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domingo, 27 de maio de 2012

Carta de Mons. Lefebvre ao Papa - maio de 1983

Carta de Mons. Lefebvre ao Papa


Publicamos uma carta de Mons. Lefebvre ao Papa, lida por ele mesmo aos seminaristas na conferência espiritual em Ecône em 25 de maio de 1983. Esta [carta] mantém toda a sua atualidade e exprime as profundas razões da batalha da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X pela Fé. 

Santo Padre,

Hoje mesmo, o jornal parisiense Le Figaro estampa como manchete da primeira página, em letras garrafais: O Papa denuncia a opressão das consciências em sua mensagem Urbi et Orbi de 04 de abril de 1983. Certamente, é por causa daquela opressão das consciências, exercida de maneira inconcebível dentro da Igreja, que vós prevedes um decreto para autorizar o antigo rito romano da Missa. Não é, de fato, uma opressão iniqua tirar dos sacerdotes o rito de sua Missa de ordenação e forçá-los, sob pena de suspensão, a adotar um novo rito, de cuja instituição participaram seis pastores protestantes?

É aos pés do Crucifixo que vos respondo, Santo Padre, unido a todos os bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e fieis que sofreram um verdadeiro martírio moral pela imposição forçada desta reforma litúrgica. Quantas lágrimas, quanta dor, quantas mortes prematuras de que são responsáveis aqueles que injustamente impuseram estas mudanças, operadas unicamente em nome de um ecumenismo aberrante. Por isso, a minha resposta quanto ao parágrafo do novo Ordo Missae é negativa.

Os próprios autores da reforma afirmaram que o seu objetivo era "ecumênico". Isto é, destinado a suprimir, sem tocar na doutrina, o que desagrada aos nossos "irmãos separados". Mas é evidente que o que desagrada aos nossos "irmãos separados" é a doutrina da Missa católica. Para lhes dar satisfação, foi instituída uma missa equívoca, ambígua, na qual a doutrina católica foi esvaziada. Como, então, se pode pensar que esta diminuição da Fé foi inspirada pelo Espírito Santo? A própria definição da Missa, mesmo aquela que foi depois corrigida pelo artigo 7 da Instituição, mostra com evidência esta diminuição e, também, a falsificação da doutrina. O uso desta missa ecumênica faz adquirir uma mentalidade protestante, indiferentista, que coloca todas as religiões em pé de igualdade, como o faz a declaração sobre a liberdade religiosa, que tem por base doutrinal os direitos do homem, a dignidade humana mal compreendida e condenada por São Pio X em sua carta sobre o Sillon.

As consequências desse espírito, difundido dentro da Igreja, são deploráveis e arruínam a vitalidade espiritual da Igreja. Em consciência, não nos resta que afastar os sacerdotes e os fiéis do uso deste novo Ordo Missae, se desejarmos que a Fé católica integral permaneça ainda viva. Quanto ao primeiro parágrafo que diz respeito ao concílio, aceito de bom grado assiná-lo no sentido de que a Tradição é o critério de interpretação dos documentos (o que é, por outro lado, também o sentido da nota do concílio sobre a interpretação dos textos), pois é evidente que a Tradição não é compatível com a declaração sobre a liberdade religiosa, de acordo com os próprios peritos, como os reverendos padres Congar e Meuret.

Então, nós não vemos outras soluções para este problema que, primeiro: seja concedida a liberdade de celebrar segundo o rito antigo, de maneira conforme a edição dos livros litúrgicos do Papa João XXIII. Segundo: a reforma do novo Ordo Missae, para dar-lhe uma expressão manifesta dos dogmas católicos da realidade do ato sacrifical, da presença real para uma adoração mais manifesta, da distinção clara entre o sacerdócio do padre e o dos fiéis e da realidade propiciatória do sacrifício. Terceiro: uma reforma das declarações ou expressões do concilio que sejam contrárias ao magistério oficial da Igreja, especialmente na declaração sobre a liberdade religiosa, na declaração sobre a Igreja e o mundo, no decreto sobre as religiões não cristãs etc.

É vital para a Igreja afirmar, através do sacrifício da Missa, que há salvação unicamente através do sacrifício de Nosso Senhor, único Salvador, único Sacerdote, único Rei. A religião católica é a única verdadeira, as outras religiões são falsas e arrastam as almas para o erro e o pecado. Somente a religião católica foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, portanto somente através dela pode haver salvação. Disso se deduz a necessidade, para todas as almas, de um batismo válido e frutuoso, que as torne membros do Corpo Místico de Nosso Senhor. Daí provém a urgência de a Realeza Social de Nosso Senhor estar inscrita nas constituições, para proteger as almas católicas contra os perigos do erro e do vício e para favorecer as conversões para a salvação das almas.

Agora, essas verdades estão imutavelmente negadas ou contraditas implicitamente pelo concílio Vaticano II, com a maior satisfação dos inimigos da Igreja. É urgente, Santo Padre, restabelecer estas verdades, pois são a própria essência e a razão de ser da Igreja, a razão de ser do sacerdócio e do episcopado, do sucessor de Pedro. Santo Padre, eu não tenho que um desejo que animou toda a minha vida e é o de trabalhar para a salvação das almas na mais perfeita submissão ao sucessor de Pedro, segundo a Fé católica que me foi ensinada em minha infância e em Roma, na Cidade Eterna. Para mim, portanto, é impossível assinar qualquer coisa que traga prejuízo a esta Fé. Como é o caso do falso ecumenismo e da falsa liberdade religiosa. Eu quero viver e morrer na Fé católica, penhor da vida beata e eterna.

Que Sua Santidade se digne crer em meus sentimentos respeitosos e filiais.




Este discurso consta do vídeo abaixo (em italiano), uma forte e importante homenagem ao Sacerdote, homem de Igreja, heroi e mártir moral da Fé Católica, Mons. Marcel Lefebvre:




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