado. Somente a religião católica foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, portanto somente através dela pode haver salvação. Disso se deduz a necessidade, para todas as almas, de um batismo válido e frutuoso, que as torne membros do Corpo Místico de Nosso Senhor. Daí provém a urgência de a Realeza Social de Nosso Senhor estar inscrita nas constituições, para proteger as almas católicas contra os perigos do erro e do vício e para favorecer as conversões para a salvação das almas.

Agora, essas verdades estão imutavelmente negadas ou contraditas implicitamente pelo concílio Vaticano II, com a maior satisfação dos inimigos da Igreja. É urgente, Santo Padre, restabelecer estas verdades, pois são a própria essência e a razão de ser da Igreja, a razão de ser do sacerdócio e do episcopado, do sucessor de Pedro. Santo Padre, eu não tenho que um desejo que animou toda a minha vida e é o de trabalhar para a salvação das almas na mais perfeita submissão ao sucessor de Pedro, segundo a Fé católica que me foi ensinada em minha infância e em Roma, na Cidade Eterna. Para mim, portanto, é impossível assinar qualquer coisa que traga prejuízo a esta Fé. Como é o caso do falso ecumenismo e da falsa liberdade religiosa. Eu quero viver e morrer na Fé católica, penhor da vida beata e eterna.

Que Sua Santidade se digne crer em meus sentimentos respeitosos e filiais.




Este discurso consta do vídeo abaixo (em italiano), uma forte e importante homenagem ao Sacerdote, homem de Igreja, heroi e mártir moral da Fé Católica, Mons. Marcel Lefebvre:




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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Pausa voluntária

Estarei off-line até o dia 27 de maio, em uma especial Novena de Pentecostes, na qual unirei às orações o desejo e a vontade de não acessar sites e blogs da internet, sobretudo os noticiosos e sensacionalistas. É um período propício à reflexão e convido a todos – do recôndito de minha insignificância – a fazer o mesmo. 
 
O blog, portanto, só será atualizado a partir do dia 28 de Maio. 
 
CG, dia 17 de Maio, da Ascensão de Nosso Senhor ao Céu.
 
Giulia d'Amore
 
 
 
Ave, Maria, Virgem puríssima, rogai por nós!

terça-feira, 15 de maio de 2012

A Selva - O mal da tibieza no padre


  Santo Afonso Maria de Ligório
(27/09/1696 - 02/08/1787)
Bispo de Santa Àgata
Confessor
Doutor Zelosíssimo da Igreja
Fundador dos Missionários Redentoristas

A Selva



PRIMEIRA PARTE - MATERIAIS PARA OS SERMÕES


O mal da tibieza no  padre


O mal da tibieza no padre

I - A que está exposto o padre tíbio

 A S. João mandou o Senhor, no Apocalipse, que escrevesse ao bispo de Éfeso estas palavras: Sei o bem que fazes; conheço os teus trabalhos pela minha glória, assim como a tua paciência nas fadigas do teu ministério 328. Em seguida, acrescenta: Mas, por outro lado, tenho a arguir-te de haveres esfriado no teu primitivo fervor329. — Alguém dirá talvez: que grande mal havia nisso? — Escutai o que o Senhor ajunta ainda: Lembra-te donde caíste; faze penitência das tuas culpas, e cuida de voltar ao primitivo fervor, em que deves viver, como ministro meu; de contrário, serás reprovado por mim, como indigno do ministério, que te confiei330.
 Como assim! Então a tibieza conduz a uma ruína tal? — Sim, a uma grande ruína, e o pior é que os tíbios não a conhecem, não a temem, não procuram evitá-la. Isto acontece sobretudo aos padres, cuja máxima parte vão esbarrar no escolho oculto da tibieza, e um grande número encontram nele a sua perdição. Escolho oculto: o que faz que os tíbios estejam expostos a grande risco de se perderem, é que a tibieza não deixa ver a uma alma o mal enorme que lhe causa. Muitos deles por certo não querem separar-se inteiramente de Jesus Cristo; querem segui-lo, mas de longe, como fez S.Pedro, quando o Redentor foi preso no jardim das Oliveiras331. Procedendo porém assim, caem facilmente na desgraça de Pedro, que apenas entrou na casa do Pontífice, a um simples remoque duma serva, renegou Jesus Cristo!Quem despreza as coisas pequenas vem a cair pouco a pouco nas grandes 332.
 O intérprete aplica este texto à alma tíbia, e diz que ela em breve perderá a devoção, e cairá depois, passando das faltas leves de que não se importava, às graves e mortais333. Segundo Eusébio de Emeso, quem não teme ofender a Deus com pecados veniais, dificilmente se há de preservar dos pecados mortais334. É com justiça, ajunta Sto. Isidoro, que o Senhor permite que quem não faz caso das faltas leves caía depois nas mais graves 335.Os pequenos excessos, quando são raros, não causam grave detrimento na saúde; mas, quando são freqüentes e multiplicados, acabam por ocasionar doenças mortais. É o que diz Santo Agostinho: Evitais com cuidado as quedas graves, e não temeis as leves; não perdestes a vida sob a pedra enorme dalgum pecado mortal; mas tomai cautela não fiqueis esmagados debaixo dum montão de areia de pecados veniais336.
 Ninguém ignora que só o pecado mortal dá a morte à alma e que os veniais, por mais numerosos que sejam, a não podem privar da graça, mas é preciso saber também o que diz S. Gregório: que o hábito de cometer faltas veniais, sem delas sentir remorso e sem pensar em corrigi-las, faz perder pouco a pouco o temor de Deus, e, uma vez perdido este temor, é fácil passar das faltas pequenas às grandes337. Santo Doroteu ajunta: Se desprezarmos as faltas leves, periculum est ne in perfectam insensibilitatem deveniamus.Quem não se inquieta com as pequenas quedas, corre perigo de cair numa insensibilidade universal, que lhe faça perder o horror até às quedas mortais338.
 Conforme o atesta o tribunal da Rota, Santa Teresa nunca caiu em nenhuma falta grave; contudo o Senhor lhe fez ver o lugar que lhe estava reservado no inferno, não porque ela o tivesse merecido, mas porque se teria condenado, se não tivesse sido arrancada a tempo, ao estado de tibieza em que vivera. Por isso o Apóstolo nos faz esta advertência: Não deis entrada ao demônio339. Ao espírito das trevas basta-lhe que comecemos a abrir-lhe a porta do nosso coração, deixando entrar nele sem escrúpulo faltas leves; porque depois ele a saberá abrir de par em par por faltas graves. Cassiano escreveu: Quando algum cai, não imagineis que ele tenha chegado de repente à sua ruína340.
 Não, quando soubermos que alguma pessoa, dada à vida espiritual, sucumbira enfim, não pensemos que o demônio a tenha lançado subitamente no abismo do mal: primeiro a fez cair no estado de tibieza e dali no precipício da inimizade de Deus. Assim, S. João Crisóstomo afirma ter conhecido muitas pessoas, adornadas de todas as virtudes, mas que, vindo a cair na tibieza, depois se precipitaram num abismo de vícios 341.Conta-se nas crônicas da Ordem de Santa Teresa que a venerável irmã Ana da Encarnação vira um dia uma alma condenada, que ela primeiro tivera por santa; viam-se-lhe unidos ao rosto muitos animais pequenos, imagens das numerosas faltas que na sua vida tinha cometido e de que não se havia importado. Alguns desses animálculos lhe diziam: “Foi por nós que começaste”; outros enfim: “Foi por nós que te perdeste”. Ao bispo de Laodicéia mandou dizer o Senhor: Conheço as tuas obras, e que não és frio nem quente342.
 Tal é o estado dum tíbio, — nem frio, nem quente. Homem tíbio, diz Menóquio, é o que não ousa, de propósito deliberado, ofender a Deus mortalmente, mas que é negligente em se aperfeiçoar; por aí dá fácil entrada a todas as paixões343.
 Um padre tíbio não é ainda manifestamente frio, porque não comete deliberadamente pecados mortais; mas afroixa em tender para a perfeição, a que o seu estado o obriga; não lança conta aos pecados veniais, e cada dia os comete em grande número sem escrúpulo: mentiras, intemperanças na comida e na bebida, imprecações, Ofício mal recitado, missa mal celebrada, maledicência contra todos, chocarrices inconvenientes. Vive na dissipação, no meio dos negócios e prazeres do século; alimenta desejos e apegos perigosos; cede à vanglória, ao respeito humano, aos melindres e ao amor próprio; não pode suportar a menor contrariedade, a menor palavra que o humilhe; vive sem oração e sem devoção.
 O Pe. Alvarez de Paz, falando dos defeitos e faltas da alma tíbia, exprime-se assim: O tíbio assemelha-se a um doente dominado de muitas moléstias pequenas que, sem lhe darem a morte por si mesmas, não lhe deixando nenhum descanso, acabam por lançá-lo em tal fraqueza, que ele vem a ser atacado por um mal grave, isto é, por uma tentação a que não pode resistir, e então a sua queda é profunda344.
 Eis por que o Senhor, continuando a falar do tíbio, lhe diz: Oxalá fôras frio ou quente! Mas porque és tíbio, e nem frio nem quente, apresso-me a lançar-te da minha boca. O que tem a desgraça de jazer no estado de tibieza, medite bem estas palavras e trema345.
 Antes eu quereria, diz o Senhor, que fosses frio, isto é, privado da graça 346; porque haveria mais esperança para ti de saíres desse miserável estado, do que se permaneceres nele, onde ficas mais exposto a cair em vícios graves, sem esperança de emenda. É assim que Cornélio A-Lápide explica esta passagem. Segundo S. Bernardo347, é mais fácil converter um leigo vicioso, que um eclesiástico tíbio; e Pereira ajunta que é mais fácil converter um infiel, que fazer sair um cristão da tibieza348.
 E de fato, Cassiano afirma ter visto muitos pecadores a darem-se a Deus com fervor, mas nunca uma alma tíbia349. S. Gregório não perde a esperança a respeito dum pecador não convertido, mas nada espera dum convertido que, depois de se ter dado a Deus com fervor, caiu na tibieza. Eis as suas palavras: “O que é frio, sem ter sido tíbio antes, deixa esperança; o tíbio porém não a deixa: porque pode esperar-se a conversão duma alma, que se encontra atualmente em estado de pecado; mas a que, depois da sua conversão, cai na tibieza, essa tira-nos a esperança de vermos voltar para Deus, no caso de se separar dele pelo pecado350.
 Em suma, a tibieza é um mal quase incurável e desesperado. Eis a razão: para se poder evitar qualquer perigo, é necessário conhecê-lo; ora, o tíbio está engolfado numa tal obscuridade, que não chega mesmo a conhecer o perigo em que se encontra. A tibieza é como a febre ética que mal se faz sentir. As faltas habituais em que o tíbio cai escapam-lhe à vista. As faltas graves, diz S. Gregório, por isso mesmo que se fazem conhecer melhor, corrigem-se mais depressa; mas as leves olham-se como nada, e continua-se a cometê-las; é assim que o homem se acostuma a desprezar as coisas pequenas, chegando por isso facilmente as desprezar também as grandes351.
 Além disto, o pecado mortal causa sempre um certo horror, mesmo ao pecador habitudinário; mas, à alma tíbia, as suas imperfeições, os seus afetos desordenados, a sua dissipação, o seu apego ao prazer e à estima própria, nenhum horror lhe inspiram; e contudo essas pequenas faltas são para ela mais perigosas, pois que a conduzem à ruína, sem ela dar por isso; é o que nota o Pe. Alvarez de Paz352.
 Dali esta célebre máxima de S. João Crisóstomo, — que “em certo sentido, devemos evitar com mais cuidado as faltas leves que as graves”353. E a razão que o Santo dá é nós termos naturalmente horror às faltas graves, ao passo que as leves desprezamo-las, e por isso elas em breve se tornam graves. O pior é que as pequenas infidelidades, que se desprezam, tornam o homem pouco atento aos interesses da sua alma, e fazem que, uma vez lançado no hábito de não cuidar das faltas leves, venha a negligenciar também as mais graves.
 É a razão porque o Senhor nos Cânticos nos dá este aviso: Caçai as raposas pequenas que assolam a nossa vinha; porque a nossa vinha está em flor354.. Notai neste texto a palavra raposas = Vulpes; não nos diz o Senhor que cacemos os leões ou os tigres, mas as raposas. As raposas devastam as vinhas, pelas escavações numerosas, que fazem secar as raízes; dum modo semelhante, as faltas habituais extinguem a devoção e os bons desejos, que são as raízes da vida espiritual.
 Ajunta o texto — parvulas: caçai as raposas pequenas; — e porque não as grandes? É que das pequenas receia-me menos, e no entanto elas muitas vezes causam maior mal que as grandes; porque, como observa o Pe. Alvarez de Paz, as faltas pequenas, de que não se faz caso, impedem a chuva das graças divinas, sem as quais a alma permanece estéril, e acaba por se perder 355.Diz ainda o Espírito Santo: Porque a nossa vinha está em flor. Que fazem as faltas veniais multiplicadas, que não se aborrecem? Devoram as flores, isto é, abafam os bons desejos de adiantar na perfeição; e, desde que estes desejos venham a faltar, só se andará para trás, até que se caia nalgum precipício, donde só com grande dificuldade se possa sair.
 Terminemos a explicação do citado texto do Apocalipse. Mas porque sois tíbio, começarei a lançar-vos da minha boca. Quando uma bebida é fria ou quente, toma-se com prazer; mas, se é tépida, custa a tomar, porque provoca vômitos. É por isso que o Senhor faz esta ameaça ao tíbio: vou começar a lançar-te da minha boca, palavras que Menóquio comenta assim: Começa o tíbio a ser vomitado, quando, permanecendo na sua tibieza, começa a desgostar a Deus, até que enfim seja do todo rejeitado por ele no momento da morte, e para sempre separado de Jesus Cristo356.
 Tal é o perigo que corre o tíbio de ser lançado, isto é, abandonado de Deus, sem esperança de regresso. É o que se significa pelo vômito, pois que se tem horror de tornar a ingerir o que uma vez se vomitou. É a explicação de Cornélio A-Lápide357.
 Como é que o Senhor começa a vomitar um sacerdote tíbio? Cessa de lhe fazer os seus convites amorosos, e é o que significa propriamente ser vomitado da boca de Deus; retira-lhe as consolações interiores, os santos desejos, de modo que esse desgraçado se encontra privado de unção espiritual.Irá para a oração, mas com aborrecimento, dissipação e tédio; assim, pouco e pouco será levado a deixá-la. Depois nem mesmo se recomendará a Deus, e, sem oração, cada vez se tornará mais miserável, irá de mal a pior.
 Celebrará a missa, recitará o Ofício, mas com mais detrimento do que fruto; fará tudo à sobreposse, por força ou sem devoção. Esmagareis as azeitonas e não nos podereis ungir com azeite, diz o Senhor358: quer dizer, que no meio dos exercícios mais próprios para produzirem o azeite da devoção, vós permanecereis privado de toda a unção. Celebrar a missa, recitar o Ofício, pregar, ouvir confissões, assistir aos moribundos, tomar parte nos funerais, — são exercícios que deviam aumentar o fervor; apesar de tudo isso, permanecereis árido, sem paz, dissipado, vítima de mil tentações. Eis como Deus começa a vomitar o tíbio359.

II - O sacerdote não pode contentar-se com evitar os pecados graves.

 Dirá talvez o padre tíbio: basta-me que não cometa pecados mortais e que me salve. — Basta que vos salveis? Não, responde Sto. Agostinho: visto que sois padre, estais obrigado a trilhar o caminho estreito da perfeição; se seguirdes pela via larga da tibieza, não vos salvareis. “Se dizeis: Basta, estais perdido”360. Segundo S. Gregório, quem é chamado a salvar-se como santo, e quer salvar-se como imperfeito, não se salvará. Foi precisamente o que o Senhor fez ouvir um dia à bem-aventurada Angela de Foligno, falando-lhe assim: “Aqueles a quem dou luzes para caminharem na via da perfeição, e degradam a sua alma, querendo seguir pela via comum, serão abandonados em mim” 361.
 Como vimos acima, é certo que o sacerdote é obrigado a tornar-se santo, quer pela sua qualidade de amigo e ministro de Deus, quer em razão das funções augustas que exerce, não só quando oferece o sacrifício da missa, mas quando se apresenta como mediador dos homens, diante da sua divina majestade, e quando santifica as almas mediante os sacramentos; porque é para o fazer caminhar na perfeição que o Senhor o cumula de graças e socorros especiais. Em presença disto, quando ele quer exercer com negligência o seu ministério, no meio de defeitos e faltas sem número, que não pensa em detestar, provoca a maldição de Deus: Maldito o que faz a obra de Deus com negligência362. Esta maldição significa o abandono de Deus, diz Sto.Ambrósio363.
 Costuma o Senhor abandonar essas almas que, depois de terem sido mais favorecidas com as suas graças, não cuidam de atingir a perfeição a que são chamadas. Quer Deus que os seus ministros o sirvam com o fervor dos serafins, escreve um autor; de contrário, há de retirar-lhes as suas graças e permitir que adormeçam na tibieza, para dali caírem primeiro no abismo do pecado, e depois no do inferno364.
 O padre tíbio, acabrunhado sob o peso de tantas faltas veniais e de tantas afeições desordenadas, permanece como que mergulhado num estado de insensibilidade. As graças recebidas e as obrigações do sacerdócio já o não tocam; por isso o Senhor na sua justiça o privará dos socorros abundantes, que lhe seriam moralmente necessários, para se desempenhar os deveres do seu estado. Assim irá de mal a pior; cada dia aumentarão os seus defeitos e também a sua cegueira. Havia Deus de prodigalizar as suas graças a quem se mostra avaro com ele? Não, diz o Apóstolo: quem pouco semeia, pouco colhe365.
 Declarou o Senhor que aumentará os seus favores aos que lhe testemunham reconhecimento e conservam as suas graças, mas tirará aos ingratos o que primeiro lhes tinha dado366.Noutra parte diz que, o senhor da vinha, quando não tira fruto dela, trata de a confiar a outros vinhateiros, e castiga os primeiros. Depois ajunta: Por isso vos declaro que o reino de Deus vos será tirado, para ser dado a uma nação que colha fruto dele367. Significa que Deus tirará do mundo o padre tíbio, ao qual havia confiado o cuidado do seu reino, isto é, que tinha encarregado de trabalhar na sua glória, e que dará esse encargo a outros, que lhe sejam reconhecidos e fiéis.
 Deve procurar-se na tibieza a razão por que muitos padres colhem pouco fruto, de tantos sacrifícios que oferecem a Deus, de tantas comunhões que fazem, e de tantas orações que recitam no Ofício e na Missa. Semeastes muito e colhestes pouco... e o que tinha recebido o salário do seu trabalho, lançou-o num saco roto368. Tal é o padre tíbio: os seus exercícios espirituais lança-os ele todos num saco furado, quer dizer que não lhe resta nenhum merecimento; antes, ao fazê-los dum modo tão defeituoso se torna digno de castigo. Não, o padre que vive na tibieza não está longe da sua perda. Segundo Pedro de Blois, deve o coração do padre ser um altar em que não cesse de arder o fogo do amor divino. Mas que sinal de amor ardente dá a Deus esse padre, que se contenta com evitar os pecados mortais e não teme desagradar a Deus com as faltas veniais? Como observa o Pe. Alvarez de Paz, o sinal que dá é antes o de um amor bem tíbio369.
 Para fazer um bom padre não bastam apenas graças comuns e pouco numerosas; requerem-se graças muito especiais e abundantes. Ora, como quereria Deus prodigalizar os seus favores a quem se pôs a seu serviço, e depois o serve mal? Santo Inácio de Loiola chamou um dia um irmão leigo da sua Companhia, que passava uma vida muito tíbia, e falou-lhe assim: “Dize-me, irmão meu, que vieste fazer à religião?” Ele respondeu-lhe: “Vim para servir a Deus”. “Ah, meu irmão, replicou o Santo, que disseste? Se me tivesses respondido que foi para servir um cardeal, um príncipe da terra, terias mais desculpa; mas, visto que vistes para servir a Deus, — é assim que o serves?
 Todo o sacerdote entra na corte, não dum príncipe da terra, mas noutra muito mais alta, — a dos amigos de Deus, onde se tratam continuamente e em confidência os negócios mais importantes para a glória da soberana Majestade. Donde procede que um padre tíbio mais desonra do que honra a Deus; porque dá a entender, pela sua conduta negligente e cheia de defeitos, que o Senhor não merece ser servido e amado com mais diligência; que, procurando agradar-lhe, não encontra prêmio que o faça bastante feliz; e que a sua divina Majestade não é digna dum amor tal, que nos obrigue a preferir a sua glória a todas as nossas satisfações.

