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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Catecismo de Trento: o respeito devido aos pais e sacerdotes

DO RESPEITO DEVIDO AOS PAIS E SACERDOTES


Este é um breve texto que traduzi e que será ponto de partida de uma pesquisa maior sobre o assunto, no Catecismo do Concílio de Trento. Fica como reflexão sobre nossos atos em relação a nossos pais carnais e nossos pais espirituais
Entristece-me muito ver tanta falta de respeito para estes que são o Alter Christus a quem deveríamos beijar as mãos incessantemente. Vejo muitos jovens faltando com respeito aos sacerdotes e se achando no direito de criticá-los. A confusão modernista impregnou de tal forma a mente humana que se perdeu a noção das coisas: quem somos, quem são os outros, qual nosso lugar no tempo e no espaço. Impressiona-me, sobremaneira, a falta de decoro e de caridade nas palavras desses jovens que recém aportaram à Tradição e se tornaram o “Martelo de todos-os-que-não-pensam-como-eu”. Por duas linhas que foram lidas apressadamente em algum livro do qual nem conhecem a história, saem, armados até os dentes, atrás de vítimas a catequisar a qualquer custo. Ninguém é poupado, nem mesmo os pais. Principalmente os próprios pais. Pretendem que as pessoas se convertam instantaneamente, como se a conversão deles tivesse sido instantânea: nenhuma foi! Pois, se tu tens dezoito anos... está dezoito anos atrasado! Como podes cobrar de quem tem seu próprio tempo? Fora o fato de que conversão é Graça, e a Graça Deus dá a quem quer e quando quer. E a tira.
Há uma comichão doentia para estudar, por exemplo, São Tomás; no entanto, não se conhecem os rudimentos da Fé. Enverga-se (quando mulher) a saia até o chão, mas dentro é um sepulcro caiado. Não sabem o básico, esses pobres jovens, e querem ditar normas e pregar do púlpito. Quem os doutorou? Quem os investiu com tais poderes? Quem os conduz? Onde estão seus pais, responsáveis, diretores espirituais? Quanta imprudência deixar tais jovens ao léu, achando-se donos do próprio nariz, tanto física como espiritualmente. Do que diferem dos jovens modernos  que eles tanto criticam? Apenas no discurso, eventualmente pelas vestimentas, mas dentro... dentro vejo, por vezes, mais virtudes em pagãos.
Dir-me-iam que sou por demais dura. Talvez. Também diriam que não sou nem pai, nem mãe, nem diretor espiritual deles – isso com certeza, porque é a ‘frase padrão’ usada por esses moços e moças, por todo o Brasil, quando interpelados por seu comportamento inadequado! Mas eu penso que alguém deve alertá-los, ou se víssemos um cego indo para o abismo não o avisaríamos? E, vejam bem, disse “alertá-los”, não “instruí-los”, pois isto, sim, cabe aos responsáveis (morais e/ou espirituais). 
Mas me faz pena ver esses meninos e meninas empolgados em estudar coisas maiores do que eles quando negligenciam outras muito mais importantes para a própria santificação e, portanto, Salvação: o conhecimento e a busca pelas virtudes. Não seria isso mais importante que o tamanho de tua saia, menina? Ou qual escola teológica tem razão, menino? 
Um padre, certa vez, nos disse na homilia que “vivemos para comungar e ir para o céu”. O resto é palha! Estudem, sim, mas: as virtudes, o Catecismo, a vida dos santos... Quando tiverdes praticado tudo o que tiverdes lido, alimentem-se, então, do que seria mais uma suave e prazerosa sobremesa do que a principal refeição: todo o resto que é lícito e bom.
Eu não sei, ainda, se o Catecismo de Trento já tem sua versão em português, e se é confiável. Vou continuar minhas pesquisas nesse sentido e também as minhas orações por estes jovens que a Fé me faz amar mais do que qualquer outra coisa sobre a Terra. Quero vê-los todos no Céu. 

Giulia d'Amore di Ugento

CASTIGOS DE DEUS PARA QUEM DESONRA PAI, MÃE E SACERDOTES 


325 Castigo que espera os transgressores [...] De outro lado, se sobre aqueles que são agradecidos aos próprios pais chovem recompensas de Deus, terríveis castigos são reservados aos filhos desnaturados e ingratos. Está escrito: “Quem tiver lançado imprecações a seu pai e a suã mãe morrera de morte violenta" (Es 21,17; Lv 20,9); "Quem entristece seu pai e expulsa sua mãe é um ser infame e desgraçado" (Provérbios 19,26); "A luz daquele que terá maltratado seu pai ou sua mãe se apagará nas mais absolutas trevas" (Provérbios 20,20); "O olho de quem ridicularia o seu pai e ridiculariza o parto de sua mãe seja escavado pelos corvos das correntezas e devorado pelos filhos da águia" (Provérbios 30, 17). Lemos nas Sagradas Escrituras que muitos levaram ofensa a seus pais, mas também lemos que a ira de Deus enfureceu em vingança; Ele não deixou Davi sem vingança, mas a iniqüidade de Absalão impôs o devido castigo, punindo-o, por causa de seu pecado, com três golpes de lança (2 Sam 18,14). A propósito, então, de quem recusa obediência aos sacerdotes está escrito: "Quem soberbamente recusa obediência ao preceito do sacerdote quando em função, ou à sentença do juiz, morrerá" (Deuteronômio s 17,12).
(N. 325 do Catecismo do Concílio de Trento (1545) - Parte III, Quarto Mandamento: "Honra o pai e a mãe e viverás longamente sobre a terra que o Senhor teu Deus te dará").

Fontes:  
Catecismo de Trento (italiano): Maranatha.it
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento