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terça-feira, 22 de novembro de 2011

São Pio X e a Imaculada

São Pio X e a Imaculada


Conhecemos São Pio X1 pela sua luta contra o Modernismo, pelas disposições que tomou em favor da Primeira Comunhão e da Comunhão frequente, pela reforma litúrgica e gregoriana, ou pela edição do 1º Código de Direito Canônico. É pouco conhecido pela sua devoção a Maria. Por ocasião do centenário da sua encíclica Mariana, Fideliter2 quis preencher esta lacuna e apresentar a devoção à Imaculada do Santo Patrono da Fraternidade fundada por Mons. Lefebvre.

Para compreender a piedade de São Pio X à Imaculada Conceição é preciso recorrer à audiência de 27 de Dezembro de 1908, que o Papa concedeu ao Padre Gebhard3, Procurador-geral dos Monfortinhos4. Nessa audiência, o Papa revelou que conhecia, há muito tempo, o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, de São Luís Maria Grignion de Monfort5: “Vossa Santidade conhece há muito tempo o Tratado do Bem-aventurado de Monfort” — observou o padre. “É verdade — respondeu o Papa — quis relê-lo antes de redigir a minha encíclica sobre a Santíssima Virgem”. Ora, o Protoevangelho6 (Gen. 3, 15), que é o primeiro fundamento histórico de toda a devoção Mariana, segundo o ensinamento de Pio IX e de Pio XII, dado por ocasião da proclamação dos dogmas da Imaculada Conceição (1854) e da Assunção (1950), está na base de todo o Tratado, que dele dá o comentário tradicional nestes termos: “É principalmente por estas últimas e cruéis perseguições do diabo, que aumentarão todos os dias até ao reino do Anticristo, que se deve ouvir esta primeira e célebre predição e maldição de Deus, feita no paraíso terrestre, contra a serpente: ‘Porei inimizade entre ti e a mulher, e a tua raça e a sua; ela esmagar-te-á a cabeça, e tu armarás laços ao seu calcanhar’. Nunca Deus fez e formou senão uma inimizade, mas irreconciliável, que durará e mesmo aumentará até ao fim: é entre Maria, Sua digna Mãe, e o diabo. Não só Deus pôs uma inimizade, mas inimizades, não somente entre Maria e o demônio, mas entre a raça da Santíssima Virgem e a raça do demônio, entre os filhos e servos da Santíssima Virgem, e os filhos e sequazes de Lúcifer. Mas a humilde Maria obterá sempre a vitória sobre esse orgulhoso, e tão grande que irá até lhe esmagar a cabeça, onde reside o seu orgulho. Os seus humildes escravos, que ela suscitará para fazer a guerra, em união com Maria, esmagarão a cabeça do diabo e farão triunfar Jesus Cristo7 (VD 51 a 54).

É o Protoevangelho a chave da compreensão da devoção de São Pio X à Imaculada.

São Pio X terá a alegria de celebrar um primeiro jubileu Mariano: o da proclamação do dogma da Imaculada Conceição por Pio IX, em 1854.

O Jubileu da Imaculada


Numa carta de 07 de Dezembro de 1903, institui súplicas e concede indulgências. Numa carta de 08 de Dezembro de 1903, publica a famosa Oração à Imaculada Conceição, que começa com estas palavras: “Virgem Santíssima, que agradastes ao Senhor e fostes Sua Mãe, imaculada no corpo, na fé e no amor...”. Esta oração retoma o Protoevangelho, traduzido num ato de piedade: “Eia, bendita Mãe, nossa Rainha e advogada, que desde o primeiro instante da Vossa conceição esmagastes a cabeça do inimigo! Acolhei as súplicas que, unidos a Vós num só coração, Vos pedimos apresenteis perante o trono do Altíssimo, para que nunca caiamos nas emboscadas que se nos preparam; para que cheguemos todos ao porto da Salvação...”. É que São Pio X, desde o início do seu Pontificado, compreendeu que entrava no grande combate entre a Imaculada e o diabo. O seu discurso-programa de 04 de Outubro de 1903 testemunha-o: “Pode ignorar-se a doença tão profunda e grave que infecta a sociedade humana e que a arrasta para a ruína? Esta doença é, a respeito de Deus, o abandono e a apostasia. Quem pesa estas coisas tem o direito de temer que tal perversão dos espíritos seja o começo dos males anunciados para o fim dos tempos, e que, verdadeiramente, o filho da perdição de quem fala o Apóstolo tenha já chegado ao meio de nós8. Propondo esta bela oração, o Papa sublinha que é sob o estandarte da Imaculada que se quer lançar na batalha contra “a reunião de todas as heresias9 que é o Modernismo, e que é na Imaculada que põe toda a sua confiança: “Alegrai-vos, Virgem Maria, Vós esmagastes todas as heresias no mundo inteiro10.