III - Exortação

 Redobremos de esforços, ó padres, irmãos meus, e tremamos! Não aconteça que todas as nossas grandezas, todas as honras a que Deus nos alteou, entre todos os homens, venham a terminar um dia na nossa condenação eterna! Diz S. Bernardo que o empenho com que os demônios trabalham na nossa ruína, deve excitar o nosso zelo, em assegurarmos a salvação 370. Ó, como esses inimigos terríveis porfiam em perder um padre! Ambicionam com mais ardor a perda dum padre, que a de cem seculares, não só porque a vitória alcançada sobre um padre é para eles um triunfo mais brilhante, mas porque um padre na sua queda arrasta muitos outros desgraçados para o abismo.
 Assim como as moscas se afastam dum vaso que contenha algum líquido a ferver, e procuram outro de licor tépico, assim os demônios se mostram menos pressurosos em assaltar os sacerdotes fervorosos, que em impelir os tíbios do estado de tibieza para o de pecado. Diz Cornélio A-Lápide que o tíbio, desde que seja atacado por alguma tentação grave, está em grande perigo de sucumbir, porque se encontra quase sem força para lhe resistir; e assim, no meio de tantas ocasiões em que se encontra, caí muitas vezes em faltas graves371.
 É preciso pois que o sacerdote se aplique a evitar os pecados que comete cientemente e de propósito deliberado. Além de Jesus Cristo, que por natureza e sua divina Mãe por um privilégio especial, foram puros de toda a mancha de pecado, é certo que de todos os homens, sem exceptuar os santos, nenhum foi isento de pecados ao menos veniais. Nem os céus são puros na sua presença372. Todos pecamos em muitas coisas373. Como diz pois S.Leão, para todos os filhos de Adão, é uma triste herança o serem manchados do pó da terra374.
 Acima de tudo porém, é necessário prestar atenção a esta palavra do Sábio: O justo cairá sete vezes e se levantará375. O que cai por fragilidade, sem pleno conhecimento do mal que faz, e sem consentimento deliberado, levanta-se com facilidade376. Se, ao contrário, o pecador conhece o mal e o pratica deliberadamente e, em vez de o detestar, se compraz nele, — como poderá levantar-se?
 Diz Santo Agostinho: Se escorregamos em algumas faltas, ao menos detestemo-las e confessemo-las, e Deus no-las perdoará: Se confessarmos os nossos pecados, Deus, que é fiel e justo no-los perdoará, e nos purificará de toda a iniqüidade377. Falando dos pecados veniais, Luís de Blois ensina com Tauler que basta, para obter o perdão deles, confessá-los ao menos em geral378. E noutro lugar379 diz que se apagam mais facilmente tais pecados, voltando-se para Deus com um sentimento de humildade e amor, do que passando muito tempo a pesá-los com excessivo temor.
 Lê-se igualmente em S. Francisco de Sales que as faltas ordinárias das pessoas piedosas, como as cometem indeliberadamente, também se apagam indeliberadamente.No mesmo sentido se exprime Sto. Tomás 380, quando diz que, para a remissão dos pecados veniais, basta um ato de detestação, implícito ou explícito, como o que uma pessoa faz, voltando-se para Deus com devoção e amor.
 E acrescenta: Os pecados veniais remitem-se de três modos:
   1.º pela infusão da graça, e é o que acontece, quando se recebe a Eucaristia, ou outro sacramento;
   2.º por certos atos acompanhados de algum movimento de arrependimento, como são a confissão geral, o ato de tocar no peito, e a oração dominical;
   3.º por atos acompanhados dum certo movimento de reverência para com Deus e as coisas divinas; e é assim que a benção do bispo, a aspersão da água benta, a oração numa igreja consagrada, e outras coisas deste gênero, produzem a remissão dos pecados veniais 381. S. Bernardino de Sena, falando especialmente da comunhão, diz: Pode acontecer que, pela recepção da Eucaristia, uma alma se una tão estreitamente a Deus que fique purificada382 de todos os seus pecados veniais.
 O venerável Luís du Pont dizia: “Tenho cometido muitas faltas, mas nunca fiz a paz com as minhas faltas”. Há muitos que fazem as pazes com os seus defeitos, e é o que há de causar a sua perda. Segundo S. Bernardo, enquanto se detestam as próprias imperfeições, dá se esperança de regressar ao bom caminho; mas, deste que se peca ciente e deliberadamente, sem temor de pecar e sem dor de haver pecado, pouco a pouco se cai na perdição.As moscas que morrem no bálsamo fazem-lhe perder a suavidade do odor, diz o Sábio383. Essas moscas são precisamente as faltas que se cometem e não se detestam; porque então permanecem como mortas na alma: é a explicação de Dionísio Chartreux.
 Quando uma mosca cai num perfume, diz ele, e lá permanece, estraga-o e anula-lhe o bom odor. No sentido espiritual, essas moscas que morrem em nós são os pensamentos vãos, as afeições mais ou menos culposas, as distrações não combalidas: tudo isso nos rouba a doçura dos exercícios espirituais384.
 Nota S. Bernardo que não há grande mal em dizer que tal coisa é um pecado venial; mas cometer esse pecado, acrescenta, e comprazer-se nele, é um mal que tem conseqüências graves, e Deus há de punir severamente, como está escrito em S. Lucas: Aquele que conheceu a vontade do seu senhor, e não fez os preparativos necessários para o seu regresso, e não cumpriu a sua vontade, receberá grande número de açoites; o que porém o não conheceu, e fez coisas dignas de castigo, receberá poucos açoites 385. É verdade que nem mesmo as pessoas espirituais são isentas de pecados veniais; mas, diz o Pe. Alvarez de Paz 386, cada dia diminuem elas o número e a gravidade, e depois apagam a mancha por atos de amor de Deus. Quem assim procede acabará por se santificar, e as suas faltas não o impedirão de tender para a perfeição. Por isso Luís de Blois nos exorta a não nos desanimarmos com essas pequenas faltas, pois que temos muitos meios para nos corrigirmos delas 387.
 Mas quem ainda está preso à terra por algum laço, quem cai e recai nelas voluntariamente, sem desejar levantar-se, como poderá adiantar no caminho de Deus? Quando a ave está solta de todas as prisões, logo levanta o seu vôo; mas, se estivesse presa, embora por um fio delgado, permaneceria retida. O menor laço que prenda a alma à terra, dizia S. João da Cruz, impede-a de adiantar na perfeição.
 Guardemo-nos pois de cair no miserável estado da tibieza; porque, à face do que fica dito, para arrancar dele um padre, é necessária uma graça potentíssima. E que fundamento temos nós para pensar que o Senhor concederá uma tal graça a quem lhe provoca náuseas?
   — Alguém dirá que já se encontra nesse estado; — e não lhe restará esperança? — Há ainda uma esperança: a misericórdia e o poder de Deus, — As coisas impossíveis aos homens são possíveis para Deus388. É impossível ao tíbio arrancar-se da tibieza, mas não é impossível a Deus tirá-lo dela. É preciso contudo que ele ao menos o deseje: se nem mesmo deseja levantar-se, como poderá esperar o socorro de Deus? Ainda assim, o que não tem esse desejo, ao menos peça ao Senhor que lho dê. Se lho pedir com perseverança, Deus lhe dará o desejo e o socorro de que necessita.
 A promessa de Deus não falta389. Oremos pois e digamos com Sto. Agostinho: Senhor, nenhuns merecimentos tenho a oferecer-vos para ser atendido por vós; mas, ó Padre eterno, a vossa misericórdia e os merecimentos de Jesus Cristo, são os meus méritos390. — É também um grande meio para sair da tibieza, recorrer à santíssima Virgem.
Notas:
328. Scio opera tua, et laborem, et patientiam tuam (Apoc. 2, 2).