A Encíclica do Jubileu

Por ocasião desse primeiro Jubileu11, São Pio X vai redigir a Carta Ad diem illum12, o grande documento Mariano do seu Pontificado. A exemplo do Padre Grignion, constrói todo o documento sobre o Protoevangelho. Começa por recordar o fato histórico: “Ao ver, no futuro, Maria esmagar a cabeça da serpente, Adão contém as lágrimas que a maldição arrancava ao seu coração”. Explica, a seguir, que este dogma é como o nó que liga todos os mistérios da Fé entre si. Afirma, como consequência, que “o anarquismo encontra a sua ruína no dogma da Imaculada Conceição de Maria”, e que, negado este dogma, “o edifício da Fé é revolvido de cima a baixo”. Mostra, em seguida, as suas consequências na vida quotidiana: “Quantos socorros eficazes não encontramos, e na sua própria fonte, para conservar estas mesmas virtudes e praticá-las como convém”. Depois, assegura-nos a eficácia da devoção à Imaculada: “Ninguém duvida que, se nos confiamos a Maria como convém, sentimos que Ela é sempre a Virgem poderosíssima que, com o seu pé virginal, despedaçou a cabeça da serpente”. Enfim, anuncia a vitória prometida ao nosso apelo: “A Virgem não deixará de nos sustentar nas nossas provações, por mais duras que sejam, de modo que, quotidianamente, possamos repetir esta palavra: hoje foi despedaçada por Ela a cabeça da antiga serpente”.

Uma Fraternidade de Alma

O Padre Mura13, em seu livro sobre O Corpo Místico de Cristo, especifica que “a sua bela encíclica não é, em substância, senão uma transposição do livro A Verdadeira Devoção do Bem- aventurado de Monfort: ‘tão bem encontramos, nesta encíclica Mariana, não somente os pensamentos mais familiares do grande servo de Maria, mas, muitas vezes, até as suas expressões’.” Com efeito, o Pontífice retoma os grandes temas do Tratado, a tal ponto que Georges Rigault14, no seu livro sobre o apóstolo mariano, não hesita em afirmar que Pio X “dele se impregnou, a ponto de ter conferido aos pensamentos e às palavras de Monfort a soberana autoridade do seu Magistério”. É tão verdade que, em 27 de Dezembro de 1908, o Santo Papa abençoará o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem e seus leitores: “Aquiescendo às vossas preces, recomendamos fortemente o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, tão admiravelmente redigido pelo Bem-aventurado de Monfort, e concedemos com amor, aos seus leitores, a Bênção Apostólica15.

Nesse mesmo dia, Pio X, inscrevendo o seu nome na seção sacerdotal da Confraria Maria Rainha dos Corações16, vai revelar ao Padre Gebhard ter feito a consagração mariana monfortina à Imaculada: “Em lembrança das Vossas bodas de ouro sacerdotais — pergunta-lhe o Padre — dignar-se-á Vossa Santidade dar também o Vosso nome à nossa associação?” “Sim, de boa vontade me inscrevo no número dos Padres de Maria”, respondeu o Papa. Daí o júbilo dos padres monfortinos na revista Le Règne de Jésus par Marie, em 1909: “Já foi tempo em que era necessário, com grande cópia de erudição, defender uma prática que desagradava porque era desconhecida. Hoje, mostra-se ao mundo revestida de suprema aprovação. O Papa falou tão claramente que qualquer Católico compreenderá17.

O Jubileu de Lourdes

Quatro anos após o jubileu do dogma, São Pio X terá a alegria de celebrar o jubileu da Aparição da Imaculada Mãe de Deus em Lourdes18. Desde o início do seu Pontificado, São Pio X tinha querido embelezar a Gruta de Lourdes19 no Vaticano. Uma carta de 21 de Janeiro de 1904 ao Bispo de Tarbes20 testemunha-o: “A primeira vez que visitamos os jardins do Vaticano, ficamos surpreendidos ao verificarmos que, diante da santa imagem da Virgem de Lourdes, não havia uma lâmpada ou outro símbolo de culto. Falamos a Mons. Radini-Tedeschi21, exprimindo-lhe o Nosso desejo de que a gruta fosse embelezada e provida de tudo o necessário para poder celebrar-se ali a Santa Missa”.

Numa carta de 24 de Dezembro de 1907, São Pio X anuncia que convém que ele seja “junto da augusta Mãe de Deus, o intérprete do reconhecimento público”. Para isso, nomeia o Arcebispo de Bordeaux22 Legado para as “santas solenidades que se preparam em Lourdes, por ocasião do cinquentenário do dia em que a Imaculada Mãe de Deus, em aparições maravilhosas, se manifestou nessa cidade”.

Uma Festa Litúrgica Única

Por ocasião deste segundo jubileu mariano, São Pio X vai estender à Igreja Católica do mundo inteiro a festa da Aparição, em Lourdes, da Bem-aventurada Virgem Maria Imaculada: “Sua Santidade, movido sobretudo pela sua devoção constante à Mãe Imaculada de Deus, e na esperança de que o desenvolvimento do culto à Mãe Imaculada atrairá à Igreja de Cristo, nestes tempos difíceis, os socorros multiplicados da sua poderosa proteção, ordenou que a festa da Aparição da Bem-aventurada Virgem Imaculada seja celebrada anualmente, em 11 de Fevereiro, a partir do próximo ano, cinquentenário das Aparições da Virgem Mãe de Deus nas margens do Gave23.

As aparições de Lourdes são, atualmente, as únicas que beneficiam de uma festa inscrita no calendário litúrgico universal da Igreja: seja nas Américas, na Europa, na África, na Ásia, ou nas regiões mais recuadas da Oceania, todos os anos, em 11 de Fevereiro, graças a São Pio X, todos os Católicos celebram a Aparição da Bem-aventurada Virgem Imaculada na França.

Verifica-se, com São Pio X, o anúncio do padre [São Luís Maria] de Monfort: “O Altíssimo, com Sua Santa Mãe, devem suscitar grandes santos. Estas grandes almas serão singularmente devotas à Santíssima Virgem. A formação e a educação dos grandes santos que se apresentarão no fim do mundo estão-lhe reservadas24. De fato, São Pio X é o último Papa canonizado. Pela sua devoção à Imaculada, São Pio X protegeu sobretudo a Fé Católica do verme roedor do Modernismo. Com efeito, é seguindo o ensinamento de São Luís Maria que a devoção à Imaculada Conceição faz os grandes defensores da Fé: “A Santíssima Virgem vos dará parte da sua Fé, que foi maior sobre a Terra do que a Fé de todos os Patriarcas, Profetas, Apóstolos e todos os Santos. Quanto mais ganhardes a benevolência desta augusta Princesa e Virgem fiel, mais tereis fé pura na vossa conduta25.

São Pio X, Papa Mariano, rogai por nós!

Padre Guy de Castelain


*Confraria Maria Rainha dos Corações, Priorado São Luis, Nantes, França 

Fonte: Revista “Semper” – Priorado da FSSPX em Lisboa, Portugal.
Revisão: Giulia d'Amore di Ugento.



[1] NdRª.: Biografia de São Pio X, Papa
[2] NdRª.: Revista oficial do Distrito Francês da FSSPX.
[3] NdRª.: Hubert-Marie Gebhard (1876-1939), religiosos francês, Procurador-Geral dos monfortianos, mariólogo.
[4] NdRª.: Companhia de Maria (Societas Mariae Montfortana) é um instituto religioso masculino de direito pontifício fundado (1705) por São Luís Maria Grignion de Montfort em Poitiers, na França. Os sacerdotes da Companhia de Maria são conhecidos como monfortianos (SMM) e Irmãos do Espírito Santo. O instituto foi aprovado oralmente (1748) pelo Papa Bento XIV e por escrito (1825) pelo Papa Leão XII. O fundador, beatificado em 1888 pelo Papa Leão XII, foi proclamado Santo pelo Papa Pio XII (1947). Os padres monfortinos estão presentes em quase todo o mundo, contando com aproximadamente 700 padres e 190 casas. São Luiz fundou também. Da Companhia Maria provém também as Filhas da Sabedoria (vide nota abaixo) e o instituto Irmãos de São Gabriel (Institutum Fratrum instructionis christianae a S.Gabriele), fundado (1853) por padre Gabriel Deshayes, superior geral da Companhia (1821), para reanimar a comunidade docente católica leiga na França. Os gabrielistas (SG) e se dedicam à educação da juventude. Contam com aproximadamente 1200 religiosos (dos quais 26 são sacerdotes) e cerca de 260 casas. Gabriel Deshayes contribuiu também com a fundação do instituo Irmãos da Instrução Cristã de Ploërmel (Institutum Fratrum instructionis christianae de Ploërmel), FICP, fundada pelo padre Jean-Marie de La Mennais em 1817 e composta de professores religiosos leigos, para contrapor-se aos professores laicos da Bretanha.
[5] NdRª.: Louis-Marie Grignion (1673-1716), mais conhecido como São Luís Maria Grignion de Montfort foi um sacerdote francês e um santo católico, reconhecido por ser um pregador e um escritor, cujos livros são amplamente lidos nos dias atuais e considerados de extrema importância no Magistério da Igreja Católica. Foi um dos primeiros defensores do que se denomina atualmente de Mariologia e poderá se tornar em breve Doutor da Igreja. Fundou a Companhia de Maria (vide nota) e, junto com a Beata Marie-Louise Trichet, o instituto feminino Filhas da Sabedoria (Institutum Filiarum a Sapientia - 1703), cujas religiosas são chamadas de monfortianas (FdLS, do francês Filles de la Sagesse) e são hoje cerca de 2000, com 288 casas por todo o mundo. São Luís estava constantemente ocupado em missões de pregação, mas ele encontrou tempo para escrever - o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, O Segredo de Maria e O Segredo do Rosário, como também as regras para a Companhia de Maria e as Filhas da Sabedoria e muitos hinos. Foi um padre que influenciou os Papas Leão XIII, Pio XII e João Paulo II. O santo costumava recolher na gruta de Mervent para meditar. "Só Deus" é o lema de São Luís Maria Grignion de Montfort e repete-se mais de 150 vezes em seus escritos. Obras completas de São Luís de Montfort.
[6] NdRª.: Com Protoevangelho, a Igreja se refere ao texto bíblico de Genesis 3,15, que faz parte da maldição de Deus à serpente por induzir Adão e Eva à desobediência, e a teologia cristã considera uma profecia da futura vinda do Messias, que redimiria a Humanidade arrancando-a da condenação pelo pecado cometido. Deus manifesta assim sua graça e sua misericórdia, como na condenação da Humanidade havia manifestado a sua justiça.
[7] NdRª.: Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, S. Luís Maria G. de Montfort. Cap. I; Art. II; n. 51-54.
[8] NdRª.: Na verdade, trata-se da Encíclica E Supremi Apostolatus (em português – FSSPX) de 04/10/1903. Pio X.
[9] NdRª.: Encíclica Pascendi Dominici Gregis (em português – Vaticano) de 08/09/1907. Pio X.
[10] NdRª.: Gaude, Maria Virgo: cunctas haereses sola interemisti in universo mundo. Segundo dois pesquisadores - A. EMMEN e H. BARRÉ – esta antífona é anterior ao ‘700, isto é, vem de um século antes de Carlo Magno, e é a síntese de um responsório mais articulado que, segundo Barré, dizia assim: “Alegrai-vos, Virgem Maria, Vós sozinha destruístes todas as heresias [falta in universo mundo]. Vós que acreditastes na palavra do arcanjo Gabriel quando, Virgem, gerastes Deus [feito] homem, Vós permanecestes inviolada depois do parto”. Deste responsório foi extraída a antífona introduzida em 1568 no breviário e no Missal de São Pio V por ocasião da festa da Anunciação, com o acréscimo do in universo mundo. Fonte.
[11] NdRª.: Refere-se ao Jubileu da promulgação do Dogma da Imaculada Conceição, no dia 08 de Dezembro de 1854, pelo Papa Pio IX, com a Bula Ineffabilis Deus. Duas aparições marianas reconhecidas pela Igreja  são ligas a este dogma e o confirmam diretamente: a de 1830, a Catherine Labouré, no mosteiro parisiense de Rue de Bac (ap. conhecida como ‘Nossa Senhora da Medalha Miracuolosa’); e a de 1858, a  Bernardette Soubirous, em Lourdes, na França, à qual Nossa Senhora falou, em língua occitana (langue d'oc): “Que soy era Immaculada Councepciou”, ou seja, “Eu sou a Imaculada Conceição”.
[12] NdRª.: Encíclica Ad Diem Illum Laetissimum (em português – Capela.org) de 02/02/1904, por Pio X.
[13] NdRª.: Ernest Mura, padre.
[14] NdRª.: Georges Rigault, escritor e historiador francês, escreveu, entre outros livro, a história de São Luís de Montfort: Saint Louis-Marie Grignion De Monfort.
[15] NdRª.: Padre Gebhard levou até Sua Santidade uma súplica, por escrito, para pedir uma benção especial e apoio. O Papa, tomou a ‘suplica’ e escreveu, de próprio punho a benção citada. Fonte. Pode-se ler a benção no PDF do Boletim da Confraria n. 1, na nota abaixo, à pág. 1.
[16] NdRª.: Confraria Maria Rainha dos Corações, fundada por São Luís de Montfort em 1899, na cidade de Otawa, no Canada, foi elevada a arquiconfraria por São Pio X, em 1913.
[17] NdRª.: Revista monfortiana Le Règne de Jésus par Marie, de 15 de Janeiro de 1909, volume VIII, N°1, e de 15 de março de 1909, volume VIII, N°3. Boletim da Confraria n. 41 – editado pela FSSPX (PDF).
[18] NdRª.: Nossa Senhora de Lourdes é o nome com o qual a Igreja venera Nossa Senhora, a Mãe de Jesus Cristo, que apareceu nas proximidades da cidade de Lourdes, na França, de 11 de fevereiro a 16 de julho de 1858. A aparição ocorreu no ano previsto, doze anos antes, pela própria Nossa Senhora em La Salette, França (1846). Nossa Senhora apareceu, por dezoito vezes, à jovem camponesa Marie-Bernarde Soubirous (1844-1879), a Bernadette, que foi beatificada em 1925 e canonizada em 1933, por Pio XI, Santa Bernadete de Lourdes, não tanto por ter sido objeto da aparição de Nossa Senhora, mas pela santidade de sua vida. Aos 22 anos, entrou para o convento das Irmãs da Caridade, em Nevers, França, onde viveu até sua morte, devido a complicações de uma tuberculose óssea no joelho direito. Seu corpo, exumado em 22 de Setembro de 1909, foi encontrado em estado de incorruptibilidade. Seu corpo foi exumado mais duas vezes (1919 e 1925) e continuava incorrupto. É a patrona dos doentes e de Lourdes. Sua memória é celebrada no dia 16 de abril, dia de sua morte. As aparições: Bernadette viu uma ‘dama’, na gruta de Massabielle, perto do rio Gave de Pau, nas cercanias da cidade, enquanto ela estava recolhendo lenha com a irmã e um amigo. Em uma das aparições, Nossa Senhora lhe disse: "Eu prometo fazer você feliz não neste mundo, mas no próximo". Em outra, a ‘dama’ convidou Bernadette a cavar o chão e beber a água da nascente que lá encontrou. A notícia se espalhou e essa água foi ministrada a doente e muitas curas milagrosas foram noticiadas, sete das quais foram confirmadas como desprovidas de qualquer explicação médica pelo professor Verges, em 1860. A primeira pessoa com um milagre certificado foi uma mulher, cuja mão direita tinha sido deformada em consequência de um acidente. O governo vedou o acesso à Gruta e determinou sanções mais duras para quem tentasse chegar perto dela. As aparições de Lourdes tornaram-se uma questão nacional na França, resultando na intervenção do imperador Napoleão III, que deu a ordem para reabrir a gruta aos 04 de Outubro de 1858. Mesmo com a proibição, Bernadette conseguia visitar a gruta à noite. Lá, em 25 de março, a aparição lhe disse: "Eu sou a Imaculada Conceição”. Em 16 de Julho, Bernadette foi pela última vez à Gruta e relatou que "nunca a tinha visto tão bonita antes". Em 18 de Janeiro de 1860, Dom Laurence, Bispo de Tarbes e Lourdes, declarou que: "A Virgem Maria apareceram de fato a Bernadette Soubirous". E, em 18 de Janeiro de 1862, o bispo deu a declaração solene: "Inspirados pela Comissão composta por sábios, doutores e experientes sacerdotes que questionaram a criança, estudaram os fatos, examinaram tudo e pesaram todas as provas. Chamamos também a ciência, e estamos convencidos de que as aparições são sobrenaturais e divinas, e que por consequência, o que Bernadette viu foi a Santíssima Virgem Maria. Nossas convicções são baseadas no depoimento de Bernadette, mas, sobretudo, sobre as coisas que têm acontecido, coisas que não podem ser outra coisa senão uma intervenção divina". O Papa Pio IX, então, autorizou o bispo local a permitir a veneração da Virgem Maria em Lourdes.
[19] NdRª.: Uma réplica exata da gruta que está em Massabielle foi doada pelos franceses, em 1902, ao Papa Leão XIII (1878-1903) e foi instalada nos jardins do Vaticano, no coração espiritual do parque. Foto.
[20] NdRª.: Bertrand-Sévère Mascarou Laurence (1844-1870), Bispo de Tarbes e Lourdes.
[21] NdRª.: Giacomo Maria Radini-Tedeschi (1857-1914), religioso italiano, Bispo de Bergamo (1905-1914). Foi canônico vaticano e docente de sociologia no Colégio Leoniano em Roma. Teve por secretário dom Angelo Roncalli, futuro Papa João XXIII.
[22] NdRª.: Victor-Lucien-Sulpice Lécot (1831-1908), Arcebispo de Bordeaux (1890-1908) e Cardeal (1893) por Papa Leão XIII. Foi nomeado por São Pio X Legado Pontifício para representá-lo em Lourdes, em particular durante o tríduo de fevereiro.
[23] NdRª.: Carta de 12 de julho de 1914 (um mês antes de sua morte). São Pio X.
[24] NdRª.: Montfort, Ob cit., Cap. I , Art. II, n. 47, 48 e Art. I, n. 35.
[25] NdRª.: Montfort, Ob cit., Cap. VI, Art. II, n.  214.

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