329. Sed habeo adversum te, quod charitatem tuam primam reliquisti.
330. Memor esto itaque unde excideris, et age poenitentiam, et prima opera fac; sin autem, venio tibi, et movebo candelabrum tuum de loco suo.
331. Petrus autem sequebatur eum a longe (Matth. 26, 58).
332. Qui spernit modica, paulatim decidet (Eccli. 19, 1).
333. Decidet a pietate, a statu gratiae in statum peccati.
334. Difficile est ut non cadere in gravia permittatur, qui minus gravia non veretur (Hom. init. quadr.).
335. Judicio autem divino in reatum nequiorem labuntur, qui distringere minora sua facta contemnunt (Sent. l. 2. c. 19).
336. Magna praecavisti; de minutis quid agis? Projecisti molem; vide ne arena obruaris (In.Ps. 39).
337. Ut, usu cuncta levigante, nequaquam post committere etiam graviora timeamus (Moral.l. 10. c. 14).
338. Doctr. 3.
339. Nolite locum dare diabolo (Eph. 4, 27).
340. Lapsus quispiam nequaquam subitanea ruina corruisse credendus est (Col. 6. c. 17).
341. Novimus multos, omnes virtutes numero habuisse, et tamen, negligentia lapsos, ad vitiorum barathrum devenisse (In Matth. hom. 27).
342. Scio opera tua, quia neque frigidus es, neque calidus (Apoc. 3. 15).
343. Tepidus, est, qui non audet Deum mortaliter sciens et volens offendere, sed perfectioris vitae studium negligit; unde facile concupiscentiis se committit (In Apoc. 3. 16).
344. Sunt velut irremissae aegrotatiunculae, quae vitam quidem non dissolvunt, sed ita corpus extenuant, ut, accedente aliquo gravi morbo, statim corpus, vires non habens resistendi, succumbat (De Perf. l. 5. p. 2. c. 16).
345. Utinam frigidus esses aut calidus! sed quia tepidus es, et nec frigidus nec calidus, incipiam te evomere de ore meo.
346. Utinam frigidus esses!
347. Licet frigidus sit pejor tepido, tamen pejor est status tepidi, quia tepidus est in majori periculo ruendi sine spe resurgendi (In Ap. 3. 16).
348. Facilius enim est quemlibet paganum ad fidem Christi adducere, quam talem aliquem a suo torpore ad spiritus fervorem revocare.
349. Frequenter vidimus de frigidis ad spiritalem pervenire fervorem; de tepedis omnino non vidimus (Coll. 4. c. 19).
350. Sicut ante teporem frigidus sub spe est, ita tepor in desperatione: qui enim adhuc in peccatis est, conversionis fiduciam non amittit; qui vero post conversionem tepuit, et spem, qua esse potuit de peccatore, subtraxit (Past. p. 3. c. 1. adm. 35).
351. Major enim quo citius quia sit culpa agnoscitur, eo etiam citius emendatur; minor vero, dum quasi nulla creditur, eo pejus quo et securius in usu retinetur. Unde fit plerumque ut mens, assueta malis levibus, nec graviora perhorrescat, et in majoribus contemnat (Past. p. 3.c. 1. adm. 34).
352. Magna peccata eo justis minus periculosa sunt, quod aspectum satis tetrum exhorrent; at minima periculosiora videntur, quia latenter ad ruinam disponunt (De Perf. l. 5. p. 2. c. 16).
353. Non tanto studio magna peccata esse vitanda, quam parva: illa enim natura adversatur; haec autem, quia parva sunt, desides reddunt. Dum contemnuntur, non potest ad eorum expulsionem animus generose insurgere; unde cito ex parvis maxima fiunt (In Matth. hom.87).
354. Capite nobis vulpes parvulas quae demoliuntur vineas; nam vinea nostra floruit (Cant. 2.15).
355. Culpae leves et imperfectiones vulpes parvulae sunt, in quibus nihil nimis noxium aspicimus; sed hae vineam, id est, animam demoliuntur, quia eam sterilem faciunt, dum pluviam auxilii coelestis impediunt (De Perf. l. 5. p. 2. c. 16).
356. Porro tepidus incipit evomi, cum, permanens in tepore suo, Deo nauseam movere incipit, donec tandem omnino in morte sua evomatur, et a Christo in aeternum separetur.
357. Vomitus significat Deum exsecrari tepidos, sicut exsecramur id quod os evomuit (In Apoc. 3. 13).
358. Calcabis olivam, et non ungeris oleo (Mich. 6, 15).
359. Incipiam te evomere.
360. Si dixeris: Sufficit, — et peristi (Serm. 169. E. B.).
361. Vision c. 51.
362. Maledictus, qui facit opus Dei fraudulenter (Jer. 48, 10).
363. Negligentes Deus deserere consuevit (In Ps. 118, s. 10).
364. Deus vult a seraphinis ministrari; tepido gratiam suam subtrahit, sinitque eum dormire, itaque ruere in barathrum.
365. Qui parce seminat, parce et metet (2. Cor. 9, 6).
366. Omni enim habenti dabitur, et abundabit; ei autem qui non habet, et quod videtur habere, auferetur ab eo (Matth. 25, 29).
367. Malos male perdet, et vineam locabit aliis agricolis, qui reddant ei fructum... (Matth. 21, 44).
368. Seminastis multum, et intulistis parum... et qui mercedes congregavit, misit eas in sacculum pertusum (Agg. 1, 6).
369. Signum est amoris satis tepidi, velle amatum in solis rebus gravibus non offendere, et in aliis, quae non tanta severitate praecipit, ejus voluntatem procaciter violare (De Exterm. mali.l. 1. c. 12).
370. Hostium malitia, qua tam sollicit sunt in nostram perditionem, nos quoque sollicitos faciat, ut in timore et tremore ipsorum nostram salutem operemur (De S. Andrea s. 2).
371. In magno versatur periculo, saepeque, inter tot occasiones quibus plena est vita, in mortale prolabitur (In Apoc. 3, 15).
372. Coeli non sunt mundi in conspectu ejus (Job 15, 15).
373. In multis enim offendimus omnes (Jac. 3, 2).
374. Necesse est de mundano pulvere etiam religiosa corda sordescere (De Quadrag. s. 4).
375. Septies in die cadet justus, et resurget (Prov. 24, 16).
376. Cadet et resurget.
377. Et si non sumus sine peccatis, oderimus tamen ea (Serm. 181. L. B.).
378. Si confiteamur peccata nostra, fidelis est et justus, ut remittat nobis peccata nostra, et emundet nos ab omni iniquitate (1. Jo. 1. 9).
379. Sane tales culpas generaliter exposuisse satis est (Consol. pusil. c. 1 § 4).
380. P. 3. q. 87. a. 3.
381. Sufficit actus quo aliquis detestatur peccatum veniale vel explicite vel implicite, sicut cum aliquis ferventer movetur ad Deum. Triplici ratione, aliqua causant remissionem venialium: 1.º per infusionem gratiae; et hoc modo, per Eucharistiam et omnia Sacramenta, venialia remittuntur; 2.º in quantum sunt cum aliquo motu detestationis; et hoc modo, confessio generalis, tunsio pectoris, et Oratio Dominica operantur ad remissionem; 3.º in quantum sunt cum aliquo motu reverentiae in Deum et ad res divinas; et hoc modo, benedictio episcopalis, aspersio aquae benedictae, oratio in ecclesia dedicata, et si aliqua sunt hujusmodi, operantur ad remissionem venialium.
382. Contingere potest quod tanta devotione mens, per sumptionem Sacramenti, in Domino absorbeatur, quod ab omnibus venialibus expurgetur (De Chr. Dom. s. 12. a. 2. c. 1).
383. Muscae morientes perdunt suavitatem unguenti (Eccl. 10, 1).
384. Dum musca cadit in unguentum, manendo in illo, destruit ejus valorem atque odorem.Spiritualiter, muscae morientes sunt cogitationes vanae, affectiones illicitae, distractiones morosae, quae “perdunt suavitatem unguenti”, id est, dulcedinem spiritualium exercitiorum.
385. Qui cognovit voluntatem domini sui, et non praeparavit, et non fecit secundum voluntatem ejus, vapulabit multis; qui autem non cognovit, et fecit digna plagis, vapulabit paucis (Luc. 12, 47).
386. De Perf. l. 3. c. 13.
387. Quemadmodum singulis diebus in multis offendimus, ita quotidianas expiationes habemus (Parad. an. p. 1. c. 3).
388. Quae impossibilia sunt apud homines, possibilia sunt apud Deum (Luc. 18, 27).
389. Petite, et accipietis.
390. Meritum meum, misericordia tua
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PDF do livro: www.redemptor.com.br

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Carta aberta do Rev. Padre Cardozo

CARTA ABERTA DO REV. PE. ERNESTO CARDOZO

o original e a tradução em Português

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N. Friburgo, 13-5-2012. 95º aniversario de la 1º aparición de Ntra. Sra. de Fátima


Pe. Cardozo e Mons. Lefebvre - 1988
Carta abierta a mis compañeros sacerdotes, fieles y amigos.    

Con la lectura de la carta de los tres Obispos de la Fraternidad a la Casa General  y la respuesta de ésta por parte de Mons. Fellay y sus seguidores, (que tienen más o menos los mismos errores que los manifestados en sus días por Dom Gérard, P. Rifan, P. Muñoz), no me queda más que manifestar: 

1º Nuestra total adhesión a la Fraternidad San Pio X y a su Fundador y por ende mi absoluto apoyo a los tres Obispos que permanecen fieles a la obra de Mons. Lefebvre en quienes pongo mi obediencia.
 

2º Mi desconocimiento de la autoridad de Mons. Fellay dada su pertinacia y alejamiento de los principios del Fundador y de todos quienes  compartan su posición de entrega a Roma, tengan el cargo que tengan y por ende mi repulsa a la postura de este Monseñor fundada en base a sus pareceres y políticas totalmente alejadas del sí-si, no-no del Evangelio y de los fundamentos dados por Mons. Lefebvre. (*)
 

3º Nuestro absoluto rechazo también, a cualquier acuerdo con la Roma modernista, a que este obispo, MF, nos está arrastrando desvergonzadamente en una operación suicidio, haciendo caso omiso de los consejos:
a: del Fundador
b: de sus tres hermanos en el Episcopado
c: de distintos sacerdotes que a lo largo de estos últimos años, le objetaron con las debidas razones los pasos dados hacia la comunión con una iglesia que ella misma se define como “post-conciliar” y no católica, que es enemiga de Ntro. Señor y de su reino universal(¹) y que terminaron expulsados o renunciando para no acabar en la lamentable situación a la que hoy llegamos.
 

4º Por esto hago mi llamamiento a tomar las riendas de la Fraternidad para evitar su desmantelamiento y dispersión a los tres Obispos fieles y que tienen la autoridad legada por el Fundador para ello.
 

5º Convoco a los miembros y fieles que aún guardan un mínimo de lealtad, fidelidad y obediencia al Fundador, a apoyar clara y efectivamente a nuestros tres Obispos leales, quitando todo apoyo a los obsecuentes seguidores de quienes han permitido con su anuencia, colaboración y silencio al actual estado de cosas llevando a la Fraternidad a esta división irremediable.
 

En razón de nuestro carácter de confirmados, esto es, soldados de Xto. Rey, por el juramento anti-modernista que hiciéramos previa a nuestra ordenación, para no terminar en el perjurio y la apostasía, insto a todos a tomar claramente la postura de la Tradición, apoyar con todos nuestros esfuerzos la defensa de la Fraternidad, barca segura en la que tantos objetivos alcanzamos y sobrevivimos a la apostasía de estos tiempos, mientras esperamos una real y completa conversión del Papa y de Roma a la Roma Eterna.
 

Confiados en la consagración hecha otrora de nuestra familia religiosa al Corazón Inmaculado de María, combatir con Ella y para Ella hasta el fin, Amén.   


P. E.J.J.Cardozo
 


(*) En declaraciones de este viernes a la agencia Catholic News Service desde la casa generalicia en Menzingen (Suiza), el superior de la Fraternidad Sacerdotal San Pío X (FSSPX), Bernard Fellay, ha admitido las discrepancias en la congregación en torno a un posible acuerdo con la Santa Sede: “No puedo excluir que pueda haber una ruptura”, afirmó.
Monseñor Fellay explicó a la CNS que, en su opinión, “el movimiento del Santo Padre – porque realmente vino de él - es genuino”: “No parece que haya ninguna trampa. ….SIC!....Por lo que tendremos que examinarlo cuidadosamente y, si es posible, ir adelante”.
En referencia al impulso de Benedicto XVI, Fellay es muy claro: “Personalmente, habría deseado esperar algún tiempo más para ver las cosas más claras, pero es bastante claro que el Santo Padre quiere que suceda ahora”.
Pero no estamos solos para defender la fe. El Papa mismo lo hace,….(SIC!)…
(¹) Mons. Lefebvre en carta del 18-8-1988, con motivo del acuerdo hecho por D. Gérard, escribe a Dom Tomas, prior del Monasterio de Sta. Cruz: “…guardar su libertad y rechazar todo lazo con esta Roma modernista.”


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N. Friburgo, 13/05/2012. 95º aniversário da 1ª aparição de Nossa Senhora de Fátima

Carta aberta aos meus confrades sacerdotes, fiéis e amigos.

Após ler a carta dos três Bispos da Fraternidade à Casa Geral, e a resposta desta por parte de Mons. Fellay e seus seguidores (que tem mais ou menos os mesmos erros que os manifestados, em outra época, por Dom Gérard, P. Rifan, P. Muñoz), nada mais me resta que manifestar: 

1° Nossa total adesão à Fraternidade São Pio X e a seu Fundador e, portanto, meu apoio absoluto aos três Bispos que permanecem fieis à obra de Mons. Lefebvre, em quem coloco minha obediência.

2º Meu desconhecimento da autoridade de Mons. Fellay, dada sua pertinácia e afastamento dos princípios do Fundador, e de todos os que compartilham sua posição de entrega a Roma, independente do cargo que ocupam, e, portanto, minha repulsa à postura deste Monsenhor, baseada em seus pareceres e políticas totalmente apartadas do sim-sim, não-não do Evangelho e dos fundamentos dados por Mons. Lefebvre. (*)

3º Nossa rejeição absoluta, também, a qualquer acordo com a Roma modernista a que esse bispo, Mons. Fellay, está descaradamente nos arrastando em uma operação suicida, ignorando os conselhos:
a: do Fundador;
b: de seus três irmãos no Episcopado;
c: de diversos sacerdotes que, ao longo dos últimos anos, lhe refutaram, com as devidas razões, os passos dados em direção à comunhão com uma igreja que ela própria se define “pós-conciliar” e não católica, que é inimiga de Nosso Senhor e do seu reino universal(¹), e acabaram expulsos ou renunciando, para não acabar na lamentavel situação a que hoje chegamos.

4º Por isto, faço meu chamamento aos três Bispos fiéis e que têm a autoridade legada a eles pelo Fundador, para que assumam o comando da Fraternidade para evitar seu desmantelamento e dispersão.

5º Convoco aos membros e aos fiéis que ainda guardam um mínimo de lealdade, fidelidade e obediência ao Fundador, para apoiarem, de forma clara e eficaz, os nossos três Bispos leais, retirando todo apoio aos obsequiosos seguidores de quem permitiu, com seu consentimento, colaboração e silêncio, o atual estado de coisas, levando a Fraternidade a esta divisão irremediável.

Devido ao nosso caráter de confirmados, isto é, de soldados de Cristo Rei, pelo juramento anti-modernista que fizemos antes da nossa ordenação, para não acabarmos no perjúrio e na apostasia, insto todos a assumirem claramente a postura da Tradição, a apoiar com todos os nossos esforços a defesa da Fraternidade, barco seguro no qual tantos objetivos alcançamos e pelo qual sobrevivemos à apostasia destes tempos, enquanto esperamos uma real e completa conversão do Papa, e de Roma à Roma Eterna.

Confiantes na consagração de nossa família religiosa feita outrora ao Imaculado Coração de Maria, combatamos com Ela e por Ela, até o fim. Amém.


P. E.J.J.Cardozo


(*) Em declarações desta sexta-feira à agência Catholic News Service, da Casa generalícia em Menzingen (Suíça), o superior da Fraternidade São Pio X (SSPX), Bernard Fellay admitiu as discrepâncias na congregação quanto a um possível acordo com a Santa Sé: “Não posso excluir que possa haver uma ruptura”, afirmou ele.
Mons. Fellay explicou à CNS que, em sua opinião, “o movimento do Santo Padre - porque realmente veio dele - é genuíno”: “Não parece haver alguma armadilha (...) SIC! (...) Por isso, teremos que examiná-lo cuidadosamente e, se é possível, ir adiante”.
Em referência ao impulso de Bento XVI, Fellay é muito claro: “Pessoalmente, gostaria de ter esperado um pouco mais para ver as coisas mais claramente, mas é bastante claro que o Santo Padre quer que aconteça agora”.
Mas não estamos sozinhos a defender a fé. O próprio Papa o faz,... (SIC!)...
(¹) Mons. Lefebvre em carta datada de 18/08/1988, por causa do acordo feito por D. Gerard, escreveu a Dom Thomas, prior do Mosteiro de Santa Cruz: “...manter sua liberdade e rejeitar todos os laços com esta Roma modernista”.



Sermão do 5° Domingo Depois da Páscoa 

 pelo rev. Pe. Ernesto Javier Cardozo



